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Voar é um desejo que começa em criança!

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

KC-390 Millennium

FAB estreia sistema de lançamento de água em caixas com KC-390 e supera 1 milhão de litros na Amazônia
A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), intensificou as ações de combate aos incêndios florestais no Amazonas com o emprego de diferentes aeronaves e tecnologias de lançamento de água. No dia 19 de outubro, durante a Operação Amazonas, foi realizado o primeiro lançamento real do Sistema Conteinerizado de Combate a Incêndios (CAFFS, do inglês Containerized Aerial Fire Fighting System) a partir de uma aeronave KC-390 Millennium. 

Desde o início da operação, já foram lançados mais de 1 milhão de litros de água sobre áreas atingidas pelo fogo na Amazônia Ocidental. O volume lançado demonstra a capacidade operacional mobilizada pela FAB para combater os focos de incêndio em uma região marcada pela floresta densa, pelas grandes distâncias e pelas dificuldades de acesso terrestre. Iniciadas em 12 de outubro, as ações utilizam diferentes sistemas de combate a incêndios, que atuam de forma complementar e ampliam as possibilidades de emprego do KC-390 Millennium nas missões.

Tecnologia e estratégia
O Sistema Conteinerizado de Combate a Incêndios (CAFFS) passou a ser utilizado na operação ao lado do Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndios (MAFFS, do inglês Modular Airborne Fire Fighting System). Ambos são operados pelo KC-390 Millennium, do Primeiro Grupo de Transporte de Tropa (1º GTT), o Esquadrão Zeus, e foram empregados pela primeira vez em conjunto no combate aos incêndios florestais no Amazonas.

Enquanto o MAFFS utiliza um sistema pressurizado para liberar grandes volumes de água em pouco tempo, o CAFFS funciona por meio de caixas de papelão reforçado, lançadas por gravidade. Cada unidade comporta até 1.000 litros de água, e a aeronave pode transportar até 16 caixas por lançamento, oferecendo novas possibilidades táticas para o combate ao fogo.

O emprego dos dois sistemas também exige uma estrutura de apoio em solo para garantir a preparação das aeronaves e a continuidade das missões. Na Base Aérea de Manaus (BAMN), foram instaladas duas piscinas de abastecimento, com capacidade para até 24 mil litros de água cada, além de um sistema de ar comprimido utilizado no funcionamento do MAFFS.

A área de cargas da unidade também passou por adaptações para permitir a montagem e o abastecimento dos contêineres utilizados no CAFFS. Para o Comandante do Primeiro Grupo de Transporte de Tropa (1º GTT), Tenente-Coronel Daniel Elias Souza, os resultados demonstram a capacidade de integração entre as equipes e a prontidão operacional necessárias para cumprir as missões.

O oficial destacou o trabalho dos militares responsáveis pela preparação das aeronaves, pelo abastecimento de água e pela manutenção dos equipamentos de solo, atividades essenciais para manter o ritmo das operações. O comandante também chamou a atenção para os desafios enfrentados pelas tripulações, que realizaram diversas decolagens ao longo dos dias, muitas delas em meio à fumaça e em condições que dificultavam a identificação dos focos de incêndio. Segundo ele, a prontidão das equipes e a confiabilidade dos equipamentos foram fundamentais para o cumprimento das missões planejadas.

Atuação integrada
Além dos KC-390 Millennium empregados pelo 1º GTT, a FAB mobilizou outras aeronaves para apoiar o combate aos incêndios, entre elas o KC-30, do Segundo Esquadrão do Segundo Grupo de Transporte (2º/2º GT), e o C-105, do Primeiro Esquadrão do Nono Grupo de Aviação (1º/9º GAV). A operação também conta com a participação da Marinha do Brasil, com a aeronave UH-15, e do Exército Brasileiro, com o helicóptero HM-1A.

A atuação conjunta reúne diferentes meios aéreos, equipes especializadas e estruturas logísticas para ampliar a capacidade de resposta das Forças Armadas, especialmente em áreas de difícil acesso. Com o primeiro lançamento real do CAFFS pelo KC-390 Millennium e o volume superior a 1 milhão de litros de água lançado, a Operação Amazonas combina diferentes tecnologias e recursos no combate aos incêndios florestais na região amazônica.

