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Voar é um desejo que começa em criança!

domingo, 13 de agosto de 2023

Especial de Domingo

Neste dia dos pais, o Núcleo Infantojuvenil de Aviação - NINJA reproduz, novamente, conteúdo do excelente Santos Dumont de próprio punho, como singela homenagem ao nosso Pai da Aviação.
Boa leitura.
Bom domingo!
Feliz Dia dos Pais!

A entrevista a seguir foi um dos destaques da primeira edição de 1914  (1/1/1914) da revista “Lectures pour tous”, concedida por Santos-Dumont ao jornalista Frantz Reichel, em 20 de outubro de 1913, um dia após a inauguração do famoso monumento do Ícaro, construído em Saint-Cloud para marcar o pioneirismo do brasileiro.

NOSSA ENTREVISTA COM SANTOS-DUMONT
Todos sabem que pioneiro da conquista do ar foi o famoso Santos-Dumont. Não seria interessante aprender com ele de onde veio sua vocação, como realizou seus primeiros ensaios e o que pensa do futuro da aviação? Em nome da “Lectures pour tous”, um repórter reconhecido pelo seu conhecimento em assuntos esportivos, o Sr. Frantz Reichel, solicitou que ele respondesse a estas diversas perguntas. É esta entrevista tão instrutiva, alimentada por fatos e ideias, com o Sr. Santos-Dumont e o nosso colaborador, que os nossos leitores vão encontrar aqui. No último dia 19 de outubro, o Sr. L. Barthou, diretor do gabinete do presidente do Conselho, ministro da Instrução Pública da França, inaugurou, no cruzamento das colinas de Saint-Cloud, o monumento erguido pelo Aeroclube da França em grande homenagem à Santos-Dumont.
Na base da estátua, foi gravado o que segue: “Este monumento foi erigido pelo Aeroclube da França para comemorar as experiências de Santos-Dumont, pioneiro da locomoção aérea.” Santos-Dumont assistia à cerimônia. Não há muitos exemplos, na história das conquistas humanas, de inventores que tenham, durante suas vidas, sentido a emocionante honra de receber uma homenagem, em pedra e bronze, pelos seus esforços generosos. Santos-Dumont recebera essa excepcional recompensa a dois passos do parque do Aeroclube da França de onde, no dia 20 de outubro de 1901, ele se lançou a bordo de seu dirigível para tentar ganhar o prêmio de cem mil francos oferecido pelo Sr. Henry Deutsch de la Meurthe ao indivíduo audacioso que, em um aeróstato, e em menos de trinta minutos, lançaria-se das colinas de Saint-Cloud para contornar a torre Eiffel e retornar, sem ter feito escala, ao seu ponto de partida. Ninguém esqueceu a emoção que essa extraordinária façanha causou. Provocou uma verdadeira euforia no mundo inteiro. O homem havia tido, dessa vez, a impressão de que o sonho (ambicioso e orgulhoso) da conquista do ar, perseguido através dos séculos, estava como que realizado.
Durante o espetáculo do dirigível contornando a torre Eiffel e retomando o caminho de volta, pessoas corriam, conversavam, cumprimentavam-se, abraçavam-se. Elas sentiam que, a partir daquele dia, despontava uma época de novas vitórias, de façanhas inéditas e de heroísmo. Santos-Dumont fez mais para a conquista do ar por meio da fé que o inspirava, pelo impulso transmitido, pelas esperanças que fez nascer, pela confiante bravura de suas tentativas intrépidas, do que por suas próprias criações. Ele abriu as portas, suscitou o movimento, e, por isso, foi e é o verdadeiro e magnífico pioneiro da locomoção aérea. Ele ousou; arriscou com simplicidade admirável. E será uma honra para França ter homenageado adequadamente a atividade de um estrangeiro que considera um dos seus e adotou-a como pátria. Santos-Dumont, no dia seguinte à manifestação que consagrou seus atos e sua justa glória, quis revelar aos leitores de Lectures pour tous como alcançou a conquista do ar. 

Avenida du Bois-de-Boulogne, 58: um vasto, claro, elegante rés-do-chão, cujas janelas sorriem ao esplendor verdejante da avenida. Nas lareiras, nos móveis, nas paredes, enfeites lembram as façanhas aéreas de Santos-Dumont. O senhor conhece Santos? Um homenzinho ágil, magro, nervoso, vigoroso; um verdadeiro atleta em miniatura, do peso de cinquenta quilos, que a prática de esportes mantém em perfeitas condições. Ele tem a testa comprida, larga, descoberta, o rosto alongado, os traços bem marcados, simultaneamente resolutos e afáveis. Um pequeno bigode, bastante curto, olhos brilhantes, ágeis completam sua fisionomia tão particular, tão original. De maneira gentil e como que constrangido de ter de falar de si, Santos consente, contudo, a entrevista; dificilmente o faz; porém, para tal, empenho uma obstinação rigorosa e metódica. Ele relata o que segue:

“Sou brasileiro; isto se sabe. Nasci no dia 20 de julho de 1873. Minha juventude se passou no meio de vastas plantações de café que meu pai possuía. Nesse lugar, tive uma vida livre, incomparável para formar o temperamento e suscitar o gosto pela aventura. Desde minha adolescência, tive uma queda extremamente acentuada pelas coisas da mecânica e, como todos aqueles que têm, ou acreditam ter, uma vocação, cultivava a minha com cuidado e paixão. Desde sempre imaginei, construí, dediquei-me a pequenos engenhos mecânicos que me alegravam e rendiam uma grande consideração da família. Minha principal alegria era ocupar-me das instalações mecânicas do meu pai, era da minha competência e ficava bem feliz e orgulhoso. Brilhava, aliás, na minha função; e acredite o senhor que, em uma área tão vasta quanto aquela que possuía meu pai, as instalações mecânicas abundavam. Essa área compreendia sobretudo uma via férrea de uma extensão de mais de cinquenta quilômetros; com frequência, eu mesmo conduzia os trens. Era um dos meus grandes prazeres. Meu gosto pela mecânica levou-me a entrar e estabelecer-me na nossa escola politécnica, de onde saí engenheiro civil. Foi então que vim para a França. Vivo no seu belo país há cerca de vinte e dois anos: eu o amo de um amor quase igual àquele que nutro por minha querida pátria."

POR TER LIDO JÚLIO VERNE
Quando e como (eu o interrompi) o senhor foi conduzido a se envolver com a aeronáutica, a se tornar o pioneiro da conquista do ar?

De maneira bem simples, que provavelmente parecerá inverossímil e extraordinária: graças às leituras de minha juventude fui influenciado a me apaixonar pela conquista do ar. E atribuo essa paixão ao maravilhoso romancista cujo gênio prodigioso, profético, nunca será célebre o suficiente, a Júlio Verne; espírito surpreendente de previsão que, com uma originalidade científica adivinhadora, construiu espontaneamente todas as grandes invenções modernas. Eu amo e venero Júlio Verne, e seria, da minha parte e da parte de todos, a pior ingratidão não reconhecer a influência considerável que ele teve no imaginário das novas gerações. Foi ele que deu a elas o gosto, a curiosidade pelas tentativas mecânicas mais audaciosas, poder-se-ia dizer as mais monstruosas. Tornou-as verossímeis, e a realidade mostrou que, na verdade, ele havia tido razão. Eu tinha, portanto, a ideia de me empenhar pela conquista do ar, que devia ser para o homem, quando fosse realizada, a causa de novas alegrias provocadas pela sensação vitoriosa de agir de maneira consciente, de viver a seu capricho, a sua vontade, em pleno ar livre. O balão esférico, do qual fui um adepto, não provoca essa sensação, essa exaltação vitoriosa. Quando levantamos em um esférico, não temos essa sensação de ação, essa impressão de movimento. É a terra que parece se distanciar; o aeronauta não tem a impressão de que ascende. Ele permanece como que imóvel.

Santos-Dumont para um instante e retoma:

Devo fazer, aqui, uma confissão; não que eu queira privar quem quer que seja da honra de ter empreendido algo, nem exagerar o que pude ou tive a felicidade de fazer, mas por simples homenagem à verdade. Quando comecei minhas pesquisas e experiências, não conhecia nada daquilo que podia ter sido feito antes, ou que era realizado por outros em paralelo aos meus trabalhos. Sei perfeitamente bem que um inventor tem grandes chances de ter êxito: quando é chegado o momento em que deve ser cumprido o tempo previsto. Sei que seus esforços também são, com frequência, o resultado do esforço de outros. Aliás, um inventor pode repentinamente obter sucesso em algo que outros teriam mais bem realizado, mas que não conseguiram porque chegaram cedo demais ou (igual e geralmente) tarde em demasia. Tive a extraordinária sorte de estar presente à ocasião em que os meios para realizar meu sonho e minhas concepções se encontravam à minha disposição. Cheguei no tempo esperado, num bom momento; foi meu glorioso destino, e eu, que acreditara nos maravilhosos sonhos do romancista, contentei-me pura e simplesmente em realizar o que ele imaginara, previra, em uma magnífica e genial concepção.

AS PRIMEIRAS TENTATIVAS
Seus primeiros esforços datam exatamente de qual época?

A possibilidade de conquistar o ar me pareceu evidente em 1892-93, ao longo de uma visita feita ao Salon du Cycle, instalado, naquele momento, no Palácio da Indústria de Paris, onde, pela primeira vez, expunha-se motores de automóveis: eles eram bastante pesados, de 40 a 50 quilogramas com ¼ de cavalo-vapor, e logo pensei que a indústria em pouco tempo consideraria outros resultados e que, dada a existência de um motor a explosão suficientemente potente e leve, a conquista do espaço aéreo não seria difícil. Não me enganara; em alguns anos, a tecnologia do motor à explosão sofreu extraordinárias transformações, devidas essencialmente ao triciclo a petróleo. Desde então, tive pressa de ser o primeiro a navegar em dirigível; eu sentia – como posso dizer? – que a coisa estava no ar. Para estar preparado, eu me envolvera, com empenho, na navegação aérea por meio do balão esférico, desde que se apresentara a ocasião para realizar meus projetos.

Quando o senhor desenhou e construiu seu primeiro dirigível?

Foi em 1898 que construí meu primeiro dirigível – um charuto – inflado a hidrogênio, composto por uma pequena barquinha munida de um motor, de uma hélice e de um leme. Meu balão havia sido inflado nos ateliês de Henri Lachambre, em Vaugirard, e o dia de minha primeira saída, em fevereiro de 1898, o tempo estava horrível; nevava. Essa primeira saída, aliás, quase me foi fatal. A cinco ou seis metros de altura, sobre Longchamp, o aparelho, repentinamente, dobrou-se e a queda começou. De toda minha carreira, esta é a lembrança mais abominável que tenho guardada. Enquanto o balão caía, perguntava-me se os cabos que sustentavam minha barquinha não se romperiam! A queda durou vários minutos e tive tempo de me preparar para a morte. O que começara tão mal, de resto, terminou muito bem; aterrissei incólume.

A EXPERIÊNCIA
O senhor me disse, prontamente, que ignorava todos os trabalhos feitos por aqueles interessados na pesquisa da aviação à época em que se dedicou à conquista do ar. Isso dá a sua obra um valor pessoal muito mais considerável e largamente merecido. Entretanto, desde então, quais foram os métodos empregados para fornecer as soluções tão engenhosas e tão racionais devidas ao senhor pela navegação aérea em “o mais leve” e “o mais pesado” que o ar?

