Drama que buscou reconstituir os fatos que marcaram o desastre com o famoso dirigível Hindenburg, a maior aeronave construída até aquele ano, 1937, e que pegou fogo e foi destruída ao pousar em Nova Jersey. O filme dramatiza o episódio criando a hipótese de sabotagem, quando sabe-se que o acidente ocorreu por causa de uma faísca elétrica que fez explodir o tanque com toneladas de hidrogênio.
The Hindenburg - EUA - 1975
Direção: Robert Wise
Elenco: George C. Scott, Anne Bancroft, William Atherton, Roy Thinnes, Gig Young, Burgess Meredith, Charles Durning.
Lançamento do livro "Praia do Pequeno Príncipe: a lenda", em Ubatuba (SP)
O livro "Praia do Pequeno Príncipe: a lenda" foi lançado, dia 25 de maio de 2026, no Espaço Cultural Aeronáutico de Ubatuba (ESCAU), no Colégio Dominique. A obra apresenta o desvendar de uma lenda, segundo a qual o escritor e piloto Antoine Saint-Exupéry havia aterrissado, numa praia de Ubatuba, em 1933, dez anos antes do lançamento do clássico "O Pequeno Príncipe". Teria Saint-Exupéry pisado na areia de uma praia ubatubense e se inspirado para contar as aventuras de um príncipe fabuloso, morador do asteroide B 612, e suas andanças por outros planetas?
As pesquisas do jornalista Luiz Ernesto Kawall revelaram que o aviador que pousou na orla do município era outro Antoine, Léon Antoine. Este, um francês nascido em Calais, comandante na Aéropostale e Air France, e que viveu no Brasil.
O livro é de autoria de Arnaldo Chieus e Luiz Ernesto Kawall (in memorian), editado pelo Instituto Salerno-Chieus, organismo de apoio às atividades culturais do Colégio Dominique.
Tributo a Léon Antoine & Saint-Exupéry
O evento de lançamento aconteceu durante a 105ª reunião de entusiastas de aviação, denominada Café Voador, juntamente com integrantes do grupo literário Versos na Areia.
Estiveram presentes Márcia, Beatriz e Helena, filhas do jornalista Luiz Ernesto Kawall, eterno responsável pela preservação dessa parte da História de Ubatuba. Após a apresentação do livro por Arnaldo Chieus, foi inaugurada uma área temática no Espaço Cultural Aeronáutico, como tributo aos pilotos Léon Antoine e Antoine Saint-Exupéry.
A área apresenta informações sobre Saint-Exupéry, uma linha do tempo pontuando a vida de Léon Antoine (intitulada "Da França para o Brasil, com escala na História de Ubatuba") e um painel que reproduz material da exposição Entre Estrelas, gentilmente cedido por Mônica Cristina Corrêa, Presidente da Associação Memória da Aéropostale no Brasil (AMAB).
Há 96 anos, em 25 de maio de 1930, o Rio de Janeiro recebia o Zeppelin
A primeira viagem transatlântica de um dirigível entre a Alemanha e a América do Sul foi registrada em maio de 1930, tendo o LZ 127 Graf Zeppelin decolado de Friedrichshafen no dia 18 e chegado ao aeroporto de dirigíveis nas cercanias da cidade do Recife, em Pernambuco, a 21 do mesmo mês.
Prosseguindo a viagem, pousou no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, em 25/5/1930, causando alvoroço na então Capital Federal.
Após essa bem-sucedida viagem transatlântica inaugural, os Zeppelins realizaram três viagens ao Brasil em 1931 e mais nove em 1932.
Devido a esse sucesso, a empresa obteve autorização do governo brasileiro para construir um aeroporto, com instalações adequadas para a ancoragem e proteção das suas aeronaves. Desse modo, em 1933, os alemães da Companhia Luftschiffbau Zeppelin vieram ao Brasil escolher a área apropriada para pouso e abrigo dos Zeppelins.
Após meticulosos estudos climáticos, direção dos ventos, velocidade e também possibilidade de meios de transporte, foi escolhida a área próxima à Baía de Sepetiba. Essas terras foram doadas pelo Ministério da Agricultura e totalizavam 80.000 m².
No ano seguinte, o Hangar concebido por engenheiros alemães, começou a ser construído pela Companhia Brasileira "Construtora Nacional Condor" que seguia as instruções do gigantesco Kit fornecido pelos alemães.