Fonte: AEROIN / Juliano Gianotto

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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Datas Especiais

Hoje é o dia da Engenharia da Aeronáutica. O 28 de outubro foi escolhido em homenagem ao patrono da Engenharia da Aeronáutica, Marechal do Ar Casimiro Montenegro Filho, idealizador do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), sediado em São José dos Campos, interior de São Paulo. Aos profissionais desta fascinante área, nossos parabéns!

Aspectos da carreira em Engenharia Aeronáutica
É bastante conhecida, especialmente no Brasil, a polêmica acerca de quem seria o grande pioneiro da aviação no início do século XX: o brasileiro Alberto Santos Dumont, o francês Clément Ader ou os irmãos norte-americanos Wilbur e Orville Wright. Seja quem for o merecedor desse título, é inegável que as aeronaves que conhecemos hoje são muito diferentes daquelas pilotadas por esses grandes inventores. Nesse caso, sabemos que o mérito é, em grande parte, dos engenheiros aeronáuticos. Encarregada da criação, desenvolvimento, aprimoramento e manutenção de veículos aéreos e de seus componentes, a Engenharia Aeronáutica é a grande responsável por podermos atravessar o Brasil, de norte a sul, em menos de 10 horas – e não em 70 horas, como faríamos de carro. Saiba mais sobre essa área, os cursos disponíveis no país e as possibilidades de carreira que a Engenharia Aeronáutica oferece.

Aeronáutica, Aeroespacial ou Astronáutica?
Há quem sonhe em pilotar aviões, há quem sonhe em ser astronauta. Nenhum dos dois seria possível se não fosse por aqueles que têm um outro sonho: o de se tornarem engenheiros aeroespaciais. A Engenharia Aeroespacial abrange a Engenharia Aeronáutica, que, por sua vez, tem como foco veículos que não deixam a atmosfera terrestre, como é o caso de aviões, helicópteros e dirigíveis. Na prática, a indústria aeronáutica e a astronáutica – responsável, por exemplo, por foguetes, satélites e veículos espaciais – caminham juntas e compartilham conhecimentos e tecnologias. No Brasil, há cursos de Engenharia Aeroespacial, assim como de Engenharia Aeronáutica; contudo, é comum que esta segunda formação também apresente disciplinas e temas de astronáutica em sua grade curricular. Veja, a seguir, algumas opções de cursos na área disponíveis no Brasil.

Engenharia Aeronáutica
A graduação em Engenharia Aeronáutica costuma ter cinco anos de duração; o mestrado, dois, e o doutorado, quatro. Na graduação, é comum que o estudante passe por uma fase inicial de disciplinas básicas, especialmente de Ciências Exatas. Os anos finais do curso incluem disciplinas mais específicas, como Aerodinâmica, Termodinâmica para Aeronáutica, Propulsão e Mecânica do Voo. Para cursar Engenharia Aeronáutica não basta ser apaixonado(a) por aviões, é preciso não ter medo de matemática, física e geometria, nem de se dedicar ao estudo. E falando em estudo, ele precisa começar bem antes do curso em si, já que os processos seletivos para ingressar na graduação de Engenharia Aeronáutica costumam ter notas de corte bastante altas. Muitas instituições altamente conceituadas no Brasil oferecem cursos de graduação, mestrado e doutorado em Engenharia Aeronáutica. É o caso, por exemplo, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI). Para os que gostariam de abrir seu leque – e não abrir mão do espaço sideral – também há cursos de Engenharia Aeroespacial em ótimas instituições brasileiras. Além do próprio ITA, que é um nome de referência na área, a Universidade Federal de Minas Gerais é uma das melhores opções para estudantes em busca de um curso de bacharelado nesse campo.

Carreira
Mercado é o que não falta para engenheiros aeronáuticos. Como bem lembra o ITA, o Brasil é um dos maiores construtores de aviões do mundo. Além de processos de concepção, fabricação e manutenção de aeronaves, o profissional da área pode ser responsável por atividades de fiscalização e de gestão na indústria aeronáutica. O engenheiro poderá trabalhar em diversos setores e para diferentes empregadores, incluindo fabricantes de avião e helicópteros ou de peças aeronáuticas, bem como companhias aéreas, órgãos governamentais, aeroportos, institutos de pesquisa e até a Força Aérea Brasileira. Os caminhos são muitos para aqueles que desejam construir uma carreira na Engenharia Aeronáutica. Embora os desafios sejam grandes, as recompensas também são altas, e o céu é o limite.  

