Voar é um desejo que começa em criança!

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Portões Abertos DCTA 2017

Festa aeronáutica, em São José dos Campos (SP), neste sábado, 19

FAB

Reestruturação da FAB

Para divulgar as transformações pelas quais está passando durante sua Reestruturação, a Força Aérea Brasileira (FAB) tem utilizado diversos meios, como página especial, jornal Notaer, revista Aerovisão e reportagens no site oficial. O vídeo institucional acima - outra ferramenta que ajuda a explicar essas ações - apresenta, de maneira simples e objetiva, as mudanças na instituição. Confira!

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Tráfego Aéreo

CINDACTA II se prepara para ativar novas rotas no Sul do país
O Segundo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA II) iniciou, dia 07 de agosto de 2017, o treinamento de controladores de tráfego aéreo para a implementação do conceito de Navegação Baseada em Performance (PBN) na Região Sul. A capacitação acontece até outubro, nos Laboratórios de Simulação do Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA), em São José dos Campos (SP). Participam controladores de Tráfego Aéreo dos Centros de Controle de Aérea de Curitiba e Brasília (ACC-CW e ACC-BS) e dos Controles de Aproximação (APP) de Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Foz do Iguaçu e São Paulo.

PBN-Sul
O Projeto PBN-SUL é parte do Programa SIRIUS, que contempla uma série de empreendimentos, gerenciados pelo DECEA, para a implantação do conceito operacional de gerenciamento de tráfego aéreo (ATM) no Brasil. O PBN-Sul, como é popularmente chamado, é o projeto para Otimização da Estrutura da Rede de Rotas ATS (sigla de Air Traffic Services ou Serviços de Tráfego Aéreo) e Implementação Operacional da Navegação Baseada em Performance em Área de Controle Terminal. Com o empreendimento, a Região Sul poderá ser beneficiada com a implantação de uma nova concepção de espaço aéreo. O resultado esperado é o aumento da capacidade de espaço aéreo e de controle, incremento da eficiência e segurança das operações aéreas e maior acessibilidade aos aeródromos. As modernas técnicas de elaboração de procedimentos de navegação aérea têm a finalidade de estabelecer rotas mais diretas com a consequente diminuição do consumo de combustível e emissão de CO². A previsão é de que passem por treinamento mais de 300 controladores, com simulações de rotas e procedimentos de navegação na nova configuração do espaço aéreo. É uma das maiores concentrações de controladores de trafego aéreo na história do ICEA, para o treinamento de modo integrado com todos os órgãos de controle da Região Sul. Desde 2014, o CINDACTA 2 vem trabalhando com o DECEA para a implantação do PBN-SUL. Na fase final, estão sendo realizadas palestras de divulgação, treinamento teórico e prático, elaboração e atualização de cartas de acordo operacional, avaliação da implantação com relação à segurança operacional e para a integração dos sistemas radar e de enlaces de radiocomunicações ar-terra e terra-terra. A conclusão está prevista para o mês de outubro, quando entra em vigor a reconfiguração do espaço aéreo para a Região Sul do Brasil.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social (ASCOM) do DECEA

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Aviação Experimental

Construindo o próprio avião
É um fato pouco conhecido do grande público, mas a Construção Aeronáutica Amadora já é uma realidade consolidada no Brasil. Poucos sabem, mas o Brasil ocupa o 3º ou 4º lugar em número de aeronaves amadoras construídas ou em construção. À frente encontram-se os Estados Unidos e a França. Não há dados confiáveis para saber se é a Inglaterra ou o Brasil que ocupa a 3ª posição. Alguns veteranos da Construção Aeronáutica Amadora dizem que se você é capaz de abrir uma lata de conserva com um abridor, você é capaz de construir um avião. Não chegamos a tanto, mas se você é ou já foi um aeromodelista, já praticou marcenaria, é um mecânico profissional ou amador capaz de desmontar ou montar um motor ou câmbio de Fusca, então, com certeza você têm as habilidades básicas necessárias para construir o seu avião. E se ainda não desenvolveu nenhuma destas atividades, mas é uma pessoa caprichosa e habilidosa com as mãos, que conserta ferro de passar roupa, máquina de lavar, faz uma gaveta ou um pequeno móvel, daqueles que todos admiram, então você também tem o básico necessário. E se ainda não fez nada disso, mas tem vontade e determinação para aprender, certamente obterá a qualificação necessária.

Construtor amador
Também não precisa ser um milionário; na verdade a grande maioria dos construtores amadores é constituída de pessoas de posses limitadas que querem voar em seu avião. É possível construir aviões mais simples com um gasto a partir de R$ 25.000,00. Os dois únicos ingredientes realmente importantes e necessários para ser um construtor aeronáutico amador são gostar muito de aviação e ser uma pessoa determinada. O resto se aprende com amigos, em livros e revistas, na ABRAEX e fazendo. Um outro aspecto a destacar é que o avião construído por você estará totalmente dentro da lei, desde que seguidas as regras determinadas, que não têm nada de absurdo e só visam a sua segurança e a de seus futuros passageiros. Você não precisará voar 'escondido', fugindo das autoridades. Você poderá operar em aeródromos homologados, sem maiores problemas. A única coisa que não poderá fazer á transportar passageiros ou carga cobrando pelo serviço. Isto implica em não poder dar ou receber instrução no avião, em base comercial. Mas, supondo que queira usar seu avião para seu transporte pessoal a trabalho, como um vendedor ou um fazendeiro, por exemplo, poderá fazê-lo sem qualquer obstáculo. A ABRAEX existe para apoiar e incentivar aqueles que desejam construir seu próprio avião.

Texto: Associação Brasileira de Aviação Experimental (ABRAEX).

Saiba mais: www.abraex.com.br

terça-feira, 15 de agosto de 2017

De pai para filho

Pai e filho militares da FAB trabalhando juntos
Dos painéis da Torre de Controle nasceu a paixão do 3º Sargento Claiton Ferreira Vasconcelos Júnior pela profissão herdada do pai. Ele é filho do Suboficial Claiton Ferreira Vasconcelos, há 20 anos também controlador de tráfego aéreo da Força Aérea Brasileira. Este ano, os dois passaram o Dia dos Pais trabalhando como colegas de profissão, lado a lado, na Torre de Controle do Aeroporto de Brasília, e no Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Brasília (DTCEA-BR).

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Vestibular do ITA

ITA abre inscrições para o vestibular 2018
O ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) abriu as inscrições para o vestibular 2018. A taxa cobrada é de R$ 140 e os candidatos têm até o dia 15 de setembro de 2017 para efetuar o cadastramento, que tem de ser feito somente pela internet. Os interessados precisam estar atentos a um detalhe: só podem se inscrever os jovens que tenham até 23 anos de idade no dia 31 de dezembro d e 2017. O processo seletivo do ITA para o ano que vem oferece 110 vagas, sendo que 25 são as chamadas vagas privativas – ou seja, reservadas aos candidatos que tenham interesse em ingressar na carreira militar no Quadro de Oficiais Engenheiros da Ativa da FAB (Força Aérea Brasileira). As demais oportunidades são para os estudantes que não pretendem integrar o quadro da FAB. A organização alerta que durante a realização do curso, por se tratar de vagas privativas, o aluno que ocupar vagas destinadas ao Quadro de Oficiais Engenheiros da Ativa da FAB e desistir da carreira militar será, no ato da desistência, desligado da instituição e, consequentemente, da Aeronáutica, sendo obrigado, inclusive, a indenizar o Comando da Aeronáutica pelas despesas realizadas consigo durante o curso.

Cursos
O curso de graduação em Engenharia oferecido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica tem duração de cinco anos. Nos dois primeiros anos, o aluno será submetido ao Curso Fundamental, comum a todos os estudantes da instituição. Nos últimos três anos, o aluno irá cursar o Curso Profissional, que é específico para cada especialidade da Engenharia. São elas: Aeroespacial, Aeronáutica, Civil-Aeronáutica, de Computação, Eletrônica e Mecânica-Aeronáutica. As provas para o processo seletivo 2018 serão aplicadas entre os dias 12 e 15 de dezembro de 2017, sempre das 8h ao meio-dia. O primeiro exame, do dia 12, é de Física. No dia 13 de dezembro será aplicada a prova de línguas. Para o exame de Português, é recomendável que o candidato leia as seguintes obras: “Senhora”, de José de Alencar; “Quincas Borba”, de Machado de Assis; “São Bernardo”, de Graciliano Ramos. Também haverá prova de Inglês, além de uma redação, na qual o participante não poderá zerar.Os gabaritos das questões de múltipla escolha serão divulgados no dia 20 de dezembro. Os candidatos poderão acessar a sua classificação e notas finais no período de 3 de janeiro a 2 de março de 2018, na página da instituição na internet.

domingo, 13 de agosto de 2017

Especial de Domingo

A vocação brasileira para a conquista dos ares é inegável.
Hoje, voltamos a publicar conteúdo sobre os esforços do cearense Antônio Henrique da Justa que, no final do século XIX, defendia investimentos para a construção de um helicóptero que projetou.
Uma pequena homenagem do Núcleo Infantojuvenil de Aviação - NINJA - à inteligência e criatividade de nossa gente.
Boa leitura.
Bom domingo!