Um acordo entre o governo brasileiro e a Companhia Alemã previa a construção de um aeródromo no local, que mais tarde foi denominado Bartolomeu de Gusmão.
Além da construção do Hangar, foi instalada também uma fábrica de hidrogênio para abastecer os dirigíveis e uma linha ferroviária ligando o aeroporto à estação D. Pedro II.
Finalmente, em 26 de dezembro de 1936, o Hangar foi inaugurado com a ativação de uma linha regular de transportes aéreos que ligava Frankfurt ao Rio de Janeiro com escala em Recife e contou com a presença do então presidente Getúlio Vargas.
Logo que começaram a chegar os primeiros dirigíveis, era preciso 200 homens que ficavam na pista para ajudar a atracá-los, segurando seus cabos, apelidados de "aranhas". Havia uma torre onde a proa ficava atracada, enquanto a popa era engatada a um carro gôndola, feito para receber o cone e que entrava no Hangar para desembarque dos passageiros e manutenção, feita pela própria tripulação.
No Hangar, tudo tem proporções imensas. Com 270 m de comprimento, 50 m de altura e 50 m de largura, o Hangar do Zeppelin está orientado no sentido Norte/Sul.
O portão Norte, com 28 m de largura e 26 m de altura só servia para ventilação e saída da torre de atracação e só abre manualmente.
O portão Sul, o principal, abre-se em toda a altura do Hangar e possui duas folhas de 80 toneladas cada uma. Estas portas podem até hoje ser abertas elétrica ou manualmente, utilizando o sistema original.
O uso do Hangar foi efêmero e em 1937 o último Zeppelin decolava do aeródromo após nove viagens ligando o Brasil à Europa. Dentre essas viagens, quatro foram realizadas pelo Hindenburg e cinco pelo Graf Zeppelin.
Quando o aeroporto Bartolomeu de Gusmão foi transformado em Base Aérea de Santa Cruz, o Hangar passou a abrigar as diversas Unidades Aéreas que ali se instalariam ao longo dos anos.
O "Zeppelin" vai vencendo de forma heroica sua luta contra todas as adversidades do tempo e, apesar da proximidade com o mar da Baía de Sepetiba, ainda não sofreu problemas de oxidação que lhe causassem danos significativos.
O edifício do hangar da Base Aérea de Santa Cruz encontra-se tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), desde 1998. É um dos últimos exemplares e um dos mais bem conservados no mundo e constitui um importante marco na história de Santa Cruz, do Rio de Janeiro, do Brasil e do mundo.
Em 6 de fevereiro de 1957, por meio do Decreto nº 40.549, foi organizado, no Ministério da Aeronáutica, o 1º Grupo de Aviação Embarcada, tendo como finalidade guarnecer Navios-Aeródromos da Marinha Brasileira. Relembrando essa história e estudando mais sobre temas relacionados, selecionamos conteúdo do portal da ABRA-PAT - Associação Brasileira de Equipagens da Aviação de Patrulha. Esta, é uma entidade civil de direito privado e sem fins lucrativos que tem como principais objetivos: RESGATAR, PRESERVAR e DIVULGAR a história da Aviação de Patrulha no Brasil, DIFUNDIR a evolução da Aviação de Patrulha no Brasil e no mundo, COLABORAR com as autoridades da Aeronáutica e ESTIMULAR o espírito de corpo, o profissionalismo e o entusiasmo que sempre existiram no seio da Aviação de Patrulha. A ABRA-PAT é formada por membros de Equipagem da Aviação de Patrulha (Oficiais, Suboficiais e Sargentos) da Ativa, da Reserva ou Reformados, além de militares das Forças Armadas e Civis. Foi criada no Rio de Janeiro, em 20 de julho de 1999.
Boa leitura.
Bom domingo!
O ESQUADRÃO CARDEAL
No dia 06 de fevereiro de 1957 foi criado o Primeiro Grupo de Aviação Embarcada (1º GAE) com a finalidade de guarnecer o navio-aeródromo da Marinha Brasileira. O 1º GAE foi organizado inicialmente com dois esquadrões, um de caça e outro de patrulha. Mais tarde, quando a Marinha definiu que o Minas Gerais seria um porta-aviões anti-submarino, o 1° GAE foi reorganizado, passando a ser composto por um esquadrão de aviões de patrulha e outro de helicópteros anti-submarino.