O empirismo…e acredito de bom grado que todos aqueles que, na conquista do ar, atingiram resultados úteis não procederam diferentemente. Partir de dados teóricos, conforme constatei, não conduz a grande coisa; se o erro está na base, ele também está na consequência. Procedi por empirismo na construção de todos meus aparelhos, de todos sem exceção. Parece-me supérfluo lembrar-lhe os inumeráveis modelos de dirigíveis que construí e seria bem difícil lhe dizer o número exato! Acredito, contudo, recordar-me que construí quatorze dirigíveis e aproximadamente dezenove modelos de aeroplanos. Tratando-se tanto de dirigíveis quanto de aeroplanos, e admitindo, mais uma vez, a possibilidade de chocar algumas pessoas dentre as quais lerão esta entrevista: sempre procedi apenas por empirismo. Tateei, experimentei; cada experiência servia a uma próxima; eu continuava de maneira ponderada, com prudência; encontra-se a gênese de meus resultados na variedade de meus engenhos ampliados e modificados de modelo em modelo. Nunca me sentei diante de uma mesa para trabalhar sobre dados abstratos; à medida que realizava testes, aperfeiçoava minhas invenções, segundo o bom senso e a prática. Entretanto, não nego ter sido utilmente assessorado em meus esforços pelos conselhos de alguns técnicos, que foram, contudo, menos felizes na aplicação daquilo que a teoria ensinara-lhes. Eu tinha uma fé absoluta que, com paciência e aplicação, chegar-se-ia a vencer o ar, senão em todas as circunstâncias, ao menos na maioria delas. Nada me desencorajou, tão numerosas as aventuras tenham sido, das quais fui a vítima…aliás feliz, pois a Providência zelou constantemente por mim, já que fui ferido apenas uma vez ao longo de uma aterrissagem em balão livre, em Nice.

O senhor se lembra do número de suas desventuras? Santos-Dumont se recolheu um instante, pôs-se a contar nos dedos, depois:

Certamente que não! Às minhas quedas, não dei muita importância. Tinha fé no meu destino…e nos amuletos que carregava. Os navegadores do ar são, com efeito, como os marinheiros; eles têm crenças e superstições: o progresso da locomoção aérea não os fez renunciar a esses hábitos, e o senhor sabe que todos os aviadores usam no pescoço talismãs cuja perda ou cujo esquecimento desestabilizariam sua coragem. A todas minhas quedas, escapei, com efeito, sem problemas; aconteceu dessa forma quando caí no campo de polo; quando vim a encalhar na propriedade do Barão de Rothschild, na ascensão em Bois-de-Boulogne; quando caí sobre os telhados de Passy, ou sobre as árvores de Saint-Cloud; quando o vento me empurrou em direção ao aqueduto do Avre; e, enfim, em Monte-Carlo, quando naufraguei no porto. Em todas essas quedas, não tive emoção alguma; foi breve e natural; desci simplesmente e, em alguns segundos, estava imóvel. Nos telhados de Passy, foi instantâneo: um estalo e estava enganchado. Apenas tive, após ter adquirido paciência, de fazer um pouco de ginástica: na verdade, pouco de perigo e nada de emoção. Ao contrário, foram essas aventuras que me tranquilizaram e deram confiança. Com calma e presença de espírito, o homem pode se defender melhor na navegação aérea do que na locomoção terrestre. Reitero ao senhor: a única aventura angustiante foi minha primeira queda, quando meu balão se dobrou.

DO DIRIGÍVEL AO AEROPLANO

Qual é, quais são suas mais ternas lembranças?

Tenho tantas lembranças que escolher a mais terna dentre elas, a mais preciosa, é muito difícil, para não dizer impossível. E seria ingratidão. Não são, acredite mesmo, os dias que foram, então, considerados como aqueles de vitórias definitivas que ocupam o lugar mais importante no meu coração; recordo-me com maior emoção das primeiras tentativas, daquelas que, consolidando as audaciosas esperanças de uns e outros, e as minhas, mostravam que era de fato possível conquistar cedo ou tarde o espaço aéreo. Essas tentativas eram, para mim, o que são, para a mãe e o pai, os primeiros passos de um filho que, entregue à própria sorte, vai dos braços da mãe aos do pai. Certamente, passei por uma nobre emoção no dia em que, com felicidade, tive êxito na viagem de Saint-Cloud à Torre Eiffel, ida e volta, pois era o primeiro grande experimento do balão automóvel, mas sabe-se que, cedo ou tarde, por mim ou por outros, ele seria concluído. Tive simplesmente a magnífica sorte de ser o primeiro. Por isso, tal evento me alegrava excepcionalmente, porque provocaria, sem dúvida, emulações e, em consequência, desencadearia progressos cuja humanidade logo se beneficiaria.

Mas como o senhor foi conduzido a passar subitamente do dirigível ao aeroplano?

Após alguns sobrevoos em Longchamp, em Paris e, sobretudo, aquele onde fiz escala no Champs-Elysées, em frente ao imóvel em que vivia, considerei, quanto ao dirigível, minha tarefa como cumprida; comportava-me como sportsman cientista e não tinha, por isso, nenhuma intenção de industrializar minhas pesquisas providencialmente favoráveis. O motor de automóvel tinha sido, em alguns anos, tão aperfeiçoado que se evidenciou, então, o fato de o homem poder, enfim, empenhar-se em rivalizar com o pássaro; e, lançando “o mais leve que o ar”, pus-me com urgência a trabalhar “o mais pesado”. Devo, aqui, afirmar igualmente que nada subtraí de outros. Tinha, provavelmente, ouvido falar dos Wright, mas ignorava seus trabalhos, os resultados atingidos por eles quando, em 1905, comecei no aeroplano. Tratando da aviação, continuei procedendo por empirismo. E, sem querer em qualquer momento diminuir o que outros fizeram, e então muito melhor do que eu, não posso ser acusado de tê-los copiado. Para se convencer disso, basta comparar meus aparelhos da época com os utilizados então.

A PRIMEIRA “DEMOISELLE”
É necessário recordar minhas primeiras e tímidas experiências com o canard de asas de tipo celular em V? Aqueles que foram as testemunhas dessas primeiras tentativas, ao longo das quais consegui deixar o solo em 7, depois 13, 60, 160 e 220 metros, enfim conheceram emoções e alegrias desproporcionadas com os resultados adquiridos; mas nisso ainda tive a sorte extraordinária de ser o campeão de suas esperanças. Eis a verdade! Eu entrara em cena no dia certo. Minhas primeiras experiências de aeroplano aconteceram em Bagatelle. Depois de meu voo, meu salto de 220 metros, transportei meu campo de ação para Issy-les-Moulineaux, mais vasto e deserto. Foi então que, renunciando ao gigantesco aparelho de minhas primeiras pesquisas, iniciei a construção do monoplano “la Demoiselle”, que renovava o primeiro monoplano concebido, construído e experimentado por Ader. Encontrei, na minha prática, sérias dificuldades; elas vinham do motor. Sempre fui partidário – e sou ainda mais do que antes – de um aparelho leve, que dispõe de uma fonte de energia suficientemente grande, a fim de poder voar com facilidade e se defender utilmente no ar da decolagem à aterrissagem. Os motores de então, mesmo tão aperfeiçoados, estavam ainda demasiadamente pesados. Foi, nesse momento, que pensei em aplicar o motor horizontal e que utilizei o Dutheil-Chalmers, com o qual obtive resultados suficientemente satisfatórios, mas que não valem comparados aos conquistados por mim com o motor que desenhei e cuja construção foi infelizmente abandonada. Em Issy-les-Moulineaux, somente pude treinar em linha reta, mas meu aparelho estava tão rápido e suas qualidades tão seguras, que sonhei em ultrapassar os limites da propriedade e pôr-me à prova em voos pela campanha, e, como se tornava perigoso voar em Issy, devido à multidão que os experimentos atraíam para esse local, desloquei-me para Saint-Cyr. Estava muito satisfeito com minha “Demoiselle”, com a qual completei velocidades de 90 quilômetros por hora, o que, para a época, era uma velocidade relevante. Fiz algumas ascensões que tiveram repercussões, sobretudo aquela que me dirigiu ao castelo de Wideville, onde fui acolhido com entusiasmo do qual ninguém duvidará. Eu era, naquela época, o pássaro raro. Isso é quase toda minha história.

O senhor sabe que sua aposentadoria repentina é o que surpreende. Lastima-se que não tenha trabalhado mais longamente sua “Demoiselle”.

Tal qual era em 1910, é, com efeito, a “Demoiselle” em 1913, - retoma Santos-Dumont. Ela teve seus adeptos, e ainda posso dizer que me orgulho de ter fornecido a dois dos mais conhecidos aviadores modernos, a Roland Garros e a Audemars, o aparelho de sua estreia. Foi com minha “Demoiselle” que Roland Garros estreou: aquela com a qual fiz as ascensões e a visita que o senhor sabe, Roland Garros fez seu aprendizado. Ele comprara de mim uma “Demoiselle”, e, no dia 9 de setembro de 1910, efetuou a travessia do rio Rance, de Paramé à Dinard, passando sobre Saint-Malo; no dia seguinte, deslocou-se de Dinard até a ilha de Cézembre, em oito minutos e seis segundos. Por sua vez, Audemars adquiriu sua “Demoiselle” na maison Clément, que havia começado a construir essa máquina.

O senhor renunciara completamente à navegação aérea desde 1910. O que motivou o seu retorno?

Retornei à navegação este ano, porque me pareceu que o motor aeronáutico havia realizado progressos tais, que se podia, enfim, construir os aeroplanos leves, robustos, práticos os quais sonhara. Quis, inicialmente, introduzir-me aos aparelhos modernos, e havia mesmo começado meu treinamento. Tentei, sinceramente, familiarizar-me com os comandos atuais; não tenho a pretensão de criticá-los, mas foi bem difícil adaptar-me a essas manobras, que são contraintuitivas; elas trabalham tanto os pés quanto as mãos e são contrárias aos gestos comandados pelo instinto. Desaprovo isso; tenho medo que, em situações graves, quando o piloto não se controla mais o suficiente, seu instinto, vencendo, dirija-o a movimentos que o fazem se perder em vez de se salvar. Havia imaginado um aparelho permitindo o aprendizado fácil desses diferentes movimentos, mas não pude submeter-me a essas manobras e preferi renunciar aos aparelhos modernos para retornar pura e simplesmente à minha “Demoiselle”.

MINHA NOVA MÁQUINA
Devo aos senhores Morane e Saulnier uma nova ‘Demoiselle’, construída de maneira perfeita, muito mais sólida, muito mais robusta, muito mais ágil em relação àquelas que foram seus ancestrais. Leve, dispondo de um motor de 50 cavalos, tenho nela um instrumento de turismo que considero perfeito e que oferece as mais altas garantias de segurança; conservei minha “curvatura”, apenas pela manobra do corpo, com a ajuda de correias que agem na extremidade das asas e criam a torção desejável, pelo único fato de o piloto se inclinar do lado oposto ao da queda, e tanto quanto for necessário para obter a correção conveniente. Agrada-me nesse sistema não muito mecânico, eu reconheço, mas extremamente seguro, extremamente maleável, ter de me encarregar apenas com a direção do aparelho; e, como estou sentado sob minhas asas, disponho de uma visibilidade admirável que me permite controlar a aterrissagem à minha maneira. Penso, com efeito, que muitas dessas quedas mortais que lamentamos foram provocadas pela necessidade na qual os pilotos se encontram, no momento da aterrissagem, de colocar o aparelho cabeça para baixo e cauda para cima para ver o solo. Quando, então, em virtude de um ângulo desmesurado, eles se chocam contra o solo, ou quando, faltando velocidade, levam de repente uma rajada de vento, ocasionando a capotagem e a queda com suas consequências desoladoras. A meu ver, pouso com as asas altas, por assim dizer; desço em posição normal.

