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Voar é um desejo que começa em criança!

sábado, 8 de outubro de 2016

Processo Seletivo EMCA

Escola de Ciências Aeronáuticas de Taubaté abre inscrições para 81 vagas
Inscrições serão realizadas até o dia 21 de outubro de 2016, somente na sede da EMCA em Taubaté - SP

A Escola Municipal de Ciências Aeronáuticas de Taubaté (EMCA) está com inscrições abertas para o processo seletivo do curso técnico em Manutenção de Aeronaves. Ao todo, são oferecidas 81 vagas em três segmentos de curso. Os interessados devem se inscrever até o dia 21 de outubro na sede da instituição. A taxa de inscrição é de R$ 35 e os candidatos devem apresentar o RG original e cópia, junto com o comprovante do pagamento da taxa. O interessado precisa ter 17 anos e possuir ensino médio, completados até o final de 2016. A prova será no dia 27 de novembro (domingo). O aluno formado vai poder exercer a profissão em empresas de manutenção aeronáutica e indústria aeronáutica, habilitados em uma das especialidades: Aviônicos (instrumentos, partes elétricas e eletrônicas das aeronaves), Grupo Motopropulsor (motores das aeronaves) e Célula (estrutura e sistemas das aeronaves). Além da formação, o aluno será capacitado também para fazer os exames da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), necessário para a obtenção da licença CCT, que regularmenta o exercício da profissão. A EMCA fica na Rua Tomé Portes Del Rei, 507, Vila São José, em Taubaté - SP e o fone de contato é (12) 3608-7579.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

EPCAR

Escola da Aeronáutica é uma das melhores no ENEM
A Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR), localizada em Barbacena (MG), ficou em quarto lugar entre as escolas públicas com as maiores médias nas provas objetivas do Enem 2015 (Exame Nacional do Ensino Médio). A escola é uma instituição militar do Comando da Aeronáutica, de ensino médio, com a missão de preparar os Alunos para ingresso no Curso de Oficiais Aviadores por meio do Curso Preparatório de Cadetes do Ar (CPCAR). A EPCAR teve a média 659,14 na somatória que leva em conta as provas objetivas de linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas. A redação não entra no cálculo por ser subjetiva e por não seguir a Teoria de Resposta ao Item (TRI), como as demais disciplinas. Na conta geral, a EPCAR ficou em 106° lugar entre as 14.998 escolas públicas e particulares avaliadas. A EPCAR tem o nível de permanência dos alunos maior que 80% e conta com o corpo docente composto por 92% de professores com formação na área que lecionam. De acordo com o Comandante da EPCAR, Coronel José Aguinaldo de Moura, os destaques da escola são o relacionamento aluno-professor, a infraestrutura e a disciplina implementada entre os estudantes. "Temos uma equipe de professores de qualidade. Muitos com mestrado e com doutorado. A nossa estrutura de sala de aula é moderna com sistemas informatizados, que permitem aos alunos uma interação rápida com os professores. Damos, por exemplo, aos alunos a possibilidade de um reforço escolar mais profundo em horários diferenciados", destacou.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Aviação Civil

Brasil reeleito para o conselho da OACI
O Brasil foi reeleito, no dia primeiro de outubro de 2016, pela 24ª vez, para integrar o conselho da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), agência da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável pela promoção do desenvolvimento da aviação civil internacional. O novo mandato vai de 2017 a 2019. Composto por 36 Estados-membros eleitos em assembleia, o conselho é um órgão permanente da OACI e é formado por três grupos. O grupo 1, para o qual o Brasil foi eleito, reúne os 11 países de importância sistêmica em matérias de transporte aéreo. O Brasil recebeu 157 votos de um total de 170 votantes. Entre os assuntos discutidos na OACI é a conclusão de uma série de medidas visando diminuir, pela aviação civil, as emissões de gases de efeito estufa, a partir de 2020, por meio de adoção de eficiência energética, melhorias tecnológicas e o uso de biocombustíveis.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Residência Médica na FAB

Hospital da Força Aérea tem seleção para residência médica
O Núcleo do Hospital de Força Aérea de São Paulo (NuHFASP) está com inscrições abertas, até o dia 13 de outubro de 2016, para o Processo Seletivo de Admissão ao Programa de Residência Médica 2017 (PRM) em Clínica Médica. A inscrição custa R$ 450,00 e deve ser feita exclusivamente pela internet. O processo seletivo compreende provas objetiva e prática, além de entrevista com análise e arguição de currículo. A primeira etapa para seleção está prevista para o dia 10 de novembro com a realização da prova objetiva nas cidades de Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP). As datas, horários e locais de cada fase estão disponíveis no edital. O Programa de Residência Médica do Núcleo do Hospital de Força Aérea de São Paulo é realizado em parceria com o Hospital Sírio Libanês (SP).


terça-feira, 4 de outubro de 2016

Espaço

Brasil proporá uso da base de Alcântara em parceria com os EUA
O governo brasileiro convidou os Estados Unidos a usarem as instalações de Alcântara (MA) para lançar satélites, no primeiro encontro formal do “Diálogo da Indústria de Defesa Brasil e Estados Unidos”, que ocorreu, dia 30 de setembro de 2016, no Palácio do Itamaraty. A decisão altera a posição brasileira em um dos temas mais sensíveis da relação entre os dois países. Para que os americanos usem o Centro de Lançamento de Alcântara, com posição geográfica privilegiada pela localização próxima da linha do Equador, que resulta em economia de propelente dos foguetes lançadores, é necessária a aprovação do acordo de salvaguardas pelo Congresso.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Voo 1907 - 10 anos depois

Bastidores da maior operação de resgate da FAB
O documentário VOO 1907 - 10 anos depois - relembra a maior operação de resgate da Força Aérea Brasileira (FAB), que teve duração de 44 dias na selva amazônica. A produção revive como foi o trabalho de mais de 800 homens, entre militares e civis, que se deslocaram para o norte de Mato Grosso para desempenhar uma verdadeira operação de guerra, após o maior acidente aéreo da época, ocorrido no dia 29 de setembro de 2006. São cenas inéditas e relatos emocionantes de militares envolvidos na operação, assim como famílias das vítimas do acidente. O documentário foi coordenado por jornalistas, publicitários e relações públicas do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER).

domingo, 2 de outubro de 2016

Especial de Domingo

2º CONGRESSO DE AERONÁUTICA
Em junho de 1949, reuniu-se no Rio de Janeiro o Segundo Congresso de Aeronáutica. Quinze anos haviam decorridos desde o primeiro Congresso, realizado em 1934, em São Paulo. E, como naquela ocasião, formou-se uma comissão para estudar e debater a questão do desenvolvimento da indústria aeronáutica nacional.