AEROSCAPHO: O PROJETO DE UM HELICÓPTERO

Antônio Henrique da Justa nasceu em Pacatuba, Ceará, em 1874. Filho de uma família de parcos recursos, Justa foi um autodidata. Em 1894, tornou-se escriturário da Secretaria da Fazenda do Ceará. Durante cinco longos anos, reuniu recursos para custear a publicação de um folheto denominado "Navegação aérea", em que apresenta o projeto de um helicóptero. Na obra, Henrique da Justa demonstrava conhecimento das experiências aeronáuticas que se realizavam em todo o mundo e procurava afastar de seu trabalho qualquer conotação quixotesca:

"Há muito que o homem procura viajar nos ares...a inumerável coleção de máquinas de todo gênero e de toda espécie, a efervescência do pensamento e todos os projetos que dia a dia aparecem, alguns levados a efeito, outros não passando de cabeça imaginativa de seus autores apenas engrossam o contingente da luta. Parece que em nenhuma outra causa se empenhou mais a humanidade".


Na primeira parte do trabalho, Justa expõe as duas tendências em que se dividiam os pesquisadores aeronáuticos: de um lado, os adeptos dos aparelhos mais leves do que o ar, os balões e dirigíveis, e, de outro, aqueles para quem o futuro da aeronáutica encontrava-se no desenvolvimento dos aparelhos mais pesados do que o ar. Justa descrevia as experiências de Langley sobre o Rio Potomac, nos Estados Unidos, e as mal sucedidas tentativas de Ader na França, argumentando que, apesar dos insucessos das experiências aeronáuticas até então realizadas, os governos dos dois países estavam convencidos da exequibilidade da navegação aérea. Citava o caso da Comissão Americana de Artilharia e Fortificações, que havia decidido consagrar a soma de 125 mil francos à pesquisa e desenvolvimento de um aparelho voador capaz de reconhecer posições inimigas e desempenhar funções ofensivas.


A pesquisa seria comandada por um general norte-americano, sob a direção técnica de Langley, que, mesmo depois do insucesso de suas experiências sobre o Rio Potomac, continuava a merecer a confiança do governo e das forças armadas de seu país.


A ideia do helicóptero remonta ao século XV e foi formulada por Leonardo da Vinci. Posteriormente, diversos inventores tentaram desenvolvê-la, sem sucesso. Em 1845, Cossus projetou um aparelho movido a vapor que, no entanto, não conseguiu elevar-se do solo em função do peso excessivo do propulsor. Em 1878, Castel projetou e construiu outro aparelho que, durante a primeira experiência, chocou-se com um muro, sem conseguir voar ou manter-se no ar. No mesmo ano, Forlani projetou um aparelho que elevou-se a 13 metros de altura, sem, no entanto, lograr voar. Na opinião de Justa, o helicóptero vinha sendo abandonado pelos pesquisadores aeronáuticos, não obstante constituir-se numa máquina de concepção superior a todas as outras :

"Como conceber uma máquina aérea à perfeição? Devendo partir simplesmente de seu pouso sem necessidade de carreira horizontal iniciante sobre o solo, desprezando estações inconvenientes e elevando-se no ar calmamente em moderado movimento ascensional, como se fosse um balão, depois orientando-se e tomando a direção destinada, finalmente podendo voltar e pousar com a mesma facilidade com que partiu. Não ter-se-ia que preparar terrenos, nem usar de meios de lançamentos...O helicóptero seria a máquina voadora por excelência se não estivesse no estado de abandono em que parece achar-se...seria a máquina ideal se depois de abandonar o solo pudesse se converter em um aeroplano, voltando novamente a seu tipo no momento do pouso”.


O helicóptero de Justa seria um aparelho composto de um conjunto tubular leve, de aço e alumínio, formado um estrutura retangular. O aparelho seria movido por um grupo propulsor de dois motores à explosão, alimentados por álcool ou derivados de petróleo. Os motores acionariam, as quatro turbinas por ar comprimido que, por sua vez, transmitiram força para quatro hélices dispostas nas extremidades da aeronave, juntamente com as turbinas. O ar comprimido chegaria às turbinas através da própria tubulação que comporia a estrutura do aparelho que, por sua vez, seria isolada termicamente com tecido de lã para evitar que o ar quente em seu interior se resfriasse em contato com a atmosfera. Os comandos estariam concentrados numa cabine, solidária com a estrutura e disposta no centro da aeronave. Seriam acionados por eletricidade ou pelo próprio ar comprimido que movimentaria as turbinas. Um pequeno dínamo movido pelos motores a explosão garantiria luz interna e energia para o farol externo, que seria empregado em operações noturnas. O Aeroscapho seria capaz de pousar e decolar na vertical e voar na horizontal. Suas hélices seriam dotados de passo variável, de forma a oferecer propulsão horizontal a aeronave. O grupo propulsor totaliza 366 cavalos, suficientes, segundo os cálculos de Justa, para elevar os 432 quilos do aparelho vazio, além do piloto e combustível. A força ascensional total seria da ordem de 840 quilos. A concepção do Aeroscapho apresentava uma série de ideias originais, todas elas empregadas, posteriormente, na construção de helicópteros e aviões, tais como: a concepção de um sistema motor composto e motores e turbinas, a ideia da aplicação de álcool à navegação aérea, um combustível nacional, a hélice de passo variável, a concepção de uma cabine fechada, a aplicação de materiais metálicos, a idéia de voo noturno. O projeto revelava bases técnicas consistentes. Era mais do que a vontade subjetiva de um inventor. Henrique da Justa ressalvava que os cálculos apresentados apenas visavam demonstrar a viabilidade da ideia e que a construção efetiva do aparelho dependia de estudos complementares, que , por sua vez, dependiam de recursos de que ele não dispunha. A publicação do folheto era parte de um esforço para obtê-los:


“Intento propugnar por uma causa de progresso que, atualmente, preocupa a atenção da ciência, da civilização, dos governos e países modernos. Tenho convicção de que não trato de uma quimera”.


Afastando de si a sombra de extravagância que se projetava sobre os inventores brasileiros do século XIX, Justa pedia a atenção do governo, ao mesmo tempo em que vaticinava:


“A indiferença da França sobre as descobertas do vapor fê-la perder uma esplêndida página na história humana”.


O inventor encaminhou seu pedido ao Ministério da Guerra. Mas os militares não se sensibilizaram com o projeto. Sem recursos, construiu apenas um modelo em escala do aparelho. Em 1909, tomado por uma crise depressiva, Antônio Henrique da Justa suicidou-se aos 35 anos de idade.

Romeu Corsini (foto acima), saudoso brasileiro, competente engenheiro, autor de vários projetos de aeronaves, disse que o Aeroscapho poderia ter voado, se tivesse chegado a ser construído. 

Em Valentigney, Suíça, a 2 de outubro de 1921, Etienne Oehmichen fez voar um helicóptero cuja concepção era muito próxima da imaginada por Justa. Era um helicóptero dotado de quatro rotores, de estrutura tubular, cujas hélices estavam dispostas nas extremidades do aparelho. O sistema de transmissão era mais comum do que aquele concebido por Justa: uma árvore central recebia a força do motor e a transmitia para as hélices através de correias.
Justa não havia tratado de quimeras.

Fonte: Vencendo o Azul

sábado, 12 de agosto de 2017

Ciência e Tecnologia

Royalties garantem investimento na área de ciência e tecnologia da FAB
Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial firmou acordo com instituições públicas da área  

Um convênio assinado, em 9 de agosto de 2017, entre o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e a Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (FUNCATE) prevê a captação de recursos de royalties do caça A-29 para área de ciência e tecnologia, conforme a Lei nº 13.243/16. O acordo representa um marco inédito na gestão de ciência, tecnologia e inovação na FAB, pois, pela primeira vez, será prevista a captação de recursos de uma aeronave militar brasileira para esse fim. Conhecido como marco legal de inovação, a Lei 13.243/16 prevê a captação, gestão e aplicação das receitas próprias das Instituições de Ciência e Tecnologia (ICT) públicas que poderão ser delegadas à fundação de apoio, quando previsto em contrato ou convênio. Nesse caso, o investimento deve ser aplicado exclusivamente em objetivos institucionais de pesquisa, desenvolvimento e inovação, incluindo a carteira de projetos institucionais e a gestão da política de inovação. Segundo o Vice-Diretor do DCTA, Major-Brigadeiro Engenheiro Fernando Cesar Pereira Santos, esse convênio “estabelece um passo importante para novos projetos junto à iniciativa privada”. Nesta mesma ocasião, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) também assinou um convênio que tratará do primeiro projeto de aplicação dos recursos captados no novo modelo: o Projeto de Modernização do Ensino de Engenharia no ITA. Segundo o Reitor do Instituto, Professor Anderson Ribeiro Correia, “essa iniciativa pode colaborar nas melhorias de mecanismos de gestão das universidades”. Ao término das assinaturas e parcerias firmadas, o Consultor Jurídico do Comando da Aeronáutica (COMAER), Dr. Romilson Volotão, falou da importância de firmar essas parcerias. “Destaco o pioneirismo desse tipo de capitalização de recurso privado e a coragem em criar um modelo inédito no país”, concluiu.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Portões Abertos DCTA 2017

Show Aéreo no DCTA, em São José dos Campos (SP), dia 19 de agosto
video
Com apresentação da Esquadrilha da Fumaça, às 16 horas, exposição de aviões, shows aéreos, atividades para crianças e área de alimentação, a partir das 9 horas, ocorrerá dia 19 de agosto, sábado, o Portões Abertos do DCTA 2017. O evento será no aeroporto de São José dos Campos (SP), com entrada pela avenida brigadeiro Faria Lima, no acesso ao MAB – Memorial Aeroespacial Brasileiro, próximo à Embraer. Entre as várias atrações estará o cargueiro KC-390, o mais pesado avião já construído no Brasil. A entrada é franca.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Helibras

Certificação do helicóptero H225M para operação naval
A Helibras realizou em suas instalações em Itajubá (MG) o segundo voo da campanha de certificação do H225M na versão Operacional Naval. O evento contou com a presença da Autoridade certificadora, o Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), bem como os profissionais da Helibras. Dentro do escopo analisado pela autoridade certificadora, foi avaliada a integração do sistema de mísseis AM-39, feita pela Helibras, a qualidade do voo e o desempenho da aeronave com o armamento instalado. Outros aspectos do Sistema do Naval (NTDMS) serão avaliados em breve para continuidade da certificação completa da aeronave. Durante o evento, foram feitas simulação de disparos do míssil AM-39, utilizando o Sistema Tático de Missão Naval. “Concluímos mais uma etapa importante no processo de certificação desta versão. Novos voos serão realizados no mês de agosto, desta vez para avaliar outros sistemas presentes na versão Operacional da Marinha”, explica o presidente da Helibras, Richard Marelli. A aeronave BRA-005 será o primeiro H225M em versão operacional a ser entregue para a Marinha em 2018. O helicóptero faz parte do contrato de aquisição de 50 aeronaves H225M do programa H-XBR, adquiridas pelo Ministério da Defesa para uso das Forças Armadas Brasileiras, que estão sendo produzidas pela Helibras no Brasil, a partir da transferência de tecnologia e de conhecimento que vem ocorrendo desde 2010.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Pesquisa

FAB cria Rede de bibliotecas integradas da Aeronáutica


A Rede BIA interliga 27 Bibliotecas do Comando da Aeronáutica, disponibilizando o material bibliográfico para pesquisas



A Força Aérea Brasileira (FAB) está disponibilizando todo o acervo das bibliotecas da Aeronáutica em um portal com busca simultânea, que pode ser acessado por meio da intraer ou da internet, inclusive pelo celular. A Rede de Bibliotecas Integradas da Aeronáutica (BIA) possui diversos materiais, como periódicos, livros, teses, dissertações e artigos produzidos pelas Organizações Militares do Comando da Aeronáutica (COMAER). A Rede Bia tem por objetivo a integração das Bibliotecas do COMAER, possibilitando o compartilhamento de informações que propiciarão o crescimento intelectual dos usuários com a criação de uma Biblioteca Digital. No total, são 27 bibliotecas interligadas, permitindo assim a sinergia nas atividades de Biblioteconomia. “Uma pessoa que precisa de algum estudo realizado pela FAB, seja dissertações de mestrado, teses ou livros pode acessar em qualquer canto do país, via pdf, tendo em vista que esses materiais se encontram disponíveis no sistema e, caso só exista em meio físico, poderão ser enviados para o solicitante”, explica a Tenente Bibliotecária Cíntia Lima. A Rede é dividida em três áreas: a técnica, com o acervo especializado do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA); a de ensino, com o acervo acadêmico da Diretoria de Ensino (DIRENS) e, por fim, a de pesquisa, com o acervo tecnológico do Departamento de Ciência e Tecnologia da Aeronáutica (DCTA). A área da DIRENS, por exemplo, inclui as Bibliotecas da Academia da Força Aérea (AFA), da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR), da Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAR), do Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica (CIAAR) e da Universidade da Força Aérea (UNIFA). O acesso pode ser feito por meio do portal intraer (no endereço redebia.intraer ou no cendoc.intraer) e também pela internet (www.redebia.aer.mil.br).

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Honda AircraftCompany

Hondajet fará tour pelo Brasil
Além de participar da Labace, maior feira de aviação executiva da América Latina, o jato passará por várias cidades brasileiras

O Hondajet, primeira aeronave executiva da Honda AircraftCompany, fará um tour de demonstração para clientes brasileiros. Organizado pela Líder Aviação, representante exclusiva do jato no Brasil, o tour passará pelas cinco regiões do país. A programação inclui exposição estática da aeronave, das 9h às 17h, e voos de demonstração previamente agendados com clientes. Produzido em Greensboro, nos Estados Unidos, o HondaJet estará no Brasil para participar da Labace, maior feira de aviação da América Latina, que será realizada entre 15 e 17 de agosto, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. “Desde que fez sua primeira aparição no Brasil, em 2015, o HondaJet tem despertado um grande interesse em clientes e amantes da aviação. Isso nos levou a ampliar a programação da aeronave no país, de forma a contemplar a demanda do mercado brasileiro, onde o jato tem sido recebido de forma muito positiva”, destaca Philipe Figueiredo, diretor de vendas de aeronaves da Líder Aviação.

Na Labace
Quem estiver em São Paulo e quiser conhecer o Hondajetpode visitar a Labace. O evento, organizado pela Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag),será nos dias 15, 16 e 17 de agosto, no aeroporto de Congonhas, na capital paulista. De acordo com os organizadores, no ano passado foram expostas 41 aeronaves e o público total chegou a 9 mil visitantes.

Sobre a Líder Aviação - É a maior empresa de aviação executiva da América Latina. Fundada há 59 anos, conta com 1.400 colaboradores e uma frota de mais de 70 aeronaves. Com 21 bases operacionais, nos principais aeroportos brasileiros, a empresa atua em cinco unidades de negócio: fretamento e gerenciamento de aeronaves; vendas de aeronaves; manutenção; atendimento aeroportuário e operações de helicópteros. A Líder também oferece serviços de corretagem de seguro aeronáutico, treinamentos em simulador de voo e reparos em pás de helicópteros.


Fonte: Hipertexto Comunicação Empresarial

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Museus

Ganha força novo Museu de Aeronáutica no Campo de Marte
O Comando da Aeronáutica, por intermédio do Ministério da Defesa, estabelece um protocolo de intenções com a Prefeitura de São Paulo para a criação de um parque público e de um museu aeroespacial no Campo de Marte. A formalização do protocolo prevê a cessão de uso de uma área a ser destinada ao uso público. O espaço tem cerca de 400 mil metros quadrados e corresponde a 20% da área total do Campo de Marte. “O grande propósito, neste acordo com a Prefeitura de São Paulo, é o de usar essa área para o bem social. Por isso, o Comando da Aeronáutica sempre se mostrou favorável à cessão de uso com um produtivo encargo em contrapartida. Assim, o município edifica para a sociedade um museu aeroespacial."

Museu para a cidade
“Não é um museu da FAB, nem de empresa pública ou particular. É um museu para a cidade, para o estado e para o país, gerando emprego e capacidades, assim como o novo parque, um dos maiores da região metropolitana", explicou o Chefe do Gabinete do Comandante da Aeronáutica, Major-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno. A expectativa é de que o parque possa ser utilizado para atividades esportivas, culturais e de recreação, além de receber a visita de moradores e turistas. Com cerca de 30 mil metros quadrados, o museu deverá contar com um grande acervo de aviões, fotos, publicações e relíquias da história da indústria e de personagens da aviação brasileira. A previsão é de que a partir da assinatura do protocolo em, no máximo, 90 dias, haja a formalização do termo de cessão da área e o lançamento das pedras fundamentais do parque e do museu. Há expectativa para absorção de boa parte do acervo atual do Museu TAM, em São Carlos (SP), que se encontra fechado para visitação. O novo museu no Campo de Marte terá edifício no formato do avião 14-bis de Santos Dumont.

Saiba mais: Blog do NINJA de 05/11/2015 

domingo, 6 de agosto de 2017

Especial de Domingo

Do excelente acervo do INCAER - Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica, selecionamos - novamente - texto do Cel Av R1 Manuel Bezerra Barreto Reale sobre o brasileiro precursor da aeronáutica, Padre Bartolomeu de Gusmão.
História que sempre revisitamos no Blog do NINJA.
Boa leitura.
Bom domingo!

Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão
O Sacerdote que sonhava voar


Na coleção de vultos que se destacam na História Universal das Ciências e das glórias nacionais, um nome assume um primacial relevo: Bartolomeu Lourenço de Gusmão. Bartolomeu viveu numa época em que as novas idéias eram muito incompreendidas e o mundo estava mergulhado nas trevas da Inquisição. Seria Bartolomeu de Gusmão, como é mais conhecido, somente um sacerdote ou um inventor? Hoje temos certeza de que foi muito mais que isso. Foi, antes de tudo, um visionário, um homem que, apesar de todas as pressões sofridas, foi um transgressor dos limites de seu tempo, indo muito mais além da imaginação dominante na época. Dedicado aos estudos, tanto o de natureza humana quanto o das necessidades físicas do momento, foi um sonhador. Via nos céus, ao mesmo tempo, a liberdade da sua imaginação visionária e aquela do homem que, despegado de suas raízes terrenas, poderia ascender, por meio de um engenho, ao firmamento, para vislumbrar o horizonte infinito. Possuidor de uma vasta cultura para o ambiente que reinava em Portugal na época era também poliglota, pois como fala Diogo Barbosa Machado: “Foi versado nas línguas principais, sabendo com pureza a Latina, falando com promptidão a Francesa, e a Italiana, e tinha grande inteligência da Grega, e Hebraica”. Incompreendido no seu tempo, ele foi acusado várias vezes de feiticeiro por alguns e satirizado por poetaços de valor duvidoso. Nesse mar de incompreensão, de crendices e de ignorância viveu até ao fim de seus dias Assim, por intermédio dessa sintética visão de sua vida poderemos exaltar e engrandecer os feitos desse brasileiro, pouco conhecido por nós, e apadrinhado pelos portugueses, como o homem que vislumbrou os ares como um meio de navegação e de observação da Terra e que deu aos homens o “insite” do domínio do ar.

Sua Infância
Bartolomeu nasceu na Vila de Santos, em dia ignoto do ano de 1685, tendo sido batizado numa Igreja Paroquial numa segunda-feira, 19 de dezembro de 1685. Como naquela época havia uma profundíssima fé, era comum que os recém-nascidos fossem logo batizados. Portanto, ele deve ter nascido, porventura, nesse mesmo dia, ou na véspera, ou, quando muito, na semana anterior, permanecendo até hoje essa indefinição. Nasceu num prédio que existiu na antiga Rua Santo Antonio, hoje Rua do Comércio, sendo o quarto de 12 filhos de Francisco Lourenço ou Francisco Lourenço Rodrigues, cirurgião-mor do presídio da então Vila de Santos, e de Dona Maria Álvares. Possuidor de profundas raízes brasileiras, conforme revela Pedro Taques, em sua “Nobiliarchia Paulistana”, descendia, por linha materna, de uma tetravó paulista, sendo também paulistas sua mãe, a avó, a bisavó e a trisavó, e, quanto à linha paterna, não se alcançou mais de duas gerações radicadas no Brasil. Torna-se, assim, o primeiro filho das terras do Novo Mundo cujo nome é cercado do mais alto realce, e inserido nas tábuas da História das Ciências. Muito se discutiu sobre o verdadeiro nome do Padre voador, pois ele utilizou e assinou várias vezes com nomes diferentes, embora todos convergissem para o utilizado nos últimos anos de sua vida. Bartolomeu assim se subscrevia: o nome de batismo Bertholameu Lourenço, com que assina os “Autos de Greve et Morisus”, conservados no Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo; em seguida, o de Bartolomeu Lourenço, como está na sua famosa “Petição”; e, provavelmente, nos últimos anos de sua existência, em homenagem ao seu amigo e protetor Alexandre de Gusmão, aditou o nome de Gusmão. Pouco se sabe sobre a infância de Bartolomeu. Provavelmente cursou as primeiras letras na própria Capitania de São Vicente, no Colégio São Miguel, então o único estabelecimento educacional da região. Prosseguiu seus estudos na Capitania da Bahia, ingressando no Seminário de Belém, em Cachoeira, uma pequena povoação no Recôncavo Baiano, encravada no Vale do Rio Paraguaçu, onde seu profícuo espírito de inventor teria aflorado. No Seminário demonstrou raro talento para o estudo das Ciências e suas aplicações. Como manifestação de seu espírito ativo de transformar suas idéias em aplicações práticas, atua com rara inteligência numa deficiência que o Seminário sofria com a escassez de água para o serviço interno e para a alimentação. O Seminário, construído sobre um monte, ressentia-se de ter água para o seu consumo, tanto na alimentação como para os afazeres domésticos, tornando a comunidade totalmente dependente. Bartolomeu estudou o assunto e por meio de um cano e maquinismo fez subir ao convento a água de um brejo que ficava abaixo do nível do seminário 460 palmos, aproximadamente 101,20 metros. Ao término do curso no Seminário de Belém, em 1699, Bartolomeu retornou a Salvador, capital do Brasil à época, e ingressou na Companhia de Jesus, de onde saiu antes de se formar jesuíta, em 1701.

A Primeira Saída do Brasil
Viajou para Lisboa, onde chegou já famoso por sua memória extraordinária, ficando hospedado na casa do 3º Marquês de Fontes, que se impressionara com os dotes intelectuais do jovem. Contava ele então apenas 16 anos. Desde cedo evidenciou seu raro talento, uma cultura incontestável e uma portentosa capacidade de memorização. Nessa sua primeira ida a Portugal causou formidável impressão nos meios culturais lusitanos, por seu vasto leque de conhecimentos, e por sua personalidade, assim explicitada por Diogo Barbosa Machado, patriarca da bibliografia portuguesa:

“Sendo tão douto em várias ciências, nunca se lhe descobriu o menor sinal de vanglória; antes, sem afetação, era tão modesto no semblante como afável no gênio, parecendo muitas vezes a quem não o conhecia que não era depósito de tantos tesouros científicos.” 

Em 1702, Bartolomeu retornou ao Brasil, dando início ao processo de sua ordenação sacerdotal. Mais tarde, quando deixou o noviçado, ele pediu patente à Câmara da Bahia para o seu aparelho de anos atrás, o “invento para fazer subir água a toda a distância e altura que se quiser levar”. A Câmara concedeu o privilégio em 12 de dezembro de 1705. Em seguida, solicitou que o mesmo fosse estendido a todo o Estado do Brasil, o que foi concedido em 18 de novembro de 1706. Após esse processo, em 23 de março de 1707, ao requerimento foi dado despacho favorável pelo Rei D. João V. Foi essa a primeira patente de invenção outorgada a um brasileiro. A constatação da prodigiosa memória de Bartolomeu de Gusmão encontra-se num opúsculo inédito do Padre João Baptista de Castro, datado de 1766, e faz parte do Cod. CXII 12-14 da Biblioteca Pública de Évora: 

“Aprendendo eu filosofia no ano de 1715 com o rev. pe. Filippe Neri, da Congregação do Oratório, i fazer na casa da aula ao dr. Bartholomeu Lourenço de Gusmão, chamado o Voador, notáveis ostentações de memória local que pareciam exceder as forças humanas. Abria-se um livro de folha que ele nunca tinha lido; punha-se a ler duas ou quatro páginas de uma só vez, e as tornava a repetir fielmente; o que mais admirava era também repeti-las de baixo para cima. Foi um homem de grande esfera e que mereceu grandes aplausos nesta corte, mas malogrado.”

A Segunda Saída do Brasil e a Famosa “Petição”
Bartolomeu retorna a Portugal no fim de 1708 ou em 1709, data ainda imprecisa. Há relatos que afirmam sua matricula na Faculdade de Cânones da Universidade de Coimbra em dezembro de 1708. Como seu objetivo e sua pesquisa estavam voltados para a confecção do aeróstato, interrompe seus estudos e falta à última matrícula. Nesse ínterim concluiu seus estudos sobre sua grande invenção, que iria marcar essa época incontestavelmente e mostraria ao mundo a utilização do ar para benefício da Humanidade. Dirige a D. João V uma famosa petição, tendo Freire de Carvalho como primeiro a transcrever e que tem diversos apógrafos com variantes solicitando o privilégio para sua investigação, nos termos que se segue:

