
Avaliação
O consultor de mercado aeronáutico e ex-presidente da Embraer, Ozires Silva, considerou a possibilidade de desenvolvimento conjunto de aeronaves algo natural.“As duas empresas não são concorrentes diretas, mas se aproximam cada vez mais uma do segmento da outra. (A parceria) é um grande caminho para a aviação comercial”, disse Ozires, um dos fundadores da fabricante de São José dos Campos-SP. Ele afirma que a demanda por novas tecnologias no setor aeronáutico pode ter acelerado o processo de cooperação entre Embraer e Boeing.“São duas empresas com produtos muito competitivos. Os próximos aviões vão ter que evoluir muito, como na questão de biocombustível. Novas tecnologias terão que ser adotadas”, disse. A mesma ideia é compartilhada pelo economista da Unicamp, especialista em mercado aeronáutico, Marcos Barbieri. “Além do biocombustível, existem outros custos, um conjunto de tecnologias. Mesmo uma grande empresa como a Boeing está buscando parcerias”, disse. Barbieri considera o desenvolvimento conjunto de aeronaves possível, mas que, num primeiro momento, novas tecnologias poderiam ser implantadas em segmentos paralelos. “Isso possibilita que a Embraer use tecnologias avançadas para até 100 passageiros e a Boeing em seu segmento. Nada impede que isso encaminhe para o desenvolvimento conjunto. Não digo que isso irá acontecer, mas é possível”, disse Barbieri.
Aproximação
Boeing e Embraer assinaram em outubro passado acordo de apoio a pesquisas voltadas ao biocombustível. Na semana passada, a Boeing anunciou a construção de um centro de pesquisas e tecnologia em São Paulo. A Embraer é hoje líder no mercado mundial de aviação comercial até 120 assentos e a Boeing lidera a faixa de aeronaves a partir de 130 lugares.
Acordo vai influenciar no FX-2
Especialistas do mercado aeronáutico acreditam que a parceria assinada ontem entre Embraer e Boeing possa ter influência direta nas concorrências dos programas F-X2, da Força Aérea Brasileira, e LAS (apoio de ataque leve) da Força Aérea dos EUA.
“(O acordo) vai interferir sem dúvida alguma” , afirmou Ozires Silva. No caso do programa LAS, no qual a Embraer chegou a ter a vitória anunciada para o fornecimento de 20 caças Super Tucano em contrato estimado em US$ 355 milhões, Ozires considerou que a ratificação da vitória da brasileira seja questão de tempo. “Esse é um período complicado por causa das eleições, mas a concorrente (Beechcraft) tem uma dívida monstruosa”, disse. Já o economista Marcos Barbieri disse que a parceria pode colaborar, mas não é determinante. O F-X2 se arrasta há duas décadas e está estimado em R$ 10 bilhões.
Texto: Arthur Costa
Fonte: O Vale