CONSELHO AOS CONSTRUTORES
Não acredito, na verdade, que o aeroplano deva, no futuro, mudar muito, mas se tivesse uma observação a dar aos construtores, dir-lhes-ia que cegaram ao exagerar a potência de seus aparelhos; eles se lastimam que a aviação civil não se desenvolve, mas são eles mesmos que a tornam verdadeira e demasiadamente dispendiosa. Do motor de 50 cavalos passou-se ao de 70, 80, 100, 160 cavalos; eis que nos encontramos no de 200 cavalos! Aparelhos de 30.000 a 45.000 francos são excessivamente caros, não somente do ponto de vista do valor de compra, mas, sobretudo, se consideramos sua utilização. O quilômetro/“voo” custa valores exorbitantes; esses motores tão potentes são embebidos de petróleo e de óleo: a menor ascensão se torna uma prodigalidade! Se compreendemos muito bem que a aviação militar necessite de aparelhos que por sua força possam ascender a todo o momento, porque, para lutar, não se escolherá nem o dia, nem a hora, acredito ser um erro grave querer fazer, para a aviação civil, aparelhos de todas as formas. Neste momento, o aparelho civil deve ser considerado antes de tudo e, sobretudo, na área dos construtores, como um aparelho de turismo e de esporte ocasional. Por exemplo, os iates à vela de nossos rios ou de nossos portos, tão bons navegadores, tão ótimos veleiros, têm a pretensão de poder enfrentar o mar e o vento em todas as ocasiões? Eles esperam seu dia, a maré favorável, o vento propício, e, se as condições marítimas e atmosféricas não são aquelas esperadas, permanecem ancorados, abrigados no porto! A marinha de guerra necessita de navios que partam todos os dias, que partam a todo o momento. O sportsman, o turista e mesmo o comerciante não necessitam completamente de um navio que enfrente todas as dificuldades do mar e do ar. Igualmente para a aviação. Sempre buscando a realização do aeroplano para todos os dias e para qualquer momento, os construtores deveriam se empenhar para criar o aeroplano de esporte, de simples adesão, para belos dias, para o tempo bom, leve, barato. Veja o céu! Será que os pássaros permanecem no ninho quando o céu está contra eles? É o instinto deles que os faz ficar; quanto ao homem, a razão é o seu instinto. Desejo que os construtores franceses cheguem à fórmula que indico; eles prestarão um grande serviço à causa da aviação e a si mesmos, fornecendo a muitas pessoas, que desejariam se dar asas, a ocasião de adquiri-las, mas que renunciam ao turismo e ao esporte aéreos porque são dispendiosos, e não porque acham perigosos.

Assim relatou o Sr. Santos-Dumont. Agradeci a ele pelos detalhes que fornecera a respeito de si e da origem de sua extraordinária vocação, e mais ainda pelas opiniões que expusera sobre a aviação moderna. Parece que os fatos lhe dão constantemente razão! Alguns dias após esta entrevista, o aviador Perreyon, que todos consideravam um piloto que sua ciência, sua experiência, seu sangue-frio protegiam-no de um acidente, faleceu na cidade de Buc em um acidente de aterrissagem, no momento em que os acidentes mortais se multiplicam na França e no estrangeiro, na aviação civil e militar. Se alguns acidentes tinham sido comunicados com esta menção: “por uma causa desconhecida”, a maior parte era motivada por uma má aterrissagem. Devo recordar aqui o mais trágico de todos? Aquele ocorrido na cidade de Bethon, próximo de Epernay, com o tenente Briault e o soldado Brouillard, que, em um pouso infeliz, foram mortos carbonizados nas ferragens de seu aparelho em chamas? A aviação francesa passa, do ponto de vista industrial, por um período difícil: ela tem como clientes apenas o as forças armadas da França e os governos estrangeiros, estes últimos pouco a pouco tentando realizar o próprio abastecimento ou buscando provimentos por outra via. É necessário que nossos construtores voltem seus esforços para a aviação civil, fazendo dela um esporte e um meio de turismo ocasional, excepcional, delicioso e vencedor. As forças armadas alimentam o projeto – denegado, mas inevitável – de se tornar seu construtor. A partir de então, elas decidiram admitir na formação de suas esquadrilhas apenas três marcas de aparelhos, quatro no máximo. Hoje, uma dezena de marcas supre as forças armadas, e sua concorrência assegura o progresso da aviação. O dia em que a concorrência for limitada a quatro marcas oficiais, essa concorrência perderá sua intensidade e suas consequências fecundas serão quase nulas. Sozinha, então, a aviação civil garantirá o futuro da conquista do ar. É preciso pensar nela.

Frantz REICHEL

Tradução: Janaína Pinto Soares

sábado, 12 de agosto de 2023

FAB em Destaque

Revista eletrônica da FAB com as notícias de 04 a 10/08
O FAB EM DESTAQUE desta semana traz as principais notícias da Força Aérea Brasileira (FAB), de 04 e 10 de agosto. Entre elas, os ganhadores do Concurso de Fotografia que homenageou Santos Dumont; a conquista do pódio do Sargento Marcus D'Almeida no Campeonato Mundial de Tiro com Arco Hyundai, em Berlim, na Alemanha; a conclusão do Estágio de Adaptação da EEAR; o encerramento da Reunião dos Controladores de Operações Aéreas Militares e a visita dos Ministros da Defesa e das Comunicações ao Centro de Operações Espaciais da FAB.

Fonte: FAB

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quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Embraer

Eve e DHL Supply Chain fazem parceria para a concepção da cadeia logística para suporte dos eVTOLs
A Eve Air Mobility (“Eve”) e a DHL Supply Chain, líder global em armazenagem e distribuição, anunciaram a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) que visa realizar um primeiro estudo das principais demandas e características da cadeia de suprimentos da operação da aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL, na sigla em inglês para electric vertical take-off and landing aircraft) da Eve. O principal objetivo da parceria é estudar formas de fornecimento de peças de reposição e insumos para operadores e oficinas, com foco para as baterias e suas particularidades de transporte, armazenamento e descarte. Outros aspectos envolvidos são os tipos de modais que serão utilizados para transporte, frequência e plano de entregas, parceiros logísticos necessários, potenciais locais para estoques avançados, requerimentos de infraestrutura física e tecnológica e planos de contingência. “Estamos transformando a mobilidade aérea urbana, e isso também traz um desafio na área logística. A experiência da DHL nesta área no mercado aeronáutico e em dezenas de outras indústrias, somada à mentalidade de inovação de ambas as empresas, será vital para garantir a operação segura e ágil dos eVTOLs,” comentou Luiz Mauad, vice-presidente de Serviços e Operações de Frotas da Eve. “Além de se tratar de uma logística de alta performance, temos como premissa reduzir o impacto ambiental da cadeia de suprimentos em linha com nossa proposta de oferecer produtos e serviços mais sustentáveis.” “Estamos muito animados com esta oportunidade de participar da construção do futuro da mobilidade com a Eve Air Mobility. Iniciativas como essa fazem parte da nossa grande missão ESG, e estamos aportando todo nosso conhecimento e experiência, em favor de que este seja mais um grande projeto de sucesso desenvolvido pela indústria aérea brasileira, com benefícios para grandes cidades de todo mundo”, disse o Vice-presidente dos setores Automotivo, Tecnologia e Consumo da DHL Supply Chain, Maurício Almeida. O estudo logístico a ser realizado pelas empresas abrange distribuição contínua de partes e peças para reparos e manutenção. Outro ponto fundamental é a logística das baterias, fator chave neste modelo de negócios, na qual a DHL deverá aplicar sua experiência no manuseio de baterias de outras indústrias. Por fim, o abastecimento de suprimentos gerais para os vertiportos também será estudado pelas empresas. Com o maior backlog da indústria de Mobilidade Aérea Urbana (UAM) para até 2.850 aeronaves, a Eve segue com marcos importantes no desenvolvimento de seu eVTOL e de suas soluções agnósticas para o ecossistema deste mercado, que incluem um software único de Gerenciamento de Tráfego Aéreo Urbano (Urban ATM), uma rede abrangente de serviços e soluções de operações. As primeiras entregas e entrada em serviço estão planejadas para 2026.

Fonte: Embraer

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quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Aeronaves

Cessna SkyCourier é certificado pela ANAC no Brasil

A Textron Aviation garante certificação da Autoridade Nacional de Aviação Civil do Brasil (ANAC) para Cessna SkyCourier, abrindo caminho para vendas no Brasil.

A Textron Aviation anunciou hoje que o turboélice utilitário bimotor Cessna SkyCourier recebeu a certificação de tipo pela Autoridade Nacional de Aviação Civil do Brasil (ANAC). A certificação abre caminho para que a aeronave atenda ao dinâmico e expansivo mercado brasileiro e atender às suas diversas necessidades de aviação. “A alta capacidade de carga do Cessna SkyCourier, a capacidade de decolagem e pouso curtos e a economia tornam-no uma ótima escolha para as operadoras no Brasil”, disse Lannie O’Bannion, vice-presidente sênior de Vendas Globais e Operações de Voo. “A versatilidade e o desempenho da aeronave equipam os clientes da região com soluções inteligentes para suas missões e circunstâncias únicas.” A aeronave oferece uma combinação incomparável de desempenho e capacidade, posicionando-a como um catalisador para conectividade regional aprimorada, transporte de carga eficiente e operações regionais confiáveis com passageiros. O SkyCourier é ideal para a geografia diversificada do Brasil, locais remotos e crescente demanda por transporte aéreo. A adaptabilidade do SkyCourier permite transições perfeitas entre diferentes perfis de missão, incluindo transporte de passageiros, entrega de carga e operações de missões especiais. Com sua capacidade de pouso e decolagem curta, a aeronave pode operar em pistas menores, alcançando comunidades remotas e atendendo locais com infraestrutura limitada. Além disso, a opção de kit de cascalho recentemente certificado expande ainda mais a capacidade do SkyCourier de operar em pistas não aprimoradas. O turboélice bimotor Cessna SkyCourier oferece uma combinação de desempenho e custos operacionais mais baixos para operadores de frete aéreo, passageiros e missões especiais. Além da variante de cargueiro, há uma variante de 19 passageiros do SkyCourier que inclui tripulantes separados e entradas de passageiros para embarque suave, bem como grandes janelas de cabine para luz natural e vistas. Ambas as configurações oferecem reabastecimento de pressão de ponto único para permitir retornos mais rápidos. Projetado com facilidade de manutenção em primeiro lugar, o SkyCourier apresenta sistemas simples e pontos de acesso fáceis em toda a aeronave para facilitar a manutenção. A equipe também desenvolveu maneiras inovadoras de converter opcionalmente a aeronave de uma configuração de passageiros de 19 lugares para uma configuração de carga usando assentos de liberação rápida com patente pendente e anteparas removíveis.