“Senhor. Diz o licenciado Bartholomeu Lourenço, que elle tem descoberto hum instrumento para andar pello ar, da mesma Sorte que pella terra, e pello mar, e com muito mais brevidade, fazendo se muitas Vezes duzentas, e mais legoas por dia no qual instrumento se poderão levar os avizos de mais importancia aos exercitos, e as terras muito remotas, quasi no mesmo tempo em que se resolverem, em que enteressa a Vossa Magestade muito mais do que nenhum dos outros Principes, pella Mayor distancia dos Seus dominios, evitandosse desta Sorte, os disgovernos das Conquistas, que procedam em grande parte de chegar muito mais tarde as noticias dellas a Vossa Magestade. Além do que poderá Vossa Magestade mandar vir o precioso dellas, muito mais brevemente e mais Seguro poderão os homens de negocio passar letra, e Cabedaes com a mesma brevidade, e todas as praças Citiadas poderão ser Socorridas, tanto de Gente, como de munições, e viveres a todo tempo e retirarem se dellas, todas as pessoas que quizerem. Sem que o inimigo o possa impedir; Discubrir se hão as Regiões que ficarão mais vizinhas aos Pollos do Mundo, sendo da Nação Portuguesa a gloria deste descobrimento que tantas vezes tem intentado inutilmente os estrangeiros; Saber se hão as Verdadeiras Longitudes de todo o Mundo, que por estarem erradas nos Mapas causão muitos Naufragios; Além de infinitas Conviniências que mostrará o tempo, e outras que por si são Notorias, que todas merecem a Real atenção de Vossa Magestade, porque deste invento tão Util Se podem Seguir Muytas discórdias, e facilitandosse e muito mais na confiança de Se poder passar Logo a outro Reyno, estando reduzido o dito Vso a huma só pessoa, a quem se mandem a todo o tempo as ordens que forem Convinientes, a Respeito do dito transporte, e prohibindosse a todas as mais, sob graves penas e he bem se Remunere ao Supplicante um invento de tanta importancia. Pede a Vossa Magestade Seja Servido Conceder ao Supplicante o privilegio de que pondo por obra o dito inventivo, nenhuma pessoa de qualquer qualidade possa Usar delle em nenhum tempo neste Reyno, e Suas Conquistas com quais quer pretextos, Sem licença do Supplicante ou de seus Herdeiros Sob pena de perdimento de todos seus bens (...).”

Como despacho à Resolução, segue o texto:

“Como parecer à Mesa: e além das penas, acrescento a de morte aos transgressores e para com mais vontade o Supplicante se aplicar ao novo instrumento, obrando os effeitos, que relata, lhe faço mercê da primeira Dignidade, que vagar em minhas Collegiadas de Barcelos, ou Santare, e de Lente de Prima de Mathematica na Minha Universidade de Coimbra, com seiscentos mil réis de renda, que crio de novo em vista do Supplicante somente. Lisboa, 17 de abril de 1709. Com rubrica de Sua Magestade.

As Experiências com Balões
Com o deferimento da sua Petição de Privilégio, e sempre protegido por D. João V, que reconhecia seu invulgar talento, resolve Bartolomeu realizar e tornar público seus experimentos. A leitura de documentos da época nos conduz a uma pequena síntese de que Bartolomeu construiu um aeróstato sem cubagem para criar força ascensional capaz de elevar um homem a luz do princípio de Arquimedes. Comprovadamente realizou quatro experimentos:

– Em 3 de agosto de 1709, quis fazer exame ou experiência, do invento de voar – para isso foi à casa que fica debaixo das embaixadas, na Sala de Audiências – que não surtiu efeito, sem que o balão se elevasse;

– Em 5 de agosto de 1709, na Sala das Embaixadas, com um meio globo de madeira delgado, e dentro trazia um globo de papel grosso, mantendo-lhe no fundo uma tigela com fogo material; o qual subiu 20 palmos e como o fogo ia bem aceso, começou a arder o papel subindo, sendo destruído pelos criados da Casa Real, receosos da propagação de um incêndio, assistindo a tudo Sua Majestade com toda a Casa Real e várias pessoas;

– Em 8 de agosto de 1709, no pátio da Casa da Índia diante de Sua Majestade e com muita fidalguia seu balão subiu suavemente à altura da sala das embaixadas e, do mesmo modo, desceu suavemente, caindo no Terreiro do Paço;

– Em 3 de outubro de 1709, no pátio da Casa da Índia, com o instrumento de voar que tendo, subido a bastante altura, desceu em seguida sem problema.

A “Passarola”


Os princípios físicos utilizados por Gusmão eram verdadeiros e o são até hoje. O ar, quando aquecido, perde densidade e torna-se mais leve do que o ar ambiente e tem como consequência dessa diferença de temperatura e densidade, sua elevação. Essa primazia de utilizar o ar quente nos balões para erguer um objeto às alturas é de Bartolomeu. Com a divulgação da sua “Petição”, aceita pelo Rei em 17 de abril de 1709, a qual notificava a cessão da patente de um “instrumento para se andar pelo ar”, que mais tarde seria conhecido por aeróstato ou balão, muito reboliço causou nos meios acadêmicos e no seio da população de Lisboa. Essa divulgação pública se ramificou em vários reinos europeus, que geraram uma divulgação maior com publicações contendo estampas fantasiosas que retratavam o invento como uma barca com um formato parecido com um pássaro que ficou conhecido vulgarmente como “Passarola”. As primeiras ilustrações da “Passarola” são de autoria do primogênito do 3º Marquês de Fontes, D. Joaquim Francisco de Sá Almeida e Menezes, com a conivência de Bartolomeu, pois o mesmo era seu aluno. Esperava, dessa maneira, melhor proteger o segredo confiado à sua guarda e, ainda, ludibriar os bisbilhoteiros. Atualmente, temos conhecimento de que a forma dos balões, utilizadas por Bartolomeu, nunca ficou bem determinada, sendo que a série de documentos e estampas apócrifos divulgados por seus adversários (inclusive por ele), muito contribuíram para a confusão e perfeita concepção do modelo. Como visto acima, é bem provável que Bartolomeu tenha divulgado a estampa da “Passarola” e outras falsas informações para camuflar suas observações, como fazia regularmente.

A Morte de Bartolomeu de Gusmão
Foi mergulhado num ambiente repleto de detratores, de superstições e ignorância, onde o Santo Ofício dominava por completo a consciência do Rei, que resultou a sua perseguição pelo Tribunal de Inquisição. Ciente de que seria declarado culpado em processo de calúnia e intrigas movido por seus opositores, e sua prisão decretada em 26 de setembro de 1724, antecipou-se a esse evento e fugiu com seu jovem irmão, João de Santa Maria, religioso carmelita de 24 anos. A intenção de Bartolomeu era refugiar-se em Paris, seguindo viagem via Madri. Sua saúde nesse período estava muito abalada e, quando se encontrava na cidade de Toledo, não resistiu e, debilitado, interrompeu sua viagem, vindo a falecer no Hospital de Misericórdia. Era dia 19 de novembro de 1724, uma data que não devemos esquecer. Bartolomeu retirava-se para sempre desse viver terreno, esse brasileiro notabilíssimo, que dera ao Brasil e a Portugal a primazia, na História, de serem os precursores da busca pelo domínio do ar e da Navegação Aérea. O momento em que Bartolomeu alçou seu voo mais alto e se despegou desse mundo está registrado na transcrição da Certidão de Óbito desse ilustre homem da Ciência, precioso documento que o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro recebeu em doação, acompanhando um certificado de Francisco Adolpho Varnhagen, encarregado de negócios do Brasil em Madri, e copiado por Dom Joaquim Martinez, cura colado da Igreja Paroquial de Santa Leocádia e São Romão, na cidade de Toledo, que o extraiu das folhas 115 do livro dos falecidos, que começou no ano de 1705 e terminou no ano de 1739.

O Reconhecimento


Bartolomeu deixou para seus pósteros, por meio de sua visão imaginativa de sonhador, o exemplo de persistência, de singular modéstia, de amável singeleza e candura d’alma, que de tal sorte acanhado, não parecia um guardião de tantos conhecimentos e saber. Dizia o Visconde de São Leopoldo que Gusmão nunca fez alarde dos seus profundos conhecimentos de humanidades, porém o seu saber era admirado por todos os seus contemporâneos. Para marcar o feito desse homem ilustre, a cidade e o povo de Santos homenageiam Bartolomeu de Gusmão com um monumento na Praça Rui Barbosa, que teve a pedra fundamental lançada em 12 de julho de 1922, na presença de convidados de honra, como a dos aviadores portugueses, Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Criado pelo escultor italiano Lorenzo Massa, o monumento foi inaugurado em 7 de setembro de 1922, em meio às festas oficiais pelo Centenário da Independência do Brasil. Não podemos esquecer a magnitude de sua inteligência e do seu espírito inventor, que por seus diversificados estudos pôde-se destacar nos vários ramos da inteligência humana, como podemos citar a seguir: Na História, foi proeminente membro ativo da Academia Real de História Portuguesa. Preparando a resposta a um trabalho do conceituado Geógrafo Guilherme de Lisle, por incumbência do Governo português pôde destacar-se no campo da Geografia. Sua atuação destacada na célebre “Questão da Casa de Aveiro” pode demonstrar seus conhecimentos jurídicos. Compondo vários sermões, dissertações e versos, demonstrou seus dotes na área da Literatura. Nos estudos da Matemática, em toda sua extensão, excedeu ao conhecimento dos estudiosos do seu tempo em Portugal. Inventou mecanismos de elevar água, de aumentar o rendimento dos moinhos hidráulicos e engenhos de açúcar, além de outros, e enveredou pelo campo da Mecânica com imenso ardor e destaque. Culminando com o estudo dos balões, tornou-se precursor na Ciência Aerostática. Ainda foi muito além, atuando também nos campos da Diplomacia e da Criptografia, por designação de D. João V. Enfim, podemos afirmar, sem sombra de dúvida e com imenso orgulho, que Bartolomeu de Gusmão foi um visionário no seu tempo; foi um sonhador que procurou transformar seus sonhos em realidade e tornar-se o primeiro homem que vislumbrou nos céus o domínio do ar para a conquista da terra, portanto, com justa razão, o precursor da Aeronáutica no mundo. Por tudo que esse brasileiro nato realizou, fez-se credor e digno do título que o coloca numa posição de destaque no contexto da História Universal, reconhecido mundialmente e inserido na História da Aeronáutica brasileira como Patrono do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER). E como homenagem a esse brasileiro que sonhava voar, terminamos com esse lindo soneto de Olavo Bilac em sua homenagem:

O Voador

“Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, inventor do aeróstato,
Morreu miseravelmente num convento, em Toledo, sem
Ter quem lhe velasse a agonia.”

