Visualizações:

Voar é um desejo que começa em criança!

domingo, 5 de maio de 2019

Especial de Domingo

De "Vencendo o Azul: A história da indústria e tecnologia aeronáuticas no Brasil”, obra do historiador João Alexandre Viégas, selecionamos o conteúdo que hoje voltamos a publicar.
Boa leitura.
Bom domingo!

A FÁBRICA DE LAGOA SANTA
O surgimento da Fábrica de Lagoa Santa, que teve origem nos primeiros anos do Governo Vargas, tem como pano de fundo a própria evolução da Segunda Guerra Mundial.
Em 1935, uma comissão nomeada pelo Ministro da Viação e Obras Públicas e composta por representantes do Exército, Marinha e Aviação Civil, estudava a localização de uma fábrica de aviões militares.

Vargas recebeu a visita do projetista René Couzinet, que passava pelo Rio de Janeiro em fevereiro de 1933 em seu avião denominado Arc-en-ciel, um aparelho de 15 toneladas para transporte de passageiros, que acabara de estabelecer uma rota comercial atravessando o Atlântico Sul. Vargas convidou Couzinet para dirigir a implantação de uma fábrica de aviões no país. Em setembro do ano seguinte, Couzinet voltava ao Rio de Janeiro e, em novo encontro com Vargas, foi mais uma vez convidado a vir para o Brasil. Em fevereiro de 1935, Couzinet estava no país para uma temporada mais longa, participando, a convite de Getúlio, de uma comissão nomeada para estudar a localização da fábrica.

O representante da Marinha, Vitor Carvalho e Silva, defendia a instalação da fábrica em Lagoa Santa, a 50 quilômetros de Belo Horizonte, uma região despovoada e sem nenhuma facilidade de acesso. Silva argumentava que o raio de ação dos aviões tornava uma fábrica instalada próximo ao litoral num alvo fácil para a ação de bombardeio de um país inimigo e que, por essa razão, a fábrica de aviões deveria ser implantada precisamente numa região isolada, distante do mar.


Aeronave T6, fabricada no Brasil pela Fábrica de Lagoa Santa, sob licença da empresa North American. Foram encomendados 81 aparelhos, dos quais 61 seriam simplesmente montados no país. Os 20 restantes seriam efetivamente fabricados em Lagoa Santa, com índices crescentes de nacionalização. O T6 era um avião metálico de treinamento avançado.

As razões militares prevaleceram sobre quaisquer outras considerações de natureza econômica e técnica e o Governo resolveu produzir aeronaves militares numa região distante cerca de cinquenta quilômetros de Belo Horizonte, onde não poderia contar com mão-de-obra qualificada, e onde hoje localiza-se o aeroporto de Confins. Engenheiros e operários especializados teriam de vir de outros estados e toda a infra-estrutura industrial e urbana teria de ser realizada, elevando sensivelmente os custos do projeto.

Em 1936 era publicado um edital de concorrência para a instalação e exploração de uma fábrica de aviões militares. O Governo oferecia encomendas mínimas no valor de 15 mil contos anuais em aviões, hidroaviões e peças sobressalentes. O edital previa um prazo contratual de 15 anos e uma margem de lucro de 15% ao ano. A empresa interessada teria de contar com controle nacional do capital e a mão-de-obra brasileira na fábrica teria de atingir uma proporção de 85% do total de funcionários em quatro anos. A fábrica teria ainda de contar com capacidade instada para produzir 100 toneladas de aeronaves no primeiro ano, 140 no segundo e 200 no terceiro ano de fabricação. Um grupo de empresários, apoiando-se em Couzinet como liderança técnica, constituiu a empresa denominada Construção Aeronáutica S.A., e, à falta de outra interessada, a concorrência foi adjudicada a ela.

A concorrência foi, contudo, anulada em 1938 diante da notícia de suposto interesse por parte de empresas italianas e alemãs. Mas nenhuma delas se apresentou e, em 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial, Vargas determinou que a concorrência fosse entregue à única empresa interessada que, de resto, contava com a participação de Couzinet, mais de uma vez convidado pelo próprio Presidente para dirigir o projeto. Finalmente, em abril de 1940, era celebrado o contrato definitivo.

O modelo industrial adotado não previa o projeto de aeronaves, mas sim a fabricação sob a licença de aparelhos norte americanos. Em 1939, a França lutava com a Alemanha, e Couzinet havia retornado à Europa. Depois da capitulação francesa, Vargas enviou instruções ao Embaixador Souza Dantas para que conseguisse do governo colaboracionista de Vichi a volta de Couzinet ao Brasil.

A fábrica teria suas atividades iniciadas com a fabricação, sob licença, do aparelho North American Texan 6. O T6, como ficou conhecido, é um avião de dois lugares, de 2,4 toneladas dotado de um motor Pratt & Withney de 550 cavalos, e era empregado em missões de treinamento de pilotos militares, patrulhamento do litoral, além de outros usos. Nesse momento, o projeto das obras civis da fábrica estava pronto e as edificações tiveram início. A Fábrica de Lagoa Santa começava a sair do papel.


Aeronaves T6 no pátio da Fábrica de Lagoa Santa

Mas em 1941 os Estados Unidos entravam na guerra e o envio de materiais para instalação de uma fabrica de aviões passava a se constituir em assunto de Governo, além de, naturalmente, estar sujeito às prioridades do esforço de guerra. Por essa razão, Vargas participava pessoalmente dos entendimentos que levaram à construção da fábrica. Em junho de 1943, ele enviou um telegrama ao embaixador brasileiro em Washington, recomendando “insistir pelo fornecimento de matéria-prima para a Fábrica de Lagoa Santa, bem como as máquinas indispensáveis para sua completa instalação”.

Apesar do interesse pessoal do Presidente da República, o projeto evoluía muito lentamente. Em junho de 1943, Vargas determinou ao Ministro da Aeronáutica, Salgado Filho, que a Fábrica de Lagoa Santa tivesse prioridade sobre qualquer outra iniciativa de fabricação de aviões no país. Em janeiro de 1944, Getúlio telegrafa novamente ao Embaixador Carlos Martins Pereira e Souza, recomendando pressionar o governo norte-americano para por fim a procedimentos protelatórios da empresa North American. De fato, segundo os contratos firmados, o envio de partes e peças para montagem no país do avião T6 D estava previsto para setembro de 1943, e o próprio Carlos Martins informava que somente em março de 1944 a remessa chegaria ao Brasil, e mesmo assim apenas aviões semi-prontos.


Montagem de aeronaves T6 em Lagoa Santa

A North American parecia não ter nenhum interesse no acordo com o Brasil. De 1942 a 1945, a FAB recebeu dos EUA 125 aparelhos T6 inteiramente acabados. A empresa norte-americana fabricou mais de 15 mil dessas aeronaves, a maioria durante os anos de guerra. Não teria, portanto, nenhuma dificuldade em fornecer os kits de menos de uma centena de aviões, mas parecia preferir vender aeronaves prontas.

O cronograma acertado com a empresa norte-americana previa a construção de 81 aparelhos no Brasil, sendo que os primeiros 61 a partir de kits integralmente importados dos Estados Unidos, e os últimos 20 aparelhos com algum índice de nacionalização.

A primeira fase das obras civis da fábrica foi concluídas em 1943, mas não havia máquinas, nem produção. O Governo constituiu então uma comissão coordenada por Raymundo Vasconcelos Aboim para examinar o problema. As condições da comissão indicavam a necessidade de mudança no controle do capital da empresa. Dessa forma, o grupo Pignatari, de São Paulo, assumiu o comando da Fábrica de Lagoa Santa.

Pignatari já tinha alguma experiência com a fabricação de aviões. Junto à Laminação Nacional de Metais, de sua propriedade, funcionava a Companhia Aeronáutica Paulista, responsável pela produção dos famosos Paulistinhas.

