Visualizações:

Voar é um desejo que começa em criança!

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Frota Mágica

Os 5 aviões da “Frota Mágica” da Azul decolarão em sequência hoje, veja como assistir ao vivo 
Uma interessante oportunidade de ver todos os 5 aviões da Azul Linhas Aéreas de pinturas especiais da Disney decolando em sequência deverá ocorrer hoje, dia 12 de outubro, e o momento poderá ser visto ao vivo pela internet, conforme indicado a seguir. Segundo dados consultados pelo portal AEROIN nas plataformas de rastreamento online de voos, os 5 exemplares do que a companhia chama de “A Frota Mais Mágica do Mundo” estão programados para partir do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), entre 09h40 e 09h50 da manhã.

No player a seguir, está disponível a câmera ao vivo do canal “Golf Oscar Romeo Aviação” no YouTube, que mostra o movimento do Aeroporto de Viracopos. Abaixo do vídeo, confira os detalhes das aeronaves e suas partidas e destinos:
Os dados das plataformas de rastreamento online indicam a seguinte previsão de decolagens:

09h40 – O avião de matrícula PR-YSH, que leva a pintura “Mickey Mouse nas Nuvens”, deverá partir para o voo AD-9235, com pouso em Natal (RN) estimado para 12h55.
09h40 – O avião de matrícula PR-YJF, que leva a pintura “Minnie Mouse nas Nuvens”, deverá partir para o voo AD-4712, com pouso em Fortaleza (CE) estimado para 13h10.
09h45 – O avião de matrícula PR-YSR, que leva a pintura “Pateta nas Nuvens”, deverá partir para o voo AD-4045, com pouso em Confins (MG) estimado para 10h55.
09h45 – O avião de matrícula PR-YSK, que leva a pintura “Margarida nas Nuvens”, deverá partir para o voo AD-4336, com pouso em Cuiabá (MT) estimado para 10h55.
09h50 – O avião de matrícula PR-YSI, que leva a pintura “Pato Donald nas Nuvens”, deverá partir para o voo AD-2613, com pouso em Florianópolis (SC) estimado para 11h05.
Toda a programação acima descrita é uma previsão, podendo sofrer alterações conforme as necessidades operacionais da empresa aérea.

O lançamento do primeiro avião de “A Frota Mais Mágica do Mundo”, o do Mickey, ocorreu há exatos 5 anos, no dia 12 de outubro de 2021, coincidindo com “A Celebração Mais Mágica do Mundo”, que começou no dia 1º de outubro e comemorou, durante 18 meses, o 50º aniversário do Walt Disney World Resort, na Flórida. 

Fonte: AEROIN / Murilo Basseto

Ninja-Brasil: versão para a web

domingo, 11 de outubro de 2026

Especial de Domingo

Publicamos, mais uma vez, conteúdo sobre a criação do Aeroclube do Brasil, instituição pioneira que tanto contribuiu para o fortalecimento da aviação nacional. Vale, também, como uma necessária lembrança dos esforços de tantos brasileiros que, nos últimos anos, enfrentam extrema turbulência para manter funcionando os aeroclubes em nosso país.
Boa leitura.
Boa reflexão.
Bom domingo!

O AEROCLUBE DO BRASIL

ERA CAMPO DOS AFONSOS
Fundado em 14 de outubro de 1911 por um grupo de idealistas, o "AEROCLUBE BRASILEIRO" foi, verdadeiramente, o berço da aviação brasileira. Foi o primeiro a ser fundado no Brasil e um dos primeiros no mundo.

Irineu Marinho

A Assembleia de Constituição foi realizada nas dependências do jornal "A NOITE", gentilmente cedidas por seu diretor IRINEU MARINHO, grande incentivador do Aeroclube.

Na ata de fundação, constam os nomes de civis e militares ilustres, políticos, professores, homens de negócios, todos irmanados pelo mesmo ideal: "fomentar no Brasil o desenvolvimento da novel e futurosa arte da aviação".

Porém o mais notável é o fato de que sua primeira diretoria teve como presidente de honra o sócio fundador ALBERTO SANTOS DUMONT, sendo o Almirante JOSÉ CARLOS DE CARVALHO o Diretor Presidente.

Almirante José Carlos de Carvalho

VICTORINO DE OLIVEIRA, redator do jornal "A NOITE", foi seu primeiro Diretor Secretário.