O nome do Esquadrão Cardeal é em virtude da semelhança entre o pássaro e os gorros vermelhos utilizados pelos pilotos do 1º GAE no início de suas atividades. O seu emblema contém a inscrição em latim “Sic Semper Tyrannis”, que em português significa “Assim sempre com os tiranos”.
AERONAVES
Grumman P-16A Tracker
Em outubro de 1958, a Base Aérea de Santa Cruz foi designada como sede em terra do 1º GAE. Nesse mesmo ano, começou a receber o seu equipamento inicial, os aviões North American B-25J Mitchell e helicópteros Bell H-13J. Em 26 de junho de 1961 chegaram ao Brasil os primeiros aviões Grumman P-16A Tracker, iniciando as operações aéreas a bordo do Minas Gerais no dia 22 de junho de 1965. Os P-16E, mais modernos e sofisticados, começaram a operar no 1º/1º GAE em dezembro de 1975. O último P-16 da FAB foi retirado de serviço no dia 30 de dezembro de 1996.
Para a continuidade das operações, foi criado em 31 de julho de 1998, pela Portaria R.452/GM3, o Quarto Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (4º/7º GAv), operando as aeronaves Embraer P-95A Bandeirante Patrulha que voavam com o 2º/1º GAE, efetuando as missões de patrulha e esclarecimento marítimo.
Embraer P-95A "Bandeirulha"
No dia 16 de dezembro de 2011, o Esquadrão Cardeal encerrou as suas atividades com uma solenidade militar na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro.
Biblioteca Ninja
OS CARDEAIS 1º Grupo de Aviação Embarcada 4º/7º Grupo de Aviação
"Já no pequeno bar, durante as conversas de pós-voo, lá pelas tantas disse-me o Rodolfo que na final curta comentara com o Mares Guia que nosso grupamento parecia um concílio de Cardeais, todos com o boné vermelho e o macacão laranja. Como consequência, no teste de rádio do dia seguinte, ao atender à chamada do Cobra 01 respondi não mais FAB 7016, mas sim, Cardeal 01”.
A história dos Cardeais se inicia com a criação do 1° Grupo de Aviação Embarcada em 1957, no segundo ano do mandato de Juscelino Kubitschek. Os primeiro anos da nova unidade foram difíceis, marcados por um acrimonioso conflito doutrinário entre a Força Aérea e a Marinha. Porém, a partir de 1965, os Cardeais embarcaram pela primeira vez no navio-aeródromo Minas Gerais para iniciar um longo período de operações conjuntas de alta eficiência, em um clima de convivência harmoniosa que desmentia todo o conflito anterior.
Em 1998, o 1° Grupo de Aviação Embarcada foi desativado, dando lugar ao 4°/7° Grupo de Aviação que herdou seu nome e suas tradições. A saga dos Cardeais é contada neste volume a partir de uma cuidadosa pesquisa dos históricos da unidade, documentos pessoais e entrevistas com veteranos. O texto é amplificado com numerosas fotografias, a maior parte das quais inédita, e de perfis das aeronaves especialmente preparados.
Autor: Mauro Lins de Barros
Ilustrações: Flávio Lins de Barros
Editora: ADLER
Selecionado da ABRA-PAT:
AVIAÇÃO DE PATRULHA NO BRASIL
Antecedentes Históricos
Martin PM
Retroagindo no tempo, vamos encontrar, há quase 10 anos antes da criação do Ministério da Aeronáutica a primeira Unidade Aérea de Patrulha de que se tem registro no Brasil: a “Primeira Flotilha de Bombardeio e Patrulha”, criada na Aviação Naval em 1931, baseada na Ponta do Galeão da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Possuía 7 hidro-aviões, 2 MARTIN PM e 5 Savoia Marchetti e realizou a primeira operação de Patrulha Aérea conhecida.
Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, três aviões “Savoia Marchetti” realizaram missões de patrulha nas cercanias do porto de Santos, bloqueado pelas Forças Legalistas, visando impedir a chegada de reforços para os rebeldes.
A Aviação Militar do Exército também realizou missões de Patrulha Aérea ao longo do litoral logo no início da 2ª Grande Guerra. Em fins de 1939, deslocou 3 aviões “Corsário” para Belém com a missão de patrulhar o litoral Norte, a fim de verificar possíveis presenças de unidades navais de países beligerantes em nossas águas territoriais. Na mesma época, enviou outros 3 aviões “Corsário” para Recife para, de lá, efetuar missões de patrulha ao longo do litoral Nordeste com a mesma finalidade.