Fonte: Fernando Valduga / Cavok

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terça-feira, 8 de agosto de 2023

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

LABACE 2023

Com mais de 40 aeronaves, maior feira de aviação executiva da América Latina começa amanhã em SP
Amanhã, dia 8 de agosto, terça-feira, começa o maior evento de aviação de negócios da América Latina. A Labace 2023 (Latin American Business Aviation Conference & Exhibition) acontece de terça a quinta-feira no Aeroporto de Congonhas e vai reunir mais de 40 aeronaves expostas, incluindo os maiores jatos executivos, e cerca de 100 empresas. Ao longo dos 3 dias, são esperadas 15 mil pessoas. Desde o início da pandemia, o segmento da aviação geral tem experimentado um notável crescimento. Atualmente, o Brasil conta com uma importante frota de aeronaves de negócios, totalizando 9.696 unidades, que incluem turboélices, jatos e helicópteros. Entre maio de 2022 e maio de 2023, a frota de jatos executivos expandiu-se em 7,4%, enquanto o número de helicópteros a turbina aumentou 6,4%. Notavelmente, a frota de aeronaves turboélice teve um impressionante crescimento de 12,6%. Esses números ilustram um cenário de fortalecimento e diversificação no setor da aviação de negócios no país, enfatizando a importância dessa área no atual contexto econômico e social, bem como no aumento da capacidade e conectividade do Transporte Aéreo do País. Amanhã, terça-feira, dia 8 de agosto, a abertura oficial do evento será às 10h30. Nos demais dias, a feira acontece das 12h às 20h.

Fonte: Carlos Ferreira / AEROIN

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domingo, 6 de agosto de 2023

Especial de Domingo

Selecionamos do INCAER - Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica, novamente, texto do Cel Av R1 Manuel Bezerra Barreto Reale sobre o brasileiro precursor da aeronáutica, Padre Bartolomeu de Gusmão.
Boa leitura.
Bom domingo!

Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão
O Sacerdote que sonhava voar


Na coleção de vultos que se destacam na História Universal das Ciências e das glórias nacionais, um nome assume um primacial relevo: Bartolomeu Lourenço de Gusmão. Bartolomeu viveu numa época em que as novas idéias eram muito incompreendidas e o mundo estava mergulhado nas trevas da Inquisição. Seria Bartolomeu de Gusmão, como é mais conhecido, somente um sacerdote ou um inventor? Hoje temos certeza de que foi muito mais que isso. Foi, antes de tudo, um visionário, um homem que, apesar de todas as pressões sofridas, foi um transgressor dos limites de seu tempo, indo muito mais além da imaginação dominante na época. Dedicado aos estudos, tanto o de natureza humana quanto o das necessidades físicas do momento, foi um sonhador. Via nos céus, ao mesmo tempo, a liberdade da sua imaginação visionária e aquela do homem que, despegado de suas raízes terrenas, poderia ascender, por meio de um engenho, ao firmamento, para vislumbrar o horizonte infinito. Possuidor de uma vasta cultura para o ambiente que reinava em Portugal na época era também poliglota, pois como fala Diogo Barbosa Machado: “Foi versado nas línguas principais, sabendo com pureza a Latina, falando com promptidão a Francesa, e a Italiana, e tinha grande inteligência da Grega, e Hebraica”. Incompreendido no seu tempo, ele foi acusado várias vezes de feiticeiro por alguns e satirizado por poetaços de valor duvidoso. Nesse mar de incompreensão, de crendices e de ignorância viveu até ao fim de seus dias Assim, por intermédio dessa sintética visão de sua vida poderemos exaltar e engrandecer os feitos desse brasileiro, pouco conhecido por nós, e apadrinhado pelos portugueses, como o homem que vislumbrou os ares como um meio de navegação e de observação da Terra e que deu aos homens o “insite” do domínio do ar.

Sua Infância
Bartolomeu nasceu na Vila de Santos, em dia ignoto do ano de 1685, tendo sido batizado numa Igreja Paroquial numa segunda-feira, 19 de dezembro de 1685. Como naquela época havia uma profundíssima fé, era comum que os recém-nascidos fossem logo batizados. Portanto, ele deve ter nascido, porventura, nesse mesmo dia, ou na véspera, ou, quando muito, na semana anterior, permanecendo até hoje essa indefinição. Nasceu num prédio que existiu na antiga Rua Santo Antonio, hoje Rua do Comércio, sendo o quarto de 12 filhos de Francisco Lourenço ou Francisco Lourenço Rodrigues, cirurgião-mor do presídio da então Vila de Santos, e de Dona Maria Álvares. Possuidor de profundas raízes brasileiras, conforme revela Pedro Taques, em sua “Nobiliarchia Paulistana”, descendia, por linha materna, de uma tetravó paulista, sendo também paulistas sua mãe, a avó, a bisavó e a trisavó, e, quanto à linha paterna, não se alcançou mais de duas gerações radicadas no Brasil. Torna-se, assim, o primeiro filho das terras do Novo Mundo cujo nome é cercado do mais alto realce, e inserido nas tábuas da História das Ciências. Muito se discutiu sobre o verdadeiro nome do Padre voador, pois ele utilizou e assinou várias vezes com nomes diferentes, embora todos convergissem para o utilizado nos últimos anos de sua vida. Bartolomeu assim se subscrevia: o nome de batismo Bertholameu Lourenço, com que assina os “Autos de Greve et Morisus”, conservados no Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo; em seguida, o de Bartolomeu Lourenço, como está na sua famosa “Petição”; e, provavelmente, nos últimos anos de sua existência, em homenagem ao seu amigo e protetor Alexandre de Gusmão, aditou o nome de Gusmão. Pouco se sabe sobre a infância de Bartolomeu. Provavelmente cursou as primeiras letras na própria Capitania de São Vicente, no Colégio São Miguel, então o único estabelecimento educacional da região. Prosseguiu seus estudos na Capitania da Bahia, ingressando no Seminário de Belém, em Cachoeira, uma pequena povoação no Recôncavo Baiano, encravada no Vale do Rio Paraguaçu, onde seu profícuo espírito de inventor teria aflorado. No Seminário demonstrou raro talento para o estudo das Ciências e suas aplicações. Como manifestação de seu espírito ativo de transformar suas idéias em aplicações práticas, atua com rara inteligência numa deficiência que o Seminário sofria com a escassez de água para o serviço interno e para a alimentação. O Seminário, construído sobre um monte, ressentia-se de ter água para o seu consumo, tanto na alimentação como para os afazeres domésticos, tornando a comunidade totalmente dependente. Bartolomeu estudou o assunto e por meio de um cano e maquinismo fez subir ao convento a água de um brejo que ficava abaixo do nível do seminário 460 palmos, aproximadamente 101,20 metros. Ao término do curso no Seminário de Belém, em 1699, Bartolomeu retornou a Salvador, capital do Brasil à época, e ingressou na Companhia de Jesus, de onde saiu antes de se formar jesuíta, em 1701.

A Primeira Saída do Brasil
Viajou para Lisboa, onde chegou já famoso por sua memória extraordinária, ficando hospedado na casa do 3º Marquês de Fontes, que se impressionara com os dotes intelectuais do jovem. Contava ele então apenas 16 anos. Desde cedo evidenciou seu raro talento, uma cultura incontestável e uma portentosa capacidade de memorização. Nessa sua primeira ida a Portugal causou formidável impressão nos meios culturais lusitanos, por seu vasto leque de conhecimentos, e por sua personalidade, assim explicitada por Diogo Barbosa Machado, patriarca da bibliografia portuguesa:

“Sendo tão douto em várias ciências, nunca se lhe descobriu o menor sinal de vanglória; antes, sem afetação, era tão modesto no semblante como afável no gênio, parecendo muitas vezes a quem não o conhecia que não era depósito de tantos tesouros científicos.” 

Em 1702, Bartolomeu retornou ao Brasil, dando início ao processo de sua ordenação sacerdotal. Mais tarde, quando deixou o noviçado, ele pediu patente à Câmara da Bahia para o seu aparelho de anos atrás, o “invento para fazer subir água a toda a distância e altura que se quiser levar”. A Câmara concedeu o privilégio em 12 de dezembro de 1705. Em seguida, solicitou que o mesmo fosse estendido a todo o Estado do Brasil, o que foi concedido em 18 de novembro de 1706. Após esse processo, em 23 de março de 1707, ao requerimento foi dado despacho favorável pelo Rei D. João V. Foi essa a primeira patente de invenção outorgada a um brasileiro. A constatação da prodigiosa memória de Bartolomeu de Gusmão encontra-se num opúsculo inédito do Padre João Baptista de Castro, datado de 1766, e faz parte do Cod. CXII 12-14 da Biblioteca Pública de Évora: 

“Aprendendo eu filosofia no ano de 1715 com o rev. pe. Filippe Neri, da Congregação do Oratório, i fazer na casa da aula ao dr. Bartholomeu Lourenço de Gusmão, chamado o Voador, notáveis ostentações de memória local que pareciam exceder as forças humanas. Abria-se um livro de folha que ele nunca tinha lido; punha-se a ler duas ou quatro páginas de uma só vez, e as tornava a repetir fielmente; o que mais admirava era também repeti-las de baixo para cima. Foi um homem de grande esfera e que mereceu grandes aplausos nesta corte, mas malogrado.”

A Segunda Saída do Brasil e a Famosa “Petição”
Bartolomeu retorna a Portugal no fim de 1708 ou em 1709, data ainda imprecisa. Há relatos que afirmam sua matricula na Faculdade de Cânones da Universidade de Coimbra em dezembro de 1708. Como seu objetivo e sua pesquisa estavam voltados para a confecção do aeróstato, interrompe seus estudos e falta à última matrícula. Nesse ínterim concluiu seus estudos sobre sua grande invenção, que iria marcar essa época incontestavelmente e mostraria ao mundo a utilização do ar para benefício da Humanidade. Dirige a D. João V uma famosa petição, tendo Freire de Carvalho como primeiro a transcrever e que tem diversos apógrafos com variantes solicitando o privilégio para sua investigação, nos termos que se segue:

“Senhor. Diz o licenciado Bartholomeu Lourenço, que elle tem descoberto hum instrumento para andar pello ar, da mesma Sorte que pella terra, e pello mar, e com muito mais brevidade, fazendo se muitas Vezes duzentas, e mais legoas por dia no qual instrumento se poderão levar os avizos de mais importancia aos exercitos, e as terras muito remotas, quasi no mesmo tempo em que se resolverem, em que enteressa a Vossa Magestade muito mais do que nenhum dos outros Principes, pella Mayor distancia dos Seus dominios, evitandosse desta Sorte, os disgovernos das Conquistas, que procedam em grande parte de chegar muito mais tarde as noticias dellas a Vossa Magestade. Além do que poderá Vossa Magestade mandar vir o precioso dellas, muito mais brevemente e mais Seguro poderão os homens de negocio passar letra, e Cabedaes com a mesma brevidade, e todas as praças Citiadas poderão ser Socorridas, tanto de Gente, como de munições, e viveres a todo tempo e retirarem se dellas, todas as pessoas que quizerem. Sem que o inimigo o possa impedir; Discubrir se hão as Regiões que ficarão mais vizinhas aos Pollos do Mundo, sendo da Nação Portuguesa a gloria deste descobrimento que tantas vezes tem intentado inutilmente os estrangeiros; Saber se hão as Verdadeiras Longitudes de todo o Mundo, que por estarem erradas nos Mapas causão muitos Naufragios; Além de infinitas Conviniências que mostrará o tempo, e outras que por si são Notorias, que todas merecem a Real atenção de Vossa Magestade, porque deste invento tão Util Se podem Seguir Muytas discórdias, e facilitandosse e muito mais na confiança de Se poder passar Logo a outro Reyno, estando reduzido o dito Vso a huma só pessoa, a quem se mandem a todo o tempo as ordens que forem Convinientes, a Respeito do dito transporte, e prohibindosse a todas as mais, sob graves penas e he bem se Remunere ao Supplicante um invento de tanta importancia. Pede a Vossa Magestade Seja Servido Conceder ao Supplicante o privilegio de que pondo por obra o dito inventivo, nenhuma pessoa de qualquer qualidade possa Usar delle em nenhum tempo neste Reyno, e Suas Conquistas com quais quer pretextos, Sem licença do Supplicante ou de seus Herdeiros Sob pena de perdimento de todos seus bens (...).”