A CAP dava prejuízo, apesar de o Paulistinha representar um sucesso de vendas. Ainda assim Pignatari resolveu assumir o risco inerente à Lagoa Santa. O local era distante, o que elevava sensivelmente os custos de produção. O modelo industrial adotado era baseado numa difícil importação de partes e peças dos Estados Unidos. Não havia mão-de-obra qualificada próxima do local da fábrica, o que tornava onerosas as despesas com pessoal. A empresa se resumia então a dois galpões industriais. Não havia água, nem disponibilidade de eletricidade, embora, nos termos do contrato, o Governo se obrigasse a suprir a região da energia necessária. Esse conjunto de carências obrigou a empresa a realizar investimentos em geradores de eletricidade, saneamento básico, construção de casas e outras obras de infra-estrutura industrial e urbana.


Funcionários da Fábrica de Lagoa Santa

Todo esse conjunto de dificuldade retardou a conclusão do projeto, que só iniciou sua produção finda a guerra, em 1946, embora o grupo que estudara sua localização tivesse sido criado mais de 10 anos antes. Finalmente, depois de uma série de desencontros com o empresário paulista, o Governo resolveu encampar a empresa, transformando-a em parque de manutenção da Força Aérea.

Até 1951, continuaram sendo montados os aviões T6, e nessa data encerraram-se definitivamente as atividades industriais de Lagoa Santa.

O modelo industrial adotado, que tornou o projeto completamente dependente de infindáveis negociações com os americanos, a incerteza e a descontinuidade no suprimento de insumos, partes e peças para fabricação, a localização,tudo conspirou para o fracasso da Fábrica de Lagoa Santa, apesar do interesse pessoal do Presidente da República e apesar de Lagoa Santa constar da própria agenda de negociações entre Brasil e Estados Unidos, nos marcos de nossas relações diplomáticas, militares e econômicas com aquele país durante a Segunda Guerra Mundial.

Fonte: Museutec / Vencendo o Azul

sábado, 4 de maio de 2019

Ayrton Senna

FAB relembra 30 anos do voo supersônico com Ayrton Senna
Irmão do ídolo, Leonardo Senna, voou no mesmo esquadrão

Em 1989, a Força Aérea Brasileira (FAB) e o ídolo Ayrton Senna se encontraram. Em Anápolis (GO), o Esquadrão Jaguar (1º GDA) fez uma simulação de interceptação da aeronave PT-ASN e, em seguida, recebeu Senna para um voo de demonstração a bordo do supersônico Mirage III. Nesta sexta-feira (03/05/2019), a lembrança do ídolo brasileiro esteve presente na Ala 2 como há 30 anos. A mesma unidade aérea, que celebra 40 anos em 2019, recebeu a visita do irmão do tricampeão, Leonardo Senna, para homenagear os 25 anos de legado de Ayrton e rememorar o voo inesquecível nos céus de Anápolis. O Comandante da Ala 2, Coronel Aviador Antonio Marcos Godoy Soares Mioni Rodrigues, falou sobre a relação da organização militar com a velocidade, que eternizou Ayrton Senna no esporte mundial. “Em minha mente, não teria outro lugar melhor para se fazer essa homenagem da FAB para Ayrton Senna. Ele voou aqui e é uma casa da caça, da velocidade, e ele se sentiu muito emocionado em seu voo, o que foi demonstrado também hoje, por Leonardo”, disse o Coronel Mioni.

No F-5
Leonardo Senna chegou pouco antes das 10h na sede do Esquadrão Jaguar. Lá, ele conheceu as instalações do grupo e recebeu as instruções e equipamentos para voar a bordo do caça F-5, aeronave operada pelo 1º GDA atualmente. No briefing anterior à decolagem, ele foi questionado da mesma forma que Ayrton foi pelo piloto daquele voo, Tenente-Coronel Alberto de Paiva Cortes, há 30 anos: “O que você espera desse voo?” Em 1989, o tricampeão mundial foi direto, queria sentir a velocidade supersônica, a diferença entre pilotar um caça e pilotar um carro de Fórmula 1. Já Leonardo foi mais contido, como disse ao embarcar na aeronave de matrícula FAB 4812. “Vou ser bem mais comedido: vou querer emoção, mas bem menos que Ayrton. Estou bem tenso, depois de todos esses procedimentos de segurança, do assento ejetável... Mas temos que ir, seja o que Deus quiser”, brincou.

Homenagem
E assim começou a experiência do voo de Leonardo Senna. Às 11h, o Major Aviador Cristiano Peixoto pedia autorização à torre de controle e decolava nos céus de Anápolis. De acordo com o piloto, o início foi cauteloso, mas depois Leonardo mostrou coragem. “Durante o voo, nós permanecemos no circuito de tráfego e fizemos aproximações e arremetidas no ar, atingindo cerca de 800 km/h a 300, 400 pés do solo. No início, ficamos cautelosos com a possibilidade de enjoo, mas depois ele esteve bem e até pediu para experimentar a força G de forma mais intensa. Para mim, foi uma honra participar dessa homenagem a Ayrton Senna, um ídolo que inspira a todos e que elevou a bandeira do Brasil a um ponto mais alto”, disse o Major Peixoto.

Tradicional champanhe
Após 20 minutos e diversos voos rasantes, o caça aterrissou novamente na Ala 2 e sua tripulação foi recebida com a tradicional festa do champanhe, tão presente nas celebrações de Ayrton Senna nos pódios da maior categoria do automobilismo mundial. “Estava muito apreensivo no começo, mas me acostumei rápido e cheguei a pedir mais velocidade, e chegamos a 4.2 G. Fizemos manobras próximas ao solo e foi muito gostoso. Estou feliz por essa homenagem da Força Aérea. Fui bem mais modesto, Ayrton já iria querer passar o mais próximo do chão. Estou tendo uma semana de emoção, Ayrton sempre foi muito patriota e fico muito feliz com essa homenagem”, disse Leonardo após a aterrissagem.

Cores do capacete de Senna
Após a adrenalina do voo, outra emoção tomou conta da área operacional da Ala 2. Em celebração ao voo do ídolo nacional e aos 40 anos do Esquadrão Jaguar, a aeronave Mirage FAB4940 recebeu uma pintura alusiva ao tradicional capacete do automobilista, desenvolvida por Raí Caldato e Alan Mosca, este filho do designer Sid Mosca, que assinava a arte nos capacetes de Senna. “A pintura incorporou Senna e a história da Base Aérea, ficou perfeito. Fico muito orgulhoso, eu e meu pai sempre fomos muito fãs da FAB e foi uma grande honra poder participar dessa homenagem, me sinto privilegiado. Foi uma realização profissional, me orgulho como brasileiro e patriota, principalmente sendo uma homenagem para Ayrton, que agora está imortalizada”, afirmou Alan.

Musal
Para aqueles que quiserem conhecer de perto a aeronave em que Ayrton Senna voou em 1989, o Mirage III matrícula FAB 4940 está exposto para visitação no Museu Aeroespacial (MUSAL), unidade vinculada ao Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER), localizada no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro (RJ). Na fuselagem do supersônico, estão eternizados os nomes dos tripulantes e a data daquele voo, 29 de março de 1989.