O atual aeródromo militar dos Afonsos nasceu do que foi o primeiro Campo de Aviação do Aeroclube, construído com muito esforço e perseverança pela primeira Diretoria e onde funcionou a "Escola Brasileira de Aviação".

Os primeiros aviões adquiridos pelo Aeroclube - com recursos arrecadados em subscrição pública - foram logo em seguida cedidos ao Exército para servirem pela primeira vez no Brasil como instrumento de observação aérea na histórica "GUERRA DO CONTESTADO" em Santa Catarina, onde perdeu a vida o Ten. RICARDO KIRK, engenheiro do Exército e Diretor da Escola de Aviação do Aeroclube.


KIRK (em destaque na foto acima) foi a primeira vítima da aviação brasileira em operações militares e é hoje o patrono da Aviação do Exército.

Após a morte de RICARDO KIRK e com a demorada recuperação dos aviões emprestados ao Exército, somente em 1916 pode ser reiniciado o Curso de Pilotagem, agora sob a direção do Tenente BENTO RIBEIRO FILHO.

Infelizmente a primeira turma - composta de sete civis e dois militares - não chegou a brevetar-se, pois, às vésperas dos exames, os dois únicos componentes da banca examinadora - Tenentes BENTO RIBEIRO e VIRGINIUS DELAMARE - não puderam comparecer por terem sido mobilizados, em virtude da declaração de guerra do Brasil ao Império Alemão, em outubro de 1917, pelo afundamento do navio cargueiro brasileiro "Panamá".

Em junho de 1918, EDU CHAVES é designado Diretor Técnico do Aeroclube e sugere a transferência dos aviões dos Afonsos para Guapira, onde funcionaria a "Seção Paulista do Aeroclube Brasileiro".

No ano seguinte foi efetivada a filiação do Aeroclube junto à FAI (Fédération Aéronautique Internationale), cujo processo de filiação fora iniciado em 1913 pelo Tenente RICARDO KIRK e interrompido durante o recesso provocado pela Guerra 1914/18.

Como representante da FAI, passou o Aeroclube a exercer basicamente a função oficial examinadora dos pilotos formados no Brasil, concedendo-lhes os respectivos brevês.

O brevê Número 1 foi dado ao piloto RAUL VIEIRA DE MELLO, Primeiro Tenente do Exército, em 21/08/1919.

Neste ano, o Ministro General Caetano de Faria informava ao Presidente do Aeroclube que o Exército iria precisar das instalações do Campo dos Afonsos para instalar sua própria Escola de Aviação Militar. 

Sem Campo de aviação no Rio de Janeiro, o Aeroclube, agora sob a Presidência do Deputado MAURÍCIO DE LACERDA, dedicou-se a promover, estimular e a colaborar na criação de Escolas de Aviação em todo o Brasil, credenciando Delegados em vários estados.

Em 1931, quando já existiam várias escolas de pilotagem no Brasil e a aviação comercial já era uma realidade, foi criado o DAC - Departamento de Aeronáutica Civil no Ministério de Viação e Obras Públicas, que passou a controlar e regulamentar as atividades aéreas civis.

Esvaziava-se assim a função normativa do Aeroclube e reduzia-se a importância da atividade de representação da FAI, já que os brevês concedidos pelo DAC tornavam desnecessários os da FAI, pelo menos para voar dentro do Brasil.

ERA DE MANGUINHOS
A crise financeira inviabilizava a manutenção do Aeroclube Brasileiro. Entregou-se então a direção do Aeroclube a uma Comissão composta dos senhores PAULO VIANNA, CEZAR GRILLO e ANTÔNIO GUEDEZ MUNIZ.

Em 16 de março de 1932, foi realizada uma Assembleia Geral Extraordinária, homologando os poderes para o Triunvirato. Nessa mesma Assembleia foi aprovada a proposta do então Major GUEDEZ MUNIZ mudando o nome da Entidade para AEROCLUBE DO BRASIL.

Instalações em Manguinhos

Os terrenos de Manguinhos foram definitivamente eleitos pela comissão para o preparo do novo campo de aviação do Aeroclube. A ocupação do terreno se deu por consentimento tácito das autoridades federais e municipais, sem documento formal. A causa era justa e contava com a simpatia de todas as autoridades, principalmente do Presidente GETÚLIO VARGAS.