Como despacho à Resolução, segue o texto:

“Como parecer à Mesa: e além das penas, acrescento a de morte aos transgressores e para com mais vontade o Supplicante se aplicar ao novo instrumento, obrando os effeitos, que relata, lhe faço mercê da primeira Dignidade, que vagar em minhas Collegiadas de Barcelos, ou Santare, e de Lente de Prima de Mathematica na Minha Universidade de Coimbra, com seiscentos mil réis de renda, que crio de novo em vista do Supplicante somente. Lisboa, 17 de abril de 1709. Com rubrica de Sua Magestade.

As Experiências com Balões
Com o deferimento da sua Petição de Privilégio, e sempre protegido por D. João V, que reconhecia seu invulgar talento, resolve Bartolomeu realizar e tornar público seus experimentos. A leitura de documentos da época nos conduz a uma pequena síntese de que Bartolomeu construiu um aeróstato sem cubagem para criar força ascensional capaz de elevar um homem a luz do princípio de Arquimedes. Comprovadamente realizou quatro experimentos:

– Em 3 de agosto de 1709, quis fazer exame ou experiência, do invento de voar – para isso foi à casa que fica debaixo das embaixadas, na Sala de Audiências – que não surtiu efeito, sem que o balão se elevasse;

– Em 5 de agosto de 1709, na Sala das Embaixadas, com um meio globo de madeira delgado, e dentro trazia um globo de papel grosso, mantendo-lhe no fundo uma tigela com fogo material; o qual subiu 20 palmos e como o fogo ia bem aceso, começou a arder o papel subindo, sendo destruído pelos criados da Casa Real, receosos da propagação de um incêndio, assistindo a tudo Sua Majestade com toda a Casa Real e várias pessoas;

– Em 8 de agosto de 1709, no pátio da Casa da Índia diante de Sua Majestade e com muita fidalguia seu balão subiu suavemente à altura da sala das embaixadas e, do mesmo modo, desceu suavemente, caindo no Terreiro do Paço;

– Em 3 de outubro de 1709, no pátio da Casa da Índia, com o instrumento de voar que tendo, subido a bastante altura, desceu em seguida sem problema.

A “Passarola”


Os princípios físicos utilizados por Gusmão eram verdadeiros e o são até hoje. O ar, quando aquecido, perde densidade e torna-se mais leve do que o ar ambiente e tem como consequência dessa diferença de temperatura e densidade, sua elevação. Essa primazia de utilizar o ar quente nos balões para erguer um objeto às alturas é de Bartolomeu. Com a divulgação da sua “Petição”, aceita pelo Rei em 17 de abril de 1709, a qual notificava a cessão da patente de um “instrumento para se andar pelo ar”, que mais tarde seria conhecido por aeróstato ou balão, muito reboliço causou nos meios acadêmicos e no seio da população de Lisboa. Essa divulgação pública se ramificou em vários reinos europeus, que geraram uma divulgação maior com publicações contendo estampas fantasiosas que retratavam o invento como uma barca com um formato parecido com um pássaro que ficou conhecido vulgarmente como “Passarola”. As primeiras ilustrações da “Passarola” são de autoria do primogênito do 3º Marquês de Fontes, D. Joaquim Francisco de Sá Almeida e Menezes, com a conivência de Bartolomeu, pois o mesmo era seu aluno. Esperava, dessa maneira, melhor proteger o segredo confiado à sua guarda e, ainda, ludibriar os bisbilhoteiros. Atualmente, temos conhecimento de que a forma dos balões, utilizadas por Bartolomeu, nunca ficou bem determinada, sendo que a série de documentos e estampas apócrifos divulgados por seus adversários (inclusive por ele), muito contribuíram para a confusão e perfeita concepção do modelo. Como visto acima, é bem provável que Bartolomeu tenha divulgado a estampa da “Passarola” e outras falsas informações para camuflar suas observações, como fazia regularmente.

A Morte de Bartolomeu de Gusmão
Foi mergulhado num ambiente repleto de detratores, de superstições e ignorância, onde o Santo Ofício dominava por completo a consciência do Rei, que resultou a sua perseguição pelo Tribunal de Inquisição. Ciente de que seria declarado culpado em processo de calúnia e intrigas movido por seus opositores, e sua prisão decretada em 26 de setembro de 1724, antecipou-se a esse evento e fugiu com seu jovem irmão, João de Santa Maria, religioso carmelita de 24 anos. A intenção de Bartolomeu era refugiar-se em Paris, seguindo viagem via Madri. Sua saúde nesse período estava muito abalada e, quando se encontrava na cidade de Toledo, não resistiu e, debilitado, interrompeu sua viagem, vindo a falecer no Hospital de Misericórdia. Era dia 19 de novembro de 1724, uma data que não devemos esquecer. Bartolomeu retirava-se para sempre desse viver terreno, esse brasileiro notabilíssimo, que dera ao Brasil e a Portugal a primazia, na História, de serem os precursores da busca pelo domínio do ar e da Navegação Aérea. O momento em que Bartolomeu alçou seu voo mais alto e se despegou desse mundo está registrado na transcrição da Certidão de Óbito desse ilustre homem da Ciência, precioso documento que o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro recebeu em doação, acompanhando um certificado de Francisco Adolpho Varnhagen, encarregado de negócios do Brasil em Madri, e copiado por Dom Joaquim Martinez, cura colado da Igreja Paroquial de Santa Leocádia e São Romão, na cidade de Toledo, que o extraiu das folhas 115 do livro dos falecidos, que começou no ano de 1705 e terminou no ano de 1739.

O Reconhecimento


Bartolomeu deixou para seus pósteros, por meio de sua visão imaginativa de sonhador, o exemplo de persistência, de singular modéstia, de amável singeleza e candura d’alma, que de tal sorte acanhado, não parecia um guardião de tantos conhecimentos e saber. Dizia o Visconde de São Leopoldo que Gusmão nunca fez alarde dos seus profundos conhecimentos de humanidades, porém o seu saber era admirado por todos os seus contemporâneos. Para marcar o feito desse homem ilustre, a cidade e o povo de Santos homenageiam Bartolomeu de Gusmão com um monumento na Praça Rui Barbosa, que teve a pedra fundamental lançada em 12 de julho de 1922, na presença de convidados de honra, como a dos aviadores portugueses, Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Criado pelo escultor italiano Lorenzo Massa, o monumento foi inaugurado em 7 de setembro de 1922, em meio às festas oficiais pelo Centenário da Independência do Brasil. Não podemos esquecer a magnitude de sua inteligência e do seu espírito inventor, que por seus diversificados estudos pôde-se destacar nos vários ramos da inteligência humana, como podemos citar a seguir: Na História, foi proeminente membro ativo da Academia Real de História Portuguesa. Preparando a resposta a um trabalho do conceituado Geógrafo Guilherme de Lisle, por incumbência do Governo português pôde destacar-se no campo da Geografia. Sua atuação destacada na célebre “Questão da Casa de Aveiro” pode demonstrar seus conhecimentos jurídicos. Compondo vários sermões, dissertações e versos, demonstrou seus dotes na área da Literatura. Nos estudos da Matemática, em toda sua extensão, excedeu ao conhecimento dos estudiosos do seu tempo em Portugal. Inventou mecanismos de elevar água, de aumentar o rendimento dos moinhos hidráulicos e engenhos de açúcar, além de outros, e enveredou pelo campo da Mecânica com imenso ardor e destaque. Culminando com o estudo dos balões, tornou-se precursor na Ciência Aerostática. Ainda foi muito além, atuando também nos campos da Diplomacia e da Criptografia, por designação de D. João V. Enfim, podemos afirmar, sem sombra de dúvida e com imenso orgulho, que Bartolomeu de Gusmão foi um visionário no seu tempo; foi um sonhador que procurou transformar seus sonhos em realidade e tornar-se o primeiro homem que vislumbrou nos céus o domínio do ar para a conquista da terra, portanto, com justa razão, o precursor da Aeronáutica no mundo. Por tudo que esse brasileiro nato realizou, fez-se credor e digno do título que o coloca numa posição de destaque no contexto da História Universal, reconhecido mundialmente e inserido na História da Aeronáutica brasileira como Patrono do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER). E como homenagem a esse brasileiro que sonhava voar, terminamos com esse soneto de Olavo Bilac em sua homenagem:

O Voador

“Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, inventor do aeróstato,
Morreu miseravelmente num convento, em Toledo, sem
Ter quem lhe velasse a agonia.”

Em Toledo. Lá fora, a vida tumultua
E canta. A multidão em festa se atropela...
E o pobre, que o suor da agonia enregela,
Cuida o seu nome ouvir na aclamação da rua.

Agoniza o Voador. Piedosamente, a lua
Vem velar-lhe a agonia através da janela.
A Febre, o Sonho, a Glória enchem a escura cela,
E entre as névoas da morte uma visão flutua:

“Voar! varrer o céu com asas poderosas,
Sobre as nuvens! correr o mar das nebulosas,
Os continentes de ouro, o fogo da amplidão!...”

E o pranto do luar cai sobre o catre imundo...
E em farrapos, sozinho, arqueja moribundo
Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão.

Fonte: INCAER

Texto: Cel Av R1 Manuel Bezerra Barreto Reale
Chefe da Divisão de Estudos e Pesquisa do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica

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sábado, 5 de agosto de 2023

Embraer

Embraer expõe os jatos Phenom 300E e Praetor 600 na LABACE 2023 em São Paulo
A Embraer participa da Latin American Business Aviation Conference & Exhibition (LABACE) 2023, feira internacional de aviação executiva que ocorre entre os dias 8 e 10 de agosto, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A empresa vai mostrar o Phenom 300E, o jato leve mais vendido no mundo por 11 anos consecutivos, e o Praetor 600, o jato mais revolucionário e tecnologicamente avançado no segmento de porte supermédio. Jornalistas credenciados poderão visitar o interior das aeronaves na quarta-feira (9) e quinta-feira (10) das 11h00 às 12h00 (antes da abertura do evento). A Embraer chega ao evento mais importante da aviação executiva na América Latina em um momento de forte demanda pelos seus jatos executivos, refletida na carteira de pedidos (backlog) até 2025. Além da intensa atividade de vendas e crescimento contínuo, a empresa também intensifica seus esforços em sustentabilidade para atingir as metas ESG, incluindo a neutralidade de carbono em suas operações até 2040, emissões líquidas zero da aviação até 2050 e uso de 100% de fontes de energias renováveis até 2030. A empresa continua a aumentar o uso de Combustível Sustentável de Aviação (SAF), incluindo em sua unidade em Melbourne, na Flórida, Estados Unidos e investe no desenvolvimento de tecnologias alternativas de propulsão de baixa ou zero emissão, como eletrificação, eletricidade híbrida e hidrogênio. Além disso, o Centro de Serviços da Embraer em Sorocaba, interior de São Paulo, foi reconhecido como o melhor FBO no Brasil, de acordo com a Pesquisa FBO 2023, feita pela publicação especializada Aviation International News. O FBO, que tem um centro de excelência em suporte de aeronaves, ocupa o primeiro lugar na pesquisa por cinco anos consecutivos. As instalações oferecem um serviço de excelência e alta conveniência, com certificação das autoridades aeronáuticas dos Estados Unidos, Europa e Brasil. A Embraer Serviços & Suporte também é reconhecida como uma das melhores empresas pela Pesquisa de Suporte de Produtos da AIN bem como na Corporate Aircraft Product Support Survey da ProPilot.

