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Voar é um desejo que começa em criança!

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

C-390 Millennium

Embraer considera terceira linha de montagem do C-390 Millennium, nos EUA, em possível expansão global
A Embraer está considerando a instalação de uma terceira linha de montagem do cargueiro militar C-390 Millennium, nos Estados Unidos, o que poderia ampliar significativamente a produção mundial da aeronave.

A decisão depende da concretização de uma grande encomenda norte-americana, conforme revelou o presidente e CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, durante a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026.

Atualmente, a produção do C-390 ocorre na fábrica de Gavião Peixoto, São Paulo, com capacidade prevista para 10 aeronaves por ano até 2030. A Embraer também estuda a criação de uma segunda linha na Índia, ligada ao programa da Força Aérea Indiana, que pode requerer entre 60 e 80 unidades, suficiente para sustentar uma estrutura industrial local.

A possível terceira linha nos EUA complementaria essa estratégia, distribuindo a produção entre continentes. A expansão da capacidade industrial americana é vista como estratégica para fortalecer a presença da Embraer no mercado de defesa dos Estados Unidos, facilitando o atendimento a requisitos como cadeia de suprimentos e suporte local.

Em 2026, a Embraer firmou parceria com a Northrop Grumman para oferecer o C-390 à Força Aérea dos EUA, o que reforça a importância de uma base industrial no país. Apesar dos avanços, não há confirmação pública de que a Força Aérea norte-americana vá formalizar um pedido que justifique a criação da linha americana, portanto tudo está condicionado.

O C-390 tem ampliado sua presença internacional, com contratos recentes para a Colômbia, Emirados Árabes Unidos e Coreia do Sul, que será o primeiro operador asiático. A Embraer reportou em 2026 um backlog de 46 aeronaves firmes, com 33 pendentes de entrega, além de opções para outras 19 unidades. 

Fonte: AEROIN / Carlos Ferreira

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domingo, 16 de agosto de 2026

Especial de Domingo

Reproduzimos conteúdo que destaca as diversas fases da aviação naval brasileira e, também, os primeiros raids desta Força precursora da aviação militar no país.
Boa leitura.
Bom domingo!

A Aviação da Marinha do Brasil
A história da Aviação Naval Brasileira se inicia a 23 de agosto de 1916, com a assinatura, pelo Presidente Wenceslau Braz, do Decreto de criação da Escola de Aviação Naval, primeira escola militar de aviação do país e, portanto, o berço da nossa aviação militar e o marco de nascimento da Aviação Naval.

Em 1911, cinco anos após o voo pioneiro de Santos Dumont, dois fatos antecessores à criação da aviação naval já mostravam o interesse da Marinha sobre as aeronaves, em uma visão prospectiva das potencialidades do seu emprego no campo militar:

1º) O Tenente da Marinha Jorge Henrique Moller recebeu o brevet de piloto, na França, sendo o primeiro militar brasileiro a receber tal qualificação (29/04/1911).

2º) A fundação do Aero Clube Brasileiro, tendo como seu primeiro presidente o Almirante José Carlos de Carvalho (14/10/1911).

Primeira Fase
De suas instalações iniciais na carreira do antigo Arsenal de Marinha, a Escola de Aviação Naval passou depois para a ilha das Enxadas, e posteriormente para a ponta do Galeão, onde funcionou até 1941, quando, em função da criação do Ministério da Aeronáutica, os meios aéreos foram transferidos para a Força Aérea Brasileira.

Este período inicial de vinte e cinco anos - 1916 a 1941 - conhecido como a primeira fase da Aviação Naval, registra a ocorrência de diversos fatos marcantes, pelo pioneirismo das atividades desenvolvidas, tais como: realização dos primeiros "raids" aéreos entre as cidades do Rio de Janeiro e Angra dos Reis, e entre o Rio de Janeiro e Campos; transporte da primeira mala aérea civil e da primeira mala aérea militar; o primeiro voo de Santos Dumont, como passageiro, em uma aeronave militar brasileira; primeiro voo de um Presidente da República em uma aeronave militar brasileira; e a participação de aviadores navais brasileiros em operações reais de patrulha, durante a Primeira Guerra Mundial, integrando o 10° Grupo de Operações de Guerra da Royal Air Force (RAF).

Segunda Fase
Em 1952, portanto após um intervalo de onze anos, ressurge a Aviação Naval, dando início à sua segunda fase com a criação da Diretoria de Aeronáutica da Marinha, prevista na Lei nº1658, de 04 de agosto de 1952, que estabelecia uma nova organização administrativa para o Ministério da Marinha. Somente em 1958 a Marinha receberia suas primeiras aeronaves e, em 1961, seria incorporado o navio-aeródromo Minas Gerais e criada a Força Aérea Naval.

Terceira e Quarta Fases
A partir de 1965, quando, por Decreto Presidencial, a Marinha ficou restrita às aeronaves de asa rotativa, os helicópteros.

Desde 08 de abril de 1998, com a assinatura do Decreto Presidencial nº 2538; vive-se a quarta fase da Aviação Naval, passando a Marinha a ter a capacidade de operar aeronaves a reação de asas fixas, os AF-1 Skyhawk.


A Aviação Naval hoje
A construção do Complexo Aéreo Naval em São Pedro da Aldeia, RJ, que sedia o Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval - CIAAN; a aquisição de unidades aéreas; a incorporação do porta-aviões Minas Gerais e posteriormente do São Paulo, já desincorporados, são exemplos de fatos na história da aviação da Marinha do Brasil.

Atualmente, a Aviação Naval é composta, basicamente, do Comando da Força Aeronaval, sediada em São Pedro da Aldeia, à qual estão subordinadas a Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia, o Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval, a Policlínica Naval de São Pedro da Aldeia, o Depósito Naval de São Pedro da Aldeia, cinco Esquadrões de Helicópteros e um Esquadrão de Aviões, e de mais três Esquadrões de Helicópteros sediados um em Manaus, subordinado ao Comando Naval da Amazônia Ocidental, um em Ladário, subordinado ao Comando do 6° Distrito Naval e mais um subordinado ao 5° Distrito Naval.