O INSTITUTO OSWALDO CRUZ permitiu que fosse desbastado um pequeno relevo em seus terrenos e PAULO VIANNA tomou a si a obra de aterro do manguezal, sempre com a participação de seus companheiros de comissão.

Em 1936 o Triunvirato deu por terminada sua missão. Os primeiros aviões pousaram. Manguinhos era uma realidade. Renascia o Campo de Aviação dos sonhos dos fundadores do Aeroclube Brasileiro, especialmente de RICARDO KIRK.

Lá estava agora como Presidente o Almirante VIRGINIUS DELAMARE, que em 1917, então tenente, tentava com BENTO RIBEIRO fazer voar a Escola Nacional de Aviação, nos Afonsos.

Foi graças à inauguração de Manguinhos com o prestígio da presença do então presidente GETULIO VARGAS, que tomou impulso a "SEMANA DA ASA", criada em 1935 pela comissão de Turismo Aéreo do Touring Club do Brasil.

Foi uma festiva "SEMANA DA ASA" em Manguinhos, que praticamente consolidou a ideia do então Ministro da Aeronáutica SALGADO FILHO de criar a Campanha Nacional de Aviação, contando com o poderoso e entusiástico apoio do jornalista ASSIS CHATEAUBRIAND e que resultou na criação de quase três centenas de Aeroclubes por todo o Brasil.

De Manguinhos saiu a grande maioria dos instrutores que viabilizaram a implantação das Escolas de Pilotagem dos novos Aeroclubes, então criados como resultado da Campanha Nacional de Aviação.

Primeira turma de instrutores de voo do Aeroclube do Brasil

Paralelamente às atividades de formação dos instrutores, o Aeroclube não descuidou das suas funções institucionais, mantendo a Escola de Piloto de Recreio e Desporto (hoje piloto privado), incentivando as atividades aerodesportivas.

Em Manguinhos foi realizado o primeiro Campeonato Brasileiro de Acrobacia.

Ainda na década de 1940 foram criados os Departamentos de Paraquedismo e de Aeromodelismo, que contaram com dezenas de participantes.

O Departamento de Paraquedismo foi organizado e dirigido por CHARLES ASTOR.

O Departamento de Aeromodelismo, por MARIO SAMPAIO.

No final da década de 1950 surgiram problemas administrativos muito sérios e o aeródromo de Manguinhos foi interditado sob a alegação de interferência com o tráfego aéreo do Aeroporto Internacional do Galeão e do Aeroporto Santos Dumont.

Sem poder utilizar as instalações de Manguinhos, por 10 anos o Aeroclube funcionou numa pequena sala cedida por um dos sócios e se dedicou a pugnar pelas novas instalações previstas para o mesmo local em que, no final da década de 20, existia o Campo de Latécoère, em Jacarepaguá, e que deveriam compensar a tomada do campo de Manguinhos.

Em 1967, lutando contra o tempo para conseguir o novo Campo de Aviação, evitou-se que o Aeroclube do Brasil fosse transformado em "Aeroclube da Guanabara" por força do DL número 205, de 27/02/1967, obtendo aprovação no Congresso Nacional da Lei 5.404, de março de 1968, alterando o artigo 5 e criando o parágrafo 2 para reconhecer o pioneirismo histórico do Aeroclube do Brasil:

"O Aeroclube do Brasil, fundado em 14 de outubro de 1911, a primeira entidade da aviação brasileira com existência local, por seu pioneirismo e pela implantação da mentalidade aeronáutica a que deu curso, é considerada integrante das tradições nacionais na área da aeronáutica".

REABERTURA EM JACAREPAGUÁ
Finalmente em 1972 - dez anos sem voar - o Aeroclube reiniciou suas atividades no Aeródromo de Jacarepaguá, administrado então pela ARSA, contando apenas com um velho "Aeronca Sedan" (PP-DZW), comprado pelo Aeroclube em 1950, e mais três "FOKKER" (T21 e T22), desativados pela Academia da Força Aérea e cedidos pelo DAC para a formação de pilotos.

PAULO VIANNA, um dos principais responsáveis pela construção de Manguinhos, aos 80 anos, novamente enfrentou o desafio de recomeçar tudo de novo em Jacarepaguá. Acostumado a duras lutas, lá estava ele voando novamente os velhos FOKKER e formando novos pilotos. Morreu poucos meses depois acreditando nas promessas das novas instalações que seriam construídas para repor as de Manguinhos.