Fotos: Sargento Bruno Batista/CECOMSAER

Fonte: FAB

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Aeroportos

Ministro de Infraestrutura assina anuência para concessão do Aeroporto de Guarujá
O Ministro de Estado de Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, assinou a anuência à concessão da exploração do Aeroporto Civil Metropolitano de Guarujá (SP) - empreendimento que se tornou viável devido à cessão de uma área adicional de 55 mil metros quadrados pertencentes à Base Aérea de Santos (BAST). A assinatura, que aconteceu no dia 16 de abril de 2019, marca o trabalho conjunto do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER), da Secretaria de Aviação Civil (SAC) e da Prefeitura de Guarujá, segundo explica o Adjunto da Seção de Patrimônio e Meio Ambiente do EMAER, Coronel José Edson Sallum. O oficial afirma que a área foi cedida à SAC por meio de uma portaria de zoneamento civil-militar publicada em novembro de 2018. Agora, a secretaria - que é subordinada ao Ministério de Infraestrutura - autoriza a concessão da exploração, atendendo às necessidades da sociedade da Baixada Santista. “Inúmeras reuniões foram realizadas até chegar-se ao consenso de que, nos primeiros cinco anos de operação do aeroporto, algumas áreas serão compartilhadas com o Comando da Aeronáutica", afirma o Coronel Sallum. O Secretário de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica (SEFA), Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, esteve presente no ato de assinatura. Ele explica que se tratou de um momento importante para a concretização do aeroporto, pois é a partir deste documento que a prefeitura da cidade irá iniciar os processos licitatórios necessários.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Carreiras na Aviação

Jovem superdotado de 15 anos ingressa no ITA
A aprovação no vestibular do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) é um dos maiores feitos que um estudante pode alcançar no Brasil. A complexidade do processo seletivo exige anos de preparação e cursinho, o que torna difícil a aprovação no ano de conclusão do ensino médio. Difícil, mas não impossível. Bernardo Dias, de São José dos Campos (SP), conseguiu este feito e com apenas 15 anos. O estudante paulista é o mais novo entre os calouros do ITA. Considerado superdotado, ou seja, com o QI (Quociente de Inteligência) acima da média, Bernardo passou por um processo de avanço de séries no 1º e no 4º ano do Ensino Fundamental, fazendo com que ele concluísse o ensino médio dois anos mais cedo do que a média nacional. Bernardo fez as provas do ITA duas vezes. A primeira vez em 2017, como treineiro, e um ano depois, em 2018, como candidato, quando conquistou a aprovação. “Eu gritei muito quando disseram que tinha passado, estava até tremendo por receber a ligação”, conta o jovem. Já com cerca de dois meses de aula, Bernardo conta como está sendo sua rotina no ITA e do seu sonho de se formar em Engenharia Aeronáutica.

Recepção
No ITA não há uma idade mínima para o ingresso, mas Bernardo é o único com 15 anos entre todos os alunos. A idade máxima de entrada aceita pelo Instituto é 23 anos e, geralmente, os estudantes ingressam entre 19 e 21 anos. Apesar da pouca idade, Bernardo acredita que não esteja tendo um tratamento diferente que dos demais calouros. “Fui bem recebido como todos os calouros, ninguém me tratou diferente pela minha idade”, conta o jovem.

Rotina
Bernardo revela que entrar numa instituição militar acabou somando novas responsabilidades que antes ele não tinha. E mesmo sendo uma experiência nova, está sendo tudo tranquilo, apesar da intensa rotina de estudos. A preparação para o vestibular do ITA foi bem puxada, com poucos momentos livres. Agora, ele afirma ter um tempo livre maior para aproveitar e se dedicar a outras atividades, que na época de preparação para o vestibular não era possível. “Muita coisa eu tive que cortar de lazer da minha rotina para conseguir entrar no ITA. Confesso que o tempo e o espaço para eles eram bem restritos”. Bernardo também comenta estar gostando desta nova fase, já que conseguiu se adaptar bem ao ITA. Além das aulas de Engenharia, a instituição também oferece espaços para ele desenvolver habilidades como liderança, oratória e trabalho em equipe. Sobre o curso, ele afirma que não criou muita expectativa sobre a graduação: “Eu sabia das dificuldades acadêmicas, mas percebi que com um estudo forte é possível superá-las assim como o meu esforço para estar aqui hoje”, reforça.

Engenharia
Bernardo está gostando e bem animado com essa nova fase em que está vivendo. Ele afirma que não pretende seguir carreira militar, apesar de ter explicado que no 1º ano de curso todos os calouros são considerados militares. Sobre o curso de Engenharia Aeronáutica, ele ainda tem 1 ano e seis meses para decidir se realmente pretende seguir a carreira. Está empolgado com o início do curso e vislumbra possibilidades para o seu futuro, como estudar ou trabalhar no exterior envolvido com algo ligado à educação. O curso de Engenharia Aeronáutica do ITA forma engenheiros aptos a projetar e construir aeronaves. O aluno estuda disciplinas que envolvem o estudo de aerodinâmica, estruturas, motores e turbinas, além de mecânica do voo. Também desenvolvem projetos para esta área. O aluno precisa gostar muito de ciências exatas, de aviões, helicópteros e foguetes. A graduação no ITA é considerada uma dos melhores do país. Depois de formado, há grandes chances do profissional ingressar nas indústrias do setor aeroespacial e de defesa, como fábricas de aviões e helicópteros. Institutos de pesquisa aeroespacial, empresas de transporte aéreo - tanto de passageiros quanto de cargas -, empresas de manutenção de aeronaves, fabricantes de peças aeronáuticas, empresa de consultoria e até a Força Aérea Brasileira estão entre as opções de oportunidade de trabalho do Engenheiro Aeronáutico.

Fonte: Érica Caetano, do UOL, via FAB

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Concurso para médico na FAB

Aeronáutica tem 80 vagas para médicos
Inscrições até 28/5/19

A Força Aérea Brasileira lança instruções específicas para o Curso de Adaptação de Médicos da Aeronáutica (CAMAR) para o ano de 2020. As inscrições estão disponíveis de 29 de abril a 28 de maio de 2019 (até as 15h do último dia, horário de Brasília) e deverão ser realizadas no site www.fab.mil.br/ciaar. A taxa de inscrição é de R$ 130,00. Para participar do exame de admissão, os candidatos não podem completar 36 anos de idade até o dia 31 de dezembro de 2020. O processo seletivo é composto de provas escritas (língua portuguesa e conhecimentos especializados), inspeção de saúde, exame de aptidão psicológica, teste de avaliação do condicionamento físico, prova prática-oral e validação documental. As provas escritas estão previstas para o dia 21 de julho de 2019. Se aprovado em todas as etapas dentro do número de vagas, conforme tabela constante nas instruções específicas, o candidato fará o curso no Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica (CIAAR), em Lagoa Santa (MG), durante aproximadamente 17 semanas. Após a conclusão do curso com aproveitamento, o aluno será nomeado Primeiro-Tenente do Quadro de Oficiais Médicos da Aeronáutica.

Saiba mais: Clique aqui 

terça-feira, 30 de abril de 2019

História

Cidade de Jaú (SP) celebra os 92 anos da travessia do Atlântico pelo avião Jahú
A cidade de Jaú - SP finalizou no último fim de semana a 3ª Semana "João Ribeiro de Barros". O evento proporciona uma série de homenagens e atrações para celebrar os 92 anos da travessia do Oceano Atlântico com Hidroavião Jahu.

Voo do Jahu
Em 1927, o hidroavião Jahu se tornava a primeira aeronave, com tripulação genuinamente brasileira, a atravessar o Atlântico Sul, em voo direto sem suporte de navios ao longo do trajeto. Em homenagem ao aviador jauense, responsável pela travessia e que se imortalizou como um herói nacional, a Secretaria de Cultura e Turismo promoveu a terceira Semana “João Ribeiro de Barros”. No sábado (27/04), na Praça da República, houve apresentação da tradicional Banda Carlos Gomes. No período da tarde, ocorreu um ato cívico, no recinto da ExpoJaú. A Esquadrilha da Fumaça, equipada com aeronaves Super Tucano, fez uma demonstração, apresentando suas principais manobras. A programação foi encerrada no domingo (28/04/19), com ato solene em homenagem ao aviador João Ribeiro de Barros.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Voluntariado

FAB transporta voluntários para atendimento na Bahia
A Força Aérea Brasileira (FAB) empregou duas aeronaves para apoiar a 19ª edição do mutirão social Voluntários do Sertão, dia 27 de abril de 2019. Um C-130 Hércules do Esquadrão Gordo (1º/1º GT) e um C-99 do Esquadrão Condor (1º/2º GT) saíram de Ribeirão Preto (SP) com destino a Vitória da Conquista (BA) levando a bordo profissionais de saúde voluntários que irão realizar atendimentos entre os dias 28 de abril a 5 de maio na cidade de Poções (BA). Dos 350 voluntários que participarão da ação neste ano, cerca de 250 voarão com a FAB. Durante o período, voluntários realizarão atendimentos médicos, odontológicos e sociais para população da cidade de Poções de pelo menos outros nove municípios da região.