A Fase do Pré-Guerra
B-25
Em janeiro de 1941 foram criados o Ministério da Aeronáutica e a Força Aérea Brasileira, esta pela absorção da Aviação Naval e da Aviação do Exército.
A Aviação de Patrulha na FAB surgiu em fevereiro de 1942. O Brasil rompera relações diplomáticas com os países do Eixo dando mostras de abandono da posição de neutralidade até então mantida. Como represália, os alemães e italianos desfecharam uma campanha de ataques aos nossos navios mercantes em rotas litorâneas, resultando no afundamento de numerosos navios.
A situação da FAB era de total despreparo para empreender ações bélicas eficazes. Não tinha os aviões adequados para as missões de Patrulha, nem em quantidade, nem em qualidade. Não tinha bombas de profundidade, nem treinamento técnico ou tático. Nós não voávamos por instrumento, não conhecíamos navegação sobre o mar, navegação rádio nem navegação astronômica. Não estávamos familiarizados com planos de busca, de esclarecimento ou de cobertura de comboio.
Nada sabíamos sobre técnicas de ataque a submarino. Mas, apesar de todas as deficiências, começamos a empreender missões de Patrulha empregando, em total improviso, todos os meios aéreos disponíveis. Aviões B – 25, P- 40, T- 6, FOCK-WULF e outros faziam, regularmente, missões sobre o mar. Aviões de transporte em viagem pelo litoral eram orientados para voar sobre o mar, a uma pequena distância da costa.
Acreditava-se que a simples presença de aviões, de qualquer tipo, sobre o mar se constituía em fator limitador da liberdade de ação que os submarinos desfrutavam durante o dia. Nesse início da guerra tudo faltava, menos a garra, a vontade férrea dos patrulheiros de bem cumprir suas missões.
Dia 22 de maio de 1942, um avião B – 25 do Agrupamento de Aviões de Adaptação sediado em Fortaleza, empregado no treinamento de equipagens brasileiras, realizou uma busca na área onde um navio havia sido torpedeado . O Instrutor era americano e os alunos eram dois Capitães que faziam a adaptação ao novo avião. Foi avistado o submarino italiano BARBARIGO e imediatamente atacado com uma salva de 10 bombas de 100 libras de emprego geral . O submarino mergulhou, sem avarias, e o B-25 retornou a Fortaleza. É de se notar que o Brasil, nessa data, só havia cortado relações diplomáticas com o Eixo, mas ainda mantinha sua neutralidade.
Esse foi o batismo de fogo da FAB na II Guerra Mundial!
A Fase da Guerra
A-28 Hudson
Com o estabelecimento de Estado de Beligerância em 22 de maio de 1942 e a formal Declaração de Guerra aos países do Eixo em 31 de agosto de 1942, o Brasil, como aliado dos EUA, foi beneficiado pelo “LEND AND LEASE ACT”, tendo recebido daquele país, 28 aviões A-28 HUDSON, 6 hidro-aviões PBY-5 CATALINA, 14 aviões anfíbios PBY-5A CATALINA e 14 aviões PV-1 VENTURA para serem empregados no patrulhamento das águas próximas ao litoral brasileiro.
Após essa fase de total improvisação, durante a qual foram afundados 20 navios brasileiros, a FAB orientou suas ações em direção ao profissionalismo. Oficiais foram mandados ao exterior para se familiarizar com a Aviação de Patrulha. De nada adiantava receber aviões modernos sem uma instrução adequada sobre seus sistemas, pilotagem, técnicas e táticas de emprego. Com vistas a sanar tais deficiências foi criado em outubro de 1943, inicialmente em Natal e posteriormente no Galeão, unidade de instrução denominada UNITED STATES – BRASIL AIR TRAINING UNIT, que ficou conhecida pela sigla formada por suas iniciais: USBATU.
Em Natal o avião utilizado no curso foi o PV – 1 VENTURA. A instrução abrangeu 3 turmas, compostas de pilotos, tripulantes e mantenedores. Ao término do curso, a FAB recebeu um esquadrão de 14 aviões PV – 1 vindos diretamente da fábrica. Esse esquadrão, autônomo e constituído somente de brasileiros, passou a operar cumprindo ordens de operação e fragmentárias emanadas do ComSoLant – Comando do Atlântico Sul, chefiado pelo Almirante americano Jonas Howard INGRAM.
No Galeão foi realizada a instrução terrestre dos PBY-5A CATALINA (anfíbios) tendo sido utilizadas as instalações de Santa Cruz para treinamento de voo.