Após o fechamento de Manguinhos nos anos 1960, o Aeroclube praticamente sem receita financeira suficiente, teve sua filiação à Fédération Aéronautique Internationale suspensa. Porém, em 1978, o então Presidente do Aeroclube, CLÁUDIO VIANNA, contando com a ajuda do antigo sócio PIERRE CLOSTERMANN, piloto francês, ás da RAF durante a Segunda Guerra e também formado no AeCB em Manguinhos, conseguiu a aprovação da FAI para restabelecer de imediato a filiação do Aeroclube como "membro ativo", dando assim cobertura a todas as modalidades de desporto aéreo praticados no Brasil.

Pierre Clostermann

Em Jacarepaguá, em 1982, foi inaugurada uma sede social e administrativa do Aeroclube, denominada "Mal. IVO BORGES" como homenagem ao segundo Presidente da era Manguinhos, responsável pela compra do conjunto de salas na rua Álvaro Alvim, na Cinelândia, cuja receita de aluguel permitiu a sobrevivência do Aeroclube nos dez anos sem as rendas de Manguinhos.

Contava com dois Hangares: "PAULO VIANNA", inaugurado em 1989, e "RICARDO KIRK", inaugurado em 1993, imóveis da INFRAERO, entregues na época ao Aeroclube, em regime de comodato.

Fonte: Compilado do trabalho RESUMO HISTÓRICO DO AEROCLUBE DO BRASIL do Sócio Benemérito J. BONIFÁCIO, Economista, Piloto de Recreio e Desporto, brevetado em Manguinhos, em 1947.

Ninja-Brasil: versão para a web

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Vencendo o Azul

José do Patrocínio e o Dirigível Santa Cruz
Nascido em Campos, Estado do Rio de Janeiro, a 9 de outubro de 1853, José do Patrocínio tornou-se conhecido por sua participação na campanha abolicionista. Jornalista, orador de talento e político, Patrocínio dedicou os últimos anos de sua vida ao projeto e construção de dirigíveis.


Aos 15 anos de idade deixou sua cidade natal seguindo para a Capital do Império. Uma vez no Rio de Janeiro, conseguiu um emprego na Santa Casa de Misericórdia e, graças a sua vivacidade, tornou-se aprendiz de farmácia. Em 1872, aos dezenove anos de idade, entrou para a Faculdade de Medicina, onde, dois anos mais tarde, formou-se em farmácia. Mas, por falta de capital para abrir um estabelecimento próprio, ingressou no jornalismo, profissão que exerceria até a morte.


Como jornalista, tomou posição a favor de Júlio César Ribeiro de Souza, quando este contestou a originalidade do projeto do dirigível La France, concebido pelos militares franceses Renard e Krebb. Patrocínio lembrou que o inventor brasileiro não tivera mais do que uma centena de contos de réis para efetuar suas experiências, enquanto os franceses haviam podido contar com quantias mais de 10 vezes superiores.


Proclamada a República, inicia-se um período de dificuldade para Patrocínio, que se opunha ao novo regime. Em 1892, ele foi deportado para o Amazonas, sendo anistiado meses mais tarde. No ano seguinte, irrompendo a Revolta da Armada, Patrocínio escondeu-se para fugir à prisão. Durante esse retiro, deteve-se sobre uma ideia que o assaltava desde o primeiro ano da faculdade: voar num balão.

Desenhos acima integram o memorial descritivo do aeróstato Santa Cruz(1902). 
 Fonte: Arquivo Nacional 

Em 1897, a normalidade política já voltara ao país, e Patrocínio dedicava-se ao projeto de um dirigível. Com a ajuda de um amigo, Magalhães Viégas, chefe de fundição do Arsenal da Marinha, trabalhava nos fins de semana no projeto. Na virada do século, o balão era o principal preocupação de Patrocínio. Em 1901, o projeto estava pronto. O inventor batizou sua aeronave de Santa Cruz. O aparelho traria algumas inovações: a estrutura seria de alumínio e a barca e o invólucro formariam um todo rígido e integrado.