CASIMIRO MONTENEGRO FILHO
Patrono da Engenharia da Aeronáutica

O Marechal-do-Ar Casimiro Montenegro Filho (Fortaleza 1904-Rio de Janeiro 2000), filho de Casimiro Ribeiro Brasil Montenegro e de Maria Emília Pio Brasil, foi pioneiro do Correio Aéreo Militar (CAM) e criador do ITA e CTA.

É patrono da Área de Engenharia da FAB e da Academia Nacional de Engenharia e um dos patronos do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica - INCAER. Ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, em 1923, sendo declarado Aspirante-a-Oficial do Exército em 1928, na primeira turma da Arma de Aviação Militar da Escola de Aviação Militar, que apenas se iniciava no Campo dos Afonsos.

Em 12 de junho de 1931, realizou o voo inaugural do Correio Aéreo Militar (CAM), que veio a se tornar posteriormente o Correio Aéreo Nacional (CAN). No posto de Major do Exército, frequentou a primeira turma do curso de Engenharia Aeronáutica na antiga Escola Técnica do Exército - EsTE, atual Instituto Militar de Engenharia - IME, onde se graduou em dezembro de 1941, ano em cujo início havia migrado para a Força Aérea Brasileira, no processo de criação do Ministério da Aeronáutica (atual Comando da Aeronáutica).

Em 1943, já como Tenente-Coronel, assumiu a subchefia da Diretoria de Material da Aeronáutica e a subdiretoria de Técnica Aeronáutica, ocasião em que foram concebidas e postas em prática as ideias que culminariam na criação do ITA e CTA.

Poucos anos depois, em 1947, ainda no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, deu início às atividades acadêmicas do ITA na sala 405-A da própria EsTE e, posteriormente, em instalações localizadas em prédios do Ministério da Aeronáutica, na Ponta do Calabouço, próximas ao Aeroporto Santos Dumont.

O ITA ganharia suas instalações definitivas em São José dos Campos, interior de São Paulo. Nas comemorações do centenário do nascimento de Casimiro Montenegro Filho, em 2006, foram publicadas duas biografias suas. Uma, pelo destacado biógrafo Fernando Morais (Montenegro - As aventuras do Marechal que fez uma revolução nos céus do Brasil, Editora Planeta do Brasil, Novembro, 2006), e outra, por dois renomados iteanos, ambos ex-presidentes da AEITA, Ozires Silva e Decio Josué Antonio Fischetti.

Saiba mais: Blog do NINJA em 27/6/10,  28/10/10, 25/1/11 e 28/10/11 

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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Datas Especiais

26 de outubro de 2026
58 anos do primeiro voo do avião Bandeirante
No dia 26 de outubro de 1968, em cerimônia oficial, no Centro Técnico de Aeronáutica, com a presença do Ministro da Aeronáutica, vários Ministros de Estado, de autoridades civis e militares e cerca de 15 mil pessoas, que afluíram ao Aeroporto de São José dos Campos (SP), foi realizado o voo oficial da aeronave Bandeirante.

Uma exclamação geral elevou-se aos ares, ao serem abertas as portas do hangar X-10 para a saída e apresentação oficial da aeronave, exultando, os presentes, com o avião sendo apresentado sob vários ângulos, em suas voltas pelo pátio do hangar.

O Major Mariotto e o Eng. Michel partem da cabeceira da pista para a realização da primeira decolagem e do primeiro voo oficial do Bandeirante, numa inesquecível demonstração ao País da existência de condições, capacidade e competência na consolidação e progresso da indústria aeronáutica brasileira, efeito do estudo e trabalho de uma equipe de civis e militares irmanados no mesmo ideal de dar asas brasileiras ao Brasil, e o sonho sendo concretizado 20 anos após o início dos trabalhos de construção do CTA.

Com o sucesso do projeto do avião Bandeirante desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento (IPD), foi necessária a implantação de uma empresa para fabricá-lo em série. Desta forma, foi criada a EMBRAER – Empresa Brasileira de Aeronáutica.

