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Voar é um desejo que começa em criança!

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Biblioteca Ninja

Destacando o livro "Os meus balões", de Alberto Santos Dumont, reproduzimos a crônica de um voluntário do Núcleo Infantojuvenil de Aviação - NINJA, de 2017.

Máquina do tempo
Ubatuba, 1 de maio de 2017
Por Celso de Almeida Jr.

Com a notícia veiculada na última semana de abril de 2017, revelando que a Embraer e a Uber produzirão aeronave vertical para transporte urbano, imaginei o momento de viagens em uma Máquina do Tempo.

Sonhei...

Fui à Paris, em 1904, na livraria Charpentier et Fasquelle, que acabara de publicar Dans L’Air, obra do inventor brasileiro Alberto Santos Dumont, futuramente traduzida para o português (por Artur de Miranda Bastos, com a primeira edição publicada em outubro de 1938) com o título Os meus balões. 

Recebido pelo editor Eugène Fasquelle, em menos de uma hora eu já conversava com o “Pai da Aviação”.

Homem muito à frente de seu tempo, Santos Dumont não se surpreendeu quando expliquei que voltei no tempo, a partir de 2017.

Informei que trabalho em uma escola que estimula o contato com diferentes tecnologias e que gostaria de ouvir algumas sugestões dele sobre o tema.

Entusiasmado, o inventor autografou um exemplar de seu livro e detalhou que a introdução fez em forma de fábula, enfatizando raciocínios infantis.

Nela, duas crianças brasileiras do interior, que só conheciam as primitivas lavouras do século XIX, conversavam sobre possíveis formas de aliviar o trabalho humano. E, numa longa caminhada, vão se deparando com surpreendentes invenções que desconheciam, como uma locomotiva e um navio a vapor. A surpresa leva um dos meninos - Luís - a acreditar e a defender a possibilidade de dirigir balões, opinião que seu colega - Pedro - discordou completamente.

“Como pode perceber, me identifico totalmente com o Luís e consegui provar a dirigibilidade dos balões quando contornei a torre Eiffel, ganhando o Prêmio Deutsch, em 1901”, ressaltou Dumont.

O autor detalhou a evolução de seus aparelhos desde o Balão Brasil (o único que teve um nome) até os mais recentes: o Nº 7 (de corrida); o Nº 9 (de passeio) e o Nº 10 que esperava tornar o primeiro dos ônibus aéreos do futuro, levando até 20 pessoas.

Preferi não anunciar a Santos Dumont que o Nº 10 não atingiria seu objetivo, mas acabei lhe dizendo que, em dois anos, ele daria outra grande demonstração ao mundo de seu poder criativo. Desculpei-me, porém, por não poder dar maiores detalhes, já que ainda não se estabeleceu um código regulador para as informações autorizadas nas viagens no tempo.

Apesar de compreensivo, o inventor brasileiro aparentemente fez uma provocação, lendo um trecho da conclusão do livro, que também redigiu em forma de fábula: “Nossa única esperança de navegar no ar...devemos procurá-la no mais pesado...na máquina voadora ou aeroplano. Raciocine por analogia. Olhe o pássaro.”

Naquele 1904 ele ainda não sabia que em 1906 realizaria o célebre voo com o 14 bis, decolando, voando e aterrissando pela primeira vez uma máquina mais pesada que o ar com seus próprios meios, sem auxílio de qualquer equipamento externo.

A conversa com o inventor se estendeu. Dumont pediu a Eugène Fasquelle algum conteúdo sobre Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) que em 1750 recebeu o primeiro prêmio de um concurso que propunha o tema: “Se o progresso das ciências e das artes tinha contribuído para aprimorar os costumes”. Rousseau ganhou fama por discordar, acreditando que a civilização tinha perdido o sentido do homem interior, denunciando sua desumanidade.

Santos Dumont sugeriu que eu debatesse esse pensamento com os estudantes e professores de nossa escola, conferindo se os avanços tecnológicos provocaram mudanças no comportamento humano quanto as relações interpessoais.

Recomendou, também, uma reflexão sobre as conquistas da antiguidade e do renascimento, tão marcantes para a chamada cultura ocidental. E que, ainda, procurasse estudar com mais profundidade as culturas orientais, extremamente ricas e ainda tão desconhecidas, afirmando: “Nós queremos saber tudo e sabemos tão pouco!”

Alberto Santos Dumont ressaltou que suas ações visam compartilhar o conhecimento, estimulando o desenvolvimento de novas máquinas, mais aprimoradas, mais eficientes.

Em função disso, sentia-se bastante entusiasmado em conhecer um viajante do tempo. Gentil, disse que, quando voltasse ao Brasil, procuraria conhecer as praias de Ubatuba.

Por alguma razão, não insistiu em saber detalhes do futuro. Alguma apreensão parecia dominá-lo, o que a sua história de vida confirmaria.

Um encontro fantástico...parecia real!

Talvez, por isso, acordei assustado. A conta da Uber estouraria o cartão...

Ninja-Brasil: versão para a web

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Efemérides Aeronáuticas - Outubro

O INCAER - Instituto Histórico Cultural da Aeronáutica destaca uma frase do Ten.-Brig.-do-Ar Joelmir Campos de Araripe Macedo, ex-Ministro da Aeronáutica e ex-Conselheiro do INCAER, falecido em 12 de abril de 1993: “A História não é um somatório de fatos, mas, antes, um legado de experiências. Conhecê-la é reunir dados que os números não contam, é entender os erros para não repeti-los, é, enfim, uma forma de preparar-se para o futuro”. Com este pensamento, mais uma vez, o Blog do Ninja reproduz as datas marcantes de OUTUBRO, estimulando o estudo, a pesquisa.

Efemérides Aeronáuticas - Outubro

1709
Foi realizada a quarta experiência pública por Bartolomeu de Gusmão, desta vez sem a presença de D. João V e seus fidalgos, atingindo o balão grande altura, e descendo em seguida sem problemas. (03 de outubro)

1853
Nasceu em Campos/RJ, José Carlos do Patrocínio, que viria a construir no Rio de Janeiro, um dirigível com o nome de “Santa Cruz”. (09 de outubro)

1866
O Ministro da Guerra, Conselheiro João Lustosa da Cunha Paranaguá, determinou ao Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro para que fosse construído um balão (“o aeróstato Doyen”, confeccionado sob orientação de um francês chamado Louis Desiré Doyen), por solicitação do Marquês de Caxias, a fim de ser utilizado como balão de observação na busca de informações no Teatro de Operações da Guerra da Tríplice Aliança. (21 de outubro)

1881
Foi outorgada pela França, a patente de invenção a Júlio César pelo projeto do seu balão, tendo sido registrado no Conservatoire National des Arts et Métiers (Patente nº 145.51). (25 de outubro)

A Societé Francaise de Navigation Aérienne, com sede em Paris, promoveu uma sessão especial para ouvir a leitura, por Júlio César, de sua “Memória sobre um sistema de navegação aérea”.(27 de outubro) 

Data da concessão de registro da patente pela Alemanha, a Júlio César. (29 de outubro)

1885
Na sessão do Instituto Politécnico, com a presença de D. Pedro II, o Barão de Tefé discorreu durante uma hora e meia sobre o histórico do Balão de Júlio César. (23 de outubro)

1887
Faleceu em Belém/PA, aos 44 anos de idade, Júlio César Ribeiro. (14 de outubro)

1898
A revista “L'Illustration”, de Paris, depois de descrever o dirigível “Nº 1” e de reconhecer a importância das experiências realizadas por Santos Dumont, reconheceu que “é a primeira vez que esse tipo de motor (a petróleo) é aplicado em aerostatos”.(1º de outubro)