O Congresso foi aberto pelo Brigadeiro do Ar, Armando Trompowsky, Ministro da Aeronáutica, e seu temário abrangia assuntos variados, como os problemas de ensino aeronáutico, da ampliação e melhoramento da infra-estrutura aeroportuária e de auxílio à navegação, do direito aeronáutico, da medicina da aviação, da formação de pilotos civis e outros.


Impresso da UBAC - União Brasileira de Aviadores Civis

A abertura total do mercado brasileiro às sobras de guerra norte-americanas havia comprometido o parque industrial instalado. No final da guerra, o país dispunha de quatro empresas fabricantes de aeronaves: a Companhia Aeronáutica Paulista, a Companhia Nacional de Navegação Aérea, a Fábrica do Galeão e a Fábrica de Aviões de Lagoa Santa, além da Fábrica Nacional de Motores. A Escola Técnica do Exército formava engenheiros com especialização em aeronáutica, e um núcleo de pesquisas desenvolvia tecnologia na Seção de Aeronáutica do IPT. Era uma base industrial e técnica significativa, fruto de um esforço de mais de vinte anos e das condições excepcionais do período de guerra.

Em 1949, esse patrimônio tinha sido atingido pela concorrência predatória das sobras de guerra norte-americanas. Não houve uma política industrial no pós-guerra que possibilitasse a sobrevivência da nascente indústria nacional frente à avassaladora penetração do produto estrangeiro.

Nesse quadro, reuniu-se uma comissão sobre indústria aeronáutica e fomento do Segundo Congresso Brasileiro de Aeronáutica. Suas recomendações surgem num contexto de desalento e de encerramento das atividades das indústrias aeronáuticas no país.

Em novembro de 1948, a Companhia Nacional de Navegação Aérea fechara as suas portas. Em dezembro do mesmo ano, foi seguida pela Companhia Aeronáutica Paulista. A Fábrica do Galeão tinha suas atividades praticamente paralisadas. A Fábrica de aviões Lagoa Santa caminhava para transformar-se em parque de material aeronáutico da Força Aérea. A Fábrica Nacional de Motores era privatizada, entregue ao capital estrangeiro, e transformava-se em indústria automotiva.

Três teses foram apresentadas ao Segundo Congresso sobre o problema do desenvolvimento industrial: “Reerguimento da Indústria Aeronáutica Nacional”, de autoria do engenheiro Romeu Corsini, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas; “Indústria e Fomento”, apresentada pelo Instituto Brasileiro de Aeronáutica; “Problemas de Administração e Construção Aeronáutica no Brasil”, do engenheiro Luís Felipe Marques.

Romeu Corsini iniciava sua tese, constatando o fechamento das duas únicas empresas privadas e historiando a trajetória da Companhia Aeronáutica Paulista. Lembrava que, a partir de 1947, a CAP reduzira seu pessoal técnico ao mínimo. Visando a redução de despesas, concentrara seus esforços na produção de dois modelos de aparelhos, com o objetivo de resistir à forte concorrência norte-americana. Mas os resultados tinham sido nulos, e a empresa encerrara a produção de aeronaves.

O engenheiro lamentava que o Brasil passasse de condição de auto-suficiência na produção de aviões leves para instrução à dependência em relação aos estrangeiro, e evocava o caráter estratégico da indústria aeronáutica. De fato, a preocupação com a segurança nacional motivara a Campanha Nacional de Aviação, que tivera como razão básica a formação de pilotos para a constituição da reserva da Aeronáutica. A Campanha foi o principal instrumento de criação do mercado para a CAP e para a CNNA.


EngºRomeu Corsini - Pioneiro em pesquisas sobre combustíves renováveis, um dos fundadores da Escola de Engenharia de São Carlos, faleceu recentemente,em 25/3/2010

Corsini apontava a necessidade estratégica da manutenção de núcleos industriais e tecnológicos que, em situação de emergência, poderiam ser ampliados rapidamente, acrescentando ter sido essa a razão que levara o Estado-Maior a recomendar que os aviões para a instrução fossem fabricados no país. Para o engenheiro, ao Estado cabia a função de fomentar a indústria aeronáutica, citando o plano quinquenal elaborado em 1946 pelo governo argentino, para desenvolver sua indústria de aviões.

O plano argentino correspondia a uma concepção que pressupunha o Estado como agente do desenvolvimento econômico: “El poder executivo considera que la produccion aeronáutica nacional es el principal fundamento efectivo del potencial aereo del país.”

No Brasil de 1949, o Governo Dutra significava uma opção diametralmente oposta, na qual o Estado deveria deixar o espaço livre para a ação das chamadas forças de mercado. Essa concepção, evidentemente, não atendia à necessidade de sobrevivência da indústria aeronáutica nacional, abalada pela concorrência desigual dos produtos norte-americanos. A tese de Corsini não encontrava eco no Governo Federal. O engenheiro concluía apresentando sua proposta de uma política de fomento da indústria nacional, propondo uma política de encomendas pelo Ministério da Aeronáutica de 100 aviões por ano, pelo menos. Inicialmente, as encomendas seriam de aviões do tipo Paulistinha. A fábrica não disporia de uma seção técnica própria, de forma a reduzir os custos, devendo manter convênios com o IPT que, por sua vez, receberia uma subvenção do Governo Federal. A proposta de Corsini visava a evitar a dispersão dos técnicos da Companhia Aeronáutica Paulista e, através de uma política de compras do Ministério da Aeronáutica, criar escalas de mercado para a capital nacional no segmento de aviões de instrução primária.

A segunda tese foi apresentada pelo Instituto Brasileiro de Aeronáutica do Rio de Janeiro: “ Indústria Aeronáutica e Fomento”. O IBA iniciava sua tese lembrando que já em outubro de 1945, o engenheiro Frederico Abranches Brotero, do Instituto de Pesquisa Tecnológicas de São Paulo, apresentara à Instituição um “Plano de Industrialização da Aeronáutica Brasileira”. Em janeiro de 1946, o IBA participou do Segundo Congresso Brasileiro de Engenharia, apresentando um trabalho denominado “Planejamento industrial”. Os dois trabalhos concluíam por justificar a existência de uma indústria aeronáutica nacional e refletiam a preocupação dos meios aeronáuticos com o futuro desse segmento da indústria brasileira.

A tese do IBA propunha a organização de um programa de produção aeronáutica; a elaboração de um programa de protótipos; a padronização do material aeronáutico e o estudo de um sistema de auxílio à expansão e equipamento das indústrias fornecedoras de insumos para a indústria aeronáutica.

O documento do IBA considerava que o Brasil não poderia deixar de dispor de uma “indústria básica para o potencial militar e para a solução do problema de transporte”. Considerava ainda que na indústria aeronáutica a mão-de-obra e despesas gerais representavam cerca da metade do custo de produção e que a produção de aeronaves no país permitiria uma economia de divisas de pelo menos sessenta por cento do custo de importação.

O ponto de maior interesse do trabalho consistia numa defesa extraordinariamente lúcida de necessidade do desenvolvimento de projetos adaptados às condições específicas brasileiras: “as condições do transporte aéreo no Brasil diferem das encontradas nos países altamente industrializados, cuja produção se compõe de aviões especialmente estudados para as condições próprias locais. Esses aviões são muito utilizados no mundo inteiro, embora não preencham da mesma forma os requisitos apresentados por países de situação geográfica e condições econômicas diferentes, tal é o caso das vastas regiões da América do Sul, Austrália, Canadá e África. O estudo, projeto e construção de tipos de aviões especialmente adaptados às condições brasileiras constituem-se em tarefa de grande interesse econômico que somente pode ser resolvida de modo satisfatório, por uma indústria nacional. Enquadram-se, neste caso, os aviões de transporte para linhas secundárias no interior do país, aparelhos atualmente inexistentes no mercado mundial”.

Vinte anos mais tarde, a criação da Embraer para a fabricação do Bandeirante, um avião projetado para a aviação regional, capaz de operar em pistas de terra com a mínima infra-estrutura aeroportuária e de auxílio à navegação, comprovou o acerto da tese defendida pelo IBA: nos anos 1960,ainda não havia nenhum avião similar ao Bandeirante disponível no mercado internacional.A tese propunha uma política de encomendas pelas Força Aérea Brasileira para evitar o desaparecimento das indústrias existentes.

1º Voo do Avião Bandeirante, em 1968
A terceira e última tese apresentada ao Segundo Congresso Brasileiro de Aeronáutica era de autoria do engenheiro Luís Felipe Marques, que, no entanto, não chegou a ser discutida pela comissão, visto que seu autor desejava apenas que fossem submetidas à aprovação do Congresso as conclusões da quarta comissão do Segundo Congresso de Engenharia e Indústria, cujo conteúdo era análogo à tese apresentada pelo IBA.

O Segundo Congresso acolheu as recomendações contidas nessas teses, acrescentando que os poderes públicos fixassem, através do “Conselho Nacional de Aeronáutica”, órgão a ser criado, os pontos básicos de uma política de desenvolvimento da indústria aeronáutica nacional.

3º CONGRESSO DE AERONÁUTICA
Em março de 1955, reuniu-se, em São Paulo, o Terceiro Congresso Brasileiro da Aeronáutica. Como das vezes antecedentes, formou-se uma comissão para discutir a questão da indústria aeronáutica e diversas teses foram apresentadas.

O engenheiro paulista Marc W. Niess defendeu a tese “Possibilidade da indústria de Aviões Leves no Brasil”. Iniciava sua exposição, analisando as causas dos fracassos das tentativas anteriores que, para ele, “não obedeciam a um plano comercial que garantisse seu funcionamento. Os seus produtos só tinham um comprador importante: o Governo”. Era fundamental para Niess que as novas tentativas se apoiassem no mercado particular. Entretanto, o engenheiro julgava ser muito difícil atrair capitais para o setor em função da “atmosfera de dúvida gerada pelos insucessos do passado”.Contudo, a própria trajetória de Marc Niess desmentiu a viabilidade de iniciativas industrias no setor baseadas unicamente no mercado particular, que prescindissem da intervenção estatal.

Os capitais privados não se sensibilizaram com a perspectiva de concorrer com produtos estrangeiros no mercado interno, sem nenhum tipo de proteção, valendo-se apenas da qualidade de seus produtos e de preços competitivos. Foi, aliás, uma empresa estatal, a Fábrica do Galeão, que produziu o único avião projetado por Marc Niess e que chegou a ser fabricado em série: o aparelho 5 FG, segundo a denominação da fábrica, ou o aparelho 1–80, segundo a denominação de seu projetista.

Niess projetou um segundo avião em 1952, um aparelho destinando ao treinamento primário, com estrutura de tubos de aço soldados e madeira coberta de tela, para dois lugares. Mas introduziu alguns avanços, como um trem de aterrissagem triciclo, que possibilitava pousos mais simples, além de asas de enflechamento negativo. Apenas dois protótipos foram construídos e voaram normalmente. O avião foi denominado 2-100, ou seja: segundo o projeto de Niess. Com um motor de 100 cavalos.

Em 1960, a Marinha estava interessada em equipar o porta-aviões Minas Gerias, recém-adquirido da Inglaterra, com aviões de fabricação nacional. Surgira um contencioso entre a Marinha e a Aeronáutica sobre quem operaria os aviões do Minas Gerais. Nesse momento, por inspiração da Marinha, formou-se a Companhia Brasileira de Aeronáutica, situada junto à base aeronaval de São Pedro de Aldeia, no Rio de Janeiro, com a finalidade de produzir uma aeronave para operar no porta-aviões. Marc Niess foi chamado a projetar o aparelho. Seria uma aeronave inteiramente metálica, denominada Fragata. O projeto foi realizado e o avião começou a ser construído, mas o protótipo nunca chegou a voar. Em 1961, o Governo Federal resolveu o conflito de interesse entre a duas forças, determinando a operação de helicópteros navais pela marinha e de aviões de asa fixa pela aeronáutica.

Encerrando o projeto da aeronave Fragata, Niess fundou uma empresa para a fabricação seriada de seus dois modelos 1-80 e 2-100. Era a Clark & Niess, e instalou-se em Tatuí, interior de São Paulo, dando inicio à construção de dois aparelhos de cada modelo. Em 1963, contudo, cerca de um ano após a sua fundação, a empresa encerrava suas atividades. Não havia encomendas governamentais, nem capital suficiente para disputar uma parcela do mercado particular. Os quatro aparelhos em construção nunca foram concluídos.


Uma segunda tese foi apresentada pelo engenheiro Romeu Corsini, do IPT. Inicialmente, Corsini caracterizava uma nova fase de desenvolvimento econômico da país, marcada da fronteira agrícola no oeste de Minas, sudoeste do Paraná e nos Estados de Goiás e Mato Grosso. Esse movimento de interiorização do desenvolvimento exigiria o emprego, cada vez mais frequente do avião como meio de transporte. O Brasil já disporia de um parque industrial capaz de fornecer os insumos para a indústria aeronáutica. Faltaria apenas uma ação de planejamento. Para realizá-la, Corsini preconizava a criação de uma comissão com poderes para definir uma política industrial e tecnológica para o setor.

Seriam funções dessa comissão estudar e fixar as normas brasileiras de aeronáutica, propor estudos ou pesquisas a serem financiadas pelo Governo ou pela indústria, fomentar a indústria de aeronaves, mediante o concurso de projetos e protótipos financiados pelo Governo, para atender às necessidades mais urgentes do país, tais como: táxi aéreo, instrução, aviação agrícola, transporte de passageiros, etc. Caberia ainda à comissão o fomento à indústria de materiais, peças e acessórios, pela conjugação de esforços com a indústria e com os órgãos controladores de importação.

Corsini voltava a defender a idéia de uma comissão com poderes para definir uma política industrial para a aeronáutica, que apresentara originalmente em 1949, no Segundo Congresso Brasileiro de Aeronáutica. Ela viria a tomar forma durante o Governo Jânio Quadros, com a criação do Grupo Executivo da Indústria de Material Aeronáutico – GEIMA, pouco depois da criação do GEIA – Grupo Executivo da Indústria Automobilística.

O GEIMA foi presidido pelo Brigadeiro Faria Lima, mas não logrou obter do Governo a decisão política de implantar a grande indústria aeronáutica no país. Ao contrário do GEIA, sua atuação não deixou maiores marcas na trajetória na indústria aeronáutica no país.

Fonte: www.museutec.org.br / Vencendo o Azul

sábado, 1 de outubro de 2016

Aeronaves

Airbus monta o primeiro A330neo
A Airbus iniciou a montagem final do seu primeiro A330neo, um A330-900, com a junção das asas e da fuselagem central, na sua unidade de Toulouse (França). Mais novo membro da mais popular família de aeronaves wide-body do mundo, o A330neo baseia-se na comprovada economia, versatilidade e confiança da família e foi concebido para reduzir em mais de 14% o consumo de combustível por assento. As duas versões, A330-800 e A330-900, contam com os dispositivos de ponta de asas sharklets, inspirado no design de ponta do modelo A350, além incorporar a última geração de motores Rolls-Royce Trent 700 e a nova cabine AirSpace by Airbus, para uma experiência definitiva em termos de conforto. Graças ao baixo consumo de combustível da nova geração, o A330neo amplia as oportunidades de mercado para seus operadores ao oferecer um alcance adicional de 400 milhas náuticas, levando o alcance do modelo A330-900 para 6.550 milhas náuticas e o da versão A330-800 para 7.500 milhas náuticas. Até hoje, 10 clientes encomendaram um total de 186 aeronaves A330neo. O Airbus A330neo possui dois motores turbofan. As letras "neo" referem-se à nova opção de motorização (New Engine Option).

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

FAB / Helibras

Força Aérea recebe mais um helicóptero H225M
A Helibras entregou para a FAB - Força Aérea Brasileira, no dia 23 de setembro de 2016, mais um helicóptero H225M, o último do ano, de acordo com o cronograma estabelecido pela empresa e as Forças Armadas. A aeronave, em versão básica, será operada pelo 1º/8º GAv (primeiro esquadrão do oitavo Grupo de Aviação), em Belém (PA).

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Inspeção em Voo

GEIV recebe o primeiro Legacy 500 como aeronave-laboratório
O Grupo Especial de Inspeção em Voo (GEIV) recebeu, no dia 23 de setembro de 2016, sua primeira aeronave Legacy 500, denominada IU-50, fabricada pela Embraer e equipada para realizar missões de inspeção em voo, com checagens de equipamentos de navegação, aproximação e pouso e procedimentos. O emprego do Legacy pelo GEIV faz parte do projeto I-X da Força Aérea Brasileira (FAB) que prevê equipar o GEIV com seis novas aeronaves-laboratório, que ampliam a capacidade embarcada e permite ao Brasil realizar com plena autonomia a homologação de procedimento de aproximação nos aeroportos. Os aviões Legacy substituirão os Bandeirantes e se somarão aos Hawker 800 XP operados pelo GEIV.

Aferição de equipamentos 
O GEIV é responsável por medir, aferir e calibrar equipamentos auxiliares à navegação aérea instalados em aeroportos de todo o País. As novas aeronaves-laboratório substituem os IC-95 Bandeirante e trazem ganhos operacionais e consciência situacional à tripulação do GEIV, em função dos modernos sistemas embarcados, mantendo o elevado nível de segurança de voo das operações e diminuição da carga de trabalho. Construídas pela Embraer, as aeronaves Legacy possuem o que há de mais moderno em termos de tecnologia embarcada. É o único avião do mundo com tecnologia “fly by wire” (controle das superfícies móveis de comando da aeronave por intermédio de pulsos elétricos). O check list dos pilotos é eletrônico. A nova aeronave, um jato executivo bimotor de porte médio, com motorização turbofan e alcance intercontinental de 5.600 km, atinge 800 km/h. Na Força Aérea, a aeronave recebeu a matrícula FAB 3601. Possui 14 antenas na parte externa, além das existentes normalmente e, além disso, uma câmera a laser que permite maior autonomia e independência. A chegada da segunda aeronave ao GEIV está prevista para dezembro de 2016 e as outras quatro até o final de 2020.

