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sábado, 7 de abril de 2012

Pioneiros

ARMANDO FIGUEIRA TROMPOWSKY DE ALMEIDA
O Marechal-do-Ar Trompowsky, nascido a 30 de janeiro de 1889, iria em sua juventude viver, no século XX, os grandes acontecimentos da conquista do ar. Sob a orientação segura e inteligente de seus pais, Armando Trompowsky entra para a Escola Naval no início de 1906. A 23 de outubro desse ano, novamente se consagra Santos-Dumont no seu histórico voo no 14-Bis. É de se imaginar o entusiasmo que deve ter envolvido os alunos daquela Escola voltada para o patriotismo , em plena formação . Sai da Escola em 1909 e, em 1914, já é Primeiro-Tenente.
Por decreto de 23 de agosto de 1916, é criada a Escola de Aviação da Marinha, que logo começa a formar pilotos. No ano seguinte, a 17 de abril, o Primeiro-Tenente Armando Trompowsky matricula-se nessa Escola, onde completa o curso de piloto a 3 de outubro do mesmo ano. Permanece ali como instrutor e em outras funções até 1921. Neste ano, é promovido a Capitão-Tenente. Vai para a Inspetoria da Marinha e, em 1923, para o Comando de Defesa Aérea do Litoral. Depois para o Comando da 2ª Esquadrilha de Bombardeio, Escola de Guerra Naval e Diretoria Geral da Aeronáutica e volta para a Escola de Guerra Naval. Em 1932, é promovido a Capitão-de-Corveta; em 33, a Capitão-de-Fragata. Em 34, serve na Escola de Aviação Naval. Em 35, vai a Capitão-de-Mar-e-Guerra. Em 1936 e 37, comanda a Escola de Aviação Naval. Exerce a Vice-Direção da Aviação Naval. Em 16 de fevereiro de 1940, é promovido a Contra-Almirante e assume a Direção Geral da Aeronáutica Naval.
Vem para o Ministério da Aeronáutica com a criação deste, em 20 de janeiro de 1941. Em novembro deste ano, assume a Chefia do recém–criado Estado-Maior da Aeronáutica. Em 1º de abril de 1942, é promovido a Major-Brigadeiro-do-Ar. Em abril de 1945, foi Delegado do Brasil na Conferência de Organização Internacional das Nações Unidas, realizada em San Francisco, nos EUA. Ainda nesse ano em 30 de outubro, deixa a Chefia do Estado-Maior para assumir as funções de Ministro da Aeronáutica, em consequência da renúncia do Presidente da República e, naturalmente, de todo seu Ministério.
No final do ano, é eleito o novo Presidente, o General Eurico Gaspar Dutra, que competira com o Brigadeiro Eduardo Gomes. A 31 de janeiro de 1946, o então Maj Brig do Ar Armando Tromposky é confirmado, pelo novo Presidente, no Ministério da Aeronáutica, função que exerceu até o final do mandato do Presidente Dutra, tendo sido exonerado das funções por decreto de 29 de janeiro de 1951.
Já era Tenente-Brigadeiro-do-Ar, posto a que fora promovido em 20 de setembro de 1946. No mesmo dia da sua exoneração , passa a exercer as funções de Ministro do Superior Tribunal Militar.
Foi promovido a Marechal-do-Ar em 30 de janeiro de 1959.
Na condução dos destinos da Aeronáutica Brasileira, Armando Trompowsky pode ser considerado, com justiça, o Consolidador do Novo Ministério.
Terminada a Segunda Guerra Mundial, o Ministro Trompowsky depara-se com os problemas que decorriam da consolidação do Ministério e do recebimento das bases americanas do Norte e Nordeste brasileiros. Com efetivos pequenos, naqueles locais, para que as bases fossem preservadas e mantidas em funcionamento, foi necessário utilizar os aspirantes da Escola de Aeronáutica e os oficiais da Reserva Convocada.
Ao término da Guerra, iniciava-se uma nova ordem de coisas. A evolução do equipamento aéreo pedia novas estruturas, pessoal capacitado e, sobretudo, a longo prazo, o desenvolvimento de uma indústria nacional como fator básico de independência, condição mandatória do Poder Aéreo.
Para a consolidação do Ministério da Aeronáutica, pelos Decretos-Leis nº 9.888 e 9.889, de 16 de setembro de 1946, o Ministro Trompowsky reorganizou a Força Aérea Brasileira.
Dentre as muitas providências, cabe destacar:
- Criação da Diretoria de Ensino.
- Reorganização e ampliação do Estado-Maior da Aeronáutica.
- Reorganização das Unidades Aéreas.
- Reorganização das Bases Aéreas.
- Criação da Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica.
- Criação do Curso de Tática Aérea.
- Criação da Escola Preparatória de Cadetes do Ar.
- Criação das Auditorias.
- Aquisição de prédio na Av. Marechal Câmara, reunindo nele os diversos órgãos do Min. Aeronáutica que se achavam espalhados em diversos prédios.
- Ampliação e instalação da Escola de Especialistas da Aeronáutica, em Guaratinguetá , São Paulo.
- Instalação do Curso de Oficial Mecânico, em Curitiba.
- O Correio Aéreo Nacional, no período da Administração do Ministro Trompowsky, estimulado pelo apoio oficial, bem como, fortalecido pela atualização profissional e um fluxo de novo material, consequências da nossa participação na Segunda Guerra Mundial , viveu uma grande expansão no seu memorável objetivo de integração nacional. Com os aviões C-47, iniciou as linhas sobre os Andes e penetrou a fundo pelo Brasil. Inaugurou a primeira linha transandina para La Paz e, em 1947, a do Acre, integrando as Regiões Oeste e Amazônica do Brasil.
- Criação da Comissão de organização do Centro Técnico Aerospacial, cujas obras de construção iniciaram-se em 1947 e permitiram o funcionamento do ITA, em 1950.
- Criação dos Parques de Material Aeronáutico de Belém, Recife e Porto Alegre.
- Construção de duzentos e trinta e quatro aviões Fairchild PT-19.
- Criação da Comissão de Estudos Relativos à Navegação Aérea Internacional (CERNAI), órgão que viria a se firmar no campo internacional, como solução racional para defesa de nossos interesses no setor da Aviação Comercial.
- Ativou e ampliou os Serviços de Proteção ao Voo através dos Serviços Regionais de Proteção ao Voo, tendo como órgão central a Diretoria de Rotas Aéreas.
- Ainda no Universo da Aviação Civil, muitos problemas foram enfrentados. Houve, após a Guerra, uma proliferação de companhias aéreas , consequência do baixo custo dos aviões que sobraram daquele conflito. Pelo controle das concessões de linhas e restrições às iniciativas aventureiras, aos poucos o problema foi sendo dominado. O Táxi Aéreo foi regularizado. Foi criada a homologação dos serviços técnicos. Expandiram-se as linhas de integração pelo mecanismo das subvenções. Ao final de 1949, o número de Aeroclubes atingira 331, dos quais 230 tinham escola de pilotagem.
- Reaproveitamento de Oficiais da Reserva da FAB.
Pelo Decreto nº 9.889 foi reorganizada a Força Aérea Brasileira, tendo como pontos marcantes:
- Os Regimentos e Grupos passam a Grupos e Esquadrões, ficando mais adequados ao empregado na 2ª Guerra Mundial, recentemente terminada.
- Todas as Unidades Aéreas tiveram suas denominações e organizações mudadas; exceto os Grupos de Transportes.
Em decorrência daquele Decreto, por Portaria Ministerial, as Bases Aéreas tiveram uma organização harmonizada com a nova concepção operacional.
Com a evolução rápida da Aviação nessa época, havia necessidade de engenheiros aeronáuticos.
Vários engenheiros foram formados na Escola Técnica do Exército. Foi criada a Comissão de Organização do Centro Técnico da Aeronáutica (COCTA), em 29 de janeiro de 1946, subordinada ao Ministro da Aeronáutica, para dar curso à implantação do Plano elaborado pelo Professor Richard H. Smith, acompanhado pelo Tenente-Coronel Aviador Montenegro, no qual o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) teria a prioridade de implantação.
As obras do CTA, iniciadas em 1947, permitiram que o ITA passasse a funcionar no primeiro semestre de 1950.
O Ministro Trompowsky foi, portanto, um dos grandes responsáveis pela existência do CTA e do ITA.