Santos Dumont, com o seu balão “Brasil”, participou da primeira festividade do Aeroclube da França, que reuniu três balões. (23 de outubro) 

Santos Dumont executou uma ascensão com um balão livre. O voo, de quatro horas, iniciou-se em Paris e terminou em Vicarnes, próximo a Chantily. (25 de outubro)

1901
Augusto Severo chegou à França, procedente do Rio de Janeiro, com o projeto de construção do seu segundo balão dirigível, o “Pax”, passando a residir à Rua Galileu 63, Paris. (05 de outubro)

A construção do balão foi encomendada à Casa Lachambre, especializada nesse tipo de trabalho, e os motores, à Firma Buchet. Santos Dumont voou novamente com o “Nº 6” sobre o prado de corridas de Longchamps e, em seguida, pousou em frente ao restaurante “La Cascate”, no Bois de Boulogne, a fim de tomar chá com os amigos. Nesse voo, ele teve problemas com os cabos de comando do leme de direção. (10 de outubro)

Santos Dumont voltou a voar no “Nº 6” e, nessa experiência, rompeu-se o cabo de comando do leme de direção por duas vezes, fato comentado pelo “The Evening Sun”. (11 de outubro)

Santos Dumont conquistou o “Prêmio Deutsch de La Meurthe” com o seu balão dirigível “Nº 6”, tendo percorrido em menos de 30 minutos o itinerário preestabelecido que incluía a circunavegação da Torre Eiffel.(19 de outubro)

1903
Santos Dumont realizou a primeira experiência, em Paris, com o seu balão dirigível “Nº 10”, o maior por ele construído e destinado ao transporte de passageiros, daí ser conhecido como “ônibus”. (19 de outubro)

1906
No Campo de Bagatelle, em Paris, Santos Dumont nos comandos do seu avião “14 BIS”, após uma corrida no solo de cerca de 200 metros, conseguiu deslocar-se em pleno espaço a uma altura calculada de 2 a 3 metros, voando cerca de 60 metros de distância. (23 de outubro)

Foi o primeiro voo, no mundo, com um aparelho mais pesado que o ar, o avião, utilizando-se tão somente os recursos do próprio aparelho. Por este fato, em 23 de outubro é comemorado o Dia do Aviador e o Dia da Força Aérea Brasileira. O jornal “L'Aérophile” noticiou que “ o dia 23 de outubro de 1906, tornar-se-á uma data memorável. Nesse dia, às 16:45horas, Santos Dumont a bordo do seu aeroplano 14 BIS, impulsionado por um motor Antoinette de 50 HP, levantou-se do solo e percorreu em pleno voo uma distância superior de 50 metros e inferior a 100 metros. (mês de outubro)

1909
Foi realizado em Frankfurt, Alemanha, um voo a bordo do dirigível militar do tipo Parseval por um grupo de oficiais do Exército Brasileiro que contava com a presença do Major Affonso Barouin, o Capitão Leite de Castro, o Tenente Mario Hermes da Fonseca e o Tenente Cruz. (10 de outubro)

1911
Foi fundado, no Rio de Janeiro, o Aeroclube Brasileiro numa reunião realizada na redação do jornal “A Noite”, na época localizado no Largo da Carioca e dirigido pelo jornalista Irineu Marinho. (14 de outubro)

1912
O Tenente Ricardo João Kirk foi brevetado na Escola de Aviação de Étampes, na França. Foi, portanto, o primeiro Oficial do Exército Brasileiro a aprender a pilotar aviões. (22 de outubro)

1913
Foi inaugurado em Saint Cloud, em Paris, sob a égide do Aeroclube da França, o monumento a Alberto Santos Dumont, conhecido como o “Ícaro de Saint Cloud”. (19 de outubro)

1914
Foram iniciadas as obras de construção de três hangares e pista de pouso na localidade de Porto União, como base de operações para a Campanha do Contestado. Os hangares abrigavam os três aviões do tipo Morane-Saulnier, batizado como “General Setembrino”, “Iguaçu” e “Guarany”. (mês de outubro)

Ficou pronto o avião “Alvear”, projeto do inventor carioca João d'Alvear. (mês de outubro)

1916
O “Jornal do Comércio”, do Rio de Janeiro, noticiou a ideia da construção de uma fábrica de hélices para aviões, iniciativa do industrial português Joaquim Pedro Domingues da Silva, o qual era membro da Diretoria do Aeroclube Brasileiro. O referido empresário chegou a construir “algumas hélices experimentais de boa qualidade”. (14 de outubro)

1917
Durante a Primeira Guerra Mundial, os navios brasileiros "Tijuca", "Macau", "Tupi", "Acari" e "Guaíba", foram torpedeados pelo submarino alemão. Tal ato levou o Brasil a declarar guerra. (26 de outubro)

Por iniciativa dos deputados Augusto de Lima e Coelho Neto, foi criado o “Serviço de Defesa das Costas e Fronteiras do Brasil por meio de Engenhos Aéreos”, tendo a Câmara votado um crédito especial de 500 contos de réis para implantação do mencionado Serviço. (27 de outubro)

O principal objetivo do novo órgão era “o patrulhamento aéreo, visando a repelir ataques de submarinos alemães aos navios brasileiros em águas nacionais”.

1918
Foi dada a primeira concessão para o serviço de transporte aéreo no Brasil. O Governo do Presidente Wenceslau Braz Pereira Gomes concedeu permissão ao engenheiro João Teixeira Soares e Antônio Rossi para organizarem o serviço de transporte aéreo ligando as principais cidades do país. (23 de outubro)

1919
Foi realizada a Convenção de Paris (Versalhes), onde foram assentados os alicerçes da Aviação Civil, pelos representantes de treze potências aliadas,entre as quais figurou o Brasil. (13 de outubro)

Na mesma Convenção, foi criada a Comissão Internacional de Navegação Aérea - CINA, colocada sob a autoridade da Sociedade das Nações. Foi realizado o reide Ilha das Enxadas-Santos/SP, com o hidroavião Curtiss HS-2L, Nº 13, pilotado pelo Ten Virginius Brito de Lamare, auxiliado pelo Ten Fileto Ferreira da Silva Santos e tendo como passageiro o Deputado César Vergueiro. (17 de outubro)

O voo teve a duração de 04 horas e 20 minutos e a missão principal, a de estabelecer a primeira rota aérea para uma futura base naval de aviação a ser construída naquela cidade.

1920
O aviador norte americano Orthon William Hoover inaugurou em Indianápolis/SP, uma Escola de Aviação. (mês de outubro)

1922
O 1º Ten Raymundo Vasconcelos de Aboim, da Aviação Naval, foi matriculado no College of Science and Technology of London, a fim de cursar Engenharia Aeronáutica. (05 de outubro)

O Governo Brasileiro ofereceu aos aviadores portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, um prêmio no valor de 50 contos de réis (Decreto 4.596). (18 de outubro)

Foi lançada a pedra fundamental do Centro de Aviação Naval de Santos, em terrenos localizados em Bocaina, doados à União pelo Presidente de São Paulo, Washington Luiz, que esteve presente prestigiando a concorrida cerimônia. (22 de outubro)

Posteriormente, devido ao sítio Conceiçãozinha ter sido considerado um local impróprio para a construção do Centro, foi efetuada a primeira desapropriação no bairro da Bocaina, na Ilha de Santo Amaro (Decreto 16.062, de 06 de junho de 1923). A denominação de Base Aérea de Santos só se tornaria corrente após 1930.

1924
O Destacamento de Aviação (Esquadrilha de Aperfeiçoamento e a Cia de Parque de Aviação), deixou o Campo dos Afonsos para participar de outras operações no interior dos Estados de São Paulo e Paraná, ainda em consequência da revolução de 05 de julho. (mês de outubro)

1925
A Companhia Brasileira de Empreendimentos Aeronáuticos foi autorizada a explorar o tráfego aéreo no território nacional, através do Decreto 17.055. No entanto, essa empresa não pôde iniciar suas operações, por não ter sido a autorização governamental aprovada pelo Tribunal de Contas, conforme exigência constante no decreto acima. (1º de outubro)

Foram aprovadas as instruções para a organização do Serviço de Superintendência e Fiscalização da Navegação Aérea (Portaria s/nº do Ministério da Viação e Obras Públicas). (06 de outubro)

Foi fundado o Aeroclube do Pará, com sede em Belém. (27 de outubro)

1926
Otto Ernst Meyer-Labastille deu entrada, no Palácio do Governo, em Porto Alegre/RS, a um pedido de isenção de imposto estadual pelo prazo de 15 anos, para sua futura empresa, a qual passaria a ser conhecida mundialmente, como VARIG – Viação Aérea Rio Grandense. (06 de outubro)

Decolou de Gênova, na Itália, o hidroavião “Jahú”, de propriedade do aviador civil paulista João Ribeiro de Barros, para realizar o reide aéreo Gênova-Santos. (18 de outubro)

O ex-piloto da Força Aérea Alemã (depois naturalizado brasileiro), Otto Ernst Meyer-Labastille, conseguiu do Governo do Estado do Rio Grande do Sul uma isenção de impostos estaduais para a empresa que ele pretendia construir. (30 de outubro)

Representantes credenciados de 21 países, reunidos na capital da Espanha, reconheceram Bartolomeu Lourenço de Gusmão como “o precursor da aeronáutica”, consagrando-o numa placa que foi depositada, por eles próprios, na nave da Igreja de San Roman, em Toledo. (31 de outubro)

Assumiu o cargo de Diretor Técnico da Escola de Aviação Militar, o Ten Cel Henri Jauneaud (francês). (mês de outubro)

1927
O 1º Ten Carlos Saldanha da Gama Chevalier, da Aviação Militar, realizou o primeiro salto de paraquedas sobre o Campo dos Afonsos. Para esse salto, foi utilizado um avião Breguet 14, pilotado pelo 1º Ten Aroldo Borges Leitão, tendo observado o Capitão Átila Silveira de Oliveira. (1º de outubro) 

Pousaram no Campo de Parnamirim os aviadores franceses Dieudonné Costes (piloto e hábil navegador) e Joseph Marie Le Brix (Tenente da Marinha), os quais estavam realizando uma viagem ao redor do mundo. (17 de outubro)

Ocorreu grave acidente no Campo dos Afonsos: o avião Breguet 14, Nº 1856, da Escola de Aviação Militar, tendo a bordo o Capitão Átila Silveira de Oliveira e os Tenentes Salustiano Franklin da Silva e Tomaz Menna Barreto Monclaro, precipitou-se ao solo e explodiu, matando seus tripulantes. (17 de outubro)

1928
Foi promulgado o “Acordo sobre Transportes Aéreos entre o Brasil e o Chile”, firmado no Rio de Janeiro em 04 de julho de 1947 (Decreto nº 31.536). (03 de outubro)

“O Jornal”, do Rio de Janeiro, publicou um longo artigo do Major Lysias Augusto Rodrigues, da Aviação Militar, com o título: “Uma premente necessidade – o Ministério do Ar”. (07 de outubro) Foi o primeiro propagandista, pela imprensa, da ideia da criação, no Brasil, do Ministério do Ar, “atualmente a maior aspiração de todos os pilotos militares, navais e civis de nossa terra”.

Foi criada a Comissão de Construção da Escola de Aeronáutica em Pirassununga (Decreto nº 31.671). (29 de outubro)

1931
Foi criado o Corpo de Aviação da Marinha “para atender às necessidades da Esquadra e à Defesa Aérea do Litoral”. Foi ainda criado o Quadro de Aviadores Navais, sendo o efetivo inicial fixado em 81 Oficiais (Decreto 20.479).

O Corpo de Aviação ficou assim estruturado:

- 1ª Flotilha de Aviões de Esclarecimento e Bombardeio (sede: Centro de Aviação Naval do Rio de Janeiro )
- 18 aviões Fairey Gordon;

- 1ª Flotilha de Aviões de Observação (sede: Centro de Aviação Naval do Rio de Janeiro e parte do Centro de Santa Catarina)
– 12 aviões Vought Corsair;

-1ª Flotilha de Aviões de Bombardeio e Patrulha
– 2 aviões Martin PM e 5 aviões Savoia-Marchetti (pertencentes à Força Aérea da Esquadra);

Divisão de Aviões de Combate
– 8 aviões de caça Boeing 256;

Divisão de Aviões de Treinamento
– 8 aviões Waco CSO. (02 de outubro)

Inauguração da linha Rio de Janeiro – Goiás, do Correio Aéreo Militar – CAM. (12 de outubro)  Decolou do Campo dos Afonsos o avião Curtiss Nº K-272, tripulado pelos Tenentes Joelmir Campos de Araripe Macedo e Nelson Freire Lavenère-Wanderley, inaugurando a linha Rio – Goiás, do Correio Aéreo Militar, com as seguintes etapas: Rio - São Paulo - Ribeirão Preto - Uberaba - Uberlândia - Araguari - Leopoldo Bulhões - Goiás. O pouso final ocorreu em 21 do mesmo mês.

Foi fixado o prazo de dois anos para que “as aeronaves nacionais fossem tripuladas com aeronautas brasileiros” (portaria s/nº, do MVOP). (31 de outubro)

1933
Chegou ao Rio de Janeiro, procedente de Recife, o dirigível alemão LZ-127, o conhecido Graf Zeppelin, conduzindo como passageiro, o Presidente Getúlio Vargas. (05 de outubro)

No Campo dos Afonsos foi realizada uma grande parada militar e um desfile aéreo em homenagem ao Gen Agustin Justo, Presidente da Argentina, em visita ao Brasil. O Cel Newton Braga, Comandante do 1º Regimento de Aviação, liderou o desfile da Aviação Militar. (09 de outubro)

1934
Pelo Parque Central de Aviação foi construído o planador “Brasil nº 01”, invenção do Cabo-Artífice da Aviação Militar, Norival Anastácio Alves. (mês de outubro)

1935
O periódico “Asas” iniciou a publicação de uma série de artigos de autoria do Ten Cel Lysias Augusto Rodrigues, da Aviação Militar, a respeito da “Evolução da Aeronáutica Nacional”,enfatizando a criação de um “Ministério do Ar”, organização de bases aéreas e organização da Força Aérea (reunindo a Força Aérea de Batalha e a Frota Aérea de Cooperação). (1º de outubro)

O Serviço de Saúde da Aviação Militar passou a reger-se por um regulamento próprio (Decreto 361). (03 de outubro)

Ocorreu o primeiro voo, no Campo dos Afonsos, do biplano Muniz M-7, projeto de Antônio Guedes Muniz, com o Cap Geraldo Guia de Aquino e o próprio Muniz aos comandos do avião, o qual recebeu rapidamente sua homologação, em razão de suas satisfatórias qualidades de voo. Para a fabricação em série dessas aeronaves, o industrial Henrique Lage criou a “Fábrica Brasileira de Aviões”, na Ilha do Viana, Baía de Guanabara. Foram fabricados 27 exemplares e vendidos tanto à Aviação Militar como a aeroclubes nacionais. Essa data passou a ser considerada “Dia da Indústria Aeronáutica Brasileira”(Portaria Ministerial de 23 de agosto de 1980). (17 de outubro)

