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Voar é um desejo que começa em criança!

domingo, 12 de abril de 2020

Especial de Domingo

Hoje, confira o terceiro capítulo da participação da FAB na II Guerra Mundial, originalmente publicado pelo INCAER - Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica.
Boa leitura.
Bom domingo.
Feliz Páscoa!

A atuação da FAB na II Guerra Mundial (Parte 3)
No capítulo 1, em 29/03/20, o autor apresentava a criação do Ministério da Aeronáutica e a chegada das primeiras aeronaves de treinamento para o Brasil e a formação das primeiras turmas de aviadores e especialistas em manutenção e apoio. No capítulo anterior, em 5/04/20, Cambeses Júnior relatava os primeiros embates da FAB contra submarinos alemães na costa brasileira. Nesta terceira parte, é relatada a chegada dos heróis brasileiros à Itália e seus primeiros combates contra as tropas de Hitler.

A FAB na campanha da Itália

Quando, em fