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Voar é um desejo que começa em criança!

domingo, 20 de setembro de 2026

Especial de Domingo

Com texto de Arnaldo Chieus, selecionado do Núcleo de Documentação Luiz Ernesto Kawall (Doc-LEK), brindamos ao ubatubense Gastão Galhardo Madeira, Pioneiro da Aviação. 
Boa leitura.
Bom domingo!

Gastão Madeira: o homem que pensou antes de voar
Arnaldo Chieus, setembro de 2026

Há personagens que pertencem à História e há outros que, embora tenham participado dela de maneira decisiva, acabam esquecidos pelas gerações seguintes. Gastão Galhardo Madeira pertence a esse segundo grupo. Natural de Ubatuba, nascido em 1869, foi advogado, inventor, pesquisador e desenvolveu, ainda no final do século XIX, estudos relacionados à dirigibilidade dos balões e aos princípios que, posteriormente, seriam fundamentais para o desenvolvimento da aeronáutica.

E justamente essa trajetória, marcada pela ousadia intelectual e pela capacidade de antecipar problemas que somente mais tarde seriam solucionados, que Cesar Rodrigues procura resgatar no livro “Voando Além do Tempo: o pensar de Gastão Madeira”.


Publicado pelo Instituto Salerno-Chieus, a obra constitui importante contribuição para a recuperação da memória cientifica e cultural de Ubatuba e, ao mesmo tempo, para uma compreensão mais ampla da participação brasileira na história da aviação. O compêndio surgiu de um trabalho de pesquisa voltado para reunir, preservar e divulgar os estudos e as ideias de Gastão Madeira, cuja importância permanecia pouco conhecida, até mesmo em sua cidade natal.

O grande mérito de Cesar Rodrigues está justamente em não tratar Gastão Madeira apenas como uma personagem biográfica. O autor procura recuperar o pensamento do inventor, suas inquietações, observações e hipóteses sobre o voo. Daí a importância do subtítulo: “o pensar de Gastão Madeira”. Mais do que narrar uma vida, o livro procura apresentar uma inteligência em movimento.

Gastão Madeira partiu de uma observação aparentemente simples: o voo dos pássaros. A natureza transformou-se, para ele, em laboratório. A observação do comportamento das aves levou-o a formular ideias sobre o voo e, particularmente, sobre a dirigibilidade dos aeróstatos. Segundo Rodrigues, já no início da década de 1890, Gastão Madeira trabalhava com a possibilidade de tornar dirigíveis os balões, numa época e que a aeronáutica ainda dava seus primeiros passos.

Essa característica confere à trajetória de Gastão Madeira uma dimensão que ultrapassa a história local. Seu pensamento insere-se naquele momento de transição em que o homem procurava vencer uma das mais antigas limitações da humanidade: a impossibilidade de dominar o voo.

Nesse sentido, o título “Voando além do tempo” é particularmente feliz. Gastão Madeira parece estar permanentemente projetando para além de sua época. Suas perguntas pertenciam ao presente, mas suas possíveis respostas apontavam para o futuro. A distância entre o seu pensamento e os recursos tecnológicos disponíveis naquele momento ajuda a explicar tanto a originalidade de suas propostas, quanto o relativo esquecimento posterior de sua contribuição.

Um dos aspectos mais interessantes recuperados pelo pesquisador aeronáutico é a relação entre as ideias de Gastão Madeira e o desenvolvimento posterior da aeronáutica. O deslocamento do centro de gravidade como recurso para a dirigibilidade dos balões, proposto pelo inventor ainda em 1890, é apresentado como uma ideia que, posteriormente, encontraria aplicações nos experimentos de Alberto Santos-Dumont.

É nesse ponto que o livro ganha relevância histórica. A história da aviação brasileira costuma concentrar-se, naturalmente, na figura de Santos-Dumont. Sem diminuir a importância do grande aviador brasileiro, a pesquisa de Cesar Rodrigues contribui para ampliar esse panorama, mostrando que a construção do conhecimento aeronáutico foi resultado de uma sucessão de experiências, estudos, hipóteses e inventos. Gastão Madeira aparece, assim, como parte de uma pré-história intelectual da aviação brasileira.