Fonte: Embraer

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sexta-feira, 4 de agosto de 2023

FAB em Destaque

Revista eletrônica da FAB com as notícias de 28/7 a 03/08 
O FAB EM DESTAQUE desta sexta-feira (04/08) traz as principais notícias da Força Aérea Brasileira (FAB), de 28 de julho a 03 de agosto. Entre elas, o evento Portões Abertos da Base Aérea dos Afonso e a comemoração dos 50 anos do Museu Aeroespacial; o Exercício Amazonas 2; a visita do Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, à Guarnição de Aeronáutica de Canoas. Nesta edição, também foram destaques a Reunião Anual de Infantaria da Aeronáutica; a exposição que homenageia Santos Dumont, no shopping Conjunto Nacional, em Brasília (DF) e, também, a homenagem ao Pai da Aviação, com apresentação da Esquadrilha da Fumaça nas Cataratas do Iguaçu (PR). Você também confere os posts que alcançaram maior visibilidade nas nossas mídias sociais no mês de julho.

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quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Videoteca Ninja

O Dirigível Hindenburg
Drama que buscou reconstituir os fatos que marcaram o desastre com o famoso dirigível Hindenburg - a maior aeronave construída até aquele ano, 1937, e que pegou fogo e foi destruída ao pousar em Nova Jersey. O filme dramatiza o episódio criando a hipótese de sabotagem, quando sabe-se que o acidente ocorreu por causa de uma faísca elétrica que fez explodir o tanque com toneladas de hidrogênio.

The Hindenburg - EUA - 1975

Direção: Robert Wise

Elenco: George C. Scott, Anne Bancroft, William Atherton, Roy Thinnes, Gig Young, Burgess Meredith, Charles Durning.

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quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Pioneiros

LOUIS BLÉRIOT
Louis Blériot (Cambrai, França, 1 de Junho de 1872 — Paris, 2 de Agosto de 1936) foi um aviador francês. Graças a ele, ficou demonstrada a utilidade do avião como instrumento militar (e mesmo de transporte de passageiros), quando realizou a travessia do canal da Mancha, em 1909. Após seu pouso bem sucedido na Inglaterra, com o Blériot XI, o aeroplano ganharia o status de uma máquina com o potencial para transformar as relações entre as nações. Louis Blériot era engenheiro formado pela Escola Central de Paris e empresário bem sucedido da indústria automobilística até os trinta anos de idade, quando decidiu dedicar-se exclusivamente ao ramo da aeronáutica. Interessou-se pela aviação quando, em 1900, construiu um ornitóptero, um tipo de avião que tenta imitar o voo dos pássaros movimentando suas asas para alçar voo, não obtendo sucesso. Era um autodidata em matéria de aviação: projetou seu próprio avião e aprendeu a voar sozinho. Criou a Companhia Blériot-Voisin em sociedade com Gabriel Voisin. Entre 1903 e 1906 esta empresa desenvolveu vários modelos de aviões. Em 1907 realizou seu 1º voo em Bagatelle, França. O jornal britânico Daily Mail oferecia um prêmio de mil libras esterlinas ao aviador que primeiro cruzasse o Canal da Mancha. Em 25 de Julho de 1909 Louis Blériot, pilotando uma aeronave modelo Blériot XI, realizou o primeiro voo internacional da história. Partiu de Les Barraques (perto de Calais) na França e, depois de percorrer 35 quilômetros em 37 minutos, chegou a Dover na Inglaterra. Assim recebeu o prêmio prometido pelo Daily Mail. A viagem não foi muito fácil. Logo que decolou perdeu-se na neblina, mas viu navios indo para a Inglaterra e os seguiu. Guilherme II, Imperador da Alemanha, fez uma declaração sobre este acontecimento que se tornou famosa na época: "A Inglaterra não é mais uma ilha". Com uma carta, Santos Dumont parabenizou Blériot: "Esta transformação da geografia é uma vitória da navegação aérea sobre a navegação marítima. Um dia, talvez, graças a você, o avião atravessará o Atlântico". Nos anos da Primeira Guerra Mundial, Louis Blériot fabricou grande número de aviões militares para os aliados (mais de 10.000). Terminada a guerra, como a demanda por aviões foi grandemente reduzida, passou a fabricar motos em 1920. Suas motos inovadoras conquistaram admiração e sucesso comercial.

Fonte: Wikipédia

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terça-feira, 1 de agosto de 2023

Efemérides Aeronáuticas - Agosto

O INCAER - Instituto Histórico Cultural da Aeronáutica destaca uma frase do Ten.-Brig.-do-Ar Joelmir Campos de Araripe Macedo, ex-Ministro da Aeronáutica e ex-Conselheiro do INCAER, falecido em 12 de abril de 1993: “A História não é um somatório de fatos, mas, antes, um legado de experiências. Conhecê-la é reunir dados que os números não contam, é entender os erros para não repeti-los, é, enfim, uma forma de preparar-se para o futuro”. Com este pensamento, mais uma vez, o Blog do Ninja reproduz as datas marcantes de AGOSTO, estimulando o estudo, a pesquisa.

Efemérides Aeronáuticas - Agosto


1709
Em Lisboa, foi realizada a primeira experiência pública por Bartolomeu de Gusmão, na Sala das Audiências, na presença de D. João V e membros de sua Corte, tendo o balão se queimado ainda no solo. (03 de agosto) 

Foi realizada a segunda experiência pública por Bartolomeu de Gusmão, na Sala das Embaixadas, na presença de D. João V e sua Corte, quando o balão elevou-se a 20 palmos e, ao chegar ao teto, foi destruído por dois criados da casa real, receosos de um incêndio. (05 de Agosto)

Foi realizada a terceira experiência pública por Bartolomeu de Gusmão, no Pátio da Casa das Índias (hoje Castelo de São Jorge), na presença de D.João V e sua Corte, tendo o balão subido suavemente e caído no terreiro do Paço. (08 de agosto)

1710
D.João V concedeu uma bolsa no valor de 300.000 réis, para Bartolomeu de Gusmão estudar matemática na Universidade de Coimbra. (13 de agosto)

1867
O balão dos irmãos Allen foi deslocado, cheio, de Tuiuti para Tuiú Cuê, distante mais de 20 quilômetros. (14 de agosto)

Foi cumprida a 15ª ascensão do balão, na região de Tuiú Cuê. (15 de agosto)

Foram realizadas as 16ª e 17ª ascensões do balão, ainda na região de Tuiú Cuê. (16 de agosto)

Foi observado que o balão tinha perdido força ascensional devido à fuga de gás; o balão foi então esvaziado e conduzido para Tuiuti, para novo enchimento, retornando a 24 de setembro para Tuiú Cuiê. (21 de agosto)

1880
Júlio César Ribeiro publicou, na “Província do Pará”, de 1º a 06 de agosto, uma longa matéria que recebeu o título de “A Navegação Aérea”. (1º de agosto)

Foi realizada a primeira experiência pública de Júlio César, na casa do Cel Bentes, à Travessa dos Ferreiros, com “um pequeno balão, munido de aparelhos por ele mesmo inventados e construídos”. (30 de agosto)

1881
Júlio César Ribeiro chegou a Paris, sendo então construído o seu balão dirigível “Vitória” pela Casa Lachambre, especializada no ramo da construção de balões. (mês de agosto)

1889
O Barão de Tefé, em longo discurso pronunciado no Congresso Internacional de Aeronáutica, no Palácio do Trocadero, em Paris, “contestou os irmãos Montgolfier da glória que indevidamente lhes foi atribuído, de Inventores da Navegação Aérea, restabelecendo a verdade em relação à genial ideia concebida pelo padre paulista Bartolomeu Lourenço de Gusmão”. (02 de agosto)

1892
Augusto Severo registrou a sua descoberta no Ministério da Indústria, Comércio e Obras Públicas, no Rio de Janeiro, tendo lhe sido concedido uma patente acerca de “uma invenção industrial para direção dos balões ou aerostatos”. (11 de agosto)

Augusto Severo recebeu a carta patente que lhe dava direitos exclusivos para construção e utilização do balão, que ele denominou de “navio de alto ar”, pois o mesmo destinava-se às viagens de longa distância e grande altitude. (17 de agosto)

1900
Foi concluída a construção do balão dirigível “Nº 04”, de Santos Dumont. (1º de agosto)

1901
O Aeroclube da França concedeu a Santos Dumont uma medalha de ouro pelos seus trabalhos para resolver o problema da dirigibilidade dos balões. (1º de agosto)

Santos Dumont fez um voo de experiência com o “Nº 05”, com duração de 08 minutos, ocasião em que houve dificuldades com o cabo pendente, conforme noticiou “e Siècle”. (04 de agosto)

Ao realizar nova tentativa para ganhar o “Prêmio Deutsch”, após contornar a Torre Eiffel com o “Nº 05”, Santos Dumont percebeu que uma das válvulas automáticas do hidrogênio entrou em “pane”, passando o dirigível a perder gás. Em decorrência desse grave defeito, o balão contraiu-se provocando a ruptura de diversas cordas de sustentação. Com a força do vento, o “Nº 05” acabou colidindo e explodindo contra o Hotel do Trocadero, de seis pavimentos e situado na praça do mesmo nome, estação de Passy. Santos Dumont saiu ileso desse acidente. (08 de agosto)

Foi concluída a construção do balão dirigível “Nº 06”, de Santos Dumont. (30 de agosto)

1905
Santos Dumont realizou os primeiros ensaios com o balão dirigível “Nº 14”, voando a 50 metros acima do nível do mar, na praia de Trouville, na costa do Canal da Mancha, ocasião em que experimentou vários tipos de leme. (24 de agosto)

1906
Santos Dumont fez uma experiência com o avião “14 BIS”, já separado do dirigível “Nº 14”, no campo de polo do Bois du Boulougne, sem conseguir decolar por falta de potência suficiente.(21 de agosto)

1907
Santos Dumont fez uma ascensão no balão livre “Lutèce”, conduzindo três passageiros brasileiros, amigos do aeronauta: Dr Antônio Prado Júnior, a esposa Eglantina, sendo a primeira mulher brasileira a tomar parte numa ascensão em balão livre, e o Sr Edgar Prado, que participou do voo como ajudante nas manobras do balão.(10 de agosto)

1912
Chegou ao Brasil o aviador italiano Gian Fellice Gino, brevetado pela Escola Caproni, de Milão, Itália, trazendo consigo o seu avião, um monoplano Blériot, de 50 HP. Ele efetuou alguns voos no Campo de São Cristóvão, em benefício da campanha “Deem asas ao Brasil”. (mês de agosto)

1913
Foi inaugurada uma placa, colocada no prédio número 79, da Avenida du Maine, em Paris, com a seguinte inscrição: “Aqui morreram, vítimas da ciência, SEVERO- aeronauta brasileiro e seu mecânico, o francês SACHET. Queda do dirigível PAX, em 12 de maio de 1902. (10 de agosto)