Em consequência, o avião Bandeirante foi um fenomenal sucesso de vendas e operação de transporte regional de passageiros e cargas nos cinco continentes. E como resultado do êxito do produto Bandeirante, a Embraer evoluiu tornando-se a terceira maior fabricante de aviões do mundo.

Visite: Embraer

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domingo, 25 de outubro de 2026

Especial de Domingo

Em dia de eleição para Presidente da República, o NINJA - Núcleo Infantojuvenil de Aviação - seleciona publicações que destacam uma das magníficas conquistas brasileiras. Vale como reflexão sobre o passado, o presente e o futuro de nossa grande nação.
Boa leitura.
Bom domingo!
Boa eleição!

Com o Brasil a bordo, o Bandeirante decola para o futuro
O projeto e a visão estratégica de investir na pesquisa, na formação de mão-de-obra e na indústria nacional aeronáutica mostraram os primeiros frutos ao país.
Alguns chamam a década de anos rebeldes. Outros, lembram do tempo em que o Brasil sagrou-se bicampeão mundial no Chile. Há, ainda, quem se lembre de que, naquela época, a capital do Brasil foi transferida do Rio de Janeiro para Brasília, que o homem chegou à Lua e que os Beatles lançaram seu primeiro disco – “Please,Please, Me”. De fato, os Anos 60 mostraram que a visão estratégica das gerações que “fundaram” anos antes o Ministério da Aeronáutica no Brasil, realmente, estavam certos. “Em 1968, para o espanto de todos, o primeiro avião brasileiro, o Bandeirante, levantava voo”, lembra Ozires Silva, engenheiro aeronáutico e oficial da Força Aérea que liderou a equipe que projetou e construiu o Bandeirante. Na época, participou da implantação da indústria aeronáutica no país, com a fundação da Empresa Brasileira de Aeronáutica (EMBRAER). Nos anos 90, a empresa foi privatizada pelo governo federal.
O Bandeirante é um bimotor de transporte de passageiros e de carga. A primeira aeronave decolou às 7h07 do aeroporto do Centro Técnico de Aeronáutica (CTA) para um voo de aproximadamente 50 minutos, sob o comando do Major-Aviador José Mariotto Ferreira e do engenheiro de voo Michel Cury. “É como se fosse ontem. Eu estava lá na cabeceira de terra, na pista do CTA, ele se posicionou lá embaixo, um pouco longe da gente, aí quando acelerou levantou aquele poeirão, e veio roncando deixando poeira pra trás. Quando passou por nós já estava naquela altura e ficou todo mundo arrepiado de ver”.

O PROJETO NO DCTA
A aeronave surgiu a partir do projeto IPD-6504, uma referência ao ano (1965), número do projeto (04) e ao Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento (IPD) do CTA, local da origem, desde os primeiros rascunhos, passando pela geração de milhares de desenhos, testes de equipamentos, até a construção do protótipo da aeronave que daria origem ao futuro EMB 110 Bandeirante, revolucionando a indústria aeronáutica brasileira. Para a construção do primeiro protótipo do IPD-6504 foram necessários três anos e quatro meses, num total de 110 mil horas de trabalho, que contou com cerca de 300 pessoas lideradas pelo engenheiro aeronáutico e, à época, Major Ozires Silva. Hoje, o primeiro protótipo está exposto no Museu da Aeronáutica (MUSAL), no Rio de Janeiro. O projeto se tornou realidade quando a Força Aérea fez uma encomenda de quase 100 aviões. No dia 27 de outubro de 1968, o IPD-6504 decolou novamente, com a mesma tripulação à bordo, para o primeiro voo oficial, com a presença de autoridades e imprensa. Era o início de uma história de sucesso que começou a ser escrita pelo governo brasileiro e que permitiu transformar ciência e tecnologia em engenharia e capacidade industrial, hoje reconhecida em todos os continentes nos quais voam os aviões fabricados pela EMBRAER. Em seu livro “A Decolagem de um Sonho: a História da Criação da EMBRAER”, Ozires Silva afirmou: “Parecia uma sina. Os empreendimentos nasciam por força do constante ideal de criar, construir e crescer; viviam em condições difíceis, procurando progredir fabricando produtos sabidamente complexos, sobretudo em países como o Brasil; e acabavam por falhar e morrer antes de conseguir conquistar uma cadência de produção e de vendas que auto-sustentasse os custos ligados à atividade industrial. Em resumo, parecia ser mais fácil conceber um novo avião, fazer voar um protótipo, que lançar uma produção seriada em condições de se manter ao longo do tempo e permanecer ancorada em um mercado de compradores razoavelmente contínuo”. Na transição de um país agrário para uma época de inovações, Ozires lembra que na FAB existia um espírito empreendedor com ideais que iam além do horizonte. Com o surgimento do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), muitas empresas surgiram e a FAB estimulava o desenvolvimento dessas indústrias. Logo quando tinha se formado no ITA, Ozires foi convidado pelo Brigadeiro Casimiro Montenegro Filho para trabalhar no CTA.