Por iniciativa do Aeroclube do Brasil, foi instituída para ser comemorada anualmente, a “Semana da Asa” (normalmente festejada no período de 16 a 23 de outubro), sendo a data mais importante a de 23, que registra o primeiro voo de Santos Dumont com o seu avião “14 BIS”, na França, em 1906. (20 a 27 de outubro)

Reuniram-se no Campo dos Afonsos numerosas autoridades, representantes do Touring Clube do Brasil, aviadores, elevado número de convidados, para assistirem à chegada dos aviões procedentes de São Paulo, que formavam a primeira “Revoada Turística”. (20 de outubro)

Ocorreu a demonstração oficial do avião Muniz M-7, no Campo dos Afonsos. O piloto desse voo foi o Cap Geraldo Guia de Aquino. (25 de outubro)

Foi inaugurado o “Santos Dumont Planador Clube”, com sede à Rua Passo d'Areia, nº59, em Porto Alegre/RS. (mês de outubro)

Foi fundada a Liga Internacional dos Aviadores, com sede no Rio de Janeiro, “associação destinada a reunir todos os pilotos, civis e militares, que trabalham sob os céus do Brasil”. (mês de outubro) 

Chegou o primeiro lote de 08, de um total de 30 novos aviões Waco CPF F-5, destinados ao Correio Aéreo Militar – CAM e às esquadrilhas de treinamento das Unidades Aéreas. (mês de outubro)

1936
Os aeroportos localizados na Ponta do Calabouço/RJ, em Santa Cruz/RJ e em Recife/PE receberam, respectivamente, as denominações de “Santos Dumont”, “Bartolomeu de Gusmão” e “Augusto Severo” (Decreto 1. 150). (16 de outubro)

1937
Foi fundado o Aeroclube de São Lourenço/MG. (27 de outubro)

Chegaram ao Brasil duas aeronaves Lockeed 12A, adquiridas para o transporte do Presidente da República e de autoridades.(mês de outubro)

1938
Foi aprovado o novo Regulamento para a Escola de Aviação Naval (Decreto 3.136). (07 de outubro)

Foi fundado o Aeroclube de Campo Grande/MS. (13 de outubro)

Foi programado o Circuito Aéreo Nacional, como sendo um circuito fechado, com decolagem e pouso no Distrito federal e sobrevoo de Vitória, Belo Horizonte e São Paulo.(25 de outubro)

Foram inauguradas as novas instalações do Aeroclube do Brasil, no Campo de Manguinhos, pelo Ministro da Viação e Obras Públicas, Mendonça Lima. (28 de outubro)

A sede do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER) está instalada no prédio onde funcionou a Estação de Passageiros de Hidroaviões do Aeroporto Santos Dumont. O edifício foi construído pelo Governo às margens da Baía de Guanabara e inaugurado pelo Presidente Getúlio Vargas. (29 de outubro)

Foi realizado o “Circuito Aéreo do Distrito Federal”, em sobrevoos da Ponta do Galeão, Campo dos Afonsos, Jacarepaguá, Joá, Copacabana (circuito fechado, com 05 passagens em cada ponto de controle) (30 de outubro)

Foi publicada a primeira edição do livro “Os meus balões”, de autoria de Alberto Santos Dumont, traduzido do idioma francês por Artur de Miranda Bastos, cujo original recebeu o título “Dans l'Air”, em 1904. (mês de outubro)

1939
Foi baixada legislação acerca da organização dos aeroclubes (Decreto 1.683). (14 de outubro) 

Foram determinadas as zonas interditas à navegação aérea (Decreto-Lei 1.687). (17 de outubro)

Foram aprovadas as instruções para o transporte de aparelhos fotográficos e cinematográficos em aeronaves nacionais e estrangeiras (Portaria 509/MVOP). (17 de outubro)

Em solenidade programada no Aeroclube do Brasil, o Presidente Getúlio Vargas fez a entrega de uma “caderneta de voo” à jovem aviadora Joana Martins Castilho, brevetada com apenas 14 anos de idade. (20 de outubro)

1940
Chegou ao Rio de Janeiro, a primeira esquadrilha de cinco aviões North American NA-44, de treinamento avançado, adquiridos nos Estados Unidos para a Aviação Militar e tripulados pelos seguintes oficiais, além de três sargentos: Maj José Sampaio Macedo (CMT), 1º Ten Ricardo Nicoll, Roberto Faria Lima, Manoel Borges Neves Filho, Hermes Ernesto da Fonseca e Aloysio Hammerly. (13 de outubro)

1941
A primeira organização do Ministério da Aeronáutica foi criada através do Decreto no 3.730 (18 de outubro). A sessão inaugural de fundação do Clube de Aeronáutica foi realizada. (23 de outubro)

Por determinação do Ministério da Aeronáutica, as primeiras Zonas Aéreas (1a, 2a, 3a, 4a, 5a) foram criadas por intermédio do Decreto 3.762 . (25 de outubro)

1942
Por meio do Decreto-Lei no 4.848, o Serviço de Saúde da Aeronáutica foi criado. (20 de outubro).

O Presidente da República Getúlio Vargas inaugurou, com uma grande solenidade, a estátua em homenagem a Santos Dumont. De autoria do escultor Amadeu Zanio o monumento foi colocado na praça na entrada do aeroporto Santos-Dumont. (23 de outubro).

A história da Engenharia da Aeronáutica confunde-se com a da própria Força Aérea Brasileira, pois após a criação do Ministério da Aeronáutica, também foi criada a Diretoria de Obras, primeira unidade responsável por centralizar a gestão das atividades de engenharia. (28 de outubro)

- No ano seguinte, um Tenente-Coronel Aviador e Engenheiro foi aos Estados Unidos conhecer o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o famoso MIT. Surgia daí um sonho visionário que, através da academia, impulsionaria a Força Aérea em direção ao futuro.

Estava fecundado na mente daquele que veio a tornar-se o Patrono da Engenharia da Aeronáutica, Marechal do Ar Casimiro Montenegro Filho, o Centro Técnico de Aeronáutica (CTA), que teria seu nascimento poucos anos depois, em 1950, com a criação do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), e em sequência, todo o complexo aeroespacial que hoje compõe o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA).

Fica criado no Ministério da Aeronáutica, para instalação imediata, o Depósito de Aeronáutica do Rio de Janeiro, com sede nesta Capital, por meio do Decreto-lei nª 4.881. (29 de outubro).
• Esse estabelecimento terá uma organização provisória idêntica à prevista para o extinto Depósito de Aeronáutica dos Afonsos, e na sua constituição inicial serão aproveitados, a critério do Ministro da Aeronáutica, todos os recursos e demais elementos em pessoal e material dos extintos Depósitos de Aeronáutica dos Afonsos e do Galeão.

1943
Foram organizadas as bandas de música nas Bases Aéreas de Salvador, Natal e Fortaleza, com o Aviso nº 136. (08 de outubro)

1944
São criadas as seguintes unidades de aviação, por meio do Decreto-lei nº 6.926 (05 de outubro).

Na 2ª Zona Aérea:
– O 4º Grupo de Bombardeio Médio, com sede normal na Base Aérea de Fortaleza.
– O 1º Grupo Misto, com sede normal em Natal e constituído de esquadrilhas de Caça e de Bombardeio Médio.

Na 3ª Zona Aérea:
– O 1º Grupo de Transporte, com sede normal no Aeroporto Santos Dumont, subordinado ao Ministro da Aeronáutica.
– O 2º Grupo de Transporte, com sede normal no Campo dos Afonsos, subordinado à Diretoria de Rotas Aéreas.