O jornal “A Noite”, do Rio de Janeiro, divulgou matéria com relação a um invento do Sr Lopes Cançado, batizado como “Monoplano Christina”, nome de sua filha e que foi construído nas oficinas do Campo dos Afonsos. Não são conhecidos resultados práticos dessa invenção. Algumas características: equipado com motor Gnome, de 50 HP, hélice de 2,60 metros de diâmetro, comprimento de 08 metros e envergadura de 8,90 metros. (25 de agosto)

1914
Foi determinada a organização de uma Escola de Submersíveis e Aviação, na Marinha de Guerra (Aviso 3986, do Ministro da Marinha). (22 de agosto)

O inventor João d'Alvear iniciou a construção do seu avião “Alvear”, com recursos próprios, ficando pronto em outubro de 1914. O motor e a hélice eram de fabricação francesa, mas o restante da aeronave empregava apenas elementos nacionais. Externamente, o avião era coberto com tela de linho. (mês de agosto)

1916
O Aeroclube Brasileiro foi considerado como instituição de utilidade pública (Decreto 3.141)(16 de agosto) 

Foi criada a Escola de Aviação Naval, tendo o Decreto 12.167 levado as assinaturas do Presidente da República Wenceslau Braz Pereira Gomes e do Ministro da Marinha, Almirante Alexandrino Faria de Alencar. Para a direção da referida Escola foi designado o Capitão de Fragata Protógenes Pereira Guimarães. Essa foi a primeira escola de aviação para militares brasileiros e a terceira escola de aviação no Brasil. (23 de agosto) 

1917
O jornal “A Notícia” informou que estava sendo cogitada a instalação, no Brasil, de uma fábrica de aviões, organizada em forma de sociedade anônima, com o capital de 1.000 contos de réis, dividido em ações populares de 25.000 réis cada uma. Foi ainda divulgada a instalação de uma fábrica de hélices de madeira, a ser supervisionada pelo Sr. Joaquim Pedro Domingues da Silva. (24 de agosto)

1919
Foi inaugurado o Correio Aéreo da Esquadra, precursor do Correio Aéreo Naval, com o reide Ilha das Enxadas-Ilha Grande, utilizando-se o avião Curtiss HS-2L nº 11. (15 de agosto)

1920
Foi declarada a Primeira Turma de Pilotos da Escola de Aviação da Força Pública de São Paulo (segunda fase). As provas aéreas foram julgadas por uma comissão composta de aviadores famosos: Capitão Louis Etienne Lafay, Orthon William Hoover, Edu Chaves, Cícero Marques e Amadeu Saraiva. Estiveram presentes à cerimônia, o Presidente do Estado de São Paulo, Washington Luiz, Antônio Prado Júnior e Domício Pacheco Silva, os quais procederam a entrega do brevê da Federação Aeronáutica Internacional - FAI - aos aprovados, que foram os seguintes: Cap João Busse, 1º Ten Bernardo Espíndola Mendes,2º Ten Álvaro de Azambuja Cardoso, Antônio Reynaldo Gonçalves, Aristides Gonçalves Muza e Luiz Rabelo. (1º de agosto) 

Ocorreu uma tentativa clandestina de reide Rio-São Paulo, envolvendo o 1º Ten Pedro Martins da Rocha (piloto) e o 2º Ten Rubens de Mello e Souza (passageiro). O avião utilizado, do tipo Sopwith 1 A2, biplano, monomotor, biplace em tandem, sofreu uma pane seca entre Mogi das Cruzes e São Paulo. Ambos os oficiais foram presos, sendo que o Ten Pedro Rocha foi obrigado a indenizar os reparos feitos na aeronave acidentada. (03 de agosto)

O Capitão Louis Etienne Lafay, da Missão Francesa, fez um voo no biplano “Rio de Janeiro”, do Campo dos Afonsos a São Paulo.(08 de agosto)

O aviador inglês “ás” da 1ª Guerra Mundial, John Pinder, decolou do Rio de Janeiro acompanhado pelo Ten Ex Aliathar de Araújo Martins, para uma tentativa de reide Rio- Buenos Aires. O hidroavião Macchi 9, de fabricação italiana, utilizado nesse voo, era de propriedade da Companhia Ítalo Brasileira de Transportes Aéreos, em fase de organização.(09 de agosto)

Regressou de São Paulo, pousando no Campo dos Afonsos, o Capitão Louis Etienne Lafay, pilotando o biplano “Rio de Janeiro”.(12 de agosto)

1921
O Poder Executivo foi autorizado a ceder terrenos ao Aeroclube Brasileiro, mediante arrendamento (Decreto 4.302). (03 de agosto)

1922
Santos Dumont, que se achava hospedado no Hotel Central, na Praia do Flamengo, participou da recepção aos aviadores estrangeiros que vieram para os festejos do centenário da Independência do Brasil. (mês de agosto)

1924
A Esquadrilha de Aperfeiçoamento e a 1ª Cia de Parque de Aviação deixaram novamente o Campo dos Afonsos, com destino à cidade de Indiana/SP, onde ficaram estabelecidas as sedes dessas Unidades e de onde executaram diversos voos de reconhecimento sobre a área tomada pelos rebeldes que haviam se retirado da capital paulista (movimento de 05 de julho). (18 de agosto)

O regresso ao Campo dos Afonsos deu-se a 26 de setembro do mesmo ano. 1926 Ocorreu o primeiro acidente fatal com um avião da Esquadrilha de Aviação da Força Pública de São Paulo: o Curtiss JN-4D caiu na decolagem em Uberaba/MG, falecendo o Ten Edmundo da Fonseca Chantre, tendo escapado o Ten Antônio Pereira de Lima, ambos do efetivo da referida Escola. (31 de agosto)

O Ten Chantre foi, pois, o primeiro mártir da aviação militar paulista. Essa unidade estava operando em Goiás, contra os revoltosos que pertenciam à conhecida “Coluna Prestes -Miguel Costa”, movimento organizando no Rio Grande do Sul e que percorreu 13 estados Passou a circular a revista “Aeronáutica”, sob a direção do Cap Hugo da Cunha Machado, dedicada à técnica, prática, progressos e interesses da navegação aérea, civil e militar. (mês de agosto)

1927
O hidroavião “Jahu” pousou na represa de Santo Amaro, São Paulo, encerrando-se o tumultuado reide Gênova-São Paulo, iniciado em 18 de outubro de 1926. (02 de agosto)

A empresa Sindicato Condor foi autorizada a operar a linha Rio de Janeiro-Recife (Aviso 620/G, do MVOP). (20 de agosto)

Teve início o “Curso Provisório de Aviação”, para os oficiais não diplomados e que desejavam ser transferidos para a Aviação Militar. (23 de agosto) O citado curso prolongou-se até agosto de 1928.

1928
Foi aprovada a seguinte regulamentação para a Aviação Militar, elaborada pela Missão Militar Francesa de Aviação: “Missões de Informação” (Decreto 18.340). (09 de agosto)

Foi fundada a Empresa de Transportes Aéreos – ETA, com sede no Rio de Janeiro, e que pretendia cumprir as seguintes linhas, no transporte de malas postais: Rio-São Paulo, Rio- Campos e Rio-Belo Horizonte-Pirapora.(10 de agosto)

Para voar nessas rotas foram adquiridos três aviões Klemm, monoplanos e que receberam as matrículas P-BBAC, P-BBAD e P-BBAE. O projeto foi de Ruy Vacani e os irmãos Benjamim Braga e Alexandre Braga. Foi diplomada a 1ª Turma de Pilotos Aviadores da Arma da Aviação do Exército, com alunos procedentes do círculo de praças: 1º Sargento Floriano Peixoto de Oliveira, 3º Sargento Carlos Brunswick França, Cabo Oswaldo Carneiro Lima e Cabo Tíndaro Pereira Dias. (14 de agosto)

Foi aberto no Ministério da Fazenda o crédito especial de 100 contos de réis, para pagamento do prêmio concedido aos aviadores Euclides Pinto Martins (brasileiro) e Walter Hinton (norte-americano) (Decreto 18.348). (15 de agosto)

1929
A Empresa de Transportes Aéreos – ETA, fundada em 10 de agosto de 1928, foi adquirida pela empresa NYRBA (“New York, Rio and Buenos Aires Line Inc”, de onde foi criada a Panair do Brasil, uma subsidiária nacional). (03 de agosto)

A NYRBA foi autorizada a operar no Brasil pelo Decreto nº 18.951, de 15 de outubro de 1929; o nome da empresa era escrito em seus aviões na forma N.Y.R.B.A.LINE. A empresa NYRBA do Brasil foi vendida à Pan American Airways. (19 de agosto)

O avião Sikorsky “Anhanguera”, equipado com motor Wright de 200 HP e pertencente à Esquadrilha de Aviação da Força Pública de São Paulo, chocou-se em meio ao mau tempo reinante, com a Serra do Mar, na região de Iporanga-SP, falecendo o Capitão daquela força, Messias Henrique Ribeiro (piloto) e o Deputado Manoel de Lacerda Franco (passageiro), também piloto e presidente do Aero Civil, predecessor do Aeroclube de São Paulo. (21 de agosto)

1930
Mais um reide foi cumprido pela Aviação Militar: uma esquadrilha com 04 aviões do tipo Schreck-17 voou do Rio de Janeiro com destino a Belém, regressando ao Campo dos Afonsos em 28 do mesmo mês. (04 de agosto)

Foram transferidos para a Arma de Aviação: da Arma de Infantaria, os Primeiros Tenentes: Ignácio de Loyola Daher, Altamiro O'Reilly de Souza e Romeu Ewerton Quadros; da Arma de Cavalaria, os Primeiros Tenentes: Floriano Peixoto da Fontoura Nunes, Francisco de Assis Corrêa de Mello, Francisco de Assis de Oliveira Borges e Godofredo Vidal; e da Arma de Artilharia, os Primeiros Tenentes: José Cândido da Silva Muricy Filho, Antônio Alves Cabral e José Ângelo Gomes Ribeiro (Decreto s/nº). (21 de agosto)

A empresa Sindicato Condor foi autorizada a estender as suas linhas aéreas até outros países sul-americanos (Decreto 19.331). (29 de agosto)

1931
O Aeroclube Brasileiro inaugurou um marco comemorativo, em homenagem a Bartolomeu Lourenço de Gusmão, na Praça Paris, Rio de Janeiro.(08 de agosto)

1932
A Aviação Constitucionalista realizou um audacioso ataque, às 01:30 horas, ao Campo de Resende/RJ, configurando-se portanto, no primeiro ataque aéreo noturno na América Latina. (13 de agosto)

Ocorreu um acidente aeronáutico no município de Itaguaí/RJ, envolvendo o avião De Havilland Moth, matrícula K-150, quando realizava um voo entre Resende e Campo dos Afonsos. (27 de agosto)

Faleceu o Maj Aroldo Borges Leitão e sobreviveu o Cel Alzir Mendes Rodrigues de Lima, ambos da Aviação Militar.

1933
Foi publicado um artigo na revista “Asas” (nº 37), de autoria do 1º Ten Dentista Júlio Marcondes do Amaral, onde foi detalhadamente analisada a imperiosa necessidade da “identificação dentária” para os aeronavegantes (“fichas buco dentárias”). (1º de agosto)

Foi ativado o Depósito Central de Aviação, com sede no Campo dos Afonsos, sendo nomeado o seu primeiro Chefe, o Cap Abelardo Servílio de Mesquita. (08 de agosto)

Foi constituída a Junta Médica da Aviação Militar, sediada no Departamento Médico de Aviação, no Campo dos Afonsos, onde começou a funcionar. (mês de agosto)

1934
A Base Aeronaval de Porto Alegre, instalada desde a eclosão do movimento paulista de 1932, foi transferida para Florianópolis (Revista “Asas”, nº 61) (10 de agosto)

Os Tenentes Victor da Gama Barcelos e Rafael de Souza Pinto fizeram, pela primeira vez, a linha Rio-Fortaleza, do Correio Aéreo Militar, em apenas um dia, no avião Waco CJC “Cabine”, matrícula C-64, aterrando em todos os campos intermediários da linha do Rio São Francisco. (16 de agosto)

Foi iniciada, no Estado de Mato Grosso, uma linha circular do Correio Aéreo Militar para atender às guarnições do Exército na área da fronteira; com origem e destino em Campo Grande, estavam previstas escalas em Bela Vista, Ponta Porã, Maracaju e Entre Rios, numa rota de cerca de 700 quilômetros. (mês de agosto)

1935
Foi regulamentado o Curso de Medicina de Aviação, cujo organizador pioneiro foi o médico Dr. Mário Pontes de Miranda. (05 de agosto)

No Parque Central de Aviação, no Campo dos Afonsos, realizou-se a “cerimônia da colocação dos três pregos” na primeira nervura a ser montada no avião Muniz M-7, projeto do Ten Cel Eng Antônio Guedes Muniz. (08 de agosto)

Numa das reuniões do Touring Clube do Brasil, o Major Godofredo Vidal apresentou o programa geral das comemorações que constituiria a “Semana da Asa”, trabalho esse executado por elementos civis e militares, “de maior destaque da Aviação Brasileira”. (mês de agosto)

Foi aceita a sugestão de ser aprovada, pelo Governo, a data de 23 de outubro como o “Dia do Aviador”, e a realização da Semana da Asa no período de 20 a 27 de outubro de 1935.

1936
O Ministério da Educação e Saúde Pública abriu o crédito especial de 599 contos de réis, para auxiliar a conclusão e inauguração dos monumentos a Santos Dumont e aos heróis de Laguna e Dourados (Decreto 1.054). (21 de agosto).

O Grupo Independente de Aviões do Correio Aéreo (Aviação Naval), criado em março/1936, passou a denominar-se Grupo de Aviões do Correio da Linha Sul. (mês de agosto)

1937
Foi realizada a primeira viagem do Correio Aéreo Militar, ligando Belém a Oiapoque, em avião do tipo Waco CSO, matrícula C-31, tripulado pelo Cap Ruy Presser Bello e Ten Joléo da Veiga Cabral. (04 de agosto)

O 3º Regimento de Aviação do Exército (3º RAv) foi transferido para Canoas, ocupando uma área onde atualmente encontram-se as instalações do antigo V COMAR (atual ALA 03). (05 de agosto)

Foi autorizada a abertura de crédito suplementar de 1.000 contos de réis, no Ministério de Viação e Obras Públicas, para as obras do Aeroporto Santos Dumont (Lei 489). (27 de agosto)

Foram adquiridos, para a Aviação Militar, 08 aviões do tipo Muniz M-7, construídos pela Fábrica Brasileira de Aviões (do Grupo Henrique Lage), o primeiro dos quais foi recebido em setembro desse ano. (mês de agosto)

1938
O Governo Federal foi autorizado a contratar, mediante concorrência pública, a montagem de uma fábrica de aviões em Lagoa santa/MG (Decreto-lei 617). (15 de agosto)

Foi autorizado o estabelecimento de uma linha aérea de Porto Velho ao território do Acre (Decreto-lei 646). (25 de agosto) A Panair do Brasil passou a operar a referida linha.

1939
O Ministério da Viação e Obras Públicas foi autorizado a adquirir, para os aeroclubes e escolas civis de aviação, 20 aviões de fabricação norte-americana, de um dos tipos Aeronca, Piper Cub ou Taylocraft, ficando os beneficiados isentos da contribuição de 20% do preço, prevista em lei (Decreto-lei 1.519). (17 de agosto) 

Foi fundado Aeroclube de Araçatuba/SP. (21 de agosto)

1940
A aviadora paulista Anésia Pinheiro Machado recebeu o brevê de piloto comercial nº 146, conferido pelo Departamento de Aeronáutica Civil, sendo a primeira mulher na América do Sul a ser outorgada com tal qualificação. (15 de agosto)

Foram aprovados o projeto e o orçamento para a construção de prédios da fábrica de aviões e hidroaviões de Lagoa Santa/MG (primeira parte do Plano Geral)- Decreto 6.178. (27 de agosto)

1942
Ativação da então Base Aérea de Natal, que ocupou o setor oeste do então Campo Parnamirim, construído pelos militares norte-americanos (que ocupavam o setor leste), tornando-se a maior base aérea americana fora dos Estados Unidos. (07 de agosto)

O Brasil declarou guerra ao Eixo, formado pela Alemanha, Itália e Japão, como represália a ataques sofridos pelos navios mercantes brasileiros, na costa brasileira. (31 de agosto) À época, a FAB tinha apenas 1 ano e meio de existência e, portanto, ainda carecia de aviões modernos e apropriados para ataques e defesa, além de contar com um efetivo militar insuficiente e sem treinamento, para atuar numa guerra. Assumiu a responsabilidade com o patrulhamento de nossas costas litorâneas, promovendo esforços extraordinários para superar as suas dificuldades.

1944
São criadas as seguintes unidades de aviação, através do Decreto nº 6.796:
Art. 1º:
Na 1ª Zona Aérea:
- o 1º Grupo de Patrulha, com sede normal na Base Aérea de Belém.
Na 2ª Zona Aérea:
- o 2º Grupo de Caça, com sede normal na Base Aérea de Natal.
- o 1º Grupo de Bombardeio Médio, com sede normal na Base Aérea de Recife.
- o 2º Grupo de Bombardeio Médio, com sede normal na Base Aérea de Salvador.
- o 6º Regimento de Aviação, com sede normal na Base Aérea de Recife e constituído pelo 1º Grupo de Bombardeio Médio e outro grupo a ser criado posteriormente.
Na 3ª Zona Aérea:
- o 1º Grupo de Bombardeio Picado, com sede normal na Base Aérea de Santa Cruz.
- o 3º Grupo de Bombardeio Médio, com sede normal na Base Aérea do Galeão.
- o 2º Grupo de Patrulha, com sede normal na Base Aérea do Galeão.
- o 4º Regimento de Aviação, com sede normal na Base Aérea do Galeão e constituído pelo 3º Grupo de Bombardeio Médio e 2º Grupo de Patrulha.
Na 4ª Zona Aérea:
- o 2º Grupo de Bombardeio Picado, com sede normal na Base Aérea de São Paulo.
- o 2º Regimento de Aviação, com sede normal na Base Aérea de São Paulo e constituído do 2º Grupo de Bombardeio Picado e outro Grupo a ser criado posteriormente.
Na 5ª Zona Aérea:
- o 1º Grupo de Bombardeio Leve, com sede normal na Base Aérea de Canoas;
- o 3º Grupo de Caça, com sede normal na Base Aérea de Canoas.
Art 2º:
O 1º Regimento de Aviação, com sede normal na Base Aérea de Santa Cruz, passa a ser constituído pelo 1º Grupo de Bombardeio Picado e outro Grupo a ser criado posteriormente.
Art 3º:
O Regimento de Aviação, com sede normal na Base Aérea da Canoas, passa a ser constituído pelo 1º Grupo de Bombardeio Leve e pelo 3º Grupo de Caça (Decreto nº 6.796). (17 de agosto)

1945
Foi criada a Comissão Aeronáutica Brasileira, com sede em Washington, EUA. (21 de agosto)

Foi constituído oficialmente o Serviço de Intendência da Aeronáutica (Decreto-Lei nº 7892).(23 de agosto)

1946
Retomam-se as discussões, no ano seguinte ao término da II Guerra Mundial, sobre a criação do Clube de Aeronáutica.(5 a 19 de agosto)

Realizou-se na pista de aviação da Fábrica Nacional de Motores, no Estado do Rio de Janeiro, o voo de um avião Vultee BT-15, equipado com o primeiro motor Wright (450 HP) fabricado no Brasil. (19 de agosto)

1948
Foi aprovado o primeiro “Acordo sobre Transportes Aéreos entre o Brasil e a Suécia” (Decreto nº 26.505). (18 de agosto)

Foi aprovado o primeiro “Acordo sobre Transportes Aéreos entre o Brasil e a Dinamarca” (Decreto nº 26.503). (24 de agosto)

1950
Foram concedidas honras de Major Brigadeiro da Força Aérea Brasileira ao Major General da Força Aérea Norte Americana Ira Eaker, Comandante, da Força Aérea Aliada do Mediterrâneo, durante a Campanha da Itália, à qual esteve subordinado o 1º Grupo de Caça Brasileiro (Lei nº1.176). (10 de agosto)

1961
Foi criado o Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais – GOCNAE. (03 de agosto) 

Nesse mesmo ano (1961), o Ministério da Aeronáutica, formalizou o seu interesse pela área espacial, visando o desenvolvimento de pequenos foguetes de sondagem meteorológica para a Força Aérea. A Base Aérea de Porto Alegre, passou a ser denominada de Base Aérea de Canoas (atual ALA 03). (21 de agosto)

1969
O então Presidente da República, Arthur da Costa e Silva, assinou o decreto nº 770, que criou a Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A. (EMBRAER), destinada à fabricação seriada do Avião Bandeirante. (19 de agosto)

1979
Foi inaugurado o novo aeroporto de Cachimbo, com a presença do então Presidente Ernesto Geisel, com pista de pouso de asfalto, com 2.602 metros de comprimento por 45 metros de largura, obra executada pela Comissão de Aeroportos da Região Amazônica - COMARA. (18 de agosto)

1983
A FAB, por intermédio do Primeiro Esquadrão do Primeiro Grupo de Transporte “Esquadrão GORDO” (1º/1ºGT), transportou para a Antártica a primeira tripulação composta de cientistas brasileiros, cuja missão era pesquisar a flora e a fauna daquela região, então quase desconhecidas em nosso país, além do estudo das massas frias, dali oriundas, que atingiam e atingem o Brasil. Cooperando com a Marinha, essa operação integrou a FAB no Programa Antártica. (23 de agosto)

1989
Primeiro voo de uma aeronave AMX de série (A-1 FAB 5500), realizado pelo Ten Cel R/1 Gilberto Pedrosa Schittini. (12 de agosto)

1991
Criada a 3ª Força Aérea (FAe III), com sede no Sítio do Gama, em Brasília- DF. (05 de agosto)

1995
Criada a Associação Brasileira de Pilotos de Caça (ABRA-PC), na Base Aérea de Natal (Parnamirim) - RN, em assembleia constituída para essa finalidade. (10 de agosto)

2005
O Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA) foi criado pela Portaria nº 1.003/GC3. (31 de agosto)

2019
Primeiro voo do quarto protótipo de uma aeronave Gripen-E, e primeiro na configuração da Força Aérea Brasileira (Gripen-E 39-6001; F-39 FAB 4100). Voo local realizado em Linköping, Suécia, pelo Piloto de Testes da SAAB, Richard Ljungberg. A decolagem foi às 14h41min local e o voo teve duração de 1h05min; este voo incluiu testes de manobrabilidade e qualidades de voo, em diferentes altitudes e velocidades. (26 de agosto)

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