Outro aspecto digno de atenção é a preocupação de Gastão Madeira com a segurança do voo. Entre suas ideias encontra-se o chamado Aviplano, concebido para que uma aeronave pudesse realizar uma descida lenta, em caso de pane do motor. Rodrigues também destaca os estabilizadores automáticos, que podem ser vistos como uma antecipação conceitual de mecanismos posteriormente relacionados ao controle automático das aeronaves.

Essa dimensão revela um inventor preocupado não apenas com a possibilidade de voar, mas com as condições necessárias para tornar o voo mais seguro. Há, portanto, que imaginar o voo significa antever seus riscos e maneira de controlá-los.

O livro possui, ainda, uma importância documental. A obra procura valorizar, resgatar, reunir e registrar as ações e estudos de Gastão Madeira relacionados à navegação aérea desde 1890, incluindo seus estudos sobre dirigibilidade dos aeróstatos.

Esse caráter documental transforma a obra em fonte relevante para pesquisadores da história da aviação, da ciência e da tecnologia no Brasil. Mas sua importância não se restringe ao campo especializado. O livro também funciona como instrumento de preservação da memória regional. Nesse aspecto, Ubatuba ocupa lugar central. Resgatar Gastão Madeira significa reconhecer que a história de uma cidade não é constituída apenas por acontecimentos políticos ou econômicos, mas também por homens e mulheres que, em diferentes épocas, projetaram o nome do município, para além de suas fronteiras. A própria prefeitura de Ubatuba reconheceu essa dimensão ao promover, em 2019, as comemorações dos 150 anos do nascimento do inventor e ao destacar a necessidade de recuperar sua memória para as novas gerações.

Há, portanto, uma dupla viagem em “Voando além do tempo”: a primeira é a viagem de Gastão Madeira em direção ao céu; a segunda é a viagem de Cesar Rodrigues em direção ao passado, em busca do resgate cultural das ideias e ideais do inventor. E justamente nessa segunda viagem que reside uma das maiores virtudes da obra. O pesquisador não se limita a olhar para o inventor com os olhos do presente. Procura compreender suas experiências dentro das condições intelectuais de seu tempo. O resultado é o retrato de um homem movido pela curiosidade, pela observação e pela convicção de que os limites, aparentemente intransponíveis, poderiam ser vencidos pelo conhecimento. 

A obra também pode ser compreendida como uma reflexão sobre o esquecimento histórico. Por que determinados inventores entram para a memória coletiva, enquanto outros permanecem nas margens? A pergunta é inevitável, quando se conhece a trajetória de Gastão Madeira. Seu nome aparece associado à história da aeronáutica brasileira e chegou a figurar, em 1927, numa placa comemorativa da travessia do Atlântico pelo hidroavião Jahú, ao lado de nomes como Bartolomeu de Gusmão, Santos-Dumont e Edu Chaves. O autor procura, portanto, corrigir uma espécie de silêncio da memória.

Mais do que uma biografia de um inventor, “Voando Além do Tempo: o pensar de Gastão Madeira” é uma obra de resgate histórico e cultural. Seu valor está em recolocar em circulação ideias que poderiam permanecer esquecidas e, sobretudo, em mostrar que a história da aviação brasileira possui personagens ainda insuficientemente conhecidos.

A obra leva também a uma reflexão entre ciência, imaginações e o território. Gastão Madeira nasceu em Ubatuba, litoral norte paulista, observou a natureza ao seu redor e, a partir dela, imaginou soluções para um dos grandes sonhos humanos. Seu pensamento nasceu em Ubatuba, mas sua ambição era universal: compreender o voo e contribuir para que o homem pudesse dominar os céus.

Por isso, Gastão Madeira pode ser visto como um pensador de fronteira: situado entre o século XIX e o século XX, entre a observações da natureza e a experiência científica, entre o sonho de voar e a tecnologia de realizar esse sonho. Cesar Rodrigues presta-lhe, assim, uma homenagem que ultrapassa a simples recuperação biográfica. Ao trazer novamente à luz seus estudos, o autor devolve a Gastão Madeira um lugar na história da ciência e da aviação brasileira.