PBY-5A Catalina
Ao término do curso, a FAB recebeu um esquadrão composto de 14 PBY – 5A em complemento aos 7 PBY- 5 já existentes. Esse mesmo treinamento foi dado aos tripulantes dos A-28 HUDSON, cuja sede era Fortaleza, mas que operavam desdobrados em aeródromos ao longo do litoral.
Com esse treinamento, a FAB passou a ficar responsável pelo patrulhamento e cobertura de comboio em certos trechos, até então sob a responsabilidade apenas de unidades americanas.
Ao término da guerra a FAB possuía uma Aviação de Patrulha de mesmo nível operacional e com aviões idênticos aos empregados pela Aviação Naval da Marinha Americana.
A Data Especial
O calendário da Aeronáutica do Brasil dedica o dia 22 de maio à Aviação de Patrulha. A data relembra o 22 de maio de 1942, quando um avião B-25 da FAB efetuou ataque ao submarino italiano Barbarigo, que havia torpedeado o navio mercante brasileiro Comandante Lira, próximo ao Atol das Rocas.
Em função dos acordos assinados com os EUA, a FAB passou a receber modernos aviões, treinamento, armamento, doutrina, táticas e técnicas de emprego contra submarinos.
Passamos a patrulhar nosso litoral e as principais rotas de comboio. A partir de então, nossas perdas foram diminuindo até que os submarinos inimigos praticamente foram expulsos do Atlântico Sul próximo ao nosso litoral. O Brasil realizou vários ataques, tendo sido confirmado o afundamento do submarino alemão U -199 próximo ao litoral de Cabo Frio.
O Brasil é um país territorial e marítimo, totalmente dependente de suas rotas oceânicas para sua sobrevivência, o que exige permanente vigilância e ação de presença em águas bastante afastadas de nosso litoral somente asseguradas por uma Aviação de Patrulha moderna, eficiente e apta ao cumprimento de suas missões.
Novos desafios
A descoberta da camada do pré-sal e de novas fontes de recursos submersos ao longo de nosso litoral vem transformando a aviação de patrulha em importante elo de defesa dessas riquezas naturais na costa brasileira. Atenta a esses novos desafios que surgem a FAB incorporou à patrulha aeronaves P-3 AM Orion, dotadas de aviônicos de primeira geração.
Patrono da Aviação de Patrulha
MAJOR BRIGADEIRO-DO-AR
DIONYSIO CERQUEIRA DE TAUNAY
Nascido no Rio de Janeiro, foi admitido na Escola Naval em abril de 1930. Foi declarado Guarda Marinha a 1 de dezembro de 1933. Guarneceu o Navio Escola Saldanha da Gama, em sua viagem inaugural Inglaterara-Brasil. Fez curso de aviador naval, tendo solado em avião De Havilland DH - 82 (Tiger Moth) em 15/09/36. Brevetado, foi servir na 2ª Esquadrilha de Adestramento Militar, onde voou Fairey Mk VIII (Gordon).
No restante de seu tempo na Marinha, voou ainda as aeronaves Wacco CSO, Wacco CJC, Focke Wulf 44J, Focke Wulf 58B e North American 46. Fez as linhas do Correio Aéreo Naval. Já no posto de capitão-tenente, ao qual fora promovido em 1 de junho de 1940, foi incluído na Força Aérea Brasileira em 20/01/41 como Capitão Aviador, com a criação do Ministério da Aeronáutica.
Serviu no Gabinete Técnico do Ministério da Aeronáutica e, com a criação do Agrupamento de Aviões de Adaptação em Fortaleza, em 1942, fez sua transição para os novos aviões que a FAB estava recebendo.
Fez o translado em voo, do EEU para o Brasil, de diversas aeronaves - A primeira como piloto e as outras como Comandante da Esquadrilha:
Vultee BT-15 - Saída de San Antonio, Texas em 23/03/42
North American AT-6C - Saída de San Antonio, Texas em 02/07/43
North American B-25J - Saída de San Antonio, Texas em 26/12/47
Lockheed P-2V-5 (P-15 na FAB) - Saída de Fresno, Califórnia em 17/12/58 comandando uma Esquadrilha de 5 aeronaves para o 1º/7º GAv-B Ae Sv.
Como Capitão serviu no 2º Grupamento de Patrulha na Unidade Volante da Base Aérea do Galeão, onde voou Lockheed A28A (Hudson) e Consolidated PBY-5 (Catalina).