O Presidente da República Campos Salles visita o hangar onde José do Patrocínio tentava construir o dirigível Santa Cruz. 
 Fonte: Museé de L`Air Le Bourget 

No projeto, Patrocínio pretendia utilizar, simultaneamente, conceitos dos aparelhos mais leves e mais pesados do que o ar. O balão contaria com asas e um invólucro contendo hidrogênio ou gás de iluminação, bem como balonetes de ar quente para provocar a ascensão do aparelho. Em meados de 1901, Patrocínio instalava um hangar no bairro de São Cristóvão para a construção do aparelho. Mas em 12 de dezembro uma violenta tempestade se abatia sobre o Rio de Janeiro, destruindo o hangar e deixando um saldo de dois mortos e cinco feridos. Em 1902, Patrocínio voltava ao trabalho decidido a concluir o balão e anunciando para 7 de setembro, data nacional, o seu primeiro voo.

O inventor sonhava uma viagem do Rio de Janeiro a Santos, terra de Bartholomeu de Gusmão, levando consigo seu amigo o poeta Olavo Bilac. Mas os meses passavam e a construção do dirigível não evoluía. Nem mesmo a visita ao hangar do Presidente da Republica, Campos Salles, resultou em recursos financeiros para a construção do balão. Uma emenda de autoria de Nilo Peçanha era apresentada no Congresso, propondo um auxílio de 40 contos de réis a Patrocínio e Augusto Severo para que dessem continuidade às suas experiências. Mas a emenda recebeu violenta oposição de Barbosa Lima, que lembrou as posições de Patrocínio contrárias a Floriano Peixoto. A realidade caminhava em sentido diverso dos planos do inventor que, naquele ano, contraía tuberculose.

Doente e sem recursos, Patrocínio recebeu a visita do poeta e amigo Olavo Bilac, que o encontrou vivendo em extrema penúria. Para tentar realizar seu projeto, Patrocínio havia vendido sua casa e seu jornal, e morava num pequeno cômodo ao lado do hangar. Bilac o descreve “magro, esquelético, com olhos encovados no fundo das órbitas”. Consciente da gravidade de sua doença, Patrocínio tinha esperança de viver mais um ano para concluir o balão e "Voar longe! Respirando o ar de Deus, o grande ar virgem das alturas”. Mas a morte chegou primeiro, aproximando o inventor do perfil trágico dos poetas românticos de sua época, muitos deles seus amigos, na sua obstinação solitária de construir um dirigível.

Autor / Fonte: João Alexandre Viégas / Vencendo o Azul

Ninja-Brasil: versão para a web

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Carreiras na Aviação

Emirates realiza seleção de pilotos em São Paulo; confira requisitos, etapas e salários
A Emirates, uma das maiores companhias aéreas do mundo, prepara mais uma rodada de recrutamento de pilotos no Brasil. Três sessões do “Pilot Roadshow” acontecerão nos dias 13 e 14 de novembro de 2026, no Hilton São Paulo Morumbi.

A iniciativa integra o circuito global da companhia, que busca profissionais qualificados em mercados como Itália, Reino Unido, África do Sul, México, Bélgica, Filipinas e outros.

Os interessados devem realizar seu registro antecipadamente na plataforma de recrutamento da Emirates. As sessões estão marcadas para 13 de novembro (10h e 13h) e 14 de novembro (10h). O cadastro pode ser realizado neste link. A Emirates possui três principais trilhas de contratação para pilotos experientes:

First Officer: Mínimo de 2.000 horas de voo, licença ICAO ATPL válida, certificado médico Classe 1 sem restrições, experiência atual em aeronaves Airbus ou Boeing fly-by-wire, inglês nível ELP 4 ou superior e pelo menos 150 horas recentes no tipo.

Accelerated Command: Focado em comandantes de narrowbodies migrando rápido para widebodies; requer 5.000 horas totais de voo, experiência de comando em Airbus FBW ou Boeing, ELP 5+, e 150 horas recentes no tipo.

Direct Entry Captain: Para assumir comando imediato; requer mais de 7.000 horas totais, experiência como comandante em Airbus, ELP 5+, e 150 horas recentes no tipo.

Etapas do processo seletivo

Fase remota: Inclui entrevista por vídeo (HireVue), testes psicométricos, raciocínio abstrato e entrevista digital com painel.

Etapa presencial em Dubai: Os candidatos aprovados realizam avaliação em simulador, teste Advanced Compass e exame médico. A Emirates arca com as passagens aéreas (econômica, com possibilidade de upgrade) para o candidato e um cônjuge.

Documentação de horas de voo e experiência recente devem ser comprovadas com registros oficiais para a participação nas etapas presenciais em Dubai.

