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domingo, 29 de janeiro de 2017

Especial de Domingo

Nestes 90 anos da travessia do Oceano Atlântico pelo avião Jahú,  o NINJA - Núcleo Infantojuvenil de Aviação promoverá diversas ações para comemorar a data. Hoje, saiba mais sobre a iniciativa do pesquisador Alexandre Ricardo, que preserva a memória do voo do Jahú em coleção de itens culturais. 
Boa leitura.
Bom domingo!

Voo do Jahú: 90 anos
Há 90 anos, no dia 28 de abril de 1927, o avião Savoia-Marchetti S-55, chamado Jahú, serviu para primeira travessia do Atlântico Sul por uma tripulação 100 % brasileira composta por João Ribeiro de Barros (comandante), João Negrão (copiloto), Newton Braga (navegador) e Vasco Cinquini (mecânico). À época, a histórica travessia despertou comoção na população, que recebeu em festas, em várias cidades do Brasil, os heróis da jornada sobre o Oceano Atlântico. O reide aéreo imprimiu modismos na cultura nacional.

Produtos e estabelecimentos comerciais receberam o nome de “Jahú”, em homenagem aos corajosos tripulantes. Desfiles e bailes foram agendados para receber os navegadores. Esses aspectos culturais despertaram a percepção do publicitário Alexandre Ricardo Baptista.

Para contribuir com a preservação desse fato histórico, Alexandre pesquisou e montou uma coleção com 216 itens culturais, dos mais variados tipos, com a marca Jahú. O interesse em pesquisar nasceu há mais de quinze anos, quando foram adquiridos os primeiros itens do acervo.

Um dia no museu
O acaso e a curiosidade fizeram Alexandre Ricardo ter interesse pelas informações culturais do Jahú. “Sempre gostei de aviação” – conta o publicitário - “mas não tinha noção da História da Travessia, e muito menos da existência do avião Jahú. Sabia que os brasileiros haviam atravessado o Atlântico a bordo do Jahú, mas não sabia que ele ainda existia e, muito menos que se encontrava próximo. Na década de 90, eu fazia um curso de dublês e treinávamos no Parque do Ibirapuera. Um dia minha noiva, hoje minha esposa, que treinava comigo, e eu, entramos no então “Museu da Aeronáutica”, que ficava situado onde hoje é conhecido como “Oca”. O Museu da Aeronáutica estava fechado havia vários anos e como a porta estava aberta e eu sou muito curioso, resolvi entrar e espiar. Logo na entrada estava um Gloster Meteor da FAB e quando olho para o pavimento inferior, quase caio para trás! Avistei o Jahú, vermelho, um tanto deteriorado, mas com toda sua imponência, ao lado do Cessna da Ada Rogato”.

O primeiro item: um livro
Alexandre deu uma espiada e, naquele momento, um guarda pediu que ele saísse, porque o museu estava fechado. No entanto, abriu-se a vontade de conhecer mais sobre aquele avião e a sua história. Em meados de 1995, ele ganhou um livro de um conhecido, sobre a história da Travessia. Era o livro “Azas ao Vento”, do navegador Newton Braga, que se tornaria o primeiro item da sua rica coleção. Ao ler o livro, uma espécie de diário de bordo, percebeu a importância e a repercussão que a travessia causou na sociedade brasileira da época e porque não dizer mundial, já que a travessia do Atlântico era um feito tentado por muitos, mas que poucos conseguiram. “A partir daí, comecei a pesquisar e me aprofundar mais na História e a garimpar qualquer item que fizesse menção ao Jahú ou a Travessia do Atlântico”, diz Alexandre, que nasceu em São Paulo e morou por 10 anos, durante a adolescência, na cidade de Jaú (SP), terra de seus pais e do comandante do S-55, João Ribeiro de Barros.

Manter viva a história
O trabalho de colecionar itens do avião Jahú tem uma meta nobre. “Meu objetivo é manter viva esta parte de nossa História e principalmente da História da Aviação, que hoje, pode parecer de pouca importância, mas foi um grande feito para a época e para as linhas comerciais que surgiram depois”, assegura o colecionador. As primeiras peças do acervo foram o livro “Azas ao Vento”, uma medalha comemorativa e um quadro com uma fotomontagem. Para chegar aos 216 objetos do seu acervo, Alexandre comprou e ganhou itens de diversos assuntos que fazem menção direta ou indiretamente ao Jahú ou a Travessia do Atlântico, desde medalhas comemorativas a partituras musicais, de selos a camisas de times de futebol com o nome do Jahú. Grande parte da coleção foi ofertada por pessoas que sabem de seu interesse no assunto.

Manuseio do material
O acervo do pesquisador Alexandre suporta a exposição “Jahú: influência de uma época”, a qual pode ser solicitada para montagem em escolas, museus e instituições culturais. O manuseio do material é cuidadoso. “Procuro sempre manter limpo e, quando possível, em funcionamento todos os itens da coleção. Não sigo a recomendação de colecionadores e associações que dizem que um item de coleção deve manter a aparência em que se encontra, mantendo a patina original que se formou por décadas. Quando não oferece risco ao material do item, procuro deixá-lo com a aparência mais próxima possível de quando estava novo na época em que foi confeccionado”, comenta Alexandre.

Mostras
As principais mostras já montadas por Alexandre foram no Museu da TAM, em São Carlos (SP), de 07 de junho a 30 de julho de 2012, quando foi visitada por 20.200 pessoas; no Museu Municipal, em Jaú (SP), de 28 de abril a 30 de outubro de 2013; no Núcleo Infantojuvenil de Aviação – NINJA, em Ubatuba (SP), dias 21 e 22 de agosto de 2014. A exposição “Jahú: influência de uma época” é uma das formas do pesquisador divulgar a história daquela travessia em voo sobre o Atlântico em 1927. “Sempre divulgo a data da Travessia do Atlântico, que é comemorada oficialmente no dia 28 de abril, nos meios de comunicação. E durante as exposições, nas quais muitos podem ter a ideia de como foi importante aquele feito”, diz Alexandre, cuja atividade cultural resulta em repercussão positiva, pois muitos o procuram principalmente durante ou após as exposições, para dizer o quanto acrescentou a seus conhecimentos, pois a maioria nem tinha ideia do feito, ou se conhecia, nem sabia sobre os diversos produtos que foram criados para homenagear a jornada do Jahú.

O colecionador pretende criar um site, no qual exporá a coleção com histórico descritivo de cada item, além da publicação de um livro que está escrevendo.

Texto: Redação do NINJA