Saiba mais: Blog do NINJA de 13/07/2015  e de 19/05/2014

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Transporte Aéreo

Gol lidera mercado brasileiro 
Segundo a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), para o mês de agosto de 2016, a Gol manteve a liderança entre as empresas aéreas nacionais, ao registrar 35,83% de participação no mercado, contra 34,85% da Latam. Em seguida estão a Azul com 17,35% e Avianca com 11,97%. As quatro operadoras, em agosto, transportaram 7,3 milhões de passageiros.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Transporte Aéreo

Avião da Embraer fará o voo comercial internacional mais curto 
Um avião Embraer 145 poderá realizar a rota comercial internacional mais curta do mundo, a partir do dia 2 de novembro de 2016. O voo será realizado pela empresa aérea regional austríaca People’s Viennaline, ligando Saint Gallen, na Suiça, e Friedrichshafen, na Alemanha. A distância percorrida será de aproximadamente 20 quilômetros, ao preço de 40 euros, para um tempo efetivo de voo estimado de oito minutos. Outra companhia aérea austríaca, a FlyNiki, já operou um voo de 10 minutos entre Viena e Bratislava, capital da Eslováquia, mas o serviço foi descontinuado.

Saiba mais: Blog do NINJA de 19/01/2016

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Recreio

Projeto Sonho de Voar na Base Aérea de Santos 
A Base Aérea de Santos (BAST), localizada no município do Guarujá, litoral de São Paulo, realiza, até o dia 29 de setembro de 2016, a segunda edição do Projeto Sonho de Voar. O objetivo é aproximar as crianças dos municípios de Santos e Guarujá à base aérea, estimulando-as a seguir em busca de seus sonhos e despertando o interesse pela carreira militar. Este ano, o mote é a história do Marechal do Ar Eduardo Gomes, Patrono da Força Aérea Brasileira, dentro das comemorações dos 75 anos da FAB, com o tema “Céu de Brigadeiro”. A iniciativa pretende trazer mais de 1,5 mil crianças, na faixa etária de 7 a 9 anos, da rede pública de ensino da região, para conhecer um pouco da história e as atividades da unidade. Dentro da programação preparada para os jovens estão visitas às instalações históricas da base e ao estande do Batalhão de Infantaria. Os alunos também assistem a demonstrações da seção de contra incêndio e a uma peça de teatro infantil, onde de forma lúdica, as crianças aprendem sobre a história da Força Aérea e do Marechal do Ar Eduardo Gomes.

Divulgação da FAB 
“Essa é uma iniciativa que se caracteriza pela união de esforços entre a base aérea, prefeitura municipal e a iniciativa privada que traz grandes benefícios para a divulgação da FAB e consegue marcar a nossa presença nesta importante região do Brasil”, afirma o Comandante da base, Coronel Carlos Alberto Panza Santos. O contato com o dia a dia das atividades da base gera euforia nos alunos, como no caso de Mariana Ataide Oliveira, de 8 anos de idade, da escola Jucirema dos Santos Fontes. "Eu filmei tudo com meu celular. Foi muito bom. Realizei meu sonho de entrar no avião”, comemorou a menina. Para a professora Rosângela Melo, coordenadora da educação de jovens e adultos na Secretaria de Educação de Guarujá, a iniciativa é muito boa. “O projeto educa e mostra um caminho alternativo para a carreira e a vida destes jovens. Seria fantástico se fosse possível estender esse programa para outras faixas etárias”, enfatiza a educadora. O principal parceiro dessa atividade é a Associação dos Amigos da BAST que aproxima a sociedade local das forças armadas e se dedica a divulgar os valores e as atividades desenvolvidas pelos militares.

domingo, 25 de setembro de 2016

Especial de Domingo

1º CONGRESSO NACIONAL DE AERONÁUTICA

O surgimento de empresas de transporte aéreo no país, desde 1927, bem como o desenvolvimento da aviação desportiva e de turismo, fez com que um número cada vez maior de pessoas fora do campo militar passasse a se interessar pelo crescimento da aviação no Brasil. Gradativamente, a aviação perdia sua aura romântica, conferida pelo pioneirismo do primeiro quarto do século, e alçava à condição de atividade econômica relevante para o país. O reconhecimento social da aviação se fez acompanhar de sua institucionalização.


Hidroavião Atlântico, do Sindicato Condor,

1ª empresa a transportar passageiros no Brasil, em 1927

Nesse quadro é que, em abril de 1934, realizou-se em São Paulo o 1º Congresso Nacional de Aeronáutica. Iniciativa do Aeroclube de São Paulo, o encontro estendeu-se por uma semana, com o objetivo de delinear uma política de fomento, abrangendo a aviação militar, civil, a pesquisa tecnológica, bem como uma estratégia de implantação da indústria aeronáutica no Brasil. A sessão inaugural foi presidida pelo secretário de Estado da Viação representando o inventor federal em São Paulo. Na mesa, tomaram assento representantes das diretorias de aviação do Exército e da Marinha, bem como um enviado do Ministério do Ar da França. O diretor do Departamento de Aviação Civil participava dos trabalhos. O Congresso realizou visitas ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas, onde se desenvolviam pesquisas sobre a aplicação de madeiras nacionais para a construção de aeronaves. O programa era amplo, englobando o debate sobre aviação comercial, militar, desportiva e de turismo, a legislação e regulamentação de voo, a expansão da infra-estrutura aeroportuária e de auxílio à navegação, a história da navegação aérea, o desenvolvimento da pesquisa tecnológica no campo aeronáutico e a viabilidade da instalação da indústria aeronáutica no país. Dentre as teses apresentadas, três diziam respeito, diretamente, ao problema do desenvolvimento da indústria e da tecnologia aeronáutica no Brasil: "Sugestões sobre o problema da construção de aviões no Brasil", apresentada pelo capitão-de-corveta da Aviação Naval Raymundo Vasconcelos de Aboim; “A construção de aviões e motores no Brasil”, de autoria do tenente-coronel engenheiro Antônio Guedes Muniz e, finalmente, “Emprego de madeiras nacionais na aviação”, elaborada por Francisco Brotero, pesquisador do IPT.


