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Voar é um desejo que começa em criança!

domingo, 21 de junho de 2026

Especial de Domingo

Em Lisboa, um marco do reide Lisboa–Rio em 1922:
O primeiro voo entre a Europa e a América do Sul
No bairro do Belém, em Lisboa, na foz do rio Tejo, um marco sinaliza um importante e pioneiro voo de 1922. Em metal, um monumento retrata o avião Santa Cruz, que fora pilotado pelos portugueses Gago Coutinho (navegador) e Sacadura Cabral (piloto) no reide Lisboa-Rio de Janeiro. Em visita a Portugal, há alguns anos, voluntários do NINJA conferiram a obra que eterniza a jornada que se constituiu na primeira travessia aérea entre a Europa e a América do Sul.

Os aeronavegantes partiram de Lisboa no dia 30 de março de 1922, com um hidroavião biplano Fairey II D, que recebeu o nome de Lusitânia. Após várias escalas, o aparelho amerissou , no dia 18 de abril, nas proximidades dos Rochedos de São Pedro e São Paulo, a mil quilômetros de Natal (RN). Em razão da agitação do oceano, o avião sofreu danos e submergiu. Transportados de navio para Fernando de Noronha, Sacadura Cabral e Gago Coutinho aguardaram que o governo português lhes enviasse outro aparelho. Com o novo recurso, decolaram de Noronha para sobrevoo dos rochedos, onde haviam perdido o Lusitânia, para preservar a integridade do plano de voo histórico. Em nova pane, ficaram nove horas em alto mar aguardando o resgate. No dia 5 de junho, retomam o reide com um terceiro avião, identificado com o número 17. Após escalas em Recife, Salvador, Porto Seguro e Vitória, os pioneiros aeronavegantes chegam, em triunfo, ao Rio de janeiro, no dia 17 de junho de 1922. Contabilizaram 62 horas de voo, cobrindo oito mil quilômetros. Para tanto, empregaram instrumentos e técnicas de navegação astronômica que eles próprios conceberam para a travessia. No Brasil, o Fairey 17 foi batizado de Santa Cruz.

Reproduzimos a seguir conteúdo sobre este impressionante tema, já publicado no Blog do NINJA.
Boa leitura.
Bom domingo!

A Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul
A Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul realizou-se no período de 30 de março a 17 de junho de 1922. Constituiu um importante e inusitado acontecimento e um memorável marco histórico nos anais da navegação aérea, em nível mundial. No ano de 1922 comemorava-se o Centenário da Independência do Brasil, excelente ocasião para realizar o inolvidável voo ligando Lisboa ao Rio de Janeiro, então Capital do Brasil. As seculares relações de amizade entre Portugal e o Brasil – afinidades culturais de língua, de religiosidade e de sentimentos – e as constantes tentativas para uma maior aproximação entre as duas nações irmãs despertaram em Sacadura Cabral, alma de aviador e de desbravador, o desejo incontido de tentar a viagem aérea entre Lisboa e o Rio de Janeiro, repetindo, assim, pelo ar, a viagem marítima do célebre navegador português Pedro Álvares Cabral, alguns séculos antes. Assim, a evocação do passado, com a descoberta do Brasil, em 1500, passou a ser uma referência obrigatória no quotidiano dos protagonistas e observadores da heróica viagem. O paralelismo entre as caravelas e o hidroavião, entre o insigne navegador Pedro Álvares Cabral (1467–1520) e a dupla de notáveis e destemidos aeronautas portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral,entre o quadrante náutico e o sextante aéreo, símbolos da ligação imorredoura entre Portugal e Brasil, denotam duas épocas, duas histórias, dois marcantes acontecimentos.


Partindo de Lisboa no hidroavião Lusitânia, o piloto Sacadura Cabral (1881–1924) e o navegador Gago Coutinho (1869–1959) percorreram 8.383km em 62h26min de voo, fazendo escalas em Las Palmas, Gando, São Vicente, São Tiago, Penedos de São Pedro e São Paulo, Fernando de Noronha, Recife, Salvador, Porto Seguro, Vitória e Rio de Janeiro. A aeronave utilizada nessa incrível façanha era um monomotor Fairey III-D de 350cv. A chegada ao Brasil e o regresso a Portugal foram motivos de grandes apoteoses. Naquele momento não eram habituais grandes viagens sobre o mar, e sem pontos de referência na água ou em terra. A navegação astronômica tornou-se,a partir dessa magnífica epopeia, condição básica para o progresso da aviação e, consequentemente, importante fator de desenvolvimento dos povos. Gago Coutinho e Sacadura Cabral formaram uma dupla muito especial e altamente criativa, desenvolvendo, em conjunto, um curioso equipamento que denominaram “Corretor de Rumos”, que permitia plotar a deriva do avião e calcular o rumo verdadeiro, com excelente precisão. Tinha a dimensão equivalente aos dias de hoje com o emprego do GPS, sistema de posicionamento global por satélite. Utilizaram também o “Sextante de Horizonte Artificial”. Este sextante resultou de uma adaptação do clássico sextante de marinha, realizada em 1919 por Gago Coutinho, mediante a aplicação de um nível de bolha de ar e de um espelho auxiliar para refletir a imagem da bolha.


Este dispositivo permitia assim definir um plano horizontal. Esta invenção, até então inédita, revolucionaria os métodos de navegação aérea, permitindo realizá-la com precisão, sem qualquer auxílio exterior. Era o nascimento do que proporcionaria o atual horizonte artificial, para o voo por instrumentos.

Resumo da viagem

A Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul foi efetuada sem o apoio de qualquer navio auxiliar, nem tampouco a bordo dos hidroaviões “Fairey” existia qualquer aparelho de radiotelegrafia. Na navegação da Travessia, feita fora da linha normal de navegação marítima, apenas se observou o Sol e a bordo do avião praticou-se a navegação como se estivesse a bordo de um navio isolado, dependente apenas da utilização da bússola, dos cronômetros e do sextante português. Os cálculos da posição foram feitos por processos especiais e muito rápidos, criados pelos aeronautas portugueses e, assim, a posição não levava mais de três minutos para ser encontrada. Estes processos permitiram o traçado de 40 retas de altura durante as 11 horas e 20 minutos de voo que durou a etapa crítica Porto Praia – Penedo de São Pedro, numa extensão de 1.700 km. Durante a Travessia Aérea do Atlântico Sul, os notáveis aviadores estiveram sem avistar terra durante 36 horas e 44 minutos e, durante este tempo, foram observados 96 grupos de alturas do Sol, ou seja, um grupo para cada 23 minutos. Durante a Travessia foram percorridas 4.527 milhas náuticas em 62 horas e 26 minutos de voo, ou seja, a uma velocidade média, por hora, de 72,5 milhas náuticas por hora. O monumento evocativo do memorável feito histórico pode ser visto em Lisboa, próximo à Torre de Belém, e representa o “Santa Cruz”, o hidroavião que concluiu a épica viagem iniciada em 30 de março de 1922 com o “Lusitânia”. Este afundou em 18 de abril junto aos Penedos de São Pedro e São Paulo. A Travessia prosseguiu com o hidroplano “Portugal”, que também se perdeu na mesma área, em 11 de maio, sendo substituído pelo “Santa Cruz”, que, finalmente, chegou a Recife em 5 de junho e, posteriormente, ao Rio de janeiro, em 17 de junho. O Museu de Marinha, em Lisboa, acolhe em seu precioso acervo o hidroavião “Fairey”, o único aeroplano sobrevivente da perigosa Travessia, e que foi batizado de “Santa Cruz” pela esposa do então Presidente do Brasil, Dr. Epitácio Pessoa.


Embora a fragilidade dos hidroaviões utilizados obrigasse os insignes aeronautas a deixar pelo caminho o “Lusitânia” e o “Portugal”, esta temerária e atribulada Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul, em que os nobres aviadores estiveram muito perto de perder a vida, teve o mérito de comprovar a eficácia e o valor dos processos desenvolvidos por Gago Coutinho para a navegação aérea, assim como o bom desempenho do “Sextante de Bolha”, por ele inventado, e do “Corretor de Abatimento”, concebido em parceria com Sacadura Cabral. Com garra, coragem, determinação, aguçada inteligência, profissionalismo, e comovente denodo, completaram, em 1922, a Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul, ligando Lisboa ao Rio de Janeiro. Proeza alcançada não somente devido à coragem e ao espírito aeronáutico, mas também aos instrumentos de navegação por eles criados e até então inexistentes.

Fonte: A Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul

Autor: Manuel Cambeses Júnior, Coronel-Aviador e membro do INCAER - Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica.

Pesquise: https://www2.fab.mil.br/incaer/images/eventgallery/instituto/Opusculos/Textos/opusculo_trav_atlantico_sul.pdf

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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Aviões & Músicas

Reproduzimos hoje mais um vídeo do Lito. 
Ele mantém o canal Aviões & Músicas e nossos Ninjas sempre visitam as suas publicações.
Visite também!