Além dos exercícios operativos que realizam com os nossos fuzileiros navais ou embarcados nos navios da Esquadra e das Forças Distritais, os helicópteros também participam de comissões hidrográficas em navios da Diretoria de Hidrografia e Navegação, nas Operações Antárticas e, ainda, em diversas missões de apoio, destacando-se as de caráter humanitário, tais como as de busca e salvamento e as de transporte em programas sociais do governo federal.

O principal navio porta-helicópteros e atual nau capitânia da Marinha do Brasil é o NAM Atlântico (A-140), formalmente classificado como Navio-Aeródromo Multipropósito. Ele é o maior navio de guerra em operação na América Latina, medindo 203 metros de comprimento e com deslocamento de cerca de 21.500 toneladas.


O ingresso na Aviação Naval

Para ser piloto ou técnico da Aviação Naval é necessário, primeiramente, ser Oficial, praça ou graduado da Marinha, no Corpo da Armada ou de Fuzileiros Navais. Depois, por concurso interno, são selecionados os que desejam trabalhar na aviação naval. Visite o site da Marinha do Brasil (www.marinha.mil.br) e saiba mais.

Os primeiros "raids" da Aviação Naval
Viagens de aviões são realizadas nos dias de hoje praticamente para qualquer lugar do planeta. Voos de longa distância tornaram-se tão frequentes quanto viagens locais. Mas essa realidade atual difere muito da aviação nas duas primeiras décadas do século XX. Era uma época de pioneirismo.

As aeronaves existentes eram precárias e pouco potentes. Os aviadores com mais experiência mal chegavam a ter dez anos de pilotagem e os recursos em solo e auxílio à navegação aérea praticamente não existiam. Todos esses fatores faziam dos voos não locais verdadeiras epopeias aéreas. Por essa razão qualquer voo que ultrapassasse as cercanias dos centros de aviação eram considerados "raids" aéreos.

O primeiro "raid" aéreo da Aviação Naval Brasileira ocorreu pouco depois da chegada e montagem das aeronaves Curtiss modelo F 1914 da Escola de Aviação.

Foto de um dos Curtiss Modelo F 1914 tirada em 1918, em frente a Praça Mauá, Baía de Guanabara. Raramente eram vistos fora da Baía devido principalmente a inexperiência dos pilotos e às limitações das aeronaves. Foto: SDM

A Marinha possuía aviadores com pouca experiência e os aviões recém adquiridos ainda eram novidades para os oficiais brasileiros. Portanto, coube ao instrutor de voo, mecânico e também consultor da empresa Curtiss, Sr. Orthon W. Hoover, a pilotagem da aeronave. Ao seu lado, estava o Comandante da Escola de Aviação Naval Capitão-de-Corveta Protógenes Guimarães.

Os dois integrantes do voo antes da partida do primeiro "raid"

Na manhã do dia 12 de outubro de 1916, a aeronave Curtiss F "C1" decolou das proximidades da Ilha das Enxadas (atual CIAW) rumo a Enseada Baptista das Neves, em Angra dos Reis, onde funcionava o Colégio Naval.

Colégio Naval em Angra dos Reis

O voo de regresso foi adiado para 14 de outubro em função das condições climáticas desfavoráveis. No dia 14, logo após a decolagem, um vento forte fez com que o os tripulantes optassem por um pouso na Baía de Sepetiba, em busca de proteção. A demora do retorno da aeronave ao Rio de Janeiro fez com que fosse acionada uma operação de busca e salvamento.

Posteriormente, os tripulantes conseguiram enviar um telegrama, a partir de Itacuruçá, informando sobre o pouso. A aeronave ali permaneceu até que uma embarcação da Marinha providenciasse o reabastecimento. Na manhã do dia 15, a aeronave decolou e executou o seu translado final até a Ilha das Enxadas (1). Às 11:30h, o primeiro "raid" era concluído com sucesso e muita aventura.

Dispondo de poucas aeronaves, infra-estrutura precária e tendo como prioridade a instrução básica de aviadores navais brasileiros, os anos de 1917 e 1918 não tiveram voos de longa duração. Somente em 1919 os "raids" seriam retomados. Agora comandados por pilotos brasileiros. Em 15 de agosto, amerrissava em Ilha Grande o aerobote biplano Curtiss HS-2L nº 11.

Um voo mais longo seria executado em 17 de outubro do mesmo ano. Sob o comando do então Tenente Delamare, o HS-2L nº 15 amerrissou nas águas do estuário do porto de Santos/SP (2). A barreira interestadual havia sido quebrada. O próximo passo era alcançar os países vizinhos.

Um dos desafios aéreos no ano de 1920 foi a realização de um "raid" entre as capitais do Brasil (Rio de Janeiro) e da Argentina (Buenos Aires). As primeiras duas tentativas, realizadas por pilotos estrangeiros (o primeiro um inglês e o outro um argentino), não tiveram sucesso. No dia 6 de outubro de 1920, o então Tenente Delamare, em companhia de um sub-oficial, decolou com um Macchi M9 para tentar realizar a façanha aérea.

Modelo Macchi M.9

No mesmo dia atingiu a cidade de Santos e decidiu prosseguir viagem. Passando próximo de Camburiú/SC, a aeronave teve uma avaria no comando dos ailerons.

Esse problema fez com que eles descessem para reparos. Após os reparos, a aeronave iniciou a sua decolagem quando então o casco atingiu uma rocha submersa. Mesmo após o impacto, o avião conseguiu decolar e prosseguiu viagem. Próximo ao entardecer, decidiram pousar perto de Anhatomirim/SC para o pernoite.

As avarias no casco fizeram com que a aeronave naufragasse próximo à praia. O avião foi então desmontado e rebocado para Florianópolis/SC, onde reparos de emergência foram feitos (2). A viagem só pode prosseguir no dia 16 de outubro, quando o Macchi 9 decolou de Florianópolis. Ao passarem por Laguna, os suportes do aileron se desprenderam, forçando um novo pouso para reparos. Durante a amerrissagem na Lagoa Imaruí, a asa direita entrou na água.