Em última análise, “Voando Além do Tempo” é um livro sobre a capacidade humana de imaginar o futuro, antes que o futuro exista. Gastão Madeira pensou o voo quando voar ainda era uma aventura incerta. O autor recupera esse pensamento, quando muitas das ideias aeronáuticas já fazem parte do cotidiano. Entre esses dois tempos estabelece-se a verdadeira força do livro. Gastão Madeira voou com suas ideias, antes de voar com qualquer máquina. E recuperar essas ideias faz com que elas continuem voando.

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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Sete Milhões

Blog do NINJA atinge sete milhões de visualizações
Para divulgar as ações do Núcleo Infantojuvenil de Aviação (NINJA), conquistar voluntários e viabilizar atividades a distância foi criado, em 17 de abril de 2010, o Blog do NINJA, que ontem, 17/9/2026, atingiu sete milhões de visualizações. Nossos leitores, além de conferir publicações sobre aviação, passaram a conhecer as estratégias e objetivos do NINJA e descobriram que podem enriquecer o projeto com novas ideias, colaborando para levar a cultura aeronáutica para mais crianças e jovens. Vamos em frente, rumo ao oitavo milhão!


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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

EMCA

Inscrições abertas para curso gratuito de manutenção de aeronaves em Taubaté
Formação dura dois anos e prepara profissionais para atuar na manutenção de aeronaves e para os exames da ANAC

Começaram na última segunda-feira (14/9/2026) e irão até 6/11/26 as inscrições para o curso gratuito de Técnico em Manutenção de Aeronaves da Escola Municipal de Ciências Aeronáuticas Eng. João Ortiz (EMCA), em Taubaté, no interior de São Paulo. Ao todo, são 105 vagas para o processo seletivo de 2027. A formação tem duração de dois anos e prepara os estudantes para atuar na manutenção de aeronaves e para os exames da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Veja como participar
Curso: Técnico em Manutenção de Aeronaves
Vagas: 105
Inscrições: de 14 de setembro a 6 de novembro
Onde se inscrever: secretaria da EMCA
Endereço: Rua Tomé Portes del Rei, 507, Vila São José, Taubaté-SP
Horário: de segunda a sexta-feira, em dias úteis, das 15h às 20h
Curso: gratuito
Duração: dois anos
Prova: 29 de novembro

Quem pode se inscrever?
Podem participar do processo seletivo candidatos que: tenham concluído o ensino médio; ou estejam cursando o 3º ano do ensino médio, com conclusão prevista para 2026.

Para concorrer a uma vaga no Módulo Especializado, é necessário ter concluído o Módulo Básico. 

Quantas vagas há em cada período?
As vagas estão divididas entre os períodos da tarde e da noite:

Período vespertino
40 vagas
Exclusivamente para ingresso no Módulo Básico
Aulas das 15h às 18h50

Período noturno
65 vagas
62 vagas para o Módulo Básico
3 vagas para o Módulo Especializado
Três opções de habilitação no Módulo Especializado
Aulas das 19h às 22h50

Como será a prova?
A seleção será feita por meio de uma prova objetiva com 60 questões.
Serão cobrados conteúdos de: Matemática Física Inglês Português.
A prova está marcada para 29 de novembro.
O edital também informa a documentação necessária para a inscrição, o conteúdo que será cobrado na avaliação e a bibliografia indicada para os candidatos.

O que faz um técnico em manutenção de aeronaves?
O profissional trabalha nos bastidores da aviação, realizando atividades relacionadas à manutenção e à segurança das aeronaves. A formação da EMCA prepara os alunos para atuar em empresas de manutenção aeronáutica e também para os exames da ANAC, necessários para a obtenção da licença para exercer a profissão. A escola é homologada pela ANAC. Segundo o coordenador dos cursos de Engenharia, Leandro Maia Nogueira, a forte presença do setor aeronáutico no Vale do Paraíba tem aumentado a procura por profissionais qualificados na área.

“O Vale do Paraíba concentra mais de 100 empresas do setor aeronáutico, como Embraer e Boeing, e cerca de 14 mil empregos diretos. Existe hoje uma demanda grande por profissionais qualificados na área.”