Sacadura Cabral e Gago Coutinho
A TRAVESSIA DO ATLÂNTICO SUL
Em 1922 ocorreu a primeira travessia com avião do oceano atlântico sul com Sacadura Cabral e Gago Coutinho. A rota completa foi Lisboa-Las Palmas-Gando-São Vicente-S. Tiago-Penedos-Fernando de Noronha-Recife-Baía(Salvador)-Porto Seguro-Vitória-Rio de Janeiro. Baía nem tinha o "H" naquela época...


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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Datas Especiais

104 anos da primeira travessia aérea do Atlântico Sul
Um marco para a navegação aérea mundial completa 104 anos. De 30 de março a 17 de junho de 1922, os aviadores portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral empreenderam a Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul. Partindo do Rio Tejo, em Lisboa, a aeronave batizada por Lusitânia, um hidroavião monomotor especialmente concebido para a ocasião, realizou o primeiro voo ligando Portugal ao Brasil, repetindo, assim, pelo ar, a viagem marítima do navegador português Pedro Álvares Cabral, alguns séculos antes.

A missão aérea durou 62 horas e 26 minutos, percorrendo cerca de 8.300 quilômetros, fazendo escalas em Las Palmas, Gando, São Vicente, São Tiago, Penedos de São Pedro e São Paulo, Fernando de Noronha, Recife, Salvador, Porto Seguro, Vitória e, por fim, Rio de Janeiro, que na época era a capital brasileira.

Sextante
A viagem representou uma inestimável contribuição para a aviação, já que até então viagens de longas distâncias dificultavam a manutenção do rumo. Para vencer o obstáculo, a dupla encontrou, com genialidade, uma solução inédita. Após intensos estudos e seus conhecimentos em geografia e cartografia, o Almirante Gago Coutinho aperfeiçoou o sextante náutico, adaptando-o à aviação.

Em parceria com Sacadura Cabral, desenvolveu um equipamento denominado “Corretor de Rumos”, que permitia plotar a deriva do avião e calcular o rumo verdadeiro, com excelente precisão.

Histórico
O início do projeto da Travessia Aérea do Atlântico Sul teve lugar em 1919, por ocasião da visita do Presidente do Brasil a Portugal, quando Sacadura Cabral lançou a ideia de comemorar o primeiro centenário da independência do Brasil. No ano seguinte, em 1920, Sacadura Cabral encontrava-se na Inglaterra, adquirindo material para a Aviação Naval portuguesa e relacionando os tipos de aeronaves consideradas ideais para a realização da travessia do Atlântico. Desta maneira, sua escolha apontou o fabricante inglês Fairey, construtor do avião F III-D.
A empresa Fairey, inclusive, já dispunha do projeto de um hidroavião com características semelhantes a que Sacadura Cabral procurava, ou seja, o F III-D, modificado, adaptado a uma viagem transoceânica, com a envergadura das asas aumentada e depósitos suplementares de combustível nos flutuadores principais. Sacadura Cabral acompanhou a construção e modificação do avião, que, após difíceis experiências e reajustamentos, ficou pronto quase no final do ano de 1921.

Fonte: FAB

Saiba mais: Blog do Ninja de 5/3/2017.

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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Carreiras na Aviação

FAB abre 235 vagas para o Curso de Formação de Sargentos com ingresso em 2027

Inscrições estarão abertas de 11/06/2026 a 07/07/2026; seleção inclui provas escritas e etapas complementares, com curso realizado na EEAR, em Guaratinguetá (SP)

A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio da Diretoria de Ensino da Aeronáutica (DIRENS), publicou as Instruções Específicas do Exame de Admissão ao Curso de Formação de Sargentos da Aeronáutica para o Segundo Semestre de 2027 (CFS 2/2027). Ao todo, são ofertadas 235 vagas, distribuídas entre 185 diversas especialidades, e 50 vagas destinadas à especialidade de Controle de Tráfego Aéreo. As inscrições estarão abertas de 11/06/2026 a 07/07/2026, a partir das 10h do primeiro dia de inscrições, até as 15h do último dia — horário de Brasília, exclusivamente pelo portal de ingresso da Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR). A taxa de inscrição é de R$ 100,00, com possibilidade de isenção para candidatos que atendam aos requisitos previstos em edital. As vagas são destinadas a candidatos de ambos os sexos que atendam às condições estabelecidas nas Instruções do Exame. Para habilitação à matrícula, é necessário ter, no mínimo, 17 anos e não completar 25 anos até 31/12/2027, além de ter concluído o Ensino Médio até a data da Concentração Final. O processo seletivo é composto por provas escritas de Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Matemática e Física, além de Inspeção de Saúde (INSPSAU), Exame de Aptidão Psicológica (EAP), Teste de Avaliação do Condicionamento Físico (TACF), Procedimento de Verificação Documental Complementar à Autodeclaração (PVDoc), Procedimento de Confirmação Complementar à Autodeclaração (PCCA) e Validação Documental. As provas escritas estão previstas para 22/11/2026. Os candidatos aprovados em todas as fases e convocados para matrícula deverão se apresentar na Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR), em Guaratinguetá (SP), em 27 de junho de 2027, data de início do curso.