A aeronave foi então submetida a novos reparos em Laguna, onde permaneceu até o dia 26 do mesmo mês. O trecho Laguna - Porto Alegre também teve seus problemas. Durante o voo, o revestimento de lona da hélice desprendeu-se, forçando uma amerrissagem em Cideira, na Lagoa dos Patos. A aeronave atingiu Porto Alegre no mesmo dia (26 de outubro) e pousou no Rio Guaíba.

A decolagem de Porto Alegre ocorreu no dia 30 e, depois de um pouso em Pelotas, chegaram a cidade de Rio Grande. Nessa altura da viagem, a aeronave precisava de uma revisão geral. Decidiu-se então retirá-la da água e executar os reparos no seco. Durante o içamento, o Macchi caiu do guindaste encerrando de vez a viagem. Mesmo assim, aquele voo ficaria para a história como o mais longo da Aviação Naval até então.

O ano de 1922 assistiu a um feito inédito na aviação mundial. Dois pilotos portugueses, Gago Coutinho e Sacadura Cabral, pilotando hidroaviões Fairey F-3, realizaram o trecho Lisboa - Rio de Janeiro.

No segundo semestre de 1922, duas aeronaves De Havilland 9 do exército do Chile, tentaram realizar o voo Santiago - Rio de Janeiro. Um dos aviões foi perdido em Castellanos (Argentina) e a outra aeronave decidiu prosseguir viagem sozinha.

Chegando nas proximidades de Ubatuba/SP, as condições meteorológicas não permitiram o prosseguimento da viagem e o piloto decidiu pousar. Na manobra, a aeronave capotou e ficou completamente inutilizada. Num gesto de boa vontade do Governo Brasileiro, a Aviação Naval cedeu a aeronave Curtiss HS-2 nº 11 para que o piloto chileno completasse a viagem. A Aviação Naval Brasileira deu a sua contribuição nesse voo de 3.390 km. 

Sem dúvida, o mais notável voo de longo curso da Aviação Naval naquela época foi a realização do "raid" Rio de Janeiro - Aracaju. Foram selecionados quatro Curtiss F5L (nº 1, 2, 3, 4) para a empreitada. As aeronaves decolaram do Rio de Janeiro em 1º de julho de 1923 e após 3:40h, amerrissaram em Vitória/ES. No dia seguinte as aeronaves seguiram em direção a cidade de Salvador/BA. Três aeronaves chegaram na capital baiana por volta das 15:30h do dia 2 de julho.

Nessa data foi comemorado o Centenário da Independência da Bahia. O quarto avião (nº 4) desceu em Itaparica por causa do mal tempo. Atingiu Salvador somente no dia 5. Após alguns dias, o comandante da esquadrilha determinou Recife como a próxima etapa da viagem.

Os aviões decolaram de Salvador no dia 15 de julho e chegaram em Aracaju/SE no mesmo dia. Uma avaliação dos cascos dos aerobotes e a necessidade de uma revisão adequada dos motores fez com que o comandante resolvesse iniciar a viagem de volta ao Rio de Janeiro.

Iniciando no dia 29 de julho, a viagem de volta terminou na capital federal em 8 de agosto. Foi o primeiro voo de um grupo de aeronaves da Aviação Naval a atingir mais de 3.000 quilômetros (2). A Tabela abaixo resume os "raids" realizados pela Aviação Naval até o ano de 1923.


Na década de trinta regularizaram-se os voos de longo curso através das linhas do Correio Aéreo Naval. Mesmo sendo parte de uma rotina diária, cada voo ainda representava uma aventura própria.

Bibliografia:
(1) COMFORAERNAV. Histórico.

(2) LAVENERIE-WANDERLEY, N. F. História da Força Aérea Brasileira. 2. ed. Ed. Gráfica Brasileira: Rio de Janeiro, 1975. p. 60-63.

(3) SRPM. 84º Aniversário da Aviação Naval. In: No Mar nº 701. Serviço de Relações Públicas da Marinha, Brasília/DF. p.5

(4) ANDRADE, R. P. História da Construção Aeronáutica no Brasil. Artgraph Ed., São Paulo, 1991. 327 p.

Fontes:

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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A aviação nacional

O Aribu e o Alagoas
Em 1911, na fábrica de Cartuchos e Artefatos de Guerra do Exército, no bairro do Realengo, no Rio de Janeiro, o alagoano e então tenente Marcos Evangelista da Costa Vilella Junior começava seus trabalhos de construção de um avião. Um ano mais tarde, Vilella, solicitou apoio ao então ministro da Guerra, Vespasiano de Albuquerque, que o negou.

Em 1917 voou o aparelho Aribu, projetado e construído pelo Tenente Villela Junior.
Fonte: Arquivo Carlos Dufriche

A falta de apoio oficial não desanimou o Tenente, que, paciente e obstinadamente enfrentou a carência de recursos, levando adiante seu projeto de um avião construído com materiais nacionais. Seis anos mais tarde, ele concluía e voava com êxito em seu primeiro avião: o Aribu. O aparelho era um monoplano construído com material nacional, exceto o motor, de 50 cavalos, importado da França. A estrutura era de madeira e a cobertura de tela. A hélice fora desenhada e construída por Vilella, empregando madeira nacional.

O Tenente Marcos Evangelista Vilella Jr que projetou aviões em 1917 e 1918.

Ainda em 1917, Vilella iniciou a construção de um segundo aparelho, batizado Alagoas. Era um avião consideravelmente mais desenvolvido do que o Aribu. Aproveitando a fuselagem de um avião Bleriot, Vilella projetou as asas e hélices e dotou o aparelho de um motor Luckt, importado, de 80 cavalos. Contando, desta vez, com recursos do Ministério da Guerra, Vilella concluiu mais rapidamente o aparelho. Em novembro de 1918, apresentou-o às autoridades militares e à imprensa, realizando um voo de demonstração no Campos dos Afonsos. O avião elevou-se a cerca de 800 metros de altura e voou suavemente.