Apoio da Força Aérea
O Fundador e Presidente da Organização Social, Doreedson Pereira, explica que essa não é a primeira vez que a FAB apoia o translado dos voluntários e destaca que a parceria é fundamental. "Todo esse trabalho social do Voluntários do Sertão só é possível graças a confiança e apoio dos profissionais voluntários e de empresas parceiras. E uma etapa muito importante - eu diria crucial - para a realização desse mutirão do bem é o apoio da Força Aérea Brasileira. Seria praticamente impossível realizar o transporte dos mais de 350 voluntários sem esta importante ajuda. Em nossos 19 anos de história, a FAB nos presenteia com sua participação já há alguns anos e tem estado presente em todas as últimas edições. É inegável que viajar nos aviões da FAB também é um ponto emocionante a todos os voluntários, que - assim como eu - sentem-se privilegiados em contar com nossos heróis da aviação viabilizando o transporte da nossa equipe", afirmou.

Projeto altruísta
O Comandante da aeronave C-99, Capitão Aviador Marcelo de Oliveira Faria, ressaltou o orgulho por fazer parte da missão. "Nós ficamos muito honrados por colaborar com este projeto tão altruísta. A FAB está aqui para apoiar a população e ajudar na qualidade de vida das pessoas, cumprindo a missão de integrar o território nacional. Levar os médicos e demais profissionais da saúde para esta missão realmente nos enche de orgulho. Estamos aqui em uma parceria mutua", concluiu.

Fonte: FAB

domingo, 28 de abril de 2019

Especial de Domingo

Na última segunda-feira, 22 de abril, foi comemorado um marcante evento da história de nossa gente. O texto que reproduzimos hoje, do Veterano da Segunda Grande Guerra, Aloysio Guilherme de Souza, publicado originalmente no Sentando a Pua!, rememora o brilho de saudosos brasileiros.
Boa leitura.
Bom domingo!

Histórias dos Veteranos
22 ABRIL - Data Histórica
22 DE ABRIL DE 1500, Epopeia dos navegadores portugueses, quando as caravelas de Pedro Alvares Cabral fundearam na baía de Porto Seguro, dando ensejo a Pero Vaz de Caminha a fazer ciente a El Rei, Dom Manuel, o Venturoso, informando-o de que “nesta terra tudo dá”, profecia que vem sendo cumprida “sine qua nom”, inclusive, de gente brava, haja vista, a história pátria.

Outro 22 DE ABRIL 445 anos depois aconteceu a Odisseia de um grupo de gente natural do Oiapoque ao Chuí, ou seja, o dia do grande remate dos “Senta a Pua”, que sol! O Comando de ULISSES, natural das bandas do Chuí, que na pia batismal recebeu o nome de NERO MOURA, Major Aviador, incuto militar, diplomata nato, guerreiro lúcido e prudente, que atravessou a linha do equador com a sua gente descendente de gama européia e dos tupiniquins e a conduziu até vitória final contra as facínoras nazi-facistas no território e céus da Itália, dando o ensejo unidade sob seu Comando, apelidada em inglês de ”First Brazilian Fighter Squadron”, de ser elogiada pelos Altos Comandos da Força Aérea Aliada no Teatro de Operações de Guerra do Mediterrâneo, cujos feitos se acham registrados nos anais de todas as Forças Aéreas do Planeta, o que levou o Congresso dos Estados Unidos da América a autorizar o seu governo a outorgar a medalha “Presidential Citation for Extraordinary Heroism” ao 1º Grupo de Aviação de Caça, do Brasil.

Na minha opinião, o Congresso dos Estados Unidos se pautou pela outorga da referida medalha, na excelência do elogio que a 12ª Força Aérea externou-se ao desligar o Grupo de Caça brasileiro do seu organograma, pelo término da guerra:

“Os avestruzes voltam ao Brasil com a sua missão cumprida e bem cumprida”.

Sua insígnia na carenagem do motor de todos aviões P-47-Thunderbolt, o First Brazilian Fighter Squadron, o “avestruz”, obteve para a sua Unidade no Teatro de Operações de Guerra do Mediterrâneo uma FAMA JAMAIS ALCANÇADA POR QUALQUER UNIDADE DA FORÇA AÉREA AMERICANA, sob cujas ordens lutaram os valorosos brasileiros. Uma homenagem especial ao pessoal de apoio do 350th Fighter Group, Unidade que congregava os 4 esquadrões de P-47 (345th, 346th, 347th e 1st Brazilian) se acha registrada numa placa no Museu da Força Aérea Americana, em Dayton, estado de Ohio, o que muito me envaidece por ter pertencido ao efetivo do pessoal de terra do “First Brazilian”, e com permissão do David Rosal Gabriel (um dos “supply boys” do Sgt. Hotir) transcrevo-a com a sua tradução:

“VOCÊ deu tudo de si para manter os nossos Thunderbolts voando, missão após missão;
VOCÊ preparou nossos P-47 danificados em missão de guerra, com a perícia e a engenhosidade, mantendo-os em condições de voo durante 24 horas por dia;
VOCÊ esperou em silêncio enquanto nossos pilotos estavam em missão sobre o território inimigo; VOCÊ brindava nossa vitórias;
VOCÊ aplaudia quando nossos pilotos retornavam e chorava quando eles não retornavam;
Nós, pilotos de Caça do 350th Fighter Group, nunca os esqueceremos!”

O fato histórico que se levou às autoridades da Aeronáutica a consagrar o dia 22 de abril, como o Dia da Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira, se deu num domingo, com a primeira decolagem à 8:30 horas, de 4 aviões e à segunda às 8:40 horas e assim sucessivamente, até à 18:00 horas, a última, também de 4 aviões, perfazendo o total de 44 saídas para operações de guerra, quando o Grupo só dispunha de 23 aviões e 22 pilotos disponíveis.

Sobre a disponibilidade dos aviões, esse fato se consubstanciou pela identidade de objetivo do pessoal de apoio aéreo, o qual pela minha ótica, como “engineering clerk”, releve-me ressaltar a equipe de manutenção sob à égide do Tenente Jaime Flores Pereira (Engineering Officer), que com o seu caderninho nas mãos anotando todos os “status” dos aviões, azucrinando os ouvido dos mecânicos cujos aviões não se achavam disponíveis para voo, confabulando com o Sub Oscar Hertel (Inspetor) e Sgt Gondim (“Line Chief”) e escutando as providências tomadas ou que iam ser tomadas pelo Sgt Prediliano (Chefe do Hangar) para revisões de 200 horas e outras panes que tiravam os aviões da pista. Prediliano, justiça seja feita, dispunha de um pedaço da nata dos técnicos da FAB, como Sargentos Koerbel, Regis, Contente, Caetano, Vital (apelidado de “boy Vital” pela sua idade em relação aos outros) Homero, Aquino, Bechara, e uma seleção de cabos e soldados, donde se sobressaia o “pau para toda obra”, o Cabo Brito.