Em Toledo. Lá fora, a vida tumultua
E canta. A multidão em festa se atropela...
E o pobre, que o suor da agonia enregela,
Cuida o seu nome ouvir na aclamação da rua.

Agoniza o Voador. Piedosamente, a lua
Vem velar-lhe a agonia através da janela.
A Febre, o Sonho, a Glória enchem a escura cela,
E entre as névoas da morte uma visão flutua:

“Voar! varrer o céu com asas poderosas,
Sobre as nuvens! correr o mar das nebulosas,
Os continentes de ouro, o fogo da amplidão!...”

E o pranto do luar cai sobre o catre imundo...
E em farrapos, sozinho, arqueja moribundo
Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão.

Fonte: INCAER

Texto: Cel Av R1 Manuel Bezerra Barreto Reale
Chefe da Divisão de Estudos e Pesquisa do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica

sábado, 5 de agosto de 2017

Aeronaves

Esquadrão Pelicano recebe nova aeronave SAR
Ocorreu na última quinta-feira, 03 de agosto de 2017, a incorporação da nova aeronave de Busca e Salvamento da Força Aérea Brasileira (FAB). O novo avião FAB 6550, conhecido como SC-105 SAR, sigla do inglês Search and Rescue, será operado pelo Esquadrão Pelicano (2º/10º Grupo de Aviação), sediado na Ala 5, em Campo Grande (MS), de onde poderá deslocar para qualquer parte do território nacional.A nova aeronave traz tecnologias que exigiram treinamento prévio da tripulação. Com um sistema eletro-óptico de busca de imagem e por espectro infravermelho, o novo avião permitirá realizar buscar pelo calor, podendo detectar, por exemplo, uma aeronave encoberta pela vegetação ou uma pessoa no mar.

Fonte: CECOMSAER

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

NOTAER

50 anos do Projeto Rondon é destaque do Notaer
O Jornal NOTAER de agosto traz como destaque a matéria sobre os 50 anos do Projeto Rondon. Ao encurtar distâncias entre rondonistas e as comunidades carentes, a Força Aérea Brasileira (FAB) ajuda a levar cidadania aos quatro cantos do País. Esta edição traz os currículos dos Oficiais-Generais promovidos, o Projeto do Pequeno Profissional, realizado pela Ala 5, e a história do Tenente Leão, que começou a carreira como recruta e hoje é oficial. Saiba mais, também, sobre o treinamento necessário para o gerenciamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) e a chegada das aeronaves H-36 Caracal e SC-105 Amazonas que vão ampliar a capacidade operacional da Aviação de Busca e Salvamento no Esquadrão Pelicano. Você confere, ainda, reportagens sobre a reestruturação da FAB, esclarecendo a criação dos Grupamentos de Apoio (GAP), que buscam profissionalizar a gestão administrativa na instituição e a série especial sobre as Alas que mostra o trabalho realizado em cada unidade.

Leia essas e outras reportagens no NOTAER de agosto: clique aqui

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

H-60L Black Hawk

Black Hawk chega a 30 mil horas de voo na FAB
Para homenagear o helicóptero H-60L Black Hawk, que completou 30 mil horas de voo na Força Aérea Brasileira no dia 30 de julho, foi produzido pelo Centro de Comunicação Social da FAB um videoclipe das principais missões executadas pela aeronave. Devido à alta capacidade operacional, o helicóptero já foi empregado em diversas missões, como reconhecimento armado, transporte aerologístico, busca e salvamento, infiltração e exfiltração de tropas, entre outras.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Aerodesporto

Aerodesportistas e autoridades debatem segurança do tráfego aéreo
O Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo (SRPV-SP), unidade da Força Aérea Brasileira (FAB), sediou a Reunião Participativa para Regulação de Aerodesportos promovida pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Durante o evento, que aconteceu no dia 19 de julho de 2017, cerca de 50 praticantes de aerodesportos das áreas de voo livre, balonismo, voo a vela, paraquedismo, acrobacias aéreas, além de operadores de aeronaves desportivas e veículos ultraleves puderam expor e discutir com representantes da ANAC e da FAB as suas demandas. A iniciativa da ANAC é motivada pela criação de um grupo de trabalho que visa regular as atividades aerodesportivas no Brasil com vistas à manutenção da segurança operacional. Segundo o diretor da ANAC, Ricardo Sérgio Maia Bezerra, trata-se de um projeto prioritário para a Agência. “A regulamentação é difícil, pois há um limiar entre a liberdade dos esportistas e a preocupação com a segurança da aviação e, para isso, contamos com o apoio de toda a comunidade aeronáutica”, afirmou Bezerra na abertura do evento. Representando o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), o Chefe do Subdepartamento de Operações, Brigadeiro do Ar Luiz Ricardo de Souza Nascimento, apresentou a necessidade de uma formação mínima aos aerodesportistas. “Para uma boa convivência entre a aviação e os aerodesportos, há necessidade de um treinamento voltado aos praticantes para que tenham conhecimento e atuem com segurança. Essa é uma preocupação do DECEA e é muito importante que seja desenvolvida uma cultura aeronáutica voltada principalmente para a segurança”, ressaltou o Oficial-General.

Fonte: FAB

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Conexão FAB

Esquadrilha da Fumaça e SGDC são destaques de revista eletrônica
A edição do último mês de julho de 2017, da revista eletrônica Conexão FAB - editada pela Comunicação Social da Aeronáutica - apresentou os destaques das atividades da Força Aérea Brasileira (FAB). O Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), conhecido como Esquadrilha da Fumaça, se apresentou na cidade de Rionegro, na Colômbia. No Exercício Amazonas I, a FAB realizou treinamentos e assistência médica em conjunto com as Forças Aéreas do Peru e da Colômbia na Tríplice Fronteira entre os países. O aniversário de Alberto Santos-Dumont foi celebrado em diversas unidades do País com entrega da Medalha Mérito Santos-Dumont. Ainda, o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação Estratégica (SGDC) passou a ser totalmente operado e controlado pelo Brasil.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Aeroportos

Concessionária devolverá Viracopos para relicitação
Os acionistas da Concessionária Aeroportos Brasil Viracopos (ABV) autorizaram, em 28 de julho de 2017, o início do processo de entrega da concessão do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), ao governo federal. Em nota, a ABV disse acreditar que esta “é a alternativa mais adequada para que o aeroporto mantenha a qualidade e a continuidade dos serviços prestados aos usuários” e que “a escolha dessa alternativa visa garantir a atuação dos funcionários e também o relacionamento com fornecedores e parceiros”. A ABV esperava receber 17,9 milhões de passageiros em 2016, mas a circulação efetiva foi de 9,3 milhões (52% da projeção inicial). A movimentação de cargas também ficou abaixo do esperado (projetou-se 409 mil toneladas no ano passado, mas teve apenas 166 mil toneladas). A concessionária disse que esse cenário foi impactado “pelos efeitos da grave crise macroeconômica pela qual o Brasil tem passado”. O grupo afirmou ainda que continuará a operar Viracopos até que seja concluído o processo de relicitação, que foi construída em conjunto com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). A previsão é que esse processo tenha uma duração de 24 meses. A iniciativa privada assumiu a administração de Viracopos no fim de 2012. Foi o primeiro aeroporto de grande porte do Brasil que passou a ser operado por empresas após um leilão realizado pelo governo federal. O contrato era válido por 30 anos. Viracopos foi a primeira concessão a conter a cláusula de devolução amigável ao governo. De acordo com o grupo, esse processo “busca garantir a adequada continuidade da prestação dos serviços aos usuários”.

Fonte: Veja

domingo, 30 de julho de 2017

Especial de Domingo

Nos Especiais de Domingo deste mês, repetindo prática de anos anteriores, fizemos diversas postagens em homenagem ao gênio Alberto Santos Dumont, nascido e falecido em julho (20/7/1873 - 23/7/1932). 