Após a contratação, os novos pilotos passam por treinamento intensivo, com duração entre 40 e 55 dias para 777 ou 45 a 55 dias para A380, incluindo escola de solo, Full Flight Simulator e LIFUS (voo supervisionado). A alocação na frota é definida conforme necessidade operacional da Emirates.

First Officer: Pacote anual em torno de AED 900 mil (~US$ 245 mil no total), incluindo salário, benefícios para cônjuge e filhos, moradia (AED 225 mil/ano), transporte, seguro, assistência médica, 42 dias de férias, bilhete anual para o país de origem, e participação no Provident Fund.

First Officer Enhanced: Exigindo pelo menos 4.000 horas em jatos acima de 20 toneladas (mínimo 2.000 em multimotores de mais de 50 toneladas, ELP 5+), pacote pode chegar a AED 935 mil (~US$ 255 mil).

Direct Entry Captain: Remuneração anual de AED 1,185 milhão (~US$ 320 mil), moradia de AED 290 mil/ano, além de benefícios similares. Contratos são permanentes, com período probatório de seis meses e “training bond” de US$ 42 mil válido por 42 meses. O candidato é responsável por multas/débitos do emprego anterior.

Fonte: AEROIN / Carlos Ferreira

Ninja-Brasil: versão para a web

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Pioneiros

Raymundo Vasconcellos de Aboim
Raymundo Vasconcellos de Aboim (Rio de Janeiro, 3 de julho de 1898 - 20 de outubro de 1990) foi o primeiro engenheiro aeronáutico brasileiro e sul-americano. Filho de Tibério Ribeiro Aboim e Ernestina Vasconcellos Aboim, ingressou na Escola Naval em 1 de maio de 1915, concluindo o curso de guarda-marinha em 1 de novembro de 1918. Em 15 de agosto de 1919, com uma aeronave Curtiss HS-2LO, realizou o voo pioneiro do Correio Aéreo da Esquadra, inaugurando o serviço criado pela Marinha naquele mesmo ano, doze anos antes do Correio Aéreo Militar (criado pelo Exército) realizar o seu primeiro voo postal.

Aerobote Curtiss HS-2LO. Na foto a direita os pilotos Mario da Cunha Godinho e Raymundo Vasconcelos de Aboim, junto com o observador Carlos Pereira Guimarães.

Raymundo Aboim graduou-se em 11 de fevereiro de 1920.

Logo após, foi promovido a primeiro-tenente, servindo na própria Escola como auxiliar das Oficinas de Estrutura por quase um ano, de 23 de abril de 1921 a 24 de julho de 1922, quando foi enviado à Inglaterra para realizar o curso de pós-graduação em Engenharia Aeronáutica no Imperial College of Science and Technology, tornando-se o primeiro engenheiro aeronáutico brasileiro e também sul-americano.

Na Escola de Aviação Naval também serviu na Esquadrilha de Bombardeio, de 8 de setembro de 1924 a 21 de dezembro do mesmo ano.

De 4 de janeiro de 1926 a 30 de outubro de 1928 foi comandante da Esquadrilha de Caça. De 31 de outubro de 1928 a 10 de setembro de 1930, foi instrutor do Curso de Artífice e Comandante de Esquadrilha, no Centro de Aviação Naval.

Foi ainda Chefe da Divisão Administrativa do Centro de Aviação, de 11 de setembro de 1930 a 13 de novembro do mesmo ano, e serviu na Diretoria de Aeronáutica Naval de 17 de dezembro de 1930 a 19 de janeiro de 1932.

Foi um dos principais responsáveis pela consolidação das Oficinas Gerais da Aviação Naval, que ganhariam o nome de Fábrica do Galeão.

Em 28 de agosto de 1946, assumiu o cargo de Diretor-Geral do Material da Aeronáutica, onde permaneceu até 1951. Durante esse período, mais precisamente em 1948, foi promovido a brigadeiro-do-ar.

Em 3 de junho de 1960, foi elevado a tenente-brigadeiro-do-ar. E em 27 de maio de 1964, a marechal-do-ar.

Fontes: INCAER e Wikipédia

Pesquise: Blog do Ninja de 08/09/24 

Ninja-Brasil: versão para a web

domingo, 4 de outubro de 2026

Especial de Domingo

O influenciador e especialista em aviação Lito Sousa, criador do canal Aviões e Músicas, morreu aos 59 anos, em 1º de outubro de 2026, em São Paulo, vítima da doença de Creutzfeldt-Jakob.