Na 4ª Zona Aérea:
– 1º Grupo Misto de Instrução, com sede normal na Base Aérea de São Paulo e destinado à instrução dos alunos da Escola Técnica de Viação de São Paulo, da qual é parte integrante.
– O 2º Grupo de Bombardeio Leve, com sede normal na Base Aérea de São Paulo.

Na 5ª Zona Aérea:
– 5º Regimento de Aviação, com sede normal na Base Aérea de Curitiba.
– O 3º Grupo de Bombardeio Picado, com sede normal na Base Aérea de Curitiba.
• O 5º Regimento de Aviação ficará constituído do 1º Grupo de Caça, já existente, e do 3.º Grupo de Bombardeio Picado, ora criado.
• O 2º Grupo de Caça tem sua sede transferida da Base Aérea de Natal para a Base Aérea de Santa Cruz a fim de integrar o 1º Regimento de Aviação (art. 2º do Decreto-lei nº 6.796, de 17 de agosto do corrente ano).

O 1º Grupo de Aviação de Caça chegou ao Teatro de Operações da Itália, desembarcando do navio “Colombie”, no Porto de Livorne. (06 de outubro).

Foi hasteada, pela primeira vez, em território inimigo, a bandeira do 1o Grupo de Aviação de Caça Brasileiro, em Tarquínia, na Itália. (14 de outubro)

Chegada do primeiro P-47 em Natal, com destino à Escola Técnica de Aviação, em Cumbica, atual Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAR). (16 de outubro)

Foi criado o Estandarte da Escola de Aeronáutica. (17 de outubro)

O Presidente da empresa aérea Panair do Brasil, Dr Paulo Sampaio, entregou ao Ministro da Aeronáutica, Dr. Salgado Filho, o coração de Santos Dumont. Guardado em um artístico escrutínio de ouro erguido por Ícaro, ele se encontrava exposto no Salão Nobre da Academia da Força Aérea Brasileira - AFA. Atualmente, encontra-se exposto no Museu Aeroespacial, no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro. (24 de outubro)

Após a declaração de guerra do Brasil aos países do Eixo na 2ª Guerra Mundial, foram designados para comandar as unidades aéreas na Itália, os seguintes militares: o Major Aviador Nero Moura, o Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1º GAVCA), e o Capitão Aviador João Affonso Fabrício Belloc, a Primeira Esquadrilha de Ligação e Observação (1ª ELO). (mês de outubro) 

1945
Foi extinta a Primeira Esquadrilha de Ligação e Observação (1ª ELO), através do Aviso nº 75. (11 de outubro)

1949
Por meio do Decreto nº 27.353, foi criada, no Ministério da Aeronáutica, a Comissão de Estudos Relativos à Navegação Aérea Internacional (CERNAI), subordinada diretamente ao Ministro, e que substitui, para todos os efeitos, a Comissão a que se refere a Portaria nº 46, de 23 de fevereiro de 1948. (20 de outubro)

1952
Foi criada, pelo Decreto nº 31.671, a Comissão de Construção da Escola de Aeronáutica em Pirassununga, diretamente subordinada ao Ministro da Aeronáutica, com a finalidade de intensificar a construção da futura Escola. (29 de outubro)

Foi reorganizado, como elemento constitutivo do Q.G. da 3ª Zona Aérea, o 1º Esquadrão de Controle e Alarme, pela Portaria nº 335. (29 de outubro)

1953
Foi aprovado o acordo sobre Transportes Aéreos regulares entre o Brasil e a Espanha, firmado no Rio de Janeiro, a 28 de novembro de 1949, por meio do Decreto Legislativo nº 73. (08 de outubro)

A Escola Técnica de Aviação foi extinta, pelo Decreto nº 34.095, em que o Ministério da Aeronáutica determinou o aproveitamento das instalações e do material pertencentes à referida Escola. (07 de outubro)

1955
Foi criado o Curso de Pilotos Comerciais, pelo Decreto nº 38.089, com a finalidade de preparar pilotos para a aviação comercial brasileira, funcionando, provisoriamente, anexo à Escola de Especialistas de Aeronáutica. (13 de outubro)

1956
Foi criada na cidade de São Paulo a “Fundação Santos-Dumont”. (03 de outubro)

Foi aprovado o “Acordo sobre Transportes Aéreos entre o Brasil e o Peru”, firmado no Rio de Janeiro em 28 de agosto de 1953 (Decreto Legislativo nº 52). (25 de outubro)

1958
O certificado de homologação das aeronaves construídas no Brasil foi organizado, por meio da Portaria nº 844-GM4, sendo expedido pelo Centro Técnico da Aeronáutica. (07 de outubro)

Teve início o IV Congresso Brasileiro de Aeronáutica em São Paulo na Sede do Instituto de Engenharia de São Paulo, sob o patrocínio da Fundação Santos-Dumont. (20 de outubro)

1959
Foi incorporado ao patrimônio das Forças Armadas, por intermédio da Lei nº 3.645, sob a direção e administração do Ministério da Guerra, o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial. (15 de outubro) 

1960
Inauguração do Destacamento Precursor da Nova Escola de Aeronáutica (DPEAER), em Pirassununga/SP. (17 de outubro)

1965
Inauguração do então Centro de Lançamento de Foguetes da Barreira do Inferno (CLFBI), atual Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), sediado próximo à cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. (mês de outubro) Primeiro centro de lançamentos de foguetes espaciais da América do Sul, o CLBI tem por finalidade, executar e prestar apoio às atividades de lançamento e rastreio de engenhos aeroespaciais e de coleta e processamento de dados de suas cargas úteis, além de executar testes, experimentos, pesquisa básica ou aplicada e outras atividades de desenvolvimento tecnológico de interesse da Aeronáutica.

1968
Primeiro voo do Bandeirante, avião bimotor que representa um marco na história da indústria aeronáutica nacional e que levou à criação da EMBRAER em 1969, para a produção em série e comercialização do produto. (26 de outubro)

1971
Inauguração da Base Aérea de Santa Maria, com a presença do Presidente da República Emílio Garrastazu Médici. Foi criada com a finalidade de proporcionar o apoio necessário às unidades aéreas e unidades da Aeronáutica que nela operem ou que nela estejam sediadas. (15 de outubro)

1976
Inauguração do Museu Aeroespacial. A importância dessa criação deve-se à necessidade de preservação e divulgação do material aeronáutico e documentos históricos para as futuras gerações. (18 de outubro) 

1984
Foi inaugurada a Base Aérea de Porto Velho, com a presença do Presidente da República João Batista de Oliveira Figueiredo, sendo um importante ponto de apoio logístico para a consolidação do processo de planejamento na defesa aeroespacial da Amazônia. (31 de outubro)

1989
O Esquadrão Adelphi recebeu, oficialmente, a sua primeira aeronave A-1 (FAB 5500), com a presença do Sr. Ministro da Aeronáutica, membros do Alto-Comando, Diretor-Presidente da EMBRAER e parlamentares do Congresso Nacional. A cerimônia incluiu um voo de demonstração local na aeronave A-1, na Base Aérea de Santa Cruz. (17 de outubro)

2003
Foi iniciado o processo de reestruturação da Área de Tecnologia da Informação (TI) do COMAER, com o Aviso Interno nº 12/GC3/18 e, posteriormente, com a Portaria nº 1.241/GC3, de 19 de dezembro de 2003, que instituiu o Sistema de Tecnologia da Informação do Comando da Aeronáutica. (20 de outubro)

Fonte: INCAER

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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Sentando a Púa!