Selo comemorativo: 1º Congresso Nacional de Aeronáutica-1934


Sobre o trabalho de Guedes Muniz, vale lembrar que, em 1931, ele proferiu uma conferência na Escola Politécnica do Rio de Janeiro apresentando diversas ideias sobre o desenvolvimento da tecnologia nacional no campo aeronáutico. Para ele, não eram os aviões em si que deviam merecer as principais atenções, mas sim saber como se poderia formar engenheiros no Brasil capazes de projetá-los. Muniz propunha que a escola abrigasse um laboratório central de pesquisas aeronáuticas, que teria como objetivo ensaiar materiais e peças. Pensava na constituição do que denominava uma universidade técnica, onde seriam realizados “os ensaios comparativos, as pesquisas científicas, os estudos de longo alcance, como, por exemplo, o da seleção de madeiras de que todos nós falamos, mas que ninguém conhece do ponto de vista de sua aplicação na indústria aeronáutica. Esse laboratório selecionará os aços nacionais, estudarão os cadernos de encargos sob os quais se regerão as indústrias siderúrgicas brasileiras, a estandardização das indústrias mecânicas e tudo o mais”. Para Muniz, competia à escola “preparar o advento da técnica e da ciência aeronáutica entre nós, a fim de que em breve, quando inevitavelmente surgir a primeira usina de aviação, nós não tenhamos de importar do estrangeiro os engenheiros que vão dirigi-la, que irão trabalhar nos gabinetes de estudos, nos ensaios de materiais e nas pesquisas aerodinâmicas”. Essas providências permitiriam “libertar o Brasil dos mercados estrangeiros de aviação”, pois o Brasil não deveria, em aviação, “viver da tutela dos outros povos”.

As ideias defendidas por Guedes Muniz encontravam algum eco junto às cúpulas militares, como se pode depreender do fato de sua tese ter sido publicada em 1934, a mando do então ministro da Guerra, Pedro Aurélio de Góes Monteiro. Muniz iniciava sua tese, evocando o caráter estratégico da indústria aeronáutica: “no quadro de guerra de amanhã é a aviação a arma mais interessante, pela sua mobilidade, pelo seu poder ofensivo, pela sua capacidade de manobra estratégica dentro do próprio território inimigo, destruindo, desde a primeira hora ou mesmo do primeiro minuto de mobilização, as fábricas, as suas comunicações, os seus transportes, quebrando assim, ou pelo menos atenuando, o potencial bélico da nação adversa”.


Triplano britânico utilizado em 1917 na 1ª Guerra Mundial


Ele discutia três possíveis alternativas para a implantação da indústria aeronáutica no Brasil: a primeira delas tendo o Estado à testa do empreendimento, a exemplo da Fábrica Militar de Córdoba, na Argentina. A segunda alternativa consistiria no concurso do capital estrangeiro, e a terceira, na adaptação da indústria nacional à fabricação de aviões.
Em relação a primeira alternativa, Guedes Muniz era enfático: “deve ser imediatamente e energicamente afastada: o Estado ainda é, como sempre foi e assim será eternamente, um péssimo industrial e, no Brasil, um desastradíssimo industrial com intenções políticas ... Não é preciso relembrar os desastres do Lloyd Brasileiro, da Central, de outras estradas de ferro ...”. Uma fábrica militar sob controle estatal seria admissível para Muniz, mas o exemplo da fábrica de Córdoba, na Argentina, o levaria a rejeitar essa solução como onerosa e anti econômica. Para ele, qualquer indústria aeronáutica que se criasse no país deveria ser “obrigatoriamente civil, profundamente civil, exclusivamente civil”.
A vinda do capital estrangeiro, segunda possibilidade, também era descartada por Muniz, sob a argumentação de que a implantação da indústria aeronáutica no país residia menos na existência de uma fábrica para produzir o bem final, e mais na possibilidade de os fabricantes de aeronaves encontrarem uma grande variedade de componentes, sendo produzidos internamente. Dessa maneira, segundo ele, não surtiria efeito a simples vinda de empresas estrangeiras para fabricar aviões, pois elas seriam obrigadas a importar componentes no estrangeiro, criando-se de fato uma “indústria fictícia”, que não poderia ser “mobilizada”, ou que teria de verticalizar ao máximo a produção, o que confrontando-se com a escala diminuta do mercado tornaria o empreendimento economicamente inviável.
Para Muniz, portanto, a questão não se resumia em instalar uma fábrica de aviões, mas também em criar condições para que essa fábrica de aviões pudesse contar com um mercado interno compensador, além de dispor dos componentes e da matéria-prima necessários a produção de aeronaves. A solução estaria na adaptação da indústria nacional à fabricação de aviões, com a importação de algumas máquinas específicas. O mercado aeronáutico seria suplementar para as empresas fornecedoras de componente, mas permitiria a diluição do capital necessário à instalação da indústria aeronáutica no país, viabilizando-a de imediato.
O Tenente-Coronel Muniz procurava demonstrar a exeqüibilidade de sua proposta, agrupando os componentes de um avião em quatro conjuntos e enumerando indústrias que, no Rio de Janeiro e em São Paulo, poderiam fabricá-los. O primeiro grupo, composto da célula, lemes, trem de aterragem, bequilha, fuselagem, berço do motor e reservatório, abrangia sessenta e setenta por cento do valor do avião, exceto o motor, e poderia vir a ser fabricado pela indústria nacional sem nenhum problema. As células seriam de madeiras e as fuselagens de aço soldado ou de madeira. Muniz acreditava que apenas uma única empresa das que enumerara seria capaz de produzir todos os componentes do primeiro grupo.
O segundo grupo, composto por instrumentos de bordo e navegação, acessórios, freios, amortecedores, cabos, etc., envolvia material altamente especializado. A solução preconizada era a fabricação sob licença, por uma empresa nacional habituada à fabricação de instrumentos de precisão.
O terceiro grupo, formado por hélices, pneumáticos e rodas, também não apresentaria grandes dificuldades no país, e para produzir hélices de aço e de liga de metal leve bastaria importar equipamentos adequados. Quanto aos pneumáticos, rodas e telas, havia empresas habilitadas à fabricação imediata. Por fim, o quarto grupo, constituído por tintas e vernizes, além das colas, também não apresentaria nenhuma dificuldade, uma vez que sua produção não envolvia nenhuma complexidade técnica.