Lito passou mais de 15 anos nas mídias, descomplicando a aviação e tirando o medo das pessoas de voar de avião.

Mecânico internacional de aeronaves, com mais de 37 anos de experiência na aviação comercial, também foi piloto privado e especialista em Fatores Humanos e Safety.

Lito Sousa deixa ativa a maior escola de aviação do país formando mecânicos de aeronaves, pilotos, comissárias e engenheiros. Através de parcerias com muitas empresas aéreas, a escola é responsável por colocar a maioria dos novos profissionais no mercado de aviação. 

O blog do Núcleo Infantojuvenil de Aviação - NINJA - reproduz, há muitos anos, conteúdo do Aviões e Músicas. Isso nos aproximou do Lito que, em março de 2015, brindou-nos com sua presença na Festa Aérea que promovemos em Ubatuba (SP), ocasião em que nossos NINJAS, crianças e jovens, puderam conhecê-lo pessoalmente. 

Como singela homenagem, reproduzimos hoje um texto do Lito, que publicamos em 9 de outubro de 2011 quando nosso blog ainda não tinha completado dois anos.

Naquele mês de outubro, Lito destacou a cor rosa em seu site.

Suas primeiras palavras explicavam a ação e lançavam um desafio:

A grande maioria das empresas aéreas participa do movimento Outubro Rosa, arrecadando fundos para o combate ao câncer de mama. A United também participa e nós funcionários podemos comprar peças do uniforme na cor rosa e para o público é aberto um canal de doação de milhas em http://www.united.com/charitymiles E você, vai fazer o que pra deixar seu outubro mais Rosa?

Hoje, ao desejar uma boa leitura e um bom domingo, reiteramos nosso compromisso de seguir estudando e divulgando o magnífico conteúdo que o Lito gerou.

OUTUBRO ROSA
Texto: Lito Sousa


O movimento popular internacionalmente conhecido como Outubro Rosa é comemorado em todo o mundo. O nome remete à cor do laço rosa que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades.

Este movimento começou nos Estados Unidos, onde vários Estados tinham ações isoladas referentes ao câncer de mama e ou mamografia no mês de outubro. Posteriormente, com a aprovação do Congresso Americano, o mês de Outubro se tornou o mês nacional (americano) de prevenção do câncer de mama.

A história do Outubro Rosa remonta à última década do século 20, quando o laço cor-de-rosa, foi lançado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure e distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York, em 1990 e, desde então, promovida anualmente na cidade (www.komen.org).

Em 1997, entidades das cidades de Yuba e Lodi nos Estados Unidos, começaram efetivamente a comemorar e fomentar ações voltadas a prevenção do câncer de mama, denominando como Outubro Rosa. Todas ações eram e são até hoje direcionadas a conscientização da prevenção pelo diagnóstico precoce.

Para sensibilizar a população, inicialmente, as cidades se enfeitavam com os laços rosas, principalmente nos locais públicos; depois surgiram outras ações como corridas, desfile de modas com sobreviventes (de câncer de mama), partidas de boliche e etc (www.pink-october.org).

A ação de iluminar de rosa monumentos, prédios públicos, pontes, teatros, etc, surgiu posteriormente, e não há uma informação oficial de como, quando e onde foi efetuada a primeira iluminação. O importante é que foi uma forma prática para que o Outubro Rosa tivesse uma expansão cada vez mais abrangente para a população e que, principalmente, pudesse ser replicada em qualquer lugar, bastando apenas adequar a iluminação já existente.


A popularidade do Outubro Rosa alcançou o mundo de forma bonita, elegante e feminina, motivando e unindo diversos povos em torno de tão nobre causa.

Isso faz que a iluminação em rosa assuma importante papel, pois tornou-se uma leitura visual, compreendida em qualquer lugar no mundo.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Biblioteca Ninja

Destacando o livro "Os meus balões", de Alberto Santos Dumont, reproduzimos a crônica de um voluntário do Núcleo Infantojuvenil de Aviação - NINJA, de 2017.

Máquina do tempo
Ubatuba, 1 de maio de 2017
Por Celso de Almeida Jr.

Com a notícia veiculada na última semana de abril de 2017, revelando que a Embraer e a Uber produzirão aeronave vertical para transporte urbano, imaginei o momento de viagens em uma Máquina do Tempo.

Sonhei...