Onde consultar o edital?
O edital completo do processo seletivo está disponível no site da Prefeitura de Taubaté. O documento reúne todas as informações sobre inscrição, documentação, prova, conteúdo programático, bibliografia, divulgação dos resultados e matrícula.

Fonte: g1 Vale do Paraíba e região

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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Biblioteca Ninja

Livro conta a pioneira viagem aérea do Chile ao Brasil e o primeiro pouso em Ubatuba 
Os fatos ligados ao pioneiro reide aéreo ligando Santiago do Chile ao Rio de Janeiro, em 1922, são abordados no livro “A Jornada Aérea: dos Andes ao Atlântico”. A motivação da compilação foi, além de descrever a jornada, efetuar o registro referente ao primeiro pouso de um avião em Ubatuba (SP), evento derivado da aventura e da rota traçada pelo piloto de um biplano DH-9 Airco, o capitão do Exército chileno Diego Aracena Aguilar. Naqueles dias, o Brasil comemorava o centenário de sua independência e várias atividades aéreas fizeram parte da agenda de celebração.

Carta diplomática
O governo do Chile, para homenagear os 100 anos do Brasil como Pátria, enviou dois aviões com a missão de entregar uma carta diplomática de felicitações ao presidente Epitácio Pessoa. No entanto, apenas um aparelho conseguiu terminar a travessia desde a cordilheira dos Andes até o Oceano Atlântico. A aeronave de Diego Aracena, após passar por localidades do Chile, Argentina e Uruguai, ingressou no Brasil e escalou em Pelotas, Porto Alegre, Torres, Florianópolis e Santos. Após sair desta última cidade para o destino final do reide, Rio de Janeiro, foi compelido, devido condições meteorológicas, a fazer um pouso alternativo em Ubatuba (SP).
Era o dia 14 de setembro de 1922. Foi a primeira vez que um avião aterrissou na localidade. Todavia, danos causados na aeronave determinaram que o final do reide, na etapa Ubatuba – Rio de Janeiro, fosse cumprido com um hidroavião da Marinha do Brasil.

A jornada aérea
O livro foi produzido por voluntários no âmbito do Núcleo Infantojuvenil de Aviação (NINJA), em face de várias abordagens para registrar e celebrar o primeiro pouso de um avião na cidade. O compêndio com 70 páginas mostra o passo a passo da grande viagem aérea, um registro para as próximas gerações. O relato do episódio na história da aviação, basicamente, é reconstituído com pesquisa bibliográfica, leitura de jornais da época, coleta de imagens relacionadas e consulta em escritos postados em mídia eletrônica.

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domingo, 13 de setembro de 2026

Especial de Domingo

Amanhã, 14 de setembro de 2026, brindaremos ao 104º aniversário do primeiro pouso de uma aeronave em Ubatuba, bela cidade do litoral norte do Estado de São Paulo onde mantemos, no Colégio Dominique, a sede do Núcleo Infantojuvenil de Aviação - NINJA. Saiba mais sobre esta fascinante história.
Boa leitura.
Bom domingo!

14 de setembro de 1922
1º pouso de aeronave em Ubatuba (SP)
Em 1922, quando o Brasil celebrava o centenário de sua independência, um piloto chileno voou para celebrar a festa nacional. O capitão Diego Aracena Aguilar, fez o reide Santiago – Rio de Janeiro, escalando em cidades do Chile, Argentina, Uruguai e Brasil. Naquela travessia protagonizou o que foi a primeira aterrissagem de uma aeronave na cidade de Ubatuba (SP), no dia 14 de setembro de 1922, usando, como pista de pouso, uma faixa de vegetação rasteira na orla da praia do Itaguá. Ele pilotava o biplano DH-9 número 92, batizado de El Ferroviario, em referência à doação, pelos trabalhadores ferroviários, do aparelho para o Exército do Chile.
Após efetuado o toque no solo, quando estava prestes a parar, o sistema de pouso bateu em uma fenda no gramado, provocando avarias nas rodas e asas. Em consequência, sem condições de reparos em Ubatuba, por meio telegráfico o comandante comunicou o fato às autoridades e ao embaixador chileno e deixou a cidade com destino ao Rio de Janeiro, a bordo do navio contratorpedeiro “Amazonas” (CT-1) da Armada.