POSICIONAMENTO
“Não podíamos fazer aviões como os americanos ou os franceses. Tínhamos que produzir algo que não fosse competir com algum produto já dominado pelo mercado. Tínhamos de inovar. Abrir horizontes”, afirmou. “Aviões grandes estavam ocupando todos os espaços e as pequenas cidades passaram a ficar sem transporte aéreo.” Estava ali a oportunidade que faltava: fabricar aviões para as cidades periféricas. “Nós brincávamos muito dizendo que não conseguiríamos nunca ser cabeça do leão, mas não queríamos também ser o rabo do leão.” Nessa época, três graves acidentes aéreos mobilizaram a opinião pública para a questão do transporte aéreo e, em meio ao debate, descobriu-se que de 1958 a 1965 o número de cidades atendidas pelo transporte aéreo havia caído cerca de 90%. As pequenas e médias cidades não tinham infraestrutura que suportasse o trânsito de aeronaves de grande porte, predominante já na época. Por isso, o nome Bandeirante do novo avião não poderia ser mais apropriado. A ideia de suprir e abrir oportunidades de crescimento interno, mas também da luta pela produção e comercialização internacional marcaram o pioneirismo na indústria aeronáutica brasileira nesse período, além de marcar o início de um desenvolvimento tecnológico promissor. A iniciativa do Bandeirante também contou com a ajuda de um projetista francês, Max Hoste, que havia saído da França e era conhecido por um traço muito simples em seus aviões, notabilizando-se pelo pequeno Broussard. Sua assinatura ficou no protótipo com painéis retos das janelas da cabine de comando e as janelas redondas para os passageiros, dentre outros detalhes. Com todos os retoques que já são conhecidos, surgia, então, o Bandeirante: um bimotor turboélice, de asa baixa e destinado a cumprir na Força Aérea diversas missões, com operacionalidade nas áreas militar e civil.

MERCADO
Uma vez concluídos os protótipos, surgia um novo desafio: a produção seriada e a comercialização. Nessa fase, a figura brilhante de um dos pioneiros diplomados pelo ITA em 1953, o Brigadeiro-do-Ar Paulo Victor da Silva, na época diretor-geral do CTA, conseguiu consolidar as providências para a criação da EMBRAER, que vendeu mais de quinhentos aviões Bandeirantes em todo o mundo, abrindo o mercado norte-americano para os produtos aeronáuticos brasileiros. A fundação da EMBRAER também não podia fugir aos moldes de inovação, pioneirismo e ousadia. O Major Ozires, na época, por acaso, havia sido escolhido para recepcionar o Presidente da República, Costa e Silva, que por motivos meteorológicos, sua rota havia mudado de Guaratinguetá para São José dos Campos. “Foi a minha oportunidade. Falei para o Presidente da minha ideia de criação de uma indústria que produzisse aviões....e ele gostou!”, conta, rindo de sua ousadia histórica. “Acho que Deus pôs um nevoeiro lá pra dar uma mãozinha pra nós. Eu disse meu Deus do céu, manda o homem depressa pra cá. O avião estacionou no nosso hangar, mostramos o protótipo, contamos a história, projetamos uma EMBRAER de hoje fabricando avião pro mundo inteiro, de tudo quanto é tipo... e o presidente foi se entusiasmando. E quando ele foi embora pra Guaratinguetá, ele nos falou: ‘Vamos fazer’”. No dia 19 de agosto de 1969, o então Presidente da República, Arthur da Costa e Silva, assinou o decreto nº 770 que criou a EMBRAER, destinada à fabricação seriada do Bandeirante. No mesmo ano, o Ministério da Aeronáutica firmou contrato com a recém-criada Empresa Brasileira de Aeronáutica para a produção de 80 aviões, com início no ano seguinte. Em 1972, a Embraer realizou o primeiro voo do Bandeirante de série. Nos anos seguintes, a Força Aérea do Uruguai tornou-se o primeiro cliente da aeronave no exterior. Foi o início de uma história de sucesso conhecida até hoje. A EMBRAER fechou diversos contratos de exportação, dentre eles com a francesa Air Littoral. Na década de 70, começaram as primeiras vendas da aeronave para o mercado de transporte comercial de passageiros às empresas aéreas Transbrasil e VASP.