Fui à Paris, em 1904, na livraria Charpentier et Fasquelle, que acabara de publicar Dans L’Air, obra do inventor brasileiro Alberto Santos Dumont, futuramente traduzida para o português (por Artur de Miranda Bastos, com a primeira edição publicada em outubro de 1938) com o título Os meus balões. 

Recebido pelo editor Eugène Fasquelle, em menos de uma hora eu já conversava com o “Pai da Aviação”.

Homem muito à frente de seu tempo, Santos Dumont não se surpreendeu quando expliquei que voltei no tempo, a partir de 2017.

Informei que trabalho em uma escola que estimula o contato com diferentes tecnologias e que gostaria de ouvir algumas sugestões dele sobre o tema.

Entusiasmado, o inventor autografou um exemplar de seu livro e detalhou que a introdução fez em forma de fábula, enfatizando raciocínios infantis.

Nela, duas crianças brasileiras do interior, que só conheciam as primitivas lavouras do século XIX, conversavam sobre possíveis formas de aliviar o trabalho humano. E, numa longa caminhada, vão se deparando com surpreendentes invenções que desconheciam, como uma locomotiva e um navio a vapor. A surpresa leva um dos meninos - Luís - a acreditar e a defender a possibilidade de dirigir balões, opinião que seu colega - Pedro - discordou completamente.

“Como pode perceber, me identifico totalmente com o Luís e consegui provar a dirigibilidade dos balões quando contornei a torre Eiffel, ganhando o Prêmio Deutsch, em 1901”, ressaltou Dumont.

O autor detalhou a evolução de seus aparelhos desde o Balão Brasil (o único que teve um nome) até os mais recentes: o Nº 7 (de corrida); o Nº 9 (de passeio) e o Nº 10 que esperava tornar o primeiro dos ônibus aéreos do futuro, levando até 20 pessoas.

Preferi não anunciar a Santos Dumont que o Nº 10 não atingiria seu objetivo, mas acabei lhe dizendo que, em dois anos, ele daria outra grande demonstração ao mundo de seu poder criativo. Desculpei-me, porém, por não poder dar maiores detalhes, já que ainda não se estabeleceu um código regulador para as informações autorizadas nas viagens no tempo.

Apesar de compreensivo, o inventor brasileiro aparentemente fez uma provocação, lendo um trecho da conclusão do livro, que também redigiu em forma de fábula: “Nossa única esperança de navegar no ar...devemos procurá-la no mais pesado...na máquina voadora ou aeroplano. Raciocine por analogia. Olhe o pássaro.”

Naquele 1904 ele ainda não sabia que em 1906 realizaria o célebre voo com o 14 bis, decolando, voando e aterrissando pela primeira vez uma máquina mais pesada que o ar com seus próprios meios, sem auxílio de qualquer equipamento externo.

A conversa com o inventor se estendeu. Dumont pediu a Eugène Fasquelle algum conteúdo sobre Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) que em 1750 recebeu o primeiro prêmio de um concurso que propunha o tema: “Se o progresso das ciências e das artes tinha contribuído para aprimorar os costumes”. Rousseau ganhou fama por discordar, acreditando que a civilização tinha perdido o sentido do homem interior, denunciando sua desumanidade.

Santos Dumont sugeriu que eu debatesse esse pensamento com os estudantes e professores de nossa escola, conferindo se os avanços tecnológicos provocaram mudanças no comportamento humano quanto as relações interpessoais.

Recomendou, também, uma reflexão sobre as conquistas da antiguidade e do renascimento, tão marcantes para a chamada cultura ocidental. E que, ainda, procurasse estudar com mais profundidade as culturas orientais, extremamente ricas e ainda tão desconhecidas, afirmando: “Nós queremos saber tudo e sabemos tão pouco!”

Alberto Santos Dumont ressaltou que suas ações visam compartilhar o conhecimento, estimulando o desenvolvimento de novas máquinas, mais aprimoradas, mais eficientes.

Em função disso, sentia-se bastante entusiasmado em conhecer um viajante do tempo. Gentil, disse que, quando voltasse ao Brasil, procuraria conhecer as praias de Ubatuba.

Por alguma razão, não insistiu em saber detalhes do futuro. Alguma apreensão parecia dominá-lo, o que a sua história de vida confirmaria.

Um encontro fantástico...parecia real!

Talvez, por isso, acordei assustado. A conta da Uber estouraria o cartão...

Ninja-Brasil: versão para a web