Finalização da travessia Chile-Brasil
No dia 25 de setembro de 1922 - após ter realizado o que foi, no dia 14, o primeiro pouso de uma aeronave em Ubatuba (SP) - o capitão chileno, Diego Aracena (12/11/1891 – 02/05/1972) foi conduzido até a vertical da cidade - onde seu avião De Havilland Airco DH-9 ficou indisponível, devido avarias sofridas na aterrissagem. Nesse ponto, assumiu o comando do hidroavião Curtiss HS2L número 11 da Aviação Naval do Brasil, para terminar o reide aéreo Santiago – Rio de Janeiro. A operação foi uma gentileza da Marinha do Brasil para que o piloto chileno concluísse de avião o que foi a primeira travessia aérea desde a capital do seu país até a então capital do Brasil. Sua missão era trazer uma carta do presidente Arturo Alessandri ao presidente brasileiro, Epitácio Pessoa, saudando a Nação, em comemoração ao centenário da independência.

Livro conta a pioneira viagem aérea do Chile ao Brasil e o primeiro pouso em Ubatuba 
Os fatos ligados ao pioneiro reide aéreo ligando Santiago do Chile ao Rio de Janeiro, em 1922, são abordados no livro “A Jornada Aérea: dos Andes ao Atlântico”, publicado pelo Instituto Salerno-Chieus, organização cultural do Colégio Dominique. A motivação da compilação foi, além de descrever a jornada, efetuar o registro referente ao primeiro pouso de um avião em Ubatuba (SP), evento derivado da aventura e da rota traçada pelo piloto de um biplano DH-9 Airco, o capitão do Exército chileno Diego Aracena Aguilar. Naqueles dias, o Brasil comemorava o centenário de sua independência e várias atividades aéreas fizeram parte da agenda de celebração.

Carta diplomática
O governo do Chile, para homenagear os 100 anos do Brasil como Pátria, enviou dois aviões com a missão de entregar uma carta diplomática de felicitações ao presidente Epitácio Pessoa. No entanto, apenas um aparelho conseguiu terminar a travessia desde a cordilheira dos Andes até o Oceano Atlântico. A aeronave de Diego Aracena, após passar por localidades do Chile, Argentina e Uruguai, ingressou no Brasil e escalou em Pelotas, Porto Alegre, Torres, Florianópolis e Santos. Após sair desta última cidade para o destino final do reide, Rio de Janeiro, foi compelido, devido condições meteorológicas, a fazer um pouso alternativo em Ubatuba (SP). Era o dia 14 de setembro de 1922. Foi a primeira vez que um avião aterrissou na localidade. Todavia, danos causados na aeronave determinaram que o final do reide, na etapa Ubatuba – Rio de Janeiro, fosse cumprido com um hidroavião da Marinha do Brasil.

A jornada aérea
O livro foi produzido por voluntários no âmbito do Núcleo Infantojuvenil de Aviação (NINJA), em face de várias abordagens para registrar e celebrar o primeiro pouso de um avião na cidade. O compêndio com 70 páginas mostra o passo a passo da grande viagem aérea, um registro para as próximas gerações alcançarem o conhecimento histórico. O relato do episódio na história da aviação, basicamente, é reconstituído com pesquisa bibliográfica, leitura de jornais da época, coleta de imagens relacionadas e consulta em escritos postados em mídia eletrônica.