BALANÇO
Após 20 anos de produção seriada ininterrupta e 498 unidades produzidas e entregues, em 16 versões diferentes, a fabricação do Bandeirante foi encerrada. Ainda hoje, estão em operação mais de 300 unidades do primeiro avião brasileiro, desbravador dos céus e que levou o nome da EMBRAER e da Força Aérea às mais remotas regiões. A infraestutura do Bandeirante possibilitou que as regiões Centro-Oeste e Amazônica fossem desbravadas. Esse ambiente de excelência profissional, brotado inicialmente a partir do ITA e do CTA, transformou a cidade de São José dos Campos (SP) e a região do Vale do Paraíba em polo privilegiado para o florescimento das chamadas tecnologias de ponta. Hoje, inúmeras indústrias estão sediadas nessa localidade, ligadas à aviação. Na trajetória inaugurada pelo Bandeirante seguiram diversos produtos de sucesso, consolidando a EMBRAER como uma das maiores indústrias aeronáuticas do mundo. 

Fontes:
Livro: A Decolagem de um Sonho: a História da Criação da EMBRAER, Ozires Silva

Aerovisão: Adriana Alvares, tenente-jornalista da FAB / edição especial (janeiro/2011)

Embraer: embraer.com/pt

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sábado, 24 de outubro de 2026

Embraer


SEMANA DA ASA - 2026

 

Ao concluir as publicações de mais uma Semana da Asa - idealizada pelo aviador Godofredo Vidal e viabilizada, em 1935, pela Comissão de Turismo Aéreo do Touring Club do Brasil - destacamos a boa nova da Embraer, empresa brasileira que também simboliza a vocação de nosso país pela aviação.

Carteira de pedidos da Embraer alcança US$35,7 bilhões no 3T26, marcando novo recorde histórico
Avião Bandeirante, o primeiro desenvolvido e fabricado pela Embraer, em São José dos Campos (SP)

A Embraer , uma das líderes globais da indústria aeroespacial, registrou carteira de pedidos de US$35,7 bilhões no terceiro trimestre (3T26) – um aumento de 3% em relação ao recorde histórico registrado no trimestre anterior, e de 14% na comparação anual.

A Aviação Comercial registrou carteira de pedidos de US$15,8 bilhões no 3T26, com crescimento de 5% em relação ao 2T26 e 4% no comparativo com o 3T25.

O terceiro trimestre foi marcado por forte atividade comercial, com 36 pedidos firmes e 30 direitos ou opções de compra para a família E2. No período, o Grupo Abra realizou um pedido firme de 20 aeronaves E195-E2, além de 10 opções e 15 direitos de compra – elevando o potencial total da encomenda para até 45 aeronaves.

A Binter encomendou 5 aeronaves E195-E2 adicionais e assegurou 4 novos direitos de compra. A Luxair converteu 3 direitos de compra de E190-E2 em pedidos firmes e assegurou 1 direito de compra adicional – elevando o total de sua carteira de pedidos para 9 aeronaves. A ANA Holdings encomendou 8 aeronaves E190-E2 adicionais, ampliando o acordo anunciado em 2025 e elevando o total de pedidos firmes para 23 aeronaves.

No acumulado do ano, a Embraer recebeu 72 pedidos firmes para os jatos da família E2 – contribuindo para um índice de vendas por receita de 1,2x na Aviação Comercial nos últimos 12 meses.

A Aviação Executiva registrou carteira de pedidos recorde de US$8,2 bilhões, 5% acima do 2T26 e 12% maior na comparação anual. Durante o 3T26, a Embraer lançou o Phenom 300EV – mais recente evolução do jato leve mais entregue do mundo por 14 anos consecutivos. O modelo incorpora novas tecnologias desenvolvidas para aprimorar a segurança operacional, incluindo o Garmin Emergency Autoland, que permite pousos automatizados em situações de emergência.