O 22 de abril, domingo, muito embora tenha sido um longo dia de trabalho sem nada a acrescentar aos outros domingos, a não ser a continuidade de um exausto sábado, que o expediente da pista havia terminado cerca das 21 horas, quando o caminhão “pilotado” pelo Sgt Dioracy chegou ao acantonamento, trazendo o “Belly Tank” (Sgt. Antônio de Oliveira) e os Sgts. Thadeu Emilio, Chicó. Cláudio, os principais “alfaiates” que remendavam os buracos das carenagens dos aviões deixados pela artilharia do inimigo. Por incrível que pareça, esses tupiniquins representavam o termômetro da disponibilidade dos aviões para dia seguinte. Enquanto eles se encarregavam das plásticas e da maquiagem, os outros se movimentavam, ao mesmo tempo, pelas Esquadrilhas. O Sgt. Setta tomava conta da “A” até o dia que foi substituído pelo Sgt Queiroz, por regresso ao Brasil. Essa esquadrilha contava com excelentes “Crew Chiefs” como os Sgts. João Rodrigues, Winitskowski, Assunção, Argollo. A esquadrilha “B” tinha como chefe o Sgt Jean Louis Bordon. A “C” era chefiada pelo incansável Sgt Wenceslau Bálsamo contando para o desempenho da sua missão como Chefe de Equipe Sgts Fazani, Lima, Wagner, Bandeira, Brandão. A esquadrilha “D” foi chefiada pelo Sgt. Militino, até quando o Sgt. Gondim retornou ao Brasil e, por decisão consensual, Militino assumiu as funções de “Line Chief". Como ”Crew Chief” na esquadrilha “D”, só me recordo do incansável Sgt. Cansado que tinha como auxiliar o “boy" Octávio. As funções de “Flight Chief” da “D”, foi assumida pelo Sgt. Robson Saldanha. Como Chefes de Equipagens da manutenção tem muitos outros que a memória não conseguiu guardar as esquadrilhas que eles atuavam, mas, para minha satisfação, os nomes de Willer Pérsio, Antônio Vitalino Sobrinho, Antônio de Oliveira Varela, José Varela, Severino Barbosa, Pelágio, Paiva, Cantisani, Reinaldo Konrath, Norton Marinho, Sgt. Garcia Fojaz cuidava dos instrumentos de bordo.

Na Seção de Armamento, o Suboficial João Pereira Leite chefiava uma equipe de abnegados como o Sgt. Newton, o “Camburão", com a sua “Ordenance”, Sgt. Goulart Ferreira, (o “Gugú”, pau prá toda obra), o Braga, Sérgio Borges, Carlos Fernandes, Albino e o “Big” (S1-Aldir Agostini da Costa), que às vezes usava o “lombo” para colocar bombas no “racks” quando faltava a viatura apropriada por algum motivo. Esses arroubos comumente aconteciam, mormente no setor de armamento que, após a chegada dos aviões das missões, checavam as metralhadoras e as municiavam, esvaziava as câmaras fotográficas, as reabasteciam de filmes virgens para registrar o cumprimento das missões que, mais tarde, serviriam para análise do Ten. Miranda Correa (Oficial de Informações). A equipe de Comunicação, tendo à frente Baldir Calado, Oriel Martuscelli, Vicente Silveira, Valadão e outros só deixavam as frequências dos "jambocks", em paz, quando a cristalinização dos sons afluíssem sem interferências estáticas. Enquanto isso, Júlio Jacoboski, Aldo, Nazareth e caterva, com os seus “trucks” da “Refueling Unit”, reabasteciam todos os aviões, tudo isso, para deixar as armas prontas para que os nossos heróis cumprissem a sua parte no dia seguinte. E, assim, estava na hora de ir prá “casa".
A guerra no “front” da Itália terminou no dia 29 de abril, burocraticamente, a 2 de maio e a 8, terminava de todos lados europeus, e dai prá frente, a nossa vontade era de regressar ao Brasil, mas, sempre assuntos administrativos que correm os ditos trâmites legais e fomos ficando em Pisa, elogios daqui, acertos sentimentais e casamento de alguns dali viagens de outros, entrevistas, que não poderiam faltar e através do legendários “Star & Stripes” órgão de divulgação do Exército dos Estados Unidos durante a guerra, entrevistou alguns componentes do 1º Grupo de Caça e entro eles o nosso “Line Chief” Militino Vieira de Paiva, a qual transcrevemos:

“A nossa experiência na Itália foi interessante, mas todos nós estamos felizes por regressar e rever nossos famílias e amigos. Nós que trabalhamos nos aviões para mantê-los disponíveis, o fazíamos com satisfação, cumprindo nossas obrigações, porque sabíamos, ao ver os aviões voltarem com grandes danos causados pela artilharia antiaérea, que nossos pilotos estavam cumprindo com o seu dever. Agora, quando tudo terminou, asseguro que me agradaram alguns aspectos desta vida em campanha como, a boa camaradagem, os ensinamentos e as novidades que vimos, entretanto, estou certo que me sinto imensamente feliz por ter que regressar ao Brasil”.

Texto: Aloysio Guilherme de Souza

sábado, 27 de abril de 2019

Heróis Brasileiros

Cidade italiana homenageia Tenente Dornelles, aviador e herói brasileiro na Segunda Guerra
A cidade de Alessandria, na Itália, prestou homenagem ao Tenente Aviador Luiz Lopes Dornelles da Força Aérea Brasileira (FAB), morto em combate durante a Segunda Guerra Mundial. A homenagem ocorreu durante as comemorações do aniversário de 850 anos da cidade italiana e dos 74 anos da Libertação da Itália, comemorada no dia 25 de abril de 2019. No decorrer da cerimônia, o Embaixador do Brasil na Itália, Antonio de Aguiar Patriota, descerrou a lápide, coberta pela Bandeira Nacional Brasileira, em homenagem à Força Aérea Brasileira (FAB) e ao Tenente Aviador Luiz Lopes Dornelles. A lápide foi colocada na parede da Escola Liceo Científico Galileu Galilei, localizada a poucos metros de onde o avião P-47 Thunderbolt, pilotado pelo Tenente Dornelles, se chocou, após ser atingido pela antiáerea alemã, quando atacava um comboio de locomotivas carregadas de munições e armamentos alemães. O Tenente Dornelles morreu em combate no dia 26 de abril de 1945. Atualmente, os restos mortais estão no Monumento aos Mortos na Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro (RJ).

Luta pela democracia e liberdade
Segundo o prefeito de Alessandria, Gianfranco Cuttica di Revigliasco, a homenagem busca aproximar a cidade ao Brasil. “A lápide servirá para que as novas gerações jamais se esqueçam do sacrifício daqueles que doaram suas vidas na luta pela democracia e pela liberdade”, disse. O Embaixador Antonio Patriota ressaltou que o sacrifício não deve ser esquecido. “Como todos sabem, a Força Aérea Brasileira contribuiu diretamente com o compromisso de guerra durante o conflito mundial. Com a missão de destruir os obstáculos ao avanço das tropas terrestres aliadas e de permitir a libertação do território italiano do regime nazi-fascista, a Força Aérea enviou seus recém-criados esquadrões, o Primeiro Grupo de Aviação de Caça e a Primeira Esquadrilha de Ligação e Observação. Infelizmente, alguns integrantes do esquadrão brasileiro não sobreviveram a essa guerra cruel, como no caso do jovem, mas experiente, Luiz Lopes Dornelles. Depois de corajosamente completar a difícil tarefa de destruir um comboio ferroviário, Dornelles foi abatido com seu avião pela artilharia alemã”, lembrou.

Brasileiros e italianos
O Adido de Defesa e Aeronáutico do Brasil na Itália e Eslovênia, Coronel Aviador Reginaldo Pontirolli, salientou que a homenagem prestada ao Tenente Dornelles é extensiva a todos os combatentes, brasileiros e italianos, que sacrificaram suas vidas pelo supremo ideal de liberdade. “Essa homenagem liga, indelevelmente, os povos do Brasil e da Itália, aumentando a sinergia que já é tão peculiar entre esses dois povos irmãos”, afirmou.

Fotos: Guido Astori

Fonte: FAB

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Tráfego Aéreo

Controladores de tráfego aéreo passam a cursar Estágio de Adaptação Fisiológica
Controladores de Tráfego Aéreo passaram a fazer parte do grupo de militares que participam do Estágio de Adaptação Fisiológica (EAF), ministrado pelo Instituto de Medicina Aeroespacial Brigadeiro Médico Roberto Teixeira (IMAE). Durante o curso, são realizadas simulações com o intuito de representar as diversas condições encontradas em voo, de forma a preparar os aeronavegantes para possíveis adversidades, como a despressurização de cabine, a necessidade de ejeção, a desorientação espacial, dentre outras. No final de março de 2019, quando foi realizada a segunda edição do EAF, 15 militares de unidades subordinadas ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), passaram pelo treinamento. O estabelecimento de um perfil de EAF direcionado para os controladores nasce do entendimento de que eles são elementos essenciais na prevenção de acidentes aeronáuticos, assim como as próprias tripulações. Segundo o Tenente Médico Gustavo Messias Costa, Chefe da Subdivisão Aeromédica do IMAE, não são poucos os casos registrados em que a percepção de situações de emergência a bordo por parte dos controladores, seguidas de orientações aos pilotos, constituíram-se em importante fator para evitar tragédias.