Em novembro de 1918 voou com sucesso o aparelho Alagoas, projetado e construído pelo Tenente Marcos Vilella Jr.

O ministro da Guerra, Caetano Faria, assistiu à exibição acompanhado dos generais Mendes de Moraes e Andrade Neves, respectivamente, diretor de Material Bélico e chefe da fábrica de cartuchos. O voo teve repercussão na imprensa. As experiências do Alagoas demonstravam claramente a viabilidade técnica da construção de aviões no Brasil, empregando materiais nacionais. Contudo, não tiveram continuidade. Nem mesmo o impacto da Primeira Guerra Mundial e o papel destacado do avião como arma de guerra sensibilizaram a cúpula do Exército para a criação da arma da aviação, que surgiu mais tarde, em 1927. Se não havia interesse na constituição da arma da aviação, menos ainda havia no desenvolvimento de aeronaves brasileiras.

Fonte: Vencendo o Azul

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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Biblioteca Ninja

A MISSÃO 60
"Fiz 59 missões, repito, e este livro é a sexagésima. Para melhor cumpri-la, tomei como ala Demosthenes Gonzalez, inteligência de mérito que me assessorou durante a feitura da obra. A ele, meus agradecimentos. E assim, realizei mais esta missão, a última, e que denominei Missão 60. Este livro, pois, é a história romanceada de um piloto de caça brasileiro na II Guerra Mundial. Os nomes e os personagens são verdadeiros e todos os fatos narrados são a pura verdade. Eu vi a guerra e, por isso, não a quero. Se outro mérito não tiver este livro, que fique como o meu protesto contra a luta fratricida entre os povos."
FERNANDO PÉREYRON MOCELLIN

Com um texto direto e emocionante o autor nos revela sua trajetória de vida, sua formação em piloto militar, o voluntariado no 1º GAvCa e a sua visão da guerra. Revela suas angústias e a sua determinação ao enfrentar sua própria consciência. Texto integral revisado - dentro da nova regra ortográfica da língua portuguesa. Simplesmente imperdível!

Editora: Adler
Medida: 17 x 24 cm
Miolo: 208 páginas em P&B
ISBN:978-85-89015-20-2

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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Aero - Por trás da aviação

O Catalina está voltando!
A história do avião anfíbio mais icônico
O lendário PBY Catalina marcou a história da aviação em missões de patrulha, resgate e combate durante a Segunda Guerra Mundial — inclusive no Brasil. Agora, quase um século depois, o conceito pode voltar aos céus com o Catalina II, uma nova geração do hidroavião, equipada com motores turbo-hélice, aviônicos modernos e versões para passageiros, carga, combate a incêndios e operações especiais. Neste vídeo, você vai conhecer a história do Catalina original e entender o projeto que pretende ressuscitar esse ícone da aviação. Será que o Catalina está realmente voltando?

O piloto Fernando De Borthole criou o Aero - Por Trás da Aviação onde apresenta os bastidores e curiosidades do tema, com uma linguagem bastante didática, leve e descontraída, o que tornou os nossos NINJAS fãs do Fernando, do portal e do canal.

domingo, 9 de agosto de 2026

Especial de Domingo

Voltamos a publicar o capítulo 4 de Os Balões de Observação na Guerra do Paraguai, de autoria do Tenente-Brigadeiro RR Nelson Freire Lavenère-Wanderley, em edição do INCAER. O conteúdo completo poderá ser acessado no link ao final do texto.
Boa leitura.
Bom domingo!
Feliz Dia dos Pais!

As operações dos balões de observação
Os balões de observação operaram na Guerra do Paraguai durante os meses de junho, julho, agosto e setembro de 1867; prestaram valioso serviço, mas as suas operações foram grandemente prejudicadas pelas dificuldades de fabricação de hidrogênio, em campanha.

1 - Os balões de observação
Os dados técnicos sobre os balões de observação de que se tem conhecimento constam de um relato feito por um correspondente de guerra, Sr. Manuel A. de Mattos, e publicado no jornal “La Esperanza” da cidade argentina Corrientes, em 14 de julho de 1867 (vide Anexo II - link ao final do texto); de acordo com o referido artigo, os balões de procedência norte-americana, trazidos pelos aeronautas Allen, teriam, respectivamente: o menor, 8,5 metros de diâmetro e 17.000 pés cúbicos de gás e o maior, 12,19 metros de diâmetro e 37.000 pés cúbicos de gás. Usados como balões cativos, os balões de observação tinham sua capacidade de carga diminuída devido ao elevado peso das cordas de amarração, que eram três para diminuir as oscilações do balão causadas pelo vento; nessas condições, o balão menor podia levar, normalmente, duas pessoas; o balão maior poderia levar seis a oito pessoas. Os balões norte-americanos eram confeccionados com tecido de algodão; depois de prontos, recebiam várias camadas de verniz, para proteger a tela e para diminuir a fuga do gás. Uma seção de balões de observação compunha-se de um a dois balões do equipamento necessário para a produção de hidrogênio e para a manutenção e a operação dos balões, de um aeronautachefe e do seu assistente e de trinta a cinquenta homens, chefiados por um oficial, para sustentar as cordas de amarração do balão, para as manobras de subida e descida do balão e para os deslocamentos do mesmo durante a ascensão; quando o balão estava em ascensão estacionária, as suas cordas podiam ser amarradas a ponto fixos, com estacas. Uma vez o balão cheio, ele podia ser levado para qualquer trecho da frente de combate, onde se fizesse necessária a observação aérea. Os suprimentos indispensáveis para a fabricação de hidrogênio e, portanto, para a operação dos balões eram: ácido sulfúrico e limalha ou aparas de ferro, estas últimas produto da usinagem de peças de ferro, nas fábricas e nas oficinas; o melhor rendimento na fabricação de hidrogênio era obtido com o uso da limalha de ferro, por causa da maior superfície do metal em contato com o ácido; na falta de limalha de ferro, foram usados na Guerra do Paraguai sucata de ferro, pregos etc., tudo já enferrujado, dificultando a reação química e tornando extremamente demorada a produção da quantidade necessária de hidrogênio, que não era pequena, dada a cubagem dos balões. Os geradores de hidrogênio, usados pelo Professor Lowe na Guerra de Secessão tinham uma capacidade de produção de 30.000 pés cúbicos em três horas, desde que se dispusesse de limalha de ferro como matéria prima. No fim de um certo número de dias, com o balão cheio de hidrogênio, tornava-se necessário adicionar mais gás porque o balão ia, lentamente, se esvaziando, dada a permeabilidade do seu invólucro. Nas ocasiões de vento muito forte, era necessário esvaziar o balão, com perda do hidrogênio, sob risco de se perder o balão no caso de arrebentarem as cordas, pela força do vento agindo sobre a grande superfície do balão, ou pelo risco de ser dilacerado o tecido do balão. Conforme o comprimento e o peso das cordas de amarração e o grau de enchimento do balão, este podia subir a trezentos metros ou mais. A comunicação entre os aeronautas, ou observadores aéreos, a bordo do balão em ascensão, e o pessoal em terra era feita por meio de mensagens lastradas, de sinais de semáfora com bandeirolas ou outros sinais visuais ou por meio de telegrafia com fio; não há notícia, porém, de que a telegrafia com fio tenha sido usada nos balões de observação da Guerra do Paraguai.