CFS
O Curso de Formação de Sargentos é realizado em regime de internato militar, com duração aproximada de dois anos, abrangendo instruções nos campos Geral, Militar e Técnico-Especializado. Após a conclusão com aproveitamento, o formando estará apto a integrar o Quadro de Suboficiais e Sargentos da Aeronáutica e poderá ser designado para servir em Organizações Militares do Comando da Aeronáutica em qualquer região do país, conforme as necessidades da Administração.


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domingo, 14 de junho de 2026

Especial de Domingo

Selecionamos para hoje mais um texto do saudoso Pery de Serra Negra.
Boa leitura.
Bom domingo!

ESSA DECOLAGEM É SUA!


Estava estreando como copiloto no hidroavião PBY Catalina de uma nova empresa surgida em Natal. Nove decolagens até ao Rio de Janeiro, onde eu só fazia acompanhar o Comandante. No meu íntimo já se manifestava a vontade de comandar pelo menos uma daquelas decolagens. Mas, copiloto não tem vontade própria, só obedece, a melhor maneira de progredir no conceito do todo poderoso Senhor Comandante. No Rio de Janeiro haveria mudança de tripulação, mas na qualidade de estreante devia continuar e retornar a Natal. Manhã chuvosa. Toda a tripulação já se encontrava desde as seis da manhã no ancoradouro tomando as providências necessárias para a partida. Os pilotos são sempre os primeiros a tomar assento nos seus postos. Foi feito o “check-list”, como estava tudo OK, os motores foram acionados, as amarras soltas e iniciamos o táxi para decolagem.


Aquela área da baia da Guanabara cheia de embarcações navegando, inclusive, as barcas que fazem o transporte aquaviário de passageiros para Niterói e Paquetá, cruzavam por ali a todo instante, exigindo bastante cuidado da tripulação para evitar colisão; foi quando o Comandante Custódio, que vinha fazendo o táxi, parou o Catalina, tirou as mãos do volante, virou-se para mim e disse:

- "Essa decolagem é sua! Lembre-se que na baixa velocidade os comandos demoram a atender e olho vivo para manter as asas na horizontal".

Fui surpreendido com aquela inesperada ordem, mas logo me recompus. Melhorei a minha posição no assento, posicionei o avião no rumo da decolagem, liguei o limpador de para-brisa, com a mão direita segurei o volante, e com a esquerda acionei os comandos de hélice para o passo mínimo. Empurrei as manetes de aceleração para potência máxima, os motores troaram violentamente, as hélices que estavam com baixa rotação aumentaram para 2.300 RPM, jogando vapor d’água sobre o para-brisa de forma a tirar parte da visibilidade, e o avião deslizou rapidamente. A minha preocupação naqueles instantes era manter a reta na decolagem e segurar as asas na horizontal; estava sob forte pressão, tanto por ser a primeira decolagem naquele hidroavião, como pela observação do Comandante, que não tirava os olhos das minhas mãos. Colei o “comando na barriga” para baixar a cauda e quando o velocímetro atingiu 60 MPH empurrei fortemente o comando para a frente e, graças a Deus, o Catalina subiu no degrau. A velocidade aumentava rapidamente e, quase sem sentir, despregou da água. Sequencialmente, comandei o recolhimento dos flutuadores das pontas das asas. Quando o velocímetro atingiu 140 MPH, fui reduzindo a potencia dos motores para o regime de subida, e iniciei a correção do rumo para o Nordeste.

Cabine dos pilotos do PBY

Mantive o avião em regime de subida até atingir a altura determinada pelo Controle Aéreo, quando nivelei o voo trazendo a potência dos motores para o regime de cruzeiro e as hélices para o passo máximo. Só aí relaxei os nervos. O Comandante que estava em contato com a Torre de Controle do Santos Dumont, desde antes da decolagem, interrompeu a sua comunicação e, sem olhar diretamente para mim, fez um discreto gesto no canto da boca. Notei nele um certo ar de aprovação. Foi uma bela aula dada por um mestre que conhecia profundamente o seu ofício. A partir daí o Comandante passou a me observar com mais confiança entregando-me a pilotagem em quase todas as etapas do voo.