Quanto às matérias-primas, Guedes Muniz defendia o desenvolvimento de tecnologia para o aproveitamento de madeiras nacionais na construção aeronáutica, ao mesmo tempo em que preconizava a implantação no país da indústria de aços especiais e alumínio, que viabilizariam a produção de estruturas metálicas para aeronaves. Muniz lembra a existência de jazidas de bauxita no país e argumenta que o volume das importações já justificava plenamente as inversões necessárias à instalação da indústria de alumínio no Brasil.


Dois anos após o Congresso, o Muniz M7 em fabricação - CNNA


O militar propunha um modelo diferenciado para a produção de propulsores aeronáuticos. Em todo o mundo, argumentava, ao contrário da indústria de aeronaves, a produção de motores para a aviação era altamente verticalizada, o que impunha considerações sobre a economia de escala. Por outro lado, Muniz acreditava que as dificuldades técnicas envolvidas na produção de motores para a aviação recomendavam que se estabelecesse, inicialmente, um contrato de fabricação, sob licença e assistência técnica, com uma grande empresa estrangeira que dispusesse de larga experiência no ramo.Ele lembrava que o tempo de maturação de um projeto de motor aeronáutico variava entre cinco e sete anos, quando um projeto de aeronave podia ser feito em apenas seis meses. Para ele, a solução consistia na fabricação sob licença, como fora feito na Espanha, cuja indústria de motores de aviação, de automóveis e caminhões para o Exército evoluía paralelamente com sua matriz em Paris. Guedes Muniz entendia que a direção da fábrica deveria estar em mãos brasileiras, mas tecnicamente subordinada à estrangeira escolhida como fonte de tecnologia.

Anos mais tarde, ele viria a ter oportunidade de aplicar exatamente esse modelo, dirigindo a criação e a fase inicial de operação da Fábrica Nacional de Motores - FNM, empresa estatal criada no bojo dos acordos entre o Brasil e os Estados Unidos sobre a cessão de bases militares nas regiões Norte e Nordeste do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial.


Primeiro motor aeronáutico fabricado em série no país - FNM


A FNM será instalada para fabricar motores de projeto norte-americano, sob licença e com assistência técnica da indústria Wright, à época uma das maiores fabricantes de motores para aviação dos Estados Unidos.
Concluindo sua tese, Muniz propunha que o Governo Federal subsidiasse as pesquisas sobre madeiras nacionais realizadas pelo IPT, e também que fosse estabelecida um encomenda de trinta aviões de turismo, para doações a Aeroclubes, a serem integralmente construídos no país, constituindo-se sua fabricação num verdadeiro laboratório de pesquisa e formação de recursos humanos. E por fim, em consonância com o ponto de vista de grande parte da oficialidade da época, propugnava pela criação do ministério do ar, que deveria coordenar todas as atividades relacionadas com a aviação e que, para tanto, deveria ser “poderoso e competente, único e ditatorial, forte e coerente”.
O parecer foi dado por Ary Torres, então diretor do IPT. Torres concordava com as teses defendidas por Muniz, acrescentando a proposta da criação de um curso de engenharia aeronáutica na Capital do país. Propunha, também, a constituição de uma comissão de “técnicos dos ministérios da Guerra, Marinha e Aviação, engenheiros civis especializados, com recursos e poderes para iniciar a fabricação de aviões no país”.
As idéias de Guedes Muniz foram aceitas pelo Congresso, que apelou para que o Conselho de Defesa Nacional promovesse um ensaio de construção aeronáutica no país.

Fonte: www.museutec.org.br/Vencendo o Azul

sábado, 24 de setembro de 2016

Aviação e Biologia

Gaviões são empregados no aeroporto de Confins contra pássaros intrusos
Responsáveis por acidentes graves, danos a equipamentos e prejuízos financeiros às companhias aéreas, as colisões entre aves e aeronaves vêm sendo combatidas no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte - Confins. Uma das ferramentas utilizadas no aeródromo é a falcoaria. O investimento anual no serviço, que consiste na utilização de aves de rapina para identificar e capturar animais que sobrevoam o aeroporto, é de R$ 500 mil. Até abril de 2016, o modal aéreo havia registrado oito colisões do gênero, representando 1% dos 797 relatos registrados em todos os aeroportos brasileiros no período. Em 2015, foram 35 ocorrências relatadas na região. A equipe responsável pelo programa de falcoaria do aeroporto é formada por cinco funcionários, que realizam o manejo de cinco aves, sendo quatro fêmeas e um macho, das espécies gavião asa-de-telha, falcão e gavião-de-penacho. O diretor de operações do aeroporto, Daniel Bircher, explica que a técnica não é utilizada isoladamente, mas executada em conjunto com outras voltadas para a segurança operacional, tais como o uso de fogos de artifício e de armadilhas. Além disso, desde o ano passado, toda a grama do complexo aeroportuário vem sendo substituída por uma espécie que, dentre outras vantagens, acumula menos matéria seca e, portanto, reduz a presença de animais no local. “O programa de falcoaria existe há vários anos e é uma das ferramentas que utilizamos para reduzir o perigo da presença de aves no sítio aeroportuário. Nosso foco está, principalmente, nas espécies maiores, como o carcará, o urubu e o quero-quero, que oferecem risco aumentado para as aeronaves. Os mais frequentes, no entanto, são os pássaros menores, menos ofensivos”, detalha Bircher. De acordo com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), a maioria das colisões registradas no ano passado no País - 1.825 no total - e cujas espécies foram identificadas envolveram quero-queros (29%) e carcarás (12%). Ainda conforme o Cenipa, o aeroporto com maior número de registros dessa natureza reportados nos últimos quatro anos, entre 2011 e 2015, foi o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre (Rio Grande do Sul), com 553 ocorrências. Os números, no entanto, não traduzem necessariamente a quantidade real de colisões, já que as notificações não são compulsórias.