Este querido brasileiro deu diversos exemplos de inteligência, coragem, generosidade, determinação, persistência, criatividade...
Teve, porém, como todos nós, as suas fraquezas. 
Infelizmente, em sua época, não pode contar com as conquistas da medicina, que outros gênios da humanidade lutaram para tornar real.
Assim, tirou a própria vida em decorrência destes males, um gesto trágico que não combina com o Santos Dumont herói.
Devemos lembrar, entretanto, que o Pai da Aviação, como todo ser humano, é uma extraordinária criação que vive acertos e falhas, alegrias e tristezas.
A última etapa de sua vida, registrada no Especial de Domingo de hoje, texto selecionado do excelente site Cabangu, revela, além dos sofrimentos intensos, a sua extraordinária sensibilidade. 
Boa leitura, bom domingo!


Entre o Brasil e a Europa
A despedida dos voos e a retirada de cena dos grandes acontecimentos deixaram o inventor brasileiro triste, sentindo-se esquecido e - com o tempo - em depressão. Esta enfermidade está relacionada, também, com a doença que desenvolveu após os 40 anos de idade: possivelmente esclerose múltipla.
Dumont veio algumas vezes ao Brasil, depois que se tornou uma celebridade. Na primeira delas, em 1914, ficou por pouco tempo.
Volta à França, porém, é tempo de guerra.
Ele havia construído uma casa de estruturas modestas em Benérville, apelidada de La Boîte por sua forma quadrada para se refugiar. Dada a saúde comprometida, Santos Dumont procurava fazer esportes e ocupar sua mente com prazeres científicos, construindo um observatório no teto desta casa com um potente telescópio Zeiss.
Passando a observar os astros, é confundido pela polícia francesa, que o considera espião dos alemães. A confusão deixou o aeronauta apavorado e ele, então, queima diversos papéis e anotações pessoais, que hoje poderiam ser excelentes fontes de pesquisa.

Santos Dumont retornou ao Brasil, após passagens pelos EUA, Chile e Argentina. Em 1917, começa a construir a casa de Petrópolis: "A Encantada".


Entre idas a Paris e retorno ao Brasil, vai percebendo o agravamento de sua doença. Em 1926, interna-se em um sanatório na Suíça. Em 3 de dezembro de 1928, Santos Dumont retornava ao Brasil à bordo do navio Cap Arcona, e vários intelectuais e amigos do inventor planejaram prestar-lhe uma homenagem.


Os amigos, alunos e professores da Escola Politécnica, prepararam ao herói nacional uma recepção com um hidroavião batizado com o nome do Pai da Aviação, que jogaria flores sobre o navio e uma mensagem de boas vindas em um paraquedas, assim que a embarcação com Dumont a bordo entrasse na Baía de Guanabara.

Mas, um imprevisto: na manobra de contorno, uma das asas do avião toca nas águas e o aparelho some no fundo da baía, matando todos os seus tripulantes, entre eles vários amigos de Santos Dumont, tais como Tobias Moscoso, Amauri de Medeiros, Ferdinando Laboriau, Frederico de Oliveira Coutinho, Amoroso Costa e Paulo de Castro Maia.
A depressão do inventor só faz aumentar.
Santos Dumont fez questão de acompanhar por vários dias as buscas pelos corpos, após o que recolheu-se, primeiro a seu quarto no Hotel Copacabana Palace, depois a sua casa em Petrópolis, onde entrou em profunda depressão.
Após algum tempo, voltou a Paris, internando-se em um sanatório nos Pirineus, indo a seguir para Biarritz.
Santos Dumont continuou na Europa as suas pesquisas e invenções, únicas distrações que ainda conseguiam desviar-lhe a atenção dos desastres aéreos.
Em 1931, Antonio Prado Júnior, exilado em Paris, foi visitar o amigo Santos Dumont em Biarritz e constatou seu total abatimento, imediatamente telegrafando à família do inventor para que esta tomasse alguma providência.
Jorge Henrique Dumont Villares foi buscar o tio na Europa, trazendo-o definitivamente para o Brasil e passou a ser seu inseparável companheiro nos últimos momentos.

Em São Paulo
Em São Paulo, Alberto ia à Sociedade Hípica Paulista e ao Clube Atlético Paulistano. Passava muitas tardes também na redação do jornal "O Estado de São Paulo". Recebia a visita quase diária do médico Sinésio Rangel Pestana, que recomendou ao inventor uma temporada no Guarujá, litoral paulista, para tratar de sua delicada saúde.
No Guarujá descansa, olhando o mar daquela praia tão formosa e o infinito do céu, enquanto as crianças brincam na areia. Não é mais aquele rapaz esperto que conquistara Paris aos 28 anos. Agora rareiam-lhe os cabelos, e faltam-lhe as forças. Seu sobrinho, receoso, está sempre em sua companhia, vigiando-o, temendo que algo possa acontecer.

Santos Dumont nunca aceitou o fato de que sua invenção fosse utilizada para fins bélicos, tão bem demonstrado durante a Primeira Guerra Mundial de 1914 a 1918.


Ele acreditava que o avião deveria servir para unir as pessoas, como meio de transporte e, por que não, de lazer, como ele mesmo havia demonstrado, ao deslocar-se em suas aeronaves em Paris para assistir à ópera ou visitar amigos.

Em 1932 irrompe o Movimento Constitucionalista de São Paulo, e a luta entre os rebeldes e o governo desencadeia-se, provocando rivalidades e conflitos entre irmãos brasileiros. Nesta altura manda uma mensagem aos brasileiros, posicionando-se contra a luta fratricida.
Santos Dumont era uma pessoa sentimental e sensível aos acontecimentos, e não lhe passava despercebido o uso de aviões na revolução constitucionalista de 1932.
O acidente com o avião no Rio de Janeiro também o magoou muito.

Alberto Santos Dumont, em seus últimos dias, passeava pela praia, conversando com crianças, entre elas Marina Villares da Silva e Christian Von Bulow, que moravam no balneário. Christian conta ter presenciado Santos Dumont chorando na praia em frente ao Grand Hotel, após ver o bombardeio do cruzador Bahia, por três aviões “vermelhinhos”, leais ao Governo Federal, na ilha da Moela.


Ele podia ouvir o ronco dos aviões do governo, indo em direção a capital paulista para missões de bombardeio, minando-lhe os nervos, obrigando-o a tapar os ouvidos.

O ruído, aquele ruído, aquela perseguição...
E agora o aeroplano, seu invento, fruto de pesquisas e trabalho árduo de toda sua vida, empregado para a destruição e luta entre irmãos.
Aquele som o enlouquecia, e muito agravou seu estado de saúde. É este ambiente que leva-o à cometer suicídio em 23 de Julho de 1932, aos 59 anos, envolto na sua tragédia e na sua tortura.

Fonte: Cabangu

Pesquise: Blog do Ninja em 03/7/11, 10/7/11, 17/7/11 e 24/7/11

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sábado, 29 de julho de 2017

Tecnologia

Dirigível brasileiro faz primeiro voo
O Brasil entrou em um seleto grupo de cinco países que possuem o ciclo completo da tecnologia de produção de um dirigível. O voo inaugural do modelo experimental da empresa Airship do Brasil foi realizado no dia 24 de julho de 2017, em São Carlos (SP). O dirigível projetado com 49 metros de comprimento e 17 metros de altura tem capacidade de carga em torno de uma tonelada e espaço para um piloto e até cinco outros ocupantes. Possui um motor de potência 300 HP, atingindo velocidades de até 85 km/h. De acordo com a empresa, o modelo final terá diversas aplicações, entre elas vigilância e monitoramento para segurança, proteção do meio ambiente, prevenção de queimadas, controle de fronteiras, voos de reconhecimento e busca e salvamento e o transporte de pequenas cargas ou passageiros para áreas de difícil acesso e sem infraestrutura aeroportuária. A empresa Airship possui objetivos ainda maiores, projetando um dirigível cargueiro a ser concluído em 2019 com capacidade de carga para até 30 toneladas, 330 m3, 125 km/h e autonomia customizada.

Saiba mais: Blog do NINJA de 02/07/2013 e 30/10/14

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Cultura Aeronáutica

Protótipo do Bandeirante é preservado em São José dos Campos (SP)
O terceiro protótipo do avião turbo-hélice Embraer 110 Bandeirante, matrícula PP-ZDF, voltou a ser exibido, após completa reforma, no parque Santos Dumont, em São José dos Campos (SP). A reinauguração da aeronave-monumento ocorreu ontem, 27 de julho de 2017, e fez parte das festividades dos 250 anos da cidade. O aparelho foi restaurado num dos hangares do DCTA –Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, mesmo local de sua construção há 40 anos e berço da moderna indústria aeronáutica brasileira. Os trabalhos, em três meses, envolveram 63 voluntários, entre veteranos da Embraer e alunos dos cursos de aeronáutica do Centro de Educação Profissional Hélio Augusto (CEPHAS). Houve desmontagem das partes, recuperação do interior, como bancos e painel, além de restauro na fuselagem e pintura, com as cores originais do projeto. O avião possui um sistema especial de iluminação interna e externa que funcionará diariamente das 18h30 às 22h30, destacando-o no parque que homenageia o Pai da Aviação, Alberto Santos Dumont, no centro da cidade.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Aeroportos

Campo de Marte completa 97 anos
O Aeroporto Campo de Marte (SP) completou, no dia 26 de julho de 2017, 97 anos de operações. Suas atividades se iniciaram em 1920, ano em que foi construída uma pista para pousos e decolagens e um hangar no local onde a Força Pública do Estado de São Paulo mantinha sua escola de aviação. Sob a administração da Infraero desde 1979, o aeródromo foi a primeira infraestrutura aeroportuária da capital paulista. Embora o Aeroporto Campo de Marte não possua linhas aéreas regulares, ele é o 5º em movimento operacional no Brasil. De acordo com os dados da Infraero, no ano de 2016 foram realizados 71.527 pousos e decolagens, cerca de 200 operações diárias. As 71.527 aeronaves que pousaram no terminal no ano passado transportaram 125.395 passageiros. A média mensal de pouso e decolagem de 2016 foi de 5.960 movimentos, sendo que 56,2% referem-se às operações com helicópteros. O aeroporto possui infraestrutura que permite pouso e decolagem noturnos em uma pista de 1.600 metros, e um heliponto.