2 - As dificuldades na fabricação de hidrogênio
Equipamento para a produção de hidrogênio. 
As dificuldades com a fabricação de hidrogênio para o enchimento dos balões limitaram grandemente a operação dos balões de observação; a principal causa foi a falta da limalha de ferro. Os suprimentos para a fabricação de hidrogênio, limalha de ferro e ácido sulfúrico deviam ter sido embarcados no Rio de Janeiro, no mesmo vapor que trazia os balões, o que não aconteceu. Quando os balões chegaram em Passo da Pátria, os aeronautas Allen tiveram de lançar mão do ácido e da sucata de ferro, existentes em Corrientes, deixados pelo aeronauta francês Doyen; a sucata era composta de pregos grandes e de pedaços de ferro de 5,10 e 15 libras, inadequados para uma produção normal de hidrogênio. Assim mesmo, a primeira remessa desse ácido e desse ferro só chegou a Passo da Pátria em 19 de junho, o que fez com que a primeira subida do balão fosse feita em 24 de junho de 1867, mais de três semanas após a chegada dos balões em Tuiuti. Depois das primeiras ascensões do balão pequeno, o único que se podia cogitar de encher, dadas as dificuldades com a produção de hidrogênio, voltou a faltar o ferro em dimensões menores. Esses problemas de suprimento eram levados ao Marquês de Caxias que, já em 28 de junho de 1867 dizia, visivelmente agastado, em carta ao Ministro da Guerra: “Depois de ter escripto a V. Exª a 10 do corrente, chegaram o Jaguaribe e o Leopoldina, conduzindo Tropa, e alguns objectos de fardamento para o Exército; mas o General Aguiar ou o Arsenal, de Guerra da Corte, esqueceu-se de me mandar a limalha de ferro, que é indispensavel para a ascenção dos balões: e o Americano, James Allen, que d’elles veiu encarregado, diz serem lhe precisas nada menos que dez mil libras da dita limalha, para preparar o gaz necessario. Veja V. Exª como hei-de eu poder, n’estas alturas e em vesperas de marcha, satisfazer esta exigencia: O peior é - ver-me em tal aperto, quando - justamente me poderiam os balões ser mais uteis, para os frequentes reconhecimentos, que são indispensáveis, do terreno por onde vou marchar, que muito se presta a - occultar qualquer Força, que possa o inimigo fazer passar para retaguarda da minha, quando com ella eu tomar a direção de S. Solano.” (Arquivo Nacional – “Coleção Caxias”) Depois de ter chegado, da Corte, alguma quantidade de ferro e de ácido, houve várias ascensões do balão; mas, a partir de 22 de julho faltaram novamente o ácido e o ferro; em 7 de agosto chegaram 28 vidros de ácido e grande quantidade de zinco em folha; o zinco podia, também, ser utilizado para produção de hidrogênio, mas com o grave inconveniente da presença de arsênico o qual afetava a tela dos balões; na falta de material melhor, ficou resolvido que seriam usadas as folhas de zinco, mesmo que isso acarretasse um desgaste mais rápido dos balões. Em 17 de agosto chegou, em Passo da Pátria, uma partida de ferro de tão má qualidade que foi lançado mão do recurso de recolher, para a produção de hidrogênio, todos os aros velhos de ferro que vinham envolvendo os fardos do feno destinado à alimentação da cavalhada. Nunca se conseguiu encher completamente o balão grande, mas, vencendo todas as dificuldades, as ascensões continuaram a ser feitas com o balão menor durante os meses de agosto e setembro de 1867, enquanto os exércitos aliados, na ofensiva, se deslocavam para o norte. A última ascensão do balão de observação foi feita em 25 de setembro de 1867; tendo o balão perdido, mais uma vez, gás e a força ascensional, estando novamente esgotados os estoques de ácido e de ferro e em face das condições mais difíceis para o emprego do balão, numa guerra de movimento, o Marquês de Caxias deu ordem para que o balão fosse recolhido à base de operações em Tuiuti. Lá ficaram os balões até o mês de dezembro; no dia 7 do referido mês, os aeronautas Allen tiveram ordem para embarcarem, juntamente com os balões, no vapor “Alice” que partia no dia seguinte, e irem se apresentar, na Corte, no Ministério da Guerra.