O primeiro pouso em Ubatuba como símbolo da amizade Chile-Brasil
Havia 11 dias desde que Diego Aracena e seu mecânico Arturo Seabrook protagonizaram o que foi o primeiro pouso de uma aeronave em Ubatuba (SP). No dia 14 de setembro de 1922 eles, que estavam desde 29 de agosto em rota, passando por localidades do Chile, Argentina, Uruguai e Brasil, faziam a última etapa do reide, de Santos para o Rio de Janeiro. Todavia as más condições meteorológicas reinantes no litoral fizeram com que Aracena procurasse uma alternativa, optando por aterrissar na orla da baía de Ubatuba. Ele pilotava o biplano DH-9 número 92, batizado de El Ferroviario, em referência à doação, pelos trabalhadores ferroviários, do aparelho para o Exército do Chile. Após efetuado o toque no solo, quando estava prestes a parar, o trem de pouso bateu em uma fenda no gramado, provocando avarias nas rodas e asas. Em consequência, sem condições de reparos em Ubatuba, por meio telegráfico o comandante comunicou o fato às autoridades e ao embaixador chileno e deixou a cidade com destino ao Rio de Janeiro, a bordo do navio contratorpedeiro “Amazonas” (CT-1) da Armada.
No entanto, os militares brasileiros insistiram para que Diego Aracena concluísse a inédita travessia voando, conforme o planejado.
Assim, recebeu instruções de pilotagem do hidroavião Curtiss número 11 da Aviação Naval e, no dia 25 de setembro de 1922, a aeronave conduzida pelo primeiro tenente aviador naval Victor de Carvalho e Silva e tendo como mecânico Laudelino Pedro Barbosa o trouxe até Ubatuba. Depois de ter lançado, às 12 horas, uma mensagem para as autoridades e o povo ubatubense, Aracena assumiu o comando do Curtiss e voou até o Rio, após uma escala de abastecimento na Ilha Grande, terminando a longa travessia, a fim de comemorar com os brasileiros o centenário da independência.
O DH-9 El Ferroviario ainda permaneceria em Ubatuba até o dia 6 de outubro de 1922, quando foi embarcado no contratoperdeiro “Alagoas” (CT-6) da Marinha do Brasil e levado ao Rio de Janeiro, para reparos e retorno ao Chile.

Comemoração do Centenário
A comemoração do Centenário do Primeiro Pouso de Avião em Ubatuba, em 14 de setembro de 2022, foi uma ideia nascida entre entusiastas de aviação reunidos pelo Núcleo Infantojuvenil de Aviação – NINJA, no Espaço Cultural Aeronáutico de Ubatuba estabelecido no Colégio Dominique. Em 14 de setembro de 2021, os participantes de um evento chamado Café Voador dialogaram a respeito. Devido à envergadura da proposta, concluíram que a atividade de interesses cultural, turístico e histórico somente seria viabilizada com o engajamento da administração pública e de entidades privadas, notadamente dos setores cultural e turístico, haja vista demandas externas não comportadas pelas ações voluntárias dos colaboradores do NINJA. 
Os registros acima, publicados em diversas ocasiões no blog do Núcleo Infantojuvenil de Aviação (NINJA), serviram como referência para sensibilizar a Câmara e a Prefeitura Municipal de Ubatuba para tornar real, de 8 a 14/9/2022, a 1ª Semana da Aviação em Ubatuba, comemorando o centenário do primeiro pouso de avião na cidade, ocorrido em 14 de setembro de 1922. Demonstração aérea, palestra e exposição itinerante do Museu Aeroespacial foram algumas das atrações realizadas no aeroporto Gastão Madeira. O evento também objetivou valorizar a história e as pesquisas aeronáuticas do ubatubense Gastão Madeira. Para os gestores do Instituto Saleno-Chieus, organização do Colégio Dominique responsável pelo fomento de diversas ações culturais,  novas edições da Semana da Aviação de Ubatuba poderiam consolidar-se como atrativos para moradores e visitantes, constituindo-se em fato turístico, histórico e cultural.

Fotos: Aditância do Chile; Acervo do NINJA e da Marinha do Brasil

Fontes: FAB e NINJA

Saiba mais: Blog do NINJA de 17/11/201716/09/2021 e 1/12/2022

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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Empresas Aéreas