Alerta situacional
“O objetivo do EAF para esses profissionais é aumentar o alerta situacional quanto a possíveis alterações fisiológicas da altitude passíveis de serem identificadas por meio das comunicações. Isso possibilita que os controladores transmitam orientações quanto aos procedimentos de emergência a serem realizados pelos tripulantes, para minimizar os efeitos sobre o organismo, evitando, assim, a ocorrência de mais acidentes”, salienta o Tenente Costa. “Aprendemos a identificar os sintomas da hipóxia [ausência de oxigênio suficiente para manter as funções corporais], o que na prática nos torna mais capazes de perceber, pela comunicação com os pilotos, se eles estão apresentando alguns dos sintomas e, com isso, tentar auxiliá-los de forma rápida e eficaz”, fala o Tenente Allan Cristiano Rodrigues da Silva, especialista em Controle de Tráfego Aéreo do efetivo do Quarto Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA IV).

Teoria e prática
O estágio aplica aulas teóricas que abordam a fisiologia do corpo humano, com ênfase nos sistemas mais afetados durante o voo em elevadas altitudes, bem como seus possíveis efeitos colaterais no corpo humano. Já no treinamento prático, os militares experimentam os efeitos decorrentes do voo, por meio de situações simuladas em equipamentos, nos diversos laboratórios do IMAE. “O treinamento envolve a experimentação dos efeitos da hipóxia, da baixa pressão induzida pela altitude e da descompressão rápida de cabine, por meio de voo simulado em câmara hipobárica [aparelho que simula as condições de altitude], o estímulo à desorientação espacial e a adaptação à visão noturna”, completa o Tenente Costa. Esse tipo de treinamento é realizado no Brasil desde 1951, quando foi instalada a primeira câmara hipobárica do país, no Campo dos Afonsos (RJ), e vem sendo aperfeiçoado com o decorrer dos anos. Hoje, o EAF possui cinco perfis diferentes, cada um direcionado para o tipo de missão executada por seu público-alvo: Caça, Transporte, Helicóptero, Paraquedista e, agora, Controlador de Tráfego Aéreo.

Fotos: IMAE

Fonte: FAB

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Cultura Aeronáutica

Cerimônia marca o giro do motor de caça da Segunda Guerra

O Museu Aeroespacial (MUSAL), ligado ao Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER), realizou dia 22/04/19, a cerimônia do giro do motor do Republic P-47 Thunderbolt, aeronave de caça utilizada pela Força Aérea Brasileira (FAB) na Segunda Guerra Mundial. Realizada no MUSAL, no Campo dos Afonsos (RJ), a solenidade ocorreu em alusão ao Dia da Aviação de Caça, celebrado em 22 de abril, com a presença do Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez.

Para o Comandante da Força, o vetor é um marco dos primórdios da Aviação de Caça no Brasil. "Pilotos de caça de ontem, de hoje, e futuros pilotos prestigiaram o evento para ouvir o roncar do avião que, para nós, é o ‘Trator Voador’. Ele traz o simbolismo, a lembrança e, logicamente, uma significativa e merecida homenagem àqueles que nos antecederam, os veteranos do 1º GAVCA, que voaram nos céus da Itália e, depois, o trouxeram para o Brasil", destacou o Comandante.

Restauração
A restauração da aeronave foi promovida pelo Projeto Quatro Setinho, criado com o objetivo de recuperar e manter o propulsor de uma das aeronave pertencentes ao acervo do MUSAL. Foi realizada uma completa revisão dos seus sistemas operacionais com a participação da FAB, da Associação de Amigos do MUSAL, da Helisul Táxi Aéreo e de outros colaboradores. A última vez que o motor do P-47 havia sido acionado foi em 2016. De acordo com o Diretor do MUSAL, Brigadeiro da Reserva Luiz Carlos Lebeis Pires Filho , quando foi idealizada a reforma do motor, era inevitável que o giro ocorresse no Dia da Aviação de Caça. “Um dia, apareceu um piloto comercial, Fernando Crescenti, e Gilson Campos, da Associação dos Amigos do Museu Aeroespacial, com a ideia de fazer voltar a girar o motor do P-47, que não acontecia desde 2016 por questões de segurança. Quando me perguntaram se havia um dia especial para que isso acontecesse, eles acharam estranho eu responder na mesma hora: 22 de abril. Não existe outra data para girar esse avião que não o Dia da Aviação de Caça. Foi muito prazeroso concluir esse projeto”, disse.

Republic P-47 Thunderbolt
O Republic P-47 Thunderbolt, foi o maior e mais pesado caça na história da aviação a ser motorizado por um único motor de combustão interna. Durante a Segunda Guerra, foi um dos principais aviões de caça utilizados pela Força Aérea dos Estados Unidos e por outras Forças Aliadas, incluindo a FAB no 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAVCA). Equipado com quatro metralhadoras calibre .50 em cada asa, foi empregado pelo Brasil como caça-bombardeiro. Seu peso podia chegar a oito toneladas e tinha uma velocidade máxima de 704 km/h. O exemplar de matrícula FAB 4184 foi entregue ao MUSAL em 1987. Em 1990, a pedido do Comandante do 1º GAVCA durante o conflito, Brigadeiro do Ar Nero Moura, foi pintado para representar o B4 do Tenente Luiz Lopes Dornelles, piloto abatido e morto na Itália quando executava sua 89ª missão, em 26 de abril de 1945.

Dia da maior ofensiva
O Dia da Aviação de Caça é celebrado em 22 de abril em alusão à mesma data em 1945, quando uma grande ofensiva do 1º GAVCA contabilizou 44 decolagens em 11 missões em um único dia. Ao fim do dia, o Grupo destruiu mais de 100 alvos. Foi o maior número de missões de combate despachadas em um mesmo dia durante a participação da FAB na Segunda Guerra Mundial.

Fotos: Cabo André Feitosa/CECOMSAER

Fonte: FAB

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Ação Cívico-Social

Aeronáutica monta hospital de campanha e atende população em MG
O Hospital de Campanha da Aeronáutica (HCAMP), instalado em Lagoa Santa (MG), entre os dias 22 e 26 de abril de 2019, realizou, só no primeiro dia, 716 atendimentos médicos, mais de 200 exames e 105 atendimentos odontológicos. As consultas e exames são destinados à comunidade e pré-agendados pela Secretaria Municipal de Saúde de Lagoa Santa.

As especialidades oferecidas são alergologia, cardiologia, cirurgia geral, cirurgia vascular, clínica médica, dermatologia, emergência, endocrinologia, fisioterapia, ginecologia, geriatria, nefrologia, oftalmologia, ortopedia, otorrinolaringologia, pediatria, psicologia/psiquiatria, reumatologia e ultrassonografia.

Adaptação de profissionais
Marli Ramalho Gomes Pereira acompanhou o seu filho de 11 anos em um atendimento odontológico e afirmou. “Meu filho foi muito bem atendido e com muito respeito. O atendimento foi muito rápido e muito bom”, afirmou. A instalação do HCAMP em Lagoa Santa (MG) faz parte do treinamento em saúde operacional dos médicos, dentistas e farmacêuticos aprovados em processo de admissão e seleção, que realizam o Curso de Adaptação Militar no Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica (CIAAR).

Serviço:

O quê?
Atendimento médico, odontológico e realização de exames no Hospital de Campanha da FAB

Onde?
Rua Santos-Dumont, 39, Lagoa Santa (MG) - Próximo à antiga FEBEM

Quando?
De 22 a 26/04/19, às 12h

Como?
Os agendamentos realizados pela Secretaria Municipal de Saúde de Lagoa Santa

Fotos: Soldado De Melo / CIAAR

Fonte: FAB

terça-feira, 23 de abril de 2019

Cultura Aeronáutica

Parnamirim (RN) terá centro cultural relativo à Segunda Guerra Mundial
Um projeto da Prefeitura de Parnamirim prevê a criação de um centro multicultural dedicado à participação do Rio Grande do Norte na Segunda Guerra Mundial. A base oeste do aeroporto deve ser reformada e se tornar um espaço para atrair turistas e moradores do estado interessados na história e cultura. O local irá contar com exposições de fotos, diários de guerra, uniformes e até aviões utilizados na época. Material que será fornecido pela Força Aérea Brasileira (FAB).