Segredos e Bastidores da Fotografia de Aviação com Johnson Barros
Manobrar uma lente profissional sob forças gravitacionais brutais e registrar a fração de segundo exata de um caça em voo não é apenas técnica — é pura arte militar. Neste vídeo imperdível, o esquadrão do Sentando a Púa! recebe novamente Johnson Barros, fotógrafo militar consagrado internacionalmente, para abrir a caixa-preta das imagens mais emblemáticas da aviação de defesa brasileira.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

C-390 Millennium

Embraer entrega o primeiro C-390 Millennium à Força Aérea do Uzbequistão
A Embraer entregou na última sexta-feira, 25/9/2026, a primeira aeronave de transporte multimissão C-390 Millennium à Força Aérea do Uzbequistão, durante uma cerimônia realizada nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto, Brasil. O evento contou com a presença do Major-General Akhmad Jamolovich Burkhonov, Comandante da Força Aérea, e Olimkhon Bakiyevich Rustamov, Diretor da empresa estatal "O‘ztextreyd", representando a República do Uzbequistão. O contrato, assinado no final de 2024, também inclui um abrangente pacote de treinamento e suporte, além do fornecimento de peças de reposição.

O Uzbequistão se torna o primeiro operador do C-390 Millennium na Ásia Central, assinalando um marco importante nos esforços do país para modernizar e fortalecer suas capacidades de mobilidade aérea.

"A entrega do primeiro C-390 Millennium representa um passo significativo para a modernização da Força Aérea do Uzbequistão. O desempenho excepcional, a versatilidade e as capacidades multimissão da aeronave nos permitirão executar uma ampla gama de missões com maior eficiência e prontidão. Estamos ansiosos para introduzir esta plataforma de última geração em serviço e fortalecer ainda mais nossas capacidades operacionais", disse o Major-General Akhmad Jamolovich Burkhonov, Comandante da Força Aérea do Uzbequistão.

"Estamos honrados em entregar o primeiro C-390 Millennium à Força Aérea do Uzbequistão e dar as boas-vindas ao Uzbequistão à crescente comunidade de operadores do C-390 no mundo todo", disse Bosco da Costa Júnior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança. "A escolha do C-390 confirma seu status como a solução de mobilidade aérea mais avançada disponível atualmente. Essa entrega reforça nosso compromisso de apoiar o Uzbequistão com capacidade incomparável e flexibilidade operacional para as próximas décadas."

Com essa primeira entrega, o Uzbequistão se junta a um grupo crescente de nações que operam o C-390 Millennium, reforçando a posição da aeronave como o novo padrão no transporte aéreo tático de médio porte.

O C-390 Millennium, construído e projetado no século XXI, é a aeronave de transporte militar mais moderna de sua categoria. Ele pode transportar mais carga útil (26 toneladas) do que outras aeronaves militares de transporte de médio porte, voando mais rápido (470 nós) e mais longe. É capaz de executar uma ampla gama de missões, incluindo transporte de carga e tropas, lançamentos de equipamentos e pessoal, evacuação médica, busca e salvamento (SAR), combate a incêndios e missões humanitárias, operando a partir de pistas temporárias ou não pavimentadas. Quando equipado com sistema de reabastecimento aéreo (AAR) de instalação rápida, pode atuar tanto como tanque, quanto como receptor.

Além da Força Aérea Brasileira, a aeronave multimissão de última geração foi selecionada pelas forças aéreas de Portugal, Hungria, República da Coreia, Holanda, Áustria, República Tcheca, República do Uzbequistão, Suécia, Emirados Árabes Unidos, Eslováquia, Colômbia e Lituânia. O C-390 Millennium oferece capacidade, confiabilidade, versatilidade e desempenho incomparáveis para atender às necessidades táticas e estratégicas das forças aéreas em todo o mundo com interoperabilidade entre seus operadores.

Fonte: Embraer

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domingo, 27 de setembro de 2026

Especial de Domingo

Novamente, mais uma postagem selecionada do excelente A Maravilhosa Vida de Santos=Dumont, de Luiz Pagano.
Boa leitura.
Bom domingo!

Santos=Dumont Número 18 Hydroglisseur
Especulações sobre o Funcionamento
Com o Número 18 Santos=Dumont além de aprimorar a Demoiselle, participou dos esforços para tornar realidade os luxuosos barcos de alta velocidade, bem como inventou um revolucionário sistema hidráulico. Fato é que Santos=Dumont não se limitou apenas a melhorar a Demoiselle; ele transcendentalmente inovou, no entanto, o verdadeiro marco revolucionário foi alcançado por meio de um disruptivo sistema hidráulico, que não só desafiou as convenções da época, mas também pavimentou o caminho para um capítulo inédito na evolução da aviação e dos meios aquáticos - e tudo começou com uma aposta.

A Aposta Audaciosa
“Infatigável pesquisador de imaginação fecunda, o senhor Santos=Dumont parece mais um amador de proezas que de sucessos duráveis. (Saiba mais sobre esta aposta) Após ter contornado a Torre Eiffel com o seu primeiro balão dirigível. De executar sábias e preciosas manobras em Trouville com outro balão, agora ele lançou-se de corpo na aviação... Depois, sem abandonar um ou outro modo de locomoção aérea, eis que sonha em vencer o elemento liquido com o seu hidroplano...Durante um jantar, doravante histórico, entre esportistas da mais alta linhagem, os convivas acharam agradável assumir mutuamente desafios muito sérios e encorajadores. Em 24 de julho de 1906, o senhor Charron, talvez um pouco vitima do não menos histórico “calor comunicativo” do banquete que oferecia aos amigos, comprometeu-se da seguinte maneira:

1 – O senhor F. Charron apostou 10.000 francos contra 2.000 do senhor Bleriot que não seria possível fazer 100 km/h sobre a água com um aparelho qualquer antes de 1º de abril de 1908. Esta velocidade deverá ser atingida sobre um percurso de somente 1 km, mas nos dois sentidos, sendo a média dos dois experimentos que deverá ser considerada. Árbitro: o cavalheiro René de Knyff.

2 – O senhor F. Charron apostou 50.000 francos contra 5.000 de Santos=Dumont que este último não poderia fazer 100km/h sobre a água antes de 1º de abril de 1908. Modo de cronometragem como precedente.

3 – O senhor F. Charron e o Marques de Dion apostaram 5.000 francos contra os senhores Archdeacon e Santos=Dumont que eles não verão antes de 1º de fevereiro de 1908 um aeroplano voar a distância de 500m sem tocar a terra”.

René Doncières – “Les nouveaux Santos=Dumont”, La Nature, n. 1796 26 de outubro de 1906, p. 344

Santos=Dumont pilotando seu Número 18 - Hydro Glisseur. Seu sitema de direção hidráulica antecipou em mais de 10 anos a invenção de Francis Devis

O Santos=Dumont Nº18 Hydro glisseur não foi apenas um experimento isolado; foi um marco crucial que forneceu informações fundamentais para o desenvolvimento subsequente da Demoiselle e, por extensão, dos aviões modernos. Concebido para estudar as interações entre asas e água, o Nº18 inaugurou um capítulo significativo na história da aviação. Infelizmente, Dumont não ganhou a aposta. Especulações sobre Funcionamento e Pilotagem A análise do Nº18 levanta especulações fascinantes sobre seu funcionamento e pilotagem, dada a posição distante de Santos=Dumont em relação ao motor, surgem questões intrigantes sobre os controles e sistemas a bordo.

Nesta foto, o compressor parece estar na popa, protegido por uma cobertura (possivelmente de madeira)

A sugestão de controles hidráulicos para as barbatanas submersas é uma abordagem inovadora, proporcionando um meio eficiente de controlar a elevação da embarcação na água. 