Ao receber a tripla certificação de ANAC, FAA e EASA, este se tornou o primeiro jato leve certificado com a tecnologia. Ainda no período, foi entregue o primeiro Praetor 600E à Flexjet. A nova geração da aeronave, assim como o Praetor 500E no segmento de jatos médios, também recebeu tripla certificação. A Aviação Executiva encerrou o trimestre com índice de vendas por receita de 1,4x nos últimos 12 meses.

Na unidade de Defesa & Segurança, a carteira de pedidos atingiu US$6,1 bilhões no 3T26, ligeiramente superior em relação ao trimestre anterior e 56% maior na comparação anual. O principal destaque do período foi a assinatura do contrato para a aquisição de 2 KC-390 Millennium pela Força Aeroespacial Colombiana (FAC). O pedido amplia os mercados da aeronave na América Latina e reforça sua crescente presença internacional.

Atualmente, Defesa & Segurança tem 43 pedidos firmes para as aeronaves de transporte militar KC‑390 Millennium e 25 pedidos firmes para a aeronave de ataque leve A‑29 Super Tucano – resultando em um índice de vendas por receita de 2,9x nos últimos 12 meses.

Em Serviços & Suporte, a carteira de pedidos alcançou o nível recorde de US$5,6 bilhões, com crescimento de 2% em relação ao trimestre anterior e 14% na comparação anual.

Durante o trimestre, foram anunciados novos contratos de longo prazo, incluindo os dedicados às frotas de 19 aeronaves E190 da Portugália e 40 aeronaves E190 da Alliance Airlines.

A Embraer também prorrogou a vigência do contrato do Programa Pool para a frota de 9 aeronaves ERJ 145 da Western Air. Em relação à Aviação Executiva, a divisão assinou 69 contratos do Executive Care, totalizando aproximadamente US$53 milhões.

No segmento de Defesa & Segurança, foi assinado novo contrato de suporte logístico e serviços para a frota de KC-390 Millennium da Força Aeroespacial Colombiana (FAC), renovado o contrato de Suporte Logístico Integrado (ILS) para a frota de A-29 Super Tucano da Força Aérea do Chile (FACH) e ampliado o escopo do contrato de meios de treinamento para a Suécia.

Serviços & Suporte encerrou o trimestre com índice de vendas por receita de 1,3x nos últimos 12 meses. Mais detalhes sobre a carteira de pedidos, assim como as entregas de aeronaves feitas no 3T26, podem ser consultados aqui.

Sobre a Embraer
A Embraer é uma empresa aeroespacial global com sede no Brasil. Fabrica aeronaves para a aviação comercial e executiva, defesa e segurança e clientes agrícolas. A empresa também fornece serviços e suporte pós-venda por meio de uma rede mundial de entidades próprias e agentes autorizados. Desde a sua fundação em 1969, a Embraer já entregou mais de 9.000 aeronaves. Em média, a cada 10 segundos, um avião fabricado pela Embraer decola de algum lugar no mundo, transportando mais de 150 milhões de passageiros por ano. A Embraer é líder na fabricação de jatos comerciais de até 150 assentos e é a principal exportadora de bens de alto valor agregado do Brasil. A empresa mantém unidades industriais, escritórios, centros de serviços e de distribuição de peças nas Américas, África, Ásia e Europa.

Fonte: Embraer

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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Dia do Aviador e da FAB


SEMANA DA ASA - 2026

 

Nesta Semana da Asa - idealizada pelo aviador Godofredo Vidal e viabilizada, em 1935, pela Comissão de Turismo Aéreo do Touring Club do Brasil - registramos, no texto e nas imagens de hoje, a importância do 23 de outubro, data especial na história da aviação.

23 de Outubro:
Dia do Aviador e da Força Aérea Brasileira


Celebra-se, em 23 de outubro, o Dia do Aviador e o Dia da Força Aérea Brasileira (FAB). A data reverencia os aviadores que cruzam os céus inspirados pelo pai da aviação, Alberto Santos-Dumont.

A data lembra o maior feito do brasileiro inventor, quando, em 1906, realizou o primeiro voo com uma aeronave mais pesada que o ar, capaz de se mover e decolar por seus próprios meios mecânicos e voar aproveitando as forças aerodinâmicas.