3 - As principais operações dos exércitos aliados nos meses de julho, agosto e setembro de 1867 
Depois de uma longa estabilização da frente, face às fortificações de Curupaiti e Humaitá, os exércitos aliados, sob o comando do Marquês de Caxias, iniciaram uma ofensiva, em 22 de julho de 1867, executando a famosa “marcha de flanco”. Executando um amplo movimento desbordante, os exércitos aliados se deslocaram ao longo das margens norte e sul do Estero Bellaco, enquanto a 1ª Divisão de Cavalaria, sob o comando do Brigadeiro José Luís Mena Barreto, foi lançada em exploração para o norte, na direção geral de S. Solano e Vila do Pilar. As forças do Exército Brasileiro marcharam pela margem sul do Estero Bellaco, tendo a vanguarda transposto o passo de Tio Domingos no dia 24 de julho. No dia 25 de julho o grosso das forças, com o qual marchava o Marquês de Caxias, cerrou sobre a posição da vanguarda; nos dias 25 e 26 não houve deslocamentos de maior importância. No dia 28 de julho foi retomado o movimento, já agora na direção oeste, tendo a vanguarda se aproximado da povoação de Tuiu-Cuê; no dia 29 esta localidade foi ocupada, enquanto a vanguarda repeliu o inimigo que se achava no Passo das Canoas, mais para oeste. Em 31 de julho o Marquês de Caxias instalou o seu Quartel General em Tuiu-Cuê. Em 3 de agosto a cavalaria aliada se apossou de S. Solano tendo, em seguida, cortado em dez pontos a linha telegráfica que ligava Assunção a Humaitá. Em 15 de agosto a Esquadra Brasileira forçou a Passagem de Curupaiti, no rio Paraguai. Em 20 de setembro de 1867 foi tomada a Vila do Pilar, na margem esquerda do rio Paraguai, ao norte das posições fortificadas do inimigo.

4 - As ascensões realizadas pelo balão de observação antes do início da “marcha de flanco” 
Apesar de todas as dificuldades com a aquisição, o transporte para o Teatro de Operações e com o enchimento dos balões de observação, após a sua chegada, ainda foi possível realizar 12 ascensões, durante o mês que antecedeu o início da ofensiva planejada pelo Marquês de Caxias, justamente na fase em que o comandante em chefe necessitava ativar a busca de informações sobre as posições e atividades inimigas e sobre o terreno a ser percorrido. Como já dissemos, todas as ascensões foram feitas com o balão menor, de 17.000 pés cúbicos, dada a impossibilidade da obtenção do hidrogênio para encher o balão maior. A 1ª ascensão foi realizada no dia 24 de junho de 1867, tendo o balão sido deslocado, depois de cheio, três quilômetros para aproximá-lo da frente, na região de Tuiuti; subiu como observador aéreo o Major Engenheiro R. A. Chodasiewicz, polonês a serviço do exército argentino, que realizou um reconhecimento das posições inimigas e do terreno. O balão de observação operou durante os meses de inverno, com ventos fortes frequentemente varrendo as planuras do chaco paraguaio. No dia 3 de julho, estando o balão cheio, não foi possível realizar a ascensão devido às más condições atmosféricas; no dia 4 de julho, durante a noite, foi providenciado o esvaziamento do balão porque a forte ventania estava ameaçando a integridade do balão; no dia 6 de julho, apesar de estar o balão novamente cheio, não pôde ser realizada a ascensão devido ao mau tempo. A 2ª ascensão do balão foi realizada no dia 8 de julho, no local do estacionamento do balão em Tuiuti, tendo o balão permanecido 50 minutos a uma altura de 760 pés; o observador aéreo foi o Major Chodasiewicz, que realizou novos reconhecimentos das posições inimigas e do terreno; a 3ª ascensão do balão foi realizada no mesmo dia e com a mesma finalidade, tendo o balão sido levado para o acampamento da lª Divisão comandada pelo General Argôlo; durante a 3ª ascensão, que durou mais de uma hora e meia a uma altura de 860 pés, o balão foi deslocado, paralelamente à frente, até o flanco direito aliado, onde desceu; os observadores da 3ª ascensão foram o Major Chodasiewicz e o Tenente paraguaio Cespedes, vaqueano conhecedor da região; durante essa ascensão a artilharia paraguaia atirou na direção do balão. Durante os dias 9, 10 e 11 de julho as ascensões não puderam ser realizadas devido à intensidade do vento e ao mau tempo. O dia 12 de julho de 1867 foi um dia de grande atividade do balão: durante esse dia foram realizadas a 4ª, a 5ª, a 6ª e a 7ª ascensões. A 4ª ascensão foi realizada no centro do dispositivo aliado, tendo durado 45 minutos e tendo o balão atingido a altura de 350 pés; foram observadores o Major Chodasiewicz e o Capitão brasileiro de Estado-Maior Francisco Cezar da Silva Amaral; o balão, depois de cheio, foi deslocado quatro quilômetros para se aproximar da frente, onde realizou novos reconhecimentos. A 5ª ascensão, que durou mais de uma hora e atingiu a altura de 400 pés, foi iniciada no centro das posições aliadas, tendo o balão sido rebocado numa extensão de quatro quilômetros, paralelamente à frente, na direção do flanco leste dos aliados; foram observadores o Major Chodasiewicz e o Tenente Cespedes. A 6ª ascensão, no flanco leste, durou 45 minutos e atingiu a altura de 620 pés; foram observadores o Major Chodasiewicz e o Capitão Silva Amaral. A 7ª ascensão, também no flanco leste, teve como observador o Major Chodasiewicz, tendo o balão sido deslocado mais 2 quilômetros para leste. No dia 13 de julho foi realizada a 8ª ascensão, no centro das linhas aliadas, com duração de 50 minutos; o Capitão Silva Amaral e o 1º Tenente brasileiro Manoel Peixoto Cursino do Amarante fizeram reconhecimentos das posições aliadas e do terreno; ainda no dia 13 de julho foi realizada a 9ª ascensão, no mesmo local, tendo trabalhado como observadores o Tenente Cursino do Amarante e o Tenente Cespedes. Depois das primeiras ascensões do balão, os paraguaios passaram a lançar mão do recurso de, cada vez que subia o balão, acender fogueiras, numa tentativa de ocultarem as suas fortificações com a fumaça; é interessante transcrever aqui um trecho, que trata do assunto, da obra de L. Schneider: “A guerra da Tríplice Aliança contra o Govêrno da República do Paraguay” - edição de 1876: “A primeira ascensão effectuou-se em principios de junho, sendo o balão preso por meio de cordas de 600 pés de comprimento. Os soldados que seguravam estas cordas tinham ordem de dirigir a machina dentro dos entrincheiramentos de uma extremidade para outra, O aeronauta, acompanhado de um official do estado maior, determinava os movimentos dos soldados por meio de bandeirolas, de modo que o aerostato se conservava sempre fóra do alcance dos tiros Paraguayos, que, apesar de todos os esforços, nelle não puderam acertar. Por fim, deixaram de fazer pontaria contra o balão e dirigiram o fogo contra as cordas. Houve alguns ferimentos, mas tambem estavam soldados de reserva para que esse sucesso não transtornasse a direção da machina aérea. Nada conseguindo por meio dos tiros, lançaram mão os Paraguayos de outro expediente, ainda assim não proveitoso: quando o balão subia ao ar, faziam muita fumaça diante dos entrincheiramentos, queimando palha secca, mas nem por isso impediram que se reconhecesse o numero de seus 106 canhões e 3 morteiros e o terreno interior até o Passo Pucú. Comtudo os exploradores não chegaram á altura necessaria para recoahecerem aquella porção de territorio que era de maior interesse. Quando pela primeira vez appareceo o aerostato assustaram-se muito os rudes Paraguayos, principalmente porque ficando elle durante algum tempo encuberto aos olhares por uma nuvem, suppuzeram que os aeronautas tinham a faculdade de occultal-o quando quizessem. Por fim habituaram-se e perderam o medo desde o momento em que se convenceram que de cima não era possivel bombardear suas linhas.” Durante os dias 15, 16, 17 e 18 de julho o balão não foi utilizado, devido a fortes ventanias. Durante o dia 19 o balão cheio foi deslocado quatro quilômetros na direção do flanco direito dos aliados mas, devido aos fortes ventos iniciados, teve que ser trazido de volta ao seu local de estacionamento, em Tuiuti. Aproximava-se o início da ofensiva e o comando em chefe anciava por novos reconhecimentos, tanto do inimigo como do terreno a ser percorrido na “marcha de flanco”. No dia 20 de julho foi finalmente realizada a 10ª ascensão, no centro do dispositivo aliado, com duração de 47 minutos; foram observadores aéreos dois oficiais brasileiros: o Capitão de Engenheiros Conrado Jacob de Niemeyer e o Capitão de Estado-Maior Antônio de Sena Madureira. No mesmo dia foi realizada, no flanco direito, a 11ª ascensão, com duração de 50 minutos, tendo o balão atingido a altura de 550 pés; foram observadores aéreos o Major Chodasiewicz e o Capitão Silva Amaral. Na véspera do início da marcha dos exércitos aliados, no dia 21 de julho, foi realizada a 12ª ascensão, no centro da linha de frente, para reconhecimento das fortificações inimigas na frente da Divisão Argolo; subiram, como observadores, os Capitães Silva Amaral e Conrado Niemeyer.