Pousar com o Catalina fica para outra oportunidade...

Pery de Serra Negra

AVIÃO CATALINA PBY
No último dia do ano de 2012, pousou no Aeroporto Internacional Augusto Severo, um avião CATALINA que estava sendo trasladado da África do Sul para a Califórnia/USA. Se destinava a um colecionador americano de aeronaves antigas. Esse avião permaneceu em Natal/RN durante dois dias, o que me deu a oportunidade de visitá-lo e relembrar a época que fui aviador civil, quando tive oportunidade de pilotar um modelo semelhante.

O CATALINA foi projetado em 1935 pela Consolidated Vultee dos Estados Unidos e fabricado pela Boeing do Canadá. É uma bela aeronave, muito segura, que foi usada na 2ª Guerra Mundial, e aqui em Natal, ficavam ancoradas na foz do rio Potengi, em frente à Rampa, ao lado do que hoje é o Iate Clube. 

CATALINA é um bimotor, de asa alta, com as seguintes medidas: comprimento da fuselagem: 19 metros e 52 centímetros, comprimento da asa: 31 metros e 72 centímetros, peso vazio: 7.974 quilos, velocidade: 314 quilômetros por hora, raio de ação: 4.030 quilômetros. A tripulação é composta por dois pilotos e um mecânico de voo. Nos modelos anteriores a guerra, se usava um radioperador, o qual foi substituído por modernos sistemas de comunicação que dispensava os serviços desse tripulante.

No final da guerra, os CATALINAS deixados pela Marinha Americana em Natal foram leiloados pela Aero Geral para serem utilizados como aviões cargueiro na rota Natal/Santos. A Aero Geral era uma firma fundada em Natal em 1947 e existiu até 1952, quando foi vendida à VARIG que, por sua vez, cedeu os CATALINAS à Força Aérea Brasileira para serem utilizados na Amazônia.


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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Datas Especiais

12 de junho: Dia do Correio Aéreo Nacional e Dia da Aviação de Transporte
A Aviação de Transporte da Força Aérea Brasileira (FAB) é responsável por integrar o território nacional, com conexões, muitas vezes, em todo o mundo. Cumpre missões de transporte de cargas, transfere doentes e feridos que necessitam de atendimento urgente, ajuda no combate a incêndios florestais e está sempre alerta para ser engajada na defesa do território nacional. No cotidiano atua em diversas outras missões. O dia 12 de junho é dedicado à Aviação de Transporte e também é o Dia do Correio Aéreo Nacional.

1931: A primeira missão do Correio
A data lembra uma de suas mais célebres missões: o Correio Aéreo Nacional (CAN). Nesse dia, em 1931, os Tenentes Nelson Freire Lavenére Wanderley e Casimiro Montenegro Filho, ainda pertencentes ao Exército Brasileiro e mobilizados na Aviação Militar, inaugurando a primeira linha do CAM (Correio Aéreo Militar) realizaram aquele que foi considerado o primeiro voo da história do CAN (Correio Aéreo Nacional, designação assumida, em 1941, com a criação do Ministério da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira).a A bordo de um Curtiss Fledgling, matrícula K-263, saíram do Rio de Janeiro (RJ) e levaram um malote com duas cartas até São Paulo (SP). Atualmente, a Aviação de Transporte segue ainda mais estratégica para a FAB e para o Brasil devido ao seu papel, pois abrange missões de assalto aeroterrestre, busca e salvamento, evacuação aeromédica, reabastecimento em voo, combate a incêndio, exfiltração e infiltração aérea. 

Fonte: Agência Força Aérea

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quarta-feira, 10 de junho de 2026

AMAB

Fotos Elevadas
Roland Garros no Brasil

AMAB
A Associação Memória da Aéropostale no Brasil é uma associação sem fins lucrativos cujo principal objetivo é realizar o inventário dos vestígios materiais e imateriais da antiga companhia de correio aéreo francesa (1918-1933), Latécoère-Aéropostale, nas 11 escalas que foram instaladas na costa brasileira. A AMAB apoia projetos relativos à memória franco-brasileira como exposições, eventos, manifestações culturais sobre o tema dos primórdios da aviação civil.

Visite o canal: AMAB

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