Em 22 de agosto de 1942, o Brasil declarou guerra à Alemanha e à Itália e o 2º Grupo de Patrulha foi das primeiras unidades da FAB a executar missões sobre o Atlântico. O Capitão-Aviador TAUNAY voou 67 missões de Patrulha em aeronaves A-28A Hudson e PBY-5 Catalina.Seu batismo de fogo ocorreu no dia 30 de outubro de 1943, quando fazia uma missão de cobertura aérea de comboio voando um avião Catalina PBY-5. Ao avistar um submarino, ao largo de Cabo Frio, realizou ataque com bombas de profundidade e tiros de metralhadora, tendo enfrentado reação antiaérea.
O Catalina foi atingido no motor, na fuselagem e na empenagem, sendo obrigado a embandeirar a hélice direita. No evento, dois tripulantes foram feridos pelos tiros da artilharia antiaérea: 1º Mecânico 1S QAv Halley Passos e o 2º Mecânico 3S QAv Humberto Mirabelli.
O Ministro da Aeronáutica, pelo Aviso 165, de 13 de novembro de 1943, elogiou a tripulação:
"Tomando conhecimento da parte relativa ao ataque feito a um submarino inimigo, no dia 30 de outubro findo, por um avião da Unidade Volante da Base Aérea do Galeão, tenho grande satisfação em louvar o Capitão Aviador Dionysio Cerqueira de Taunay comandante do avião e sua tripulação pela bravura com que, evidenciando mais uma vez a eficiência da Força Aérea Brasileira, se conduziram no Combate travado e que resultou no afundamento do submarino." (a)Salgado Filho - Ministro da Aeronáutica.
Vigiar e proteger, 24 horas por dia, uma área de aproximadamente 13,5 milhões de quilômetros quadrados. Essa é a missão dos três Esquadrões que compõem a Aviação de Patrulha da Força Aérea Brasileira. No dia 22 de maio de 1942, pilotos brasileiros utilizaram uma aeronave B-25 Mitchell para atacar, durante a Segunda Guerra Mundial, o submarino italiano Barbarigo, que, quatro dias antes, havia lançado torpedos contra o navio mercante brasileiro Comandante Lyra, que resultou na entrada do Brasil no conflito. A partir de então, a FAB iniciou as atividades de cobertura de todo o litoral nacional.
Patrulhamento
Cabe à Aviação de Patrulha, por exemplo, a vigilância da Zona Econômica Exclusiva brasileira, localizada no Oceano Atlântico, onde são encontradas as maiores reservas nacionais de petróleo. Em diversas ações, o 3°/7º GAV, localizado em Belém (PA), é acionado para agir na fiscalização de atividades ilícitas de embarcações ou em acidentes ambientais. Foi durante uma missão de treinamento, em 2021, que o Esquadrão Netuno foi informado pela Marinha do Brasil (MB) que existia uma embarcação encalhada em um banco de areia na foz do Rio Tocantins. Após receber as coordenadas da área do possível sinistro, os pilotos deixaram a região de treinamento e se engajaram para a busca à embarcação. As informações foram repassadas ao Navio Patrulha da MB, que se direcionou para a área e realizou o resgate da tripulação.
Mar territorial
Ainda dentro da missão de Patrulha, cabe, também, ao Segundo Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (2º/7º GAV), Esquadrão Phoenix, localizado em Canoas (RS), a vigilância do mar territorial brasileiro, detectando, localizando e identificando embarcações nacionais e ou estrangeiras em coordenação com a Marinha do Brasil, permitindo tomar medidas contra embarcações engajadas em atividades ilícitas, tais como o despejo de poluentes, contrabando ou pesca ilegal.
Interceptação
Em março de 2022, o Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) engajou um dos Esquadrões da Aviação de Patrulha para cumprir a Operação Atlântico, conjuntamente com a Marinha, a partir da Base Aérea de Salvador. A operação consistiu de voos rotineiros de patrulhamento ostensivo da costa brasileira. Entretanto, a missão logo evoluiu para uma incansável busca por uma suposta embarcação suspeita de envolvimento com contrabando.