5 - As ascensões realizadas pelo balão de observação durante a “marcha de flanco”
O balão de observação frente a Humaitá
(“James Allen’s Scrapbook” - Biblioteca do Congresso Washington).
No primeiro dia da “marcha de flanco”, dia 22 de julho de 1867, o balão foi levado para a região onde estacionou a vanguarda das forças brasileiras, a qual se tinha deslocado pela margem sul do Estero Bellaco; para isso foi necessário deslocar o balão a uma distância de 10 a 12 quilômetros do campo de estacionamento do balão em Tuiuti. Uma vez iniciada a guerra de movimento, as dificuldades, naturalmente, aumentaram; isto porque as manobras com o balão passaram a ser feitas em terreno desconhecido, porque o pessoal que operava o balão passou a dormir ao relento e porque não havia possibilidades de recompletar, diariamente, o hidrogênio do balão que ia, aos poucos, perdendo a sua força ascensional. A 13ª e a 14ª ascensões foram realizadas no fim da primeira jornada da “marcha de flanco”, na região da vanguarda; subiram, como observadores, o Capitão Conrado Niemeyer e dois oficiais engenheiros cujos nomes não ficaram registrados. No dia 23 de julho o balão teve que ser esvaziado, devido ao risco de incêndio e explosão decorrente das queimadas em torno do local em que se achava o balão. Em face da falta de ácido e de ferro para a produção de hidrogênio, que se fazia sentir desde o dia 22 de julho, os aeronautas Allen receberam ordem, no dia 25 de julho, para levarem o balão de volta para Tuiuti, onde passaram os dias 27, 28 e 29 de julho fazendo uma revisão do material e procedendo a novo envernizamento dos balões. Somente no dia 7 de agosto foi que chegaram a Tuiuti o ácido sulfúrico e uma grande quantidade de zinco. Em 12 de agosto chegou a ordem para que fosse procedido o enchimento do balão e para que ele fosse levado para TuiuCuê, onde o Marquês de Caxias tinha instalado o seu Quartel General. Em 14 de agosto foi iniciado o deslocamento do balão, partindo de Tuiuti; depois de percorridos 10 quilômetros, foi necessário parar devido aos fortes ventos que ameaçavam arrebatar o balão; depois que o vento amainou ainda foram percorridos, nesse dia, mais 10 quilômetros. No dia 15 de agosto foi realizada a 15ª ascensão, já na região de Tuiu-Cuê, onde o balão tinha chegado às sete e meia da manhã; esta ascensão foi muito útil para reconhecer as posições inimigas e o terreno, em frente das novas linhas atingidas pelos exércitos aliados; foram observadores o Capitão Silva Amaral e o Tenente Cespedes. A partir da 15ª ascensão, a numeração atribuída às ascensões deixa de ser exata porque no principal documento de referência, o relatório do aeronauta James Allen, datado de 31 de dezembro de 1867 e encaminhado ao Ministro da Guerra (vide Anexo III), são usadas expressões indefinidas, como “muitas ascensões” e “as ascensões”, referindo-se a um determinado dia em que o balão foi empregado; em cada um desses casos considerou-se como tendo havido um mínimo de duas ascensões. No dia 16 de agosto foram realizadas em Tuiu-Cuê, pelo menos, duas ascensões, que seriam a l6ª e a 17ª; foram observadores o Major Chodasiewicz, o Capitão Silva Amaral e um oficial cujo nome não ficou registrado. No dia 17 de agosto o balão foi levado para as posições aliadas a oeste de TuiuCuê e lá foram realizadas, pelo menos, duas outras ascensões, que seriam a 18ª e a 19ª; foram observadores o Major Chodasiewicz e o Capitão Silva Amaral. No dia 19 de agosto deixou de ser realizada a ascensão devido aos fortes ventos. No dia 21 de agosto foi observado que o balão tinha perdido força ascensional devido à fuga do gás; o balão foi esvaziado e conduzido para Tuiuti, para novo enchimento; lá ficou aguardando o ácido e o ferro necessários, esgotados desde o dia 12 de agosto. No dia 16 de setembro foi recebida ordem para encher o balão e levá-lo para a linha de frente; no dia 17 de setembro chegou em Passo da Pátria algum ácido e uma pequena quantidade de ferro de tão má qualidade que foi julgado preferível lançar mão do recurso de recolher, como matéria-prima, os aros de ferro que envolviam os fardos de feno (alimento da cavalhada). Tendo se conseguido, finalmente, encher o balão, este é deslocado no dia 24 de setembro para Tuiu-Cuê. No dia 25 de setembro de 1867 foi realizada a 20ª e última ascensão do balão, no flanco direito das posições aliadas, a 5 quilômetros de Tuiu-Cuê e próximo às formidáveis fortificações de Humaitá; a ascensão durou 45 minutos e foram observadores o Capitão Silva Amaral e dois oficiais cujos nomes não ficaram registrados. Depois dessa ascensão, tendo o balão perdido, novamente, a força ascensional, foi esvaziado e conduzido, definitivamente, para o acampamento de Tuiuti. Em várias das vinte ou mais ascensões realizadas, o aeronauta James Allen subiu no balão, juntamente com os observadores; nas outras ascensões ficava no solo, superintendendo as manobras de subida, deslocamento e descida do balão. Pela descrição das ascensões realizadas, verificamos que o balão de observação prestou importantes serviços na busca de informações sobre o inimigo e o terreno. As deficiências de ordem logística, relacionadas com o suprimento de ácido sulfúrico e limalha de ferro, para a produção de hidrogênio, impediram a utilização do balão maior, o de 37.000 pés cúbicos, e diminuíram, de muito, o rendimento operacional do balão menor.