A bordo do avião 14-Bis, Dumont decolou do campo Bagatelle, na França, marcando a evolução nos meios de transporte. Naquele 23 de outubro de 1906, o brasileiro percorreu 60 metros em sete segundos, voando a uma altura de dois metros do solo, perante mais de mil espectadores e da Comissão Oficial do Aeroclube da França.

Como diz o lema do NINJA (Núcleo Infantojuvenil de Aviação), “Voar é um desejo que começa em criança!”. Assim, 120 anos depois da proeza de Santos Dumont, muitos meninos e meninas seguem sonhando em atuar nas muitas possibilidades do setor aeronáutico. E, quando adultos, tornarem o sonho realidade através de uma ampla variedade de oportunidades civis e militares.

Aviadores civis

Os aviadores do meio civil – que garantem o segmento econômico do transporte aéreo - começam suas carreiras em monomotores a pistão, voando nas escolas de aviação, como as mantidas por aeroclubes, empregando, principalmente, aeronaves como o Aeroboero, Paulistinha e Cessna 150.

Uma boa parte desse contingente ingressa, posteriormente, na aviação executiva ou em empresas comerciais, pilotando grandes jatos com capacidade de transporte para dezenas ou centenas de passageiros.

Noutra vertente, entusiastas mantém a mesma chama como aviadores, voando profissional, desportiva ou particularmente em aviões menores, incluindo aeronaves de fábricas renomadas ou de construção experimental, como os ultraleves convencionais ou pendulares (trikes) e girocópteros.

Aviadores militares

Os aviadores do segmento militar iniciam suas carreiras na Academia da Força Aérea – em Pirassununga (SP) - ou nos centros de instrução da Marinha – em São Pedro da Aldeia (RJ) - e do Exército – em Taubaté (SP).


Depois de formados, os pilotos militares atuam nas Aviações de Caça, de Transporte, de Asas Rotativas e de IVR (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento). 


Na Força Aérea Brasileira e nas aviações Naval e do Exército, o primeiro contato com a prática de pilotagem representa a consolidação dos esforços de muitas gerações de profissionais que tornaram a aviação militar brasileira respeitada e admirada em todo o mundo. 

Esquadrilha da Fumaça

Comemorando a data, anualmente, é tradição a realização de manobras do Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), mais conhecido como Esquadrilha da Fumaça. E, também, o sobrevoo de recentes aeronaves da Força Aérea Brasileira, como o avião de caça F-39 Gripen.

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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Embraer


SEMANA DA ASA - 2026

 

Alliance Airlines e Embraer renovam parceria para excelência em serviços à frota de E190
A Embraer e a Alliance Airlines ampliaram sua parceria com a renovação do Acordo de Suporte a Componentes, reforçando o desempenho, a confiabilidade e a disponibilidade da maior frota de jatos E190 da Austrália. O acordo oferece à Alliance Airlines uma solução de reparo que contribui para a confiabilidade operacional da companhia e para a eficiência dos custos de manutenção. A companhia aérea opera jatos E190 desde 2021.

“Os E-Jets da Alliance Airlines têm sido fundamentais para ampliar a conectividade regional na Austrália”, afirma Carlos Naufel, Presidente e CEO da Embraer Serviços & Suporte. “À medida que a companhia aérea cresce, seguimos comprometidos em oferecer as soluções de manutenção, a experiência e o suporte necessários para manter os E190 operando todos os dias com o mais alto nível de desempenho.”

A Austrália é um dos mercados mais importantes da Embraer na região Ásia-Pacífico. Desde a entrega de sua primeira aeronave no país, em 1978, a Embraer vem desempenhando um papel fundamental no apoio à conectividade regional na Austrália. Atualmente, cerca de 70 E-Jets são operados por seis companhias australianas, atendendo a rotas regionais e apoiando operações essenciais de transporte aéreo em regime Fly-in Fly-out (FIFO), nos setores de mineração e recursos naturais do país.

A frota em expansão conta com o apoio da extensa rede de serviços e suporte da Embraer, que oferece um amplo leque de soluções de manutenção e expertise técnica para contribuir com a confiabilidade, disponibilidade e desempenho dos E-Jets em toda a Austrália.

Fonte: Embraer

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