A princípio, o projeto deverá custar cerca de R$ 8 milhões e será dividido em quatro etapas. De acordo com o secretário de Planejamento, Finanças, Turismo e Desenvolvimento Econômico de Parnamirim, Giovane Júnior, o centro poderá ser aberto ao público ainda em dezembro deste ano.

HISTÓRIA
O Rio Grande do Norte teve participação importante no contexto da Segunda Guerra. O seu posicionamento estratégico no continente levou as tropas estadunidenses a utilizarem o estado como ponto de abastecimento de aviões que iam para a África, além de ponto de defesa do continente. O presidente brasileiro à época, Getúlio Vargas, chegou a se encontrar com o chefe de estado estadunidense, Franklin Delano Roosevelt, em Natal. Os dois traçaram estratégias para a participação brasileira na guerra, decidindo até pelo envio de tropas. Por esses motivos, a cidade chegou a ganhar o apelido de ‘Trampolim da Vitória’. A presença dos americanos em solo potiguar também contribuiu para a cultura e para o desenvolvimento da economia local.

Fonte: Sistema Opinião, via FAB

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Datas Especiais

22 de abril: Dia da Aviação de Caça
Para comemorar os 74 anos do Dia da Aviação de Caça, a Força Aérea Brasileira (FAB) lança um vídeo especial. Celebrada no dia 22 de abril, a data relembra o esforço e a audácia dos militares do Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1º GAVCA), o Esquadrão Jambock, que, no auge da Segunda Guerra Mundial, a bordo dos caças P-47 Thunderbolt, cumpriam missões no norte da Itália, na luta dos militares brasileiros contra o nazi-fascismo. O vídeo também traz imagens da evolução da aviação e dos caças da FAB.

Ofensiva brasileira
O Dia da Aviação de Caça ocorre em 22 de abril em alusão à data em 1945, quando uma grande ofensiva dos Jambocks contabilizou 44 decolagens em 11 missões em um único dia. Ao fim do dia, o Grupo destruiu mais de 100 alvos. Foi o dia com o maior número de missões de combate despachadas durante a participação da FAB na Segunda Guerra Mundial. O primeiro dia de celebrações alusivas ao Dia da Aviação de Caça reverenciou a história da Força Aérea Brasileira (FAB). Na Ala 12, localizada no Rio de Janeiro (RJ), os integrantes da aviação se reuniram nesta terça-feira (16) para uma série de eventos.

Comemorações
As comemorações do Dia da Caça, em 2019, começaram, no dia 16 de abril, com as palavras do Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez. “Sinto-me muito feliz por poder participar, pela primeira vez como Comandante da Aeronáutica, das comemorações alusivas ao Dia da Aviação de Caça. Esse evento representa um compromisso com aqueles que nos legaram a guarda deste solo sagrado de Santa Cruz: nossos veteranos do 1º Grupo de Aviação de Caça [1º GAVCA]. E também o compromisso de que continuaremos a preservar e manter vivo esse ritual de passagem, que sempre renova o nosso amor pela Caça e pela nossa Força Aérea”, disse o Comandante da Aeronáutica. O comandante de Preparo (COMPREP), Tenente-Brigadeiro Antonio do Ar Carlos Egito do Amaral, proferiu uma palestra para os pilotos e ocorreu o lançamento do livro Asas do Brasil nos Céus da Itália, escrito pelo Major-Brigadeiro do Ar José Rebelo Meira de Vasconcelos, militar falecido em 2013 que cumpriu 93 missões no front europeu como piloto de caça da Esquadrilha Verde.

Ópera do Danilo
A grande tradição realizada nesta terça foi a encenação da Ópera do Danilo, que narra a saga do Tenente Danilo Marques Moura. Após ter o P-47 Thunderbolt abatido pela artilharia antiaérea alemã na Itália, o aviador percorreu uma jornada de 340 quilômetros caminhando durante 30 dias. Passando despercebido pelas Forças do Eixo e contando com a ajuda da população italiana, ele conseguiu chegar à base aliada em Pisa, 19 quilos mais magro do que partira. A história da fuga foi composta e encenada pelos próprios colegas dele, logo após o regresso e relatos das aventuras pelo território inimigo.

Até hoje, a aventura é tradicionalmente repetida por militares da Aviação de Caça. Na Ala 12, o espetáculo é organizado pelo 1º GAVCA. O Comandante da unidade, Tenente-Coronel Aviador Gustavo Furlan Aquino falou sobre a encenação. “A ópera foi criada por eles lá na Guerra e encenada ainda na Itália como uma brincadeira. Foi uma surpresa ele sobreviver, e para comemorar isso, ele começou a contar aquela história, os italianos que ele conversou, o soldado alemão que ele conseguiu contornar, ele decidiu fazer uma ópera, já que estava na Itália. Foi uma brincadeira de tenentes e a tradição segue até hoje, feita de forma amadora, por aviadores, e essa é a graça da Ópera do Danilo”, explicou.

domingo, 21 de abril de 2019

Especial de Domingo

A participação brasileira na 2ª Guerra Mundial evidenciou o talento, a competência e a coragem dos nossos combatentes. Na publicação de hoje, saiba mais sobre essa importante página de nossa história.
Boa leitura.
Bom domingo!

Senta a Púa!
A história da Força Aérea Brasileira na Segunda Guerra
A Segunda Guerra Mundial já acontecia na Europa quando o Presidente Getúlio Vargas sancionou, em 20 de janeiro de 1941, o decreto-lei nº 2.961, criando o Ministério da Aeronáutica. Joaquim Salgado Filho, designado primeiro Ministro da pasta, buscava, primeiramente, estruturar o setor aéreo no Brasil, aprimorando sistemas de controle do espaço aéreo e fundando aeródromos. Ainda em 1941, foi criada a Diretoria de Rotas com o objetivo de promover o desenvolvimento da infraestrutura e da segurança da navegação aérea. No entanto, ainda em seus primeiros passos - fundando escolas e aeródromos - a Força Aérea Brasileira (FAB) foi obrigada a ingressar em um teatro de operações extracontinental. Nele, a Aviação de Caça brasileira teve seu batismo de fogo – e papel fundamental no cumprimento de missões em solo italiano. Até então, o Brasil adotava uma posição neutra em relação aos embates relacionados à Segunda Guerra. A Declaração do Panamá estabelecia, desde 1939, uma zona de segurança de 300 milhas onde os países americanos se comprometiam a manter a neutralidade – incluindo o litoral do Brasil. Mas tudo mudou quando navios brasileiros começaram a ser atacados durante o episódio que ficou conhecido como a Batalha do Atlântico Sul. Em 28 de janeiro de 1942, o Brasil rompeu as relações diplomáticas com os países do Eixo, marcando o apoio aos Aliados. Mais tarde foi a vez da Aviação de Caça da FAB entrar no conflito: desta vez, em território italiano, junto aos aliados.