Passageiros indisciplinados estarão sujeitos à nova regra que estabelece punições no Brasil
Em 12 de março deste ano foi publicada, no Diário Oficial da União, a Resolução nº 800, de 9/3/2026, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que estabelece punições ao passageiro indisciplinado em voos domésticos. Entre os destaques da nova regra estão a definição das condutas em três categorias de gravidade; a aplicação de multa de até R$ 17,5 mil; e a criação de uma lista de impedimento de embarque. As regras passarão a valer a partir da próxima segunda-feira, 14/9/2026. A Anac, as companhias aéreas e a Polícia Federal criaram fluxos de compartilhamento de dados para aplicar sanções a quem não respeitar as normas de segurança. Passam a ser considerados atos de indisciplina aqueles que violam, desrespeitam ou comprometem a segurança, a ordem ou a dignidade de pessoas, praticados nas dependências de aeroporto ou a bordo de aeronave. As condutas serão divididas em três níveis: de indisciplina, grave e gravíssimo. Para definir quais são essas condutas, a Resolução nº 800/2026 apresenta um anexo com a seguinte lista de exemplos de atitudes e ações classificadas como atos de indisciplina:

Ocorridas no solo
a) não seguir a orientação dos funcionários dos operadores aéreos e de aeródromo em relação à segurança da aviação civil;
b) não observar as normas e regulamentos estabelecidos pela autoridade de aviação civil e pela autoridade policial aeroportuária;
c) cometer violência, ameaça ou agressão contra pessoas;
d) causar prejuízos a estruturas aeroportuárias que afetem a segurança das operações;
e) conduzir ou manusear explosivos e armas proibidos;
f) impedir o funcionamento ou danificar dispositivos de segurança em área restrita de segurança do aeroporto;
g) cometer outros crimes ou destruição de patrimônio ou bens.

Ocorridas a bordo de aeronave
a) operar dispositivo eletrônico portátil em voo quando tal ato for proibido;
b) causar tumulto, ferir o decoro dos demais passageiros em voo, por atos e gestos obscenos ou expressões verbais;
c) agredir verbalmente, intimidar ou ameaçar outro passageiro;
d) subtrair ou destruir qualquer objeto do interior da aeronave durante o voo, seja da própria aeronave ou de outro passageiro;
e) recusar seguir instrução de segurança dada por membro da tripulação.

Quanto à classificação dos atos de indisciplina, a Resolução define o seguinte:

Atos de indisciplina de nível grave
a) cometer violência física contra funcionários dos operadores aéreos e de aeródromo que estiverem no exercício de suas funções;
b) cometer violência física contra outro passageiro a bordo de aeronave;
c) fumar a bordo de aeronave;
d) causar danos ou destruição intencionais de bens a bordo de uma aeronave, que afetem a regular operação aérea;
e) agredir verbalmente, intimidando ou ameaçando, membro da tripulação a bordo de aeronave de modo a afetar a segurança de voo;
f) realizar, a bordo da aeronave, falsa comunicação de presença de explosivos ou armas no interior da aeronave.

Atos de indisciplina de nível gravíssimo ocorridas a bordo de aeronave, passíveis de aplicação de suspensão do acesso ao transporte aéreo pelo prazo de 06 (seis) meses
a) adulterar, danificar ou destruir qualquer dispositivo relacionado à segurança a bordo da aeronave, quando o ato não impedir ou dificultar a execução normal do serviço;
b) cometer violência física contra membro da tripulação, quando o ato não impedir ou dificultar a execução normal do serviço;
c) atentar contra a dignidade sexual de membro da tripulação ou de outro passageiro, violando a integridade física, psíquica ou a liberdade sexual da vítima.

Atos de indisciplina de nível gravíssimo ocorridas a bordo de aeronave, passíveis de aplicação de suspensão do acesso ao transporte aéreo pelo prazo de 12 (doze) meses
a) adulterar, danificar ou destruir qualquer dispositivo relacionado à segurança a bordo da aeronave, quando o ato impedir ou dificultar a execução normal do serviço;
b) cometer violência física contra membro da tripulação, quando o ato impedir ou dificultar a execução normal do serviço;
c) conduzir ou manusear no interior da aeronave explosivo e armas, salvo nos casos previstos em regulamentação específica sobre a matéria;
d) acessar ou tentar acessar a cabine de comando, quando não autorizado para tal;
e) qualquer tentativa ilegal de tomar o controle da aeronave.

Para chegar a esse resultado, a Anac fez estudos e diálogos com a indústria da aviação civil. O objetivo foi alinhar as regras aos padrões internacionais, e adequá-las à realidade brasileira.