A Diretoria de Intendência, tendo sido criada, construiu o Depósito Central de Intendência, em Marechal Hermes, RJ; instalou o Reembolsável Central de Intendência e os Reembolsáveis Regionais; organizou as Fazendas de Pirassununga e de Jacarepaguá, assim como a Lavanderia da Aeronáutica.
Concedeu autonomia administrativa aos Núcleos de Parque de Aeronáutica de Recife, de Belém e de Porto Alegre, que passaram a funcionar como 4º Escalão de Suprimento e Manutenção. A Diretoria do Material foi reorganizada com um novo Regularmento, e foi implantado o Sistema Kardex nos Parques do Rio de Janeiro e de São Paulo e no Depósito de Aeronáutica do Rio de Janeiro.
Foi criado o Serviço de Transporte e ativado o Parque de Viaturas.
Em 5 de dezembro de 1947, o nome de Alberto Santos-Dumont foi incluído, em caráter permanente, no Almanaque do Ministério da Aeronáutica no posto de tenente-brigadeiro.
Em 1948, foram aprovados o regulamento para o Serviço de Investigações de Acidentes Aeronáuticos e as Instruções para a Concessão de Funcionamento e Realização de Tráfego das Empresas de Táxi Aéreo.
Na área de Saúde, restruturou o Serviço de Saúde, criou o Quadro de Farmacêuticos de Saúde da Aeronáutica e o Curso de Formação de Enfermeiros da Aeronáutica.
Através da Diretoria de Aeronáutica Civil, o Ministério subvencionou várias Linhas de penetração interiorana, assim como, aeroclubes do interior e os que possuíam escola de formação de pilotos.
As obras da construção da ponte, que ligava o continente à Ilha do Governador, iniciada com o Ministro Dr. Salgado Filho, foi inaugurada em 31 de janeiro de 1949 pelo Ministro Trompowsky.
Naquele ano, 1949, ficaram prontos o Edifício Central do Aeroporto Santos-Dumont e do hangar nº 3, iniciado em 1945.
Durante a sua gestão, foram adquiridas várias aeronaves para a Força Aérea Brasileira.
No ano de 1947, foram trazidos por tripulações brasileiras, cem aviões de treinamento avançado North American AT-6.
Ao final de 1947 e o início de 1948, foram adquiridos 25 aviões de caça Republic P-47 “Thunderbolt” e 60 aviões de bombardeio médio North American B-25 “Mitchell”.
Foram adquiridos, também, de 1946 a 1950, 64 aviões bimotores Beechcraft(AT-7, AT-11 e C-45) e 30 aviões de transporte bimotores Douglas (C-47 e DC-3).
Muitos outros fatos poderiam ser lembrados para enaltecer a administração do segundo Ministro da Aeronáutica. Numa síntese de tudo, basta lembrar sua atuação serena e patriótica durante os tempos atribulados de então. Quando iniciou sua gestão, a Aeronáutica acabara de viver horas difíceis. As paixões políticas estavam exacerbadas. O final de 1945 fora difícil para o país culminando essas dificuldades com a renúncia do próprio Presidente da República. Este, por suas ligações com a Aeronáutica, e pela simpatia e eficiência do seu Ministro Salgado Filho, naturalmente tinha seus admiradores e amigos. Por outro lado, o grande líder da Aviação, Eduardo Gomes, ao perder as eleições para a Presidência da República, trouxera uma frustração para os seus liderados.
Dentro desse clima, não deve ter sido fácil ao Ministro conduzir, no início, os negócios da Aeronáutica. Sua grandeza, porém, fez com que se amainassem os ressentimentos e, aos poucos, as consciências e as atenções foram se voltando para os grandes objetivos da nossa Aviação.
Por decreto de 9 de janeiro de 1951, vinte dias antes de deixar o Ministério, foi nomeado Ministro do Superior Tribunal Militar. Em 30 de janeiro de 1959, é aposentado por completar setenta anos. Nesses oito anos de magistrado, distribuiu justiça, pois era digno, independente, sereno e compreensivo. Em 12 de março de 1959, é promovido a Marechal-do-Ar de acordo com a legislação em vigor. A 16 de janeiro de 1964 veio a falecer.

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Autores: Cel Av João Vieira de Sousa e Cel Av Celso Paulino da Silva