O Brasil na guerra
A declaração de guerra do Brasil aos países do Eixo, em 22 de agosto de 1942, determinou uma mobilização geral. Em 18 de dezembro de 1943, foi criado o Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1º GAVCA) e, em 20 de julho de 1944, a Primeira Esquadrilha de Ligação e Observação (1ª ELO). Para comandar as unidades aéreas na Itália, foram designados, respectivamente, o Major Aviador Nero Moura e o Capitão Aviador João Affonso Fabrício Belloc. Ambos chegaram à Europa em outubro de 1944. Assim, em três anos, o Brasil fundou uma Força Aérea, investiu em formação, infraestrutura e aumento do efetivo e, enfim, desembarcou em um cenário de guerra real. O 1º GAVCA saiu do Brasil com 350 homens, incluindo 43 pilotos, e chegou a Livorno integrando o 350th Fighter Group da Força Aérea Americana. Antes disso, o grupo aliado havia realizado a Operação Torch, no Norte da África, e seguiu até a Itália. Além do 1º GAVCA, eram três esquadrões, todos norte-americanos: 345th, 346th e 347th Fighter Squadron. Para eles, o 1º GAVCA, equipado com os P-47 Thunderbolt, era conhecido como “1st Brazilian Fighter Squadron (1st BFS)”, com o código “Jambock”. A partir de sua base, em Tarquínia, na Costa Oeste da Itália, o 1º GAVCA passou a planejar suas próprias operações em 11 de novembro. O Brasil ainda enviou uma equipe de médicos e enfermeiros à Itália, atuando junto ao Esquadrão e no US 12th General Hospital, em Livorno. O símbolo do Grupo foi idealizado a bordo do navio a caminho da Itália. Dos elementos: a moldura auriverde simboliza o Brasil; o céu vermelho, a guerra; o avestruz, o piloto de caça brasileiro, que precisou se adaptar a diferentes alimentos em suas missões; o escudo azul com o Cruzeiro do Sul é o símbolo das Forças Armadas do Brasil; e a arma empunhada pelo avestruz, o poder de fogo do P-47. “Senta a Púa!” é o grito de guerra do 1º GAVCA. Já o Hino da Aviação de Caça foi composto após uma missão bem sucedida na quarta-feira de cinzas de 1945 – o “Carnaval em Veneza”.

FAB e FEB em Monte Castelo
Durante a Guerra, o 1º GAVCA operou como unidade independente, e as missões em fevereiro de 1945, quando os caças da FAB atacaram o inimigo em Monte Castelo, contribuíram para a vitória dos combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Nos Estados Unidos, os brasileiros haviam sido treinados para operações de caça, mas a Luftwaffe (Força Aérea Alemã) executava poucas missões na região. Logo, o esquadrão atuou como unidade de caça-bombardeiro, em missões de reconhecimento armado e interdição, em suporte às forças terrestres aliadas. O clímax da atuação da Força Aérea Brasileira foi em 22 de abril de 1945, quando uma grande ofensiva dos Jambocks contabilizou 44 decolagens em 11 missões em um único dia. O dia amanheceu nublado. As três esquadrilhas (verde, azul e vermelha) do Grupo levantaram voo a partir das 8h30 com o objetivo de atacar estruturas e veículos próximos a San Benedetto. Uma delas decolou pouco depois em direção ao sul de Mantua, para uma missão de reconhecimento armado - mais de 80 veículos foram destruídos, além de fortes, tanques e balsas. Ao fim do dia, o Grupo acumulou 44 missões individuais e destruiu mais de 100 alvos. 22 de abril de 1945 foi o dia com o maior número de missões de combate despachadas, sendo celebrado até hoje como o Dia da Aviação de Caça. Dois P-47 foram avariados e um abatido e seu piloto capturado pelas forças alemãs.

  GAVCA e ELO
Além do 1º GAVCA, a 1ª ELO apoiou a Artilharia Divisionária (AD) da FEB, realizando missões de observação, ligação, reconhecimento e regulagem de tiro. A 1ª ELO realizou 684 missões em quase 200 dias de operações. Quatro décadas depois, em 1986, os feitos do 1º GAVCA na Itália foram novamente reconhecidos. O Grupo recebeu do Embaixador dos Estados Unidos no Brasil e do Secretário da Força Aérea Americana, a Presidential Unit Citation, comenda concedida pelo governo norte-americano. Além do 1º GAVCA, só duas unidades estrangeiras foram agraciadas com a medalha – ambas da Força Aérea Australiana.

Fotos: Arquivo CENDOC e Sargento Johnson Barros / CECOMSAER

Fonte: FAB

sábado, 20 de abril de 2019

Embraer

Jato Praetor 600 recebe certificação da ANAC 
A Embraer recebeu, no dia 18 de abril de 2019, última quinta-feira, o Certificado de Tipo para o novo jato executivo Praetor 600, de categoria super médio, concedido pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Lançado no fim do ano passado durante a NBAA-BACE (National Business Aviation Association’s Business Aviation Conference and Exhibition), o jato é o único da categoria a ser certificado desde 2014.

4 mil milhas de alcance
O Praetor 600 é o jato super médio com melhor performance já desenvolvido e superou todas as principais metas de design, tornando-se capaz de voar mais de 4.000 milhas náuticas em velocidade de cruzeiro de longo alcance, ou mais de 3.700 milhas náuticas a Mach .80 em pistas menores de 1.371 metros, com excelente capacidade de carga útil. “Nossas equipes de engenharia e de programa se superaram novamente ao projetar, desenvolver e certificar com muita paixão o jato executivo Praetor 600, líder de sua classe, excedendo especificações e expectativas, e antes do prazo”, disse Paulo César de Souza e Silva, Presidente e CEO da Embraer. “Esta avançada aeronave reflete não apenas nossa jornada de inovação, mas também uma prévia do futuro dessa grande empresa.” “O jato executivo de porte super médio mais inovador e tecnologicamente avançado chegou. O Praetor 600 vai surpreender nossos clientes com o mais alto desempenho, tecnologia e conforto de sua classe e aumentar a experiência do cliente a um nível sem precedentes”, disse Michael Amalfitano, Presidente e CEO da Embraer Aviação Executiva. “Quero agradecer e parabenizar a família Embraer por trazer ao mercado uma aeronave que criará valor real para clientes e acionistas.”

Sem escalas: São Paulo-Miami
O Praetor 600 é agora o jato executivo de porte super médio com maior alcance, com capacidade de fazer voos sem escalas entre Londres e Nova York, São Paulo e Miami, e Dubai e Londres. Com quatro passageiros e reservas NBAA IFR, o Praetor 600 tem um alcance intercontinental de 4.018 milhas náuticas (7.441 km). O jato tem capacidade de decolagem a partir de pistas de apenas 1.352 metros (4.436 pés). A M0.80, o alcance é 3.719 milhas náuticas (6.887 km) com quatro passageiros e reservas NBAA IFR. O Praetor 600 é o primeiro jato executivo de porte super médio com tecnologia Full Fly-by-Wire e redução ativa de turbulência, tornando cada voo não apenas o mais suave, mas também o mais eficiente possível. O Embraer DNA Design da cabine explora cada dimensão do único jato super médio que possui uma cabine de piso plano com 1,83 metro de altura, piso de pedra e toalete a vácuo, tudo na mesma aeronave e certificado. A redução de turbulência ativa exclusiva da classe e a altitude de cabine de 5.800 pés, complementada por uma cabine silenciosa, estabeleceram o mais alto padrão de experiência do cliente na categoria super médio. Além da cozinha de serviço completo e do guarda-roupa, oito poltronas totalmente reclináveis ​​podem ser acomodadas em quatro camas, e o espaço para bagagem é o maior da classe. A tecnologia avançada também é uma característica do Embraer DNA Design, começando com o Upper Tech Panel, exclusivo da indústria, que exibe informações de voo e oferece recursos de gerenciamento de cabine também disponíveis em dispositivos pessoais por meio do Honeywell Ovation Select. Conectividade de alta capacidade e de alta velocidade para todos a bordo está disponível por meio de banda Ka da Viasat, com velocidades de até 16Mbps e IPTV, outro recurso exclusivo entre os jatos executivos de médio porte. O Praetor 600 apresenta o avançado painel de aviônicos Pro Line Fusion, da Collins Aerospace, com o exclusivo recurso de exibição vertical de meteorologia, alerta situacional similar ao de controle de tráfego aéreo com ADSB-IN e a capacidade preditiva do radar de identificação antecipada de cisalhamento de vento, assim como o E2VS (do inglês Embraer Enhanced Vision System) com HUD (do inglês, Head-up Display) e EVS (do inglês, Enhanced Vision System), Sistema de Referência Inercial (do inglês, Inertial Reference System) e Sistema de Orientação de Visão Sintética (do inglês, Synthetic Vision Guidance System).