“A Anac vai monitorar para evitar qualquer abuso e para que a regra seja cumprida”, afirmou o superintendente de Infraestrutura Aeroportuária, Giovano Palma, em audiência pública na Comissão de Viação e Transporte da Câmara dos Deputados.

Os número de casos de indisciplina a bordo de aeronaves em voos domésticos foi de 1019 em 2023, de 1061 em 2024 e de 1764 em 2025, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). 

Fonte: AEROIN / Murilo Basseto

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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Carreiras na Aviação

Embraer oferece capacitação gratuita em produção aeronáutica
São mais de 140 vagas para aprender sobre mecânica, elétrica ou pintura. Curso dura 10 semanas, com início em 5 de outubro. As inscrições devem ser feitas até 14 de setembro

Uma capacitação gratuita oferecida pela Embraer pode abrir uma nova rota profissional para moradores e moradoras das regiões de Botucatu e Araraquara. A empresa tem mais de 140 vagas disponíveis para um curso que, em 10 semanas, vai formar novos auxiliares de produção aeronáutica, com grande probabilidade de contratação após a conquista do diploma.

As aulas começam em 5 de outubro, com ênfase em mecânica, elétrica ou pintura – cada aluno escolhe uma especialidade para se aprofundar. A formação é presencial e realizada nas unidades do Senai de Botucatu e Araraquara. Podem participar moradores dessas cidades e de São Manuel, Areiópolis, Pardinho, Bofete, Itatinga, Matão, Américo Brasiliense, Ibitinga, Nova Europa, Rincão, Santa Lúcia, Nova Paulicéia, Ibaté e Gavião Peixoto.

Há opções de turmas pela manhã e à noite – com sessões de 4 horas por dia (das 8h às 12h ou das 18h às 22h). Do total de vagas, 30% são reservadas para grupos sociais sub-representados – como forma de promover a diversidade e inclusão de mais mulheres, geração acima de 50 anos, e pessoas pretas e pardas.

Os interessados devem estar com 18 anos ou mais, ter Ensino Médio completo e formação técnica ou profissionalizante em eletrônica, eletrotécnica, eletromecânica, mecânica, mecatrônica, automação, pintura, selagem ou soldagem – entre outras especialidades com aplicação no ambiente industrial.

Serão aceitos candidatos e candidatas que não tenham trabalhado na Embraer (já que muitos conceitos do programa são básicos para quem já atuou na companhia) nem passado por edições anteriores do curso.

As inscrições devem ser feitas até 14 de setembro, mas as primeiras pessoas inscritas que cumprirem os pré-requisitos já seguem para a próxima fase. Na segunda etapa, os candidatos passam por uma prova presencial que avalia o raciocínio lógico e o alinhamento de cada um com a cultura de melhoria contínua – envolvendo assuntos relacionados com segurança, qualidade e eficiência.

Os testes estão marcados para 20 de setembro em Botucatu e Araraquara. Este treinamento em produção aeronáutica já formou cerca de 500 pessoas desde sua primeira edição, em 2024. O curso é financiado pela Embraer e 100% gratuito para quem participa, desde o momento da inscrição. Custos com transporte e alimentação ao longo da capacitação são de responsabilidade das pessoas aprovadas.

Inscrições Botucatu e região: clique aqui

Inscrições Araraquara e região: clique aqui

Sobre a Embraer
A Embraer é uma empresa aeroespacial global com sede no Brasil. Fabrica aeronaves para a aviação comercial e executiva, defesa e segurança e clientes agrícolas. A empresa também fornece serviços e suporte pós-venda por meio de uma rede mundial de entidades próprias e agentes autorizados. Desde a sua fundação em 1969, a Embraer já entregou mais de 9.000 aeronaves. Em média, a cada 10 segundos, um avião fabricado pela Embraer decola de algum lugar no mundo, transportando mais de 150 milhões de passageiros por ano. A Embraer é líder na fabricação de jatos comerciais de até 150 assentos e é a principal exportadora de bens de alto valor agregado do Brasil. A empresa mantém unidades industriais, escritórios, centros de serviços e de distribuição de peças nas Américas, África, Ásia e Europa.

Fonte: Embraer

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