Durante a ação, que durou alguns dias, os tripulantes da aeronave P-95 Bandeirulha obtiveram contato visual positivo com a embarcação suspeita do acometimento ilícito, cuja posição foi repassada imediatamente ao meio naval envolvido. Por consequência, em ação coordenada com a Polícia Federal, a Marinha do Brasil, por meio da sua Corveta da Classe Imperial Marinheiro, interceptou a embarcação e a conduziu ao Porto de Salvador. Após a apreensão da carga, constatou-se que a embarcação contrabandeava cerca de 90 toneladas de cigarros de origem desconhecida.
Vigilância a bordo do P-3
É a bordo da aeronave P-3 AM Orion que o Primeiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (1°/7º GAV), localizado no Rio de Janeiro (RJ), também atua vigiando o litoral nacional. Em 2021, ano que marcou os 10 anos de incorporação da aeronave à FAB, o Grupo Akaer entregou o primeiro par de asas do P-3 completamente revitalizado. O procedimento buscou estender a vida útil das aeronaves por meio da substituição de diversos elementos primários das asas, tais como revestimentos superiores, longarinas dianteiras e traseiras, painéis superiores e inferiores, entre outras ações.
Míssil Harpoon
Equipando a aeronave P-3, o míssil Harpoon veio para auxiliar ainda mais a proteção do mar territorial brasileiro. Com mais de 124 km de alcance, o armamento tem 3,8 metros de comprimento e 526 quilos e é movido por uma turbina, chegando a atingir 850 km/h. O míssil utiliza dados dos sistemas da aeronave lançadora para calcular e corrigir a rota até o alvo. Depois de lançado, o Harpoon voa próximo ao mar para evitar ser detectado.
Somente a ogiva tem 226 quilos de material explosivo, o suficiente para causar danos que levem um navio a afundar.
Com o Harpoon e demais ferramentas que integram a Aviação de Patrulha, a FAB conta com um sistema game changer de patrulhamento e defesa, oferecendo amplo poder de dissuasão e inquestionável capacidade de combate às aeronaves que vigiam e protegem o território nacional.
A Associação Brasileira de Equipagens da Aviação de Patrulha - ABRA-PAT - foi criada no Rio de Janeiro, em 20 de julho de 1999, com jurisdição sobre todo território brasileiro. É uma entidade civil de direito privado e sem fins lucrativos, tendo como principais objetivos: RESGATAR, PRESERVAR e DIVULGAR a história da Aviação de Patrulha no Brasil, DIFUNDIR a evolução da Aviação de Patrulha no Brasil e no mundo, COLABORAR com as autoridades da Aeronáutica e ESTIMULAR o espírito de corpo, o profissionalismo e o entusiasmo que sempre existiram no seio da Aviação de Patrulha.
A ASSOCIAÇÃO é formada por membros de Equipagem da Aviação de Patrulha (Oficiais, Suboficiais e Sargentos) da Ativa, da Reserva ou Reformados, Além de militares das Forças Armadas e Civis.
Visite o site da ABRA-PAT e confira o texto a seguir - e muitos outros! - na seção Histórias e Contos.
1°/7° GAV – Desfile de 7 de Setembro de 1959
A VOLTA POR CIMA
Na semana anterior ao “Dia da Pátria” recebeu o 1°/7° GAv a missão de deslocar o Esquadrão para o Rio de Janeiro a fim de integrar o Desfile Aéreo que se realizou, na então capital da República, juntamente com aeronaves de diversos Esquadres e Grupos da FAB.
O 1°/7° GAv iria apresentar seus aviões P-15 (Netuno), pela primeira vez ao povo brasileiro. Eram aeronaves modernas e bem equipadas que recentemente haviam passado a integrar a Aviação de Patrulha da FAB.
O Esquadrão e a Base Aérea de Salvador trabalhavam arduamente no preparo desse deslocamento. Deveriam participar do “Desfile Aéreo” com 12 aeronaves P-15. Isso parecia impossível devido à deficiência de suprimento e problemas de manutenção existentes. O desafio era de que o 1°/7° GAv deveria participar no Rio, no mínimo, com 9 aeronaves.
Oficiais e subalternos sabiam que as dificuldades eram enormes, mas teriam de ser superadas. Só admitiam cumprir a missão recebida, qualquer que fosse o sacrifício exigido. O Esquadrão executou o deslocamento para o Rio (BAe do Galeão) com 10 aeronaves P-15, que lhe dava a possibilidade de uma formatura com 9 aviões, contando ainda também com um avião reserva, caso houvesse problema com qualquer uma das aeronaves envolvidas no “Desfile”.