Parque e Museu
Em reunião com o Ministro da Defesa Raul Jungmann, o prefeito de São Paulo, João Doria, resolveu o impasse com o Aeroporto Campo de Marte, famoso por receber aeronaves da aviação geral na grande São Paulo. O aeroporto continuará sendo operado pela Infraero, porém a prefeitura criará um Parque Municipal no local onde existe uma área de mata atlântica, com cerca de 400 mil m². O prefeito reiterou a criação de um museu aeroespacial no futuro, aproveitando o acervo do Museu da TAM, que no momento está fechado em São Carlos. O parque será criado nas proximidades da cabeceira 12, atrás do Hospital de Força Aérea de São Paulo.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

KC-390

Cargueiro da Embraer conclui demonstrações no exterior
Um dos protótipos do novo jato multimissão de transporte militar e reabastecimento em voo KC-390 produzido pela Embraer encerrou um circuito de demonstração de 40 dias, no qual sobrevoou 19 países e foi apresentado a nove nações na Europa, África, Ásia e Oceania. No total, foram registradas 130 horas de voo sem qualquer ocorrência, incluindo vários voos de demonstração com representantes de potenciais operadores. A aeronave partiu da Unidade de Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, em direção à Suécia, onde foi exibida ainda antes de seguir para o aeroporto de Le Bourget, nos arredores de Paris. Lá, o KC-390 esteve exposto durante a 52ª edição do Paris Air Show, realizada em junho, e se exibiu pela primeira vez em um show aéreo, tornando-se um dos destaques do evento. Depois da França, o KC-390 seguiu para sua série de demonstrações, antes de retornar ao Brasil. “Este tour permitiu que vários representantes de potenciais operadores tivessem contato com o KC-390 e pudessem conhecer de perto toda sua flexibilidade, que o torna capaz de realizar uma ampla gama de missões”, disse Jackson Schneider, CEO e Presidente da Embraer Defesa & Segurança. “Todos que tiveram oportunidade de voar a aeronave elogiaram suas capacidades operacionais e o avançado projeto que incorpora tecnologias comprovadas de última geração.” A aeronave demonstrou grande robustez e apresentou 100% de disponibilidade durante todo o tour, no qual foram realizados 52 pousos, em 18 países diferentes. No total, o KC-390 percorreu 91.743 km (ou 49.537 milhas náuticas), o equivalente a mais de duas voltas completas na Terra pela linha do Equador. Durante as demonstrações, o avião pôde ser avaliado em decolagens de grandes altitudes e altas temperaturas, em navegação a baixa altura (chegando a voar com 49ºC de temperatura ambiente) e simulando condições operacionais, como o lançamento de paraquedistas.

A 870 Km/h
O KC-390 transporta até 26 toneladas de carga a uma velocidade máxima de 470 nós (870 km/h), com capacidade para operar em ambientes hostis, incluindo pistas não-preparadas ou danificadas. Trata-se de um projeto da Força Aérea Brasileira (FAB) que, em 2009, contratou a Embraer para realizar o desenvolvimento da aeronave. A campanha de testes do KC-390 está avançando de forma extremamente satisfatória, atendendo todos os requisitos da aeronave e validando os objetivos de desempenho e capacidade previstos por meio do uso de avançadas ferramentas de engenharia. Desde o início da campanha de testes em voo, em outubro de 2015, os protótipos do KC-390 têm apresentado uma alta taxa de disponibilidade, acumulando mais de 1.200 horas de voo. A Capacidade Operacional Inicial deve ser atingida até o final deste ano e as entregas estão programadas para começar no primeiro semestre de 2018.

Fonte: Embraer

terça-feira, 25 de julho de 2017

Domingo Aéreo na AFA

Portões Abertos da AFA será dia 16 de agosto
No dia 16 de agosto de 2017, a Academia da Força Aérea (AFA), com sede em Pirassununga (SP) terá o evento “Domingo Aéreo”. Durante todo o dia, das 9h às 17h, a AFA estará com seus portões abertos para os amantes da aviação das mais variadas regiões do país. O público terá a oportunidade de ter contato direto com as aeronaves militares e civis que estarão expostas e estandes vão mostrar o trabalho da Força Aérea Brasileira. O evento tem entrada e estacionamento gratuitos. O visitante terá à sua disposição praça de alimentação. Quem levar 1 kg de alimento não perecível concorrerá a brindes da AFA.

Ingressos grátis em site
A entrada será feita pelo Portão Sul da Academia da Força Aérea, no km 39 da rodovia SP-225. A Polícia Militar Rodoviária deverá montar um esquema especial de trabalho para apoiar a circulação nas imediações. O “Domingo Aéreo” oferece exposição de aeronaves civis e militares, shows aéreos, paraquedismo, plastimodelismo e aeromodelismo. Está confirmada a exposição do cargueiro fabricado pela Embraer, o KC-390. O acesso ao evento só será permitido através da reserva de um ingresso emitido gratuitamente pela AFA, pelo site www.domingoaereo.com.br. Não será permitida a entrada sem ingresso. A medida visa evitar a superlotação no evento.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Concurso para a FAB

Aeronáutica tem 210 vagas para níveis superior e técnico
O Comando da Aeronáutica recebe, até 28 de julho de 2017, as inscrições para seleção de voluntários à prestação do Serviço Militar Temporário para Oficiais e Sargentos. As oportunidades são para profissionais de níveis superior e médio de inúmeras especialidades. São 210 vagas para diversas regiões do País. As inscrições começaram dia 17 e seguem até 28 de julho. A seleção será por avaliação curricular. São 143 para Oficiais Médicos, Farmacêuticos e Veterinários, em diversas localidades do território nacional. Há também 49 vagas para Oficiais Técnicos, com formação superior em diversas áreas. Em Guarulhos, na Grande São Paulo, as vagas são nas áreas de Administração, Análise de Sistemas, Arquitetura, Biblioteconomia, Biologia, Ciências Contábeis, Engenharia Civil, Engenharia Agronômica, Estatística, Pedagogia, Serviços Jurídicos. Em Pirassununga, no interior paulista, há oportunidade na especialidade de Engenharia Química. Para Oficiais Técnicos, é exigido diploma de ensino superior e, dependendo da especialidade, Registro Profissional. Para Oficiais Médicos, é necessário ter diploma de ensino superior, registro no Conselho Regional de Medicina e Residência Médica na especialidade pleiteada, com exceção da especialidade Clínica Médica. Para Oficiais Médicos da especialidade Clínica Médica, Farmacêuticos e Veterinários, serão exigidos diploma de ensino superior e registro no Conselho Regional da Profissão.  
Sargentos
São 18 oportunidades para o nível médio para Arrumador, Cozinheiro e Motorista-bombeiro. Os interessados nas vagas para arrumador precisam ter diploma de ensino médio e diploma de curso técnico. Dependendo da especialidade, o candidato deverá apresentar o diploma de Curso Técnico em Eventos ou em Restaurante e Bar, conforme Catálogo Nacional de Cursos Técnicos do Ministério da Educação – 3ª edição. Para a especialidade de Cozinheiro, será exigido diploma de ensino médio e diploma de curso técnico. Conforme a especialidade, o candidato deverá apresentar diploma de Curso de Formação Inicial e Continuada de Cozinheiro ou de Cozinheiro Industrial, conforme Guia PRONATEC de Cursos de Formação Inicial e Continuada do Ministério da Educação – 4ª edição. Já os interessados na especialidade de Motorista-bombeiro precisarão apresentar diploma de ensino médio, comprovante de realização do curso para condutores de veículos de Emergência (com carga horária mínima de 50 horas) e comprovante de realização do curso de treinamento de prática veicular em situação de risco, conforme Art. 145 do Código de Trânsito Brasileiro.

Informações: www3.fab.mil.br

Concurso para a EEAR com 288 vagas: Saiba no Blog do NINJA de 15/07/2017