Dispositivo Misterioso
Nessa foto vemos os dois volumes cobertos com lona, o motor Antoniette de 100hp e o objeto misterioso logo abaixo do motor

Santos=Dumont fez diferentes experimentos com o Hydroglisseur e ao observar as fotos e vídeos feitos na época, percebe-se um dispositivo misterioso, que muitas vezes fica coberto com uma lona, ou envolucro de madeira; algumas vezes embaixo do motor Antoniette de 16 cilindros e 100hp, que volta e meia também aparece coberto com uma lona de faixas laterias, outras vezes o tal dispositivo aparece na popa, logo atrás do selim de Dumont - o que será aquilo?

O dispositivo misterioso parece ser um compressor de ar com torres de saída, válvulas, cabos (e talvez um regulador centrífugo), provavelmente trata-se de um sistema hidráulico no qual pistões e atuadores movimentam e seguram as barbatanas em posição de mergulho e elevação, de forma que Dumont possa conduzir os experimentos de flutuabilidade.

Na ilustração dá para se ver que é uma especie de compressor de ar, que não parece ser utilizado para inflar as bananas flutuadoras, posto que estas são estruturadas, e nem para circular a água no radiador uma vez que observa-se um governador centrifugo, peça caracteristica das máquinas a vapor, com duas esferas que ficam girando em gentil harmonia, normalmente usado para equilibrar força em saída de gazes. O dispositivo misterioso deve ser uma sistema hidráulico, com uma bomba impulsionando gases para um cilindro que transmite pressão para êmbolos e atuadores, consistente com a função avançada para um controle de altitude na superfície da água.

Nesta foto do Le Pèlerin 1605 de 6 de outubro de 1907, vemos bem o que parecem ser pistões de ar que funcionam como atuadores na barbatana de popa

A manipulação das aletas (barbatanas) para ajustar a posição de subida ou descida, conforme o controle de Dumont, integra complexos componentes hidráulicos, revelando grande grau de sofisticação do projeto, talvez tenha sido um dos primeiros hidroplanadores que se elevam na água com hidrofólios para conseguir maires velocidades.

Ao ver os pistões e cilindros pode-se extrapolar o funcionamento do sistema de controle das barbatanas no Número 18 de Santos=Dumont, baseado em um engenhoso sistema hidráulico (pelas fotos pode bem ser um sistema de ‘cabo Bowden’, um mecanismo que utiliza um filamento de arame fino que se move no interior de um invólucro exterior flexível, tal qual o freio de bicicletas).

Mas vamos continuar com o sistema hidráulico, no qual um cilindro contendo fluido mantido sob pressão é central para o funcionamento, válvulas estrategicamente posicionadas desempenham um papel crucial ao regular o fluxo do fluido hidráulico. Quando Dumont deseja ajustar a posição das barbatanas, ele opera essas válvulas de maneira precisa, abrindo e fechando conforme necessário.

Ao ver os pistões e cilindros pode-se extrapolar o funcionamento do sistema de controle das barbatanas no Número 18 de Santos=Dumont, baseado em um engenhoso sistema hidráulico. Neste sistema, um cilindro contendo fluido mantido sob pressão é central para o funcionamento, válvulas estrategicamente posicionadas desempenham um papel crucial ao regular o fluxo do fluido hidráulico. 

No diagrama acima vemos como de seu assento Dumont poderia ter controlado os ailerons submersos, a fim de compreender e dominar as forças hidrodinâmicas, que são semelhantes à aerodinâmica:

1- Posição de Mergulho
Para posicionar a barbatana em posição de mergulho, Dumont habilmente manipulava as válvulas, abrindo e fechando de forma precisa de forma a controlar o fluxo do fluido hidráulico pelos cabos até os pistões antagonistas, gerando uma pressão direcionada. Isso resultava em uma movimentação coordenada das barbatanas para a posição desejada de mergulho.

2- Posição de Ascensão
Quando Dumont decidia elevar a posição da barbatana, invertia a posição das válvulas, de forma a direcionar o fluido hidráulico de maneira oposta pelos cabos até os pistões. Essa ação reversa cria uma pressão que impulsiona os pistões de maneira a levantar as barbatanas, permitindo que a aeronave retorne à superfície ou atinja uma posição ascendente desejada.

Mas afinal qual barbatana se movimentava? Barbatana dianteira ou traseira?
A proposta de utilizar um êmbolo para gerar pressão e controlar os hidrofólios (barbatanas) frontais é engenhosa, a integração de um sistema hidráulico impulsionaria um émbolo, que por sua vez levantaria a barbatana dianteira.

Assumindo um sistema de elevação da embarcação para movimentar a aleta frontal, os tubos simplificados pintados em vermelho demonstram as linhas de pressão controladas por Dumont para levantar e manter em posição as aletas dianteiras.

A observação das fotos é crucial para uma compreensão mais precisa. as barbatanas traseiras parecem apresentar um atuador de inclinação, isso sugere que essas seriam as partes móveis, influenciadas pelo sistema hidráulico proposto. Portanto, o movimento poderia estar centrado nas barbatanas traseiras, permitindo o ajuste da inclinação da embarcação na água por meio do émbolo impulsionado pelo sistema hidráulico.

Diferente da foto acima, aqui vemos um sistema de elevação da embarcação para movimentar a barbatana traseira, os tubos simplificados pintados em vermelho movimentam a barbatana traseira no sentido de mergulho, forçando a popa a abaixar e a proa a subir.

Os Maravilhosos Motores Antoniette
A relação peso x potencia desses motores foi o que proporcionou o primeiro voo do mais pesado que o ar em 1906. (Veja matéria) Em maio de 1906, Gastambide e Levavasseur fundaram a empresa Antoinette (nome da linda filha de Gastanbide) em Puteaux, localizada na 28, rue des Bas-Rogers, para a produção em série dos motores V8 e V16. Louis Blériot, em busca de um motor, contribuiu com fundos e foi nomeado vice-presidente da empresa.

A bela Antoniette Gastanbide, filha de um dos sócios, deu nome a esta fábrica de motores que tanto fez pela história da navegação aérea e aquática. Nos anúncios da empresa, o destaque é a excelente relação potência/peso desse motor, que pode ser carregado nos ombros sem muita dificuldade, o que possibilitou o primeiro voo mais pesado que o ar por Santos=Dumont.

Em apenas dois meses, na pequena fábrica de Puteaux, foi desenvolvido um V8 de 50 cv a 900 rpm. Desta vez, o motor funcionou corretamente, e vários exemplares foram construídos (cerca de uma dúzia). Santos=Dumont o utilizou com sucesso em seu primeiro voo em Bagatelle, em outubro e novembro de 1906, no número 17 e 18.

Praticamente todos os aviadores franceses adotaram esse motor impulsionados pelos sucessos de Dumont, o motor era surpreendetemente leve em relação a potencia que desempenhava - num anúncio da época, um homem aparece levando um bloco de motor de 16 cilindros nas costas, sem grande esforço.

Levavasseur lançou um novo V8 de 24 cv, pesando apenas 36 kg, e um V16 de 100 cv, pesando 150 kg. 

Controles do S=D Nº 18
Extrapolar como Dumont pilotava seu Hydroglisseur implica em assumir que o sistema hidráulico descrito acima foi de fato utilizado. uma vez que as assunções acima estejam corretas.

Santos=Dumont, ao pilotar seu Hydroglisseur Nº18, demonstrava maestria ao utilizar o complexo sistema hidráulico para controlar a elevação, direção e inclinação da embarcação na água, o piloto, posicionado à popa, dominava o volante semelhante aos automóveis da época, como os da Renault de 1907.