As tripulações do 1°/7° GAv já se sentiam sobrevoando a Av. Presidente Vargas, com seus P-15 orgulhosamente integrando o “Desfile Aéreo”. A Parada Militar no Rio, sempre era uma grande festa: homens, mulheres e crianças estariam agitando bandeiras brasileiras, como uma forma simples e patriótica de demonstrar seu amor ao Brasil, em sua data magna.
O início desse magnifico espetáculo dependia apenas da difícil decisão que cabia à autoridade máxima da FAB, responsável pelo “Desfile Aéreo”. As condições meteorológicas reinantes não eram boas: teto baixo, pouca visibilidade e chuva contínua na área. Todos queriam participar do evento, entretanto, estavam conscientes de que a decisão não poderia comprometer a segurança das aeronaves envolvidas e a grandiosidade do espetáculo.
As tripulações já se encontravam junto às suas aeronaves. Sentia-se no ar um sentimento de frustração. O “Desfile Aéreo” corria o sério risco de ser cancelado. Os tripulantes se entreolhavam, como que perguntando: “Tanto esforço, tanto trabalho, tanto entusiasmo”. Teria sido em vão? Haveria alguma compensação? Todos sentiam que alguma coisa aconteceria, mesmo que fosse cancelado o “Desfile Aéreo”.
A ordem do cancelamento foi dada às 09:15hs, juntamente com a liberação de todas as aeronaves regressarem às suas unidades. Em virtude do cancelamento do “Desfile Aéreo” no Rio, o Comandante decidiu que o 1°/7º GAv faria a sua apresentação na Parada Militar de Salvador cumprindo a missão que lhe fora atribuída, mudando apenas o local da apresentação do Rio, para Salvador.
Imediatamente foi dada a ordem a todo o Esquadrão.
Tripulações a postos para decolagem imediata cumprindo NPA do Esquadrão para deslocamentos em voo IFR com decolagens a cada 30 segundos. As aeronaves iriam fazer um voo direto Rio-Ilhéus, fora de aerovia, em regime máximo contínuo.
O 1°/7° GAv tinha pressa de chegar a Salvador. O Esquadrão se reuniria sobre Ilhéus e prosseguiria com seus aviões em formatura até a cidade de Salvador. A intenção do Comandante era que o Esquadrão participasse da Parada Militar do “Dia da Pátria” antes do seu encerramento.
O 1°/7° GAv sobrevoou com seus P-15, em formação, a Av. 7 de Setembro, encerrando a Parada Militar com um magnífico desfile. Foram feitas três passagens aéreas: a primeira com o Esquadrão em formatura; a segunda em Esquadrilha e a última em voo rasante individual, encerrando com chave de ouro a Parada Militar de 7 de Setembro de 1959.
Após a última passagem cada aeronave sobrevoou o Farol da Barra, prosseguindo para o pouso na BAe de Salvador.
As tripulações sentiam-se realizadas. Haviam cumprido com êxito a missão recebida. Haviam apresentado seus modernos aviões de patrulha ao Brasil.
O 1°/7° GAv estava de parabéns. O esforço, o trabalho, a dedicação e tudo mais que fora exigido de todos, no cumprimento da missão, havia sido regiamente recompensado.
Foi uma demonstração inequívoca na qual o Esquadrão (ORUNGAN) provou estar sempre pronto para cumprir qualquer missão recebida.
O final foi feliz. Reinava entre todos uma grande alegria e satisfação pelo dever cumprido. Havia sido dada a volta por cima.
Parabéns pela garra e feito glorioso do 1°/7° GAv, Esquadrão ORUNGAN, orgulho da Aviação de Patrulha da FAB.
Neste vídeo, elaborado pela equipe do canal Aero - Por trás da aviação, você vai conhecer a incrível história da aeronave Douglas DC-3 que transformou o transporte aéreo em um negócio lucrativo, dominou os céus durante décadas e se tornou uma das maiores lendas da história da aviação.
Do transporte comercial à Segunda Guerra Mundial, passando pela famosa ponte aérea de Berlim até os dias atuais, descubra por que o DC-3 continua sendo respeitado quase 90 anos após seu primeiro voo.
O Douglas DC-3 não foi apenas um avião…ele revolucionou a aviação mundial.
O piloto Fernando De Borthole criou o Aero - Por Trás da Aviação onde apresenta os bastidores e curiosidades do tema, com uma linguagem bastante didática, leve e descontraída, o que tornou os nossos NINJAS fãs do Fernando, do portal e do canal.