Fonte: INCAER

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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

eVTOL

Eve Air Mobility avança programa eVTOL para fase de voo de transição
Acionamento do sistema de propulsão traseiro confirma aspectos fundamentais do design da aeronave 

A Eve Air Mobility, líder em mobilidade aérea avançada (AAM), anunciou que seu protótipo de engenharia realizou o primeiro voo da fase de transição, representando um marco fundamental no desenvolvimento e nos ensaios da aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL) da empresa.

O voo incluiu a ativação da hélice propulsora traseira da aeronave (pusher), sinalizando o início da fase de transição do voo vertical para o voo horizontal. Durante o ensaio, a aeronave atingiu uma velocidade estabilizada de 27 nós (50 km/h) e velocidade máxima de 30 nós (55 km/h), com a hélice propulsora operando até 1.200 RPM.

O voo teve duração de 3 minutos e 9 segundos, percorreu aproximadamente 0,84 milha náutica (1.550 metros) e atingiu uma altura de 90 pés (27 metros) acima do nível do solo.

"Este primeiro voo de transição parcial é um marco importante na trajetória de desenvolvimento da Eve", afirma Johann Bordais, CEO da Eve Air Mobility. "A ativação bem-sucedida do sistema de propulsão traseiro valida um aspecto fundamental do design da nossa aeronave e nos aproxima cada vez mais de entregar soluções de mobilidade aérea seguras, eficientes e escaláveis."

A fase de transição é um dos aspectos mais críticos do voo de eVTOL, envolvendo a transição da sustentação vertical para o voo horizontal. A conclusão do ensaio inicial de transição parcial representa um avanço significativo nos esforços da Eve para ampliar o envelope de voo da aeronave e validar o desempenho dos seus sistemas.

"Este voo demonstrou com êxito a ativação da hélice propulsora traseira durante o voo e validou as principais metas de desempenho no início da fase de transição", destaca Marcelo Basile, diretor de engenharia da Eve Air Mobility. "Os dados coletados darão apoio à expansão contínua do envelope de voo à medida que avançamos em direção a velocidades mais elevadas e a ensaios de transição progressivamente mais complexos."

A equipe de engenharia de ensaios em voo da Eve continua conduzindo análises de cargas e estruturais para apoiar a futura expansão do envelope de voo. Na sequência do programa de ensaios em voo da aeronave, a empresa planeja realizar testes de enlace de dados para validar o desempenho do enlace de rádio e apoiar operações em velocidades de até 50 nós (92 km/h).

Nas próximas semanas, a Eve prevê expandir progressivamente o envelope de velocidade da aeronave como parte da campanha de ensaios em voo de transição.

Sobre a Eve Air Mobility
A Eve se dedica a acelerar o ecossistema de Mobilidade Aérea Urbana (UAM). Beneficiando-se de uma mentalidade de startup, apoiada por mais de 50 anos de experiência aeroespacial da Embraer e com foco singular, a Eve está adotando uma abordagem holística para o avanço do ecossistema de UAM, com um projeto avançado de eVTOL, uma rede global abrangente de serviços e suporte e uma solução exclusiva de gerenciamento de tráfego aéreo.


Fonte: Embraer