Iniciando a experiência aquática, Dumont acionava o motor por meio de um botão localizado à frente do volante. A manobra de engrenagem da hélice era habilmente realizada através de uma alavanca posicionada à sua esquerda. O aviador (agora capitão de embarcação) não apenas navegava sobre as águas, mas elevava-se a um novo patamar de controle ao explorar o sistema hidráulico.

Para dirigir a embarcação para a direita ou esquerda, Dumont ajustava a altitude na superfície da água, utilizando o volante conectado a um sistema que acionava embolos. Este sistema, análogo às asas de um avião, movimentava as barbatanas de bombordo e estibordo. Ao desejar virar para a direita, o piloto ajustava a barbatana da esquerda para elevação e a da direita para mergulho, proporcionando um controle refinado sobre a trajetória do Hydroglisseur, (possivelmente esse controle não foi tão eficiente, pois em algumas fotos Dumont aparece movimentando um leme de cauda).).

Assim, Santos=Dumont navegava não apenas sobre as águas, mas moldava seu percurso com precisão, explorando as nuances do sistema hidráulico inovador que ele mesmo introduzira.


É importante dizer que o teste dos aerofólios foi feito quando o Nº 18 foi puxado por uma lancha a alta velocidade.

Hidroplanadores e Hidrofólios
Nem é preciso dizer que Dumont não teve apenas 20 invenções, porque, considerando todas as soluções e conquistas concebidas, o número de criações facilmente ultrapassa o número de 300.

Acima a esquerda, desenho da primeira patente britânica concedida em 1869 a Emmanuel Denis Farcot, de seu hidroplanador com barbatanas laterais, a esquerda o teste do hidroplanador Fenaille no Rio Sena, no fim dos anos 1920, com hélice aérea 5m x 2,25 m. E abaixo o moderno w-Foil que atinge velocidade constante de 40 nós, com incrível consumo de combustível na faixa dos 7 a 10 galões de combustível por hora, podem manter o casco exclusivo de madeira de abeto cortados a laser acima do nível da superfície. A empresa planeja organizar corridas clássicas com as doze unidades que estão em produção.

Tanto o hidroplanador quanto o hidrofólio ja haviam sido patenteados na época de Dumont, no entanto ele fez os primeiros testes reais sobre as ideias existentes. A primeira evidência de um hidrofólio num navio aparece numa patente britânica concedida em 1869 a Emmanuel Denis Farcot, um parisiense, que “ao adaptar às laterais e ao fundo da embarcação uma série de planos inclinados ou peças em forma de cunha, que à medida que a embarcação avança terá o efeito de levantá-la na água e reduzir o arrasto”.

O inventor italiano Enrico Forlanini começou a trabalhar em hidrofólios em 1898 e usou um sistema de aletas em "escada". Forlanini obteve patentes na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos para suas ideias e projetos.

Com o Número 18, por exemplo, Dumont concebeu e testou dezenas de dispositivos e soluções, o hydroglisseur é, sem dúvida, um bom sustentador deste argumento; foi um verdadeiro pacote de invenções como o sistema hidráulico para movimentação e estabilidade das barbatanas, o hidrofólio como forma de evitar o arrasto da água e atingir maiores velocidades, o controle de direção com pistões hidráulicos, entre muitas outras soluções que infelizmente se perderam no tempo.

Após as contribuições de Dumont, outros pioneiros também incorporaram hidrofólios em suas embarcações, desempenhando um papel crucial na evolução desse meio de transporte.

Auguste Tellier fundo o 'Les Chantiers Tellier"em 1870 um estaleiro de barcos de luxo, de alta velocidade em la Rapée, París.

Desde o pioneirismo de Les Chantiers Tellier até as criações contemporâneas, como os modernos barcos de corrida a hidrofólios, hovercrafts que deslizam sobre um colchão de ar com hélices traseiras, os airboats que passam pelos rasos encharcados dos Everglades, a tecnologia evoluiu consideravelmente. 

A aplicação atual dos hidrofólios vai desde o transporte de passageiros até barcos de competição, destacando a versatilidade e eficiência dessa tecnologia ao longo dos anos.

Mas afinal, quem bateu o record de 100 km/h sobre a água?

A iniciativa de Santos=Dumont ao tentar bater o recorde de 100 km/h no rio Sena com o Hydroglisseur Nº18 estava notoriamente a frente de seu tempo, mesmo considerando sua genialidade e o incrível motor Antoinette de 100cv, o mais avançado e leve naquele período.

Don Aronow não só bateu o record de 100 k/h em 1967, como também criou a marca Magunum, ícone lendário no mercado de lanchas de luxo que atingem altas velocidades

A verdadeira realização do desafio de alcançar 100 km/h sobre a água só ocorreu em 1967, quando Don Aronow pilotou seu Maltese Magnum de 27 pés, com dois motores de popa MerCruisers de 255 HP, na Miami-Nassau Power Boat Race, que obteve a incrível velocidade de 58,4 nós (aproximadamente 108,15 km/h) com ondas de 2 a 3 metros de altura, conquistando assim o record.

É fascinante observar o sorriso raro de Santos=Dumont capturado ao lado de Edna Powers na foto do No 18. Este momento diz muito sobre a alegria singular que Dumont encontrou em sua invenção, que é meu invento favorito, um testemunho marcante de suas paixões.

Don Aronow era uma figura extraordinária, um mestre construtor de barcos por trás de marcas lendárias como Magnum, Cigarette e Donzi. O filme "Speed Kills" ao lado de John Travolta, destaca suas conquistas no mundo das lanchas de alta velocidade, embora romanceie alguns eventos para criar drama como a trágica morte de Aronow, que é apresentada no filme com exageros e alterações para aumentar o apelo.

Passava grande parte do seu tempo livre na marina onde tinha o seu barco de madeira de 40 pés com vela. Ele foi atraído pela agitação do dia: a Miami-Nassau Power Boat Race, uma corrida oceânica de 184 milhas náuticas realizada pela primeira vez em 1957, que vinha crescendo em popularidade e publicidade. Ricos aventureiros de todo o mundo viram aqui a sua oportunidade de provar a sua capacidade técnica e coragem (tal como na época de S=D).


O Número 18 é sem dúvida a minha invenção favorita de Santos=Dumont, em grande parte porque transmite a sensação dos incríveis barcos de luxo super-rápidos, bem como o seu design arrojado e único, que provavelmente inspirou George Lucas para conceber o Naboo N-1, pilotado por Anakin Skywalker no quarto filme da franquia, Star Wars Episódio I “Phantom Menace”.

Será?

O hidroplanador Santos=Dumont Nº18 permanece como um símbolo do engenho e ousadia de seu criador, inspirando não apenas a aviação, mas também contribuindo para a evolução dos hidroplanadores e embarcações anfíbias. À medida que exploramos as origens e especulações em torno do Nº 18, ganhamos uma apreciação mais profunda das inovações que moldaram o curso da história aeronáutica e naval.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Santos Dumont nº 18

Há 119 anos ocorreu a principal experiência com o deslizador aquático de Santos Dumont
Em 25 de setembro de 1907 foi realizada, na França, a principal experiência de Santos Dumont, no Rio Sena, com o seu deslizador aquático.
O “Santos Dumont nº 18” tinha um flutuador central e dois flutuadores laterais, todos três em forma de charuto e era equipado com um motor “Antoinette” de 100 cavalos vapor. É mais um aparelho do genial Santos Dumont, brasileiro que contribuiu não apenas para a aviação, mas também para a evolução dos hidroplanadores e embarcações anfíbias.


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