Falcoaria
Adotado, originalmente, como um esporte da nobreza europeia, no período medieval, e pelos senhores feudais do Japão, há mais de 3 mil anos, a falcoaria, arte de criar e treinar falcões e outras aves de rapina é, atualmente, praticada no Brasil todo. Alguns dos principais centros de criação desse tipo de ave estão localizados em Minas, em Belo Horizonte; Uberlândia, no Triângulo; e Patrocínio, no Alto Paranaíba. A prática é representada pela Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina (ABFPAR), sediada em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Estima-se que 8% dos falcoeiros profissionais do País empreguem a técnica no controle da fauna nociva. Além do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, apenas outros cinco aeroportos brasileiros utilizam a técnica para controle de fauna. São eles: Pampulha, em Belo Horizonte; Galeão, no Rio de Janeiro; Salgado Filho, em Porto Alegre; Vitória, capital do Espírito Santo; e Viracopos, em Campinas, SP.

Fonte: Diário do Comércio (MG)

Saiba mais: Blog do NINJA de 10/07/2016 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Recreio

Crianças se divertem visitando a Base Aérea em Porto Velho (RO)
“Nunca vi um avião tão grande”. Com essa frase, Rodrigo, de 6 anos, expressou sua impressão sobre o helicóptero AH-2 Sabre. O estudante foi uma das 65 crianças da Escola Tancredo Neves, colégio situado em Porto Velho (RO), que conheceram a Base Aérea de Porto Velho, no dia 16 de setembro de 2016. As crianças, com idades entre 3 a 5 anos, e seis professores, também visitaram o Esquadrão Poti e vivenciaram um pouco da rotina dos militares da unidade aérea que opera os helicópteros de ataque. De acordo com uma das professoras, mesmo pequenas, a visita despertou muita curiosidade nas crianças. “Tenho certeza que as imagens que elas viram hoje marcarão para sempre a vida delas”, avalia Miriam Pereira da Silva.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Simpósio de Segurança de Voo para Asas Rotativas

Evento em São Paulo reunirá profissionais do segmento de helicópteros
Pilotos, mecânicos, engenheiros, inspetores, supervisores, gestores, alunos e proprietários de empresas que operam helicópteros formam o público-alvo do Simpósio de Segurança de Voo para Asas Rotativas. O evento, promovido pelo Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA IV), será realizado nos dias 4 e 5 de outubro de 2016, em São Paulo (SP). As vagas são limitadas (400). As inscrições são grátis e podem ser feitas, pela internet, até 29 de setembro. O local do evento é no Auditório da Universidade Anhembi Morumbi (Rua Casa do Ator, 275, Vila Olímpia, São Paulo-SP), a partir de 18h30.

Temas 
Serão abordados assuntos atuais e importantes relacionados à operação de helicópteros, especialmente tópicos que vêm permeando incidentes e acidentes investigados nos últimos anos pelo órgão nas regiões de São Paulo e Mato Grosso do Sul. A Circulação de Aeronaves na Terminal São Paulo, Segurança em Voos de Check (verificação) e Emergências em Helicópteros: Monomotor e Multimotor estão entre as palestras já confirmadas. De acordo com a Associação Brasileira dos Pilotos de Helicóptero (ABRAPHE), com dados de 2013, São Paulo é considerada a cidade com maior movimentação aérea de helicópteros no mundo. São mais de 400 aeronaves registradas e cerca de duas mil operações diárias (pousos e decolagens). Em virtude da frota de helicópteros no município e arredores, a cidade tem um sistema exclusivo para o controle das aeronaves nas proximidades do aeroporto de Congonhas, chamado de Helicontrol, que é uma posição operacional do Controle de Aproximação de São Paulo, dentro da Torre de Controle de Congonhas. O evento também se propõe a contribuir com a meta do International Helicopter Safety Team(IHST). A entidade internacional voltada à segurança de voo para helicópteros quer reduzir em 80% o número de acidentes nesse segmento da aviação.

Inscrições: clique aqui

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Aeronaves

FAB terá mais 3 Amazonas especiais para missões SAR 
 A Força Aérea Brasileira (FAB) poderá incorporar, em 2017, mais três aeronaves C105 Amazonas especialmente preparadas para Busca e Salvamento (SAR). Denominadas pela Airbus como CASA C295W, na nova configuração, com dispositivos winglets, as aeronaves terão equipamentos especiais para missões de busca e salvamento. Conforme divulgou o site Flight Global, a primeira das três aeronaves está pronta. Estas deverão, em 2017, voar juntamente com as 12 já operadas pela FAB com a designação C-105 Amazonas, para operações de transporte e busca e salvamento. A versão 295W, graças aos winglets (dispositivo na ponta das asas) pode transportar mais carga com economia de até 4 por cento de combustível.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Aeroportos

Internacional de Foz do Iguaçu poderá ser privatizado 
O Aeroporto Internacional Cataratas, de Foz do Iguaçu (PR), está na lista dos dez terminais aéreos que serão privatizados pelo governo federal, no segundo semestre de 2017. A relação inclui ainda os aeroportos de Curitiba, Recife, Belém, Vitória, Goiânia, Cuiabá, Maceió, São Luís e Manaus. Antes deles, serão leiloados os aeroportos de Fortaleza, Salvador, Porto Alegre e Florianópolis. A decisão do governo foi bem recebida pelo setor de turismo de Foz do Iguaçu, que vê a possibilidade de o terminal receber mais voos e retomar o crescimento no número de embarques e desembarques, prejudicado este ano pela crise econômica. No ano passado, mesmo já sob efeitos da crise, o aeroporto de Foz foi o que apresentou maior taxa de crescimento, de quase 10% em relação ao ano anterior.

Fonte: A Gazeta do Iguaçu

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

1º Workshop Regional Embraer

Embraer reúne, dia 18/10/2016, operadores da aviação executiva em Recife (PE) 
A Embraer realiza, em Recife (PE), no dia 18 de outubro de 2016, o 1º Workshop Regional do programa EEOC 2016 (Embraer Executive Operators Conference). A programação consta de apresentação dos jatos executivos da Embraer, pelo gerente de vendas da indústria, Augusto Salgado; palestra Evolução dos comandos de voo: do mecânico ao digital, com Fabrício Reis (Gerente de Engenharia Embraer) e Eduardo Camelier (Piloto de Ensaios Embraer); palestra Panorama sobre os novos requisitos do espaço aéreo brasileiro, com André Braga e Carlos Farias Júnior, controladores de tráfego aéreo e docentes do curso de Ciências Aeronáuticas, no Centro Universitário Maurício de Nassau.

Inscrições: amanda.toni@embraer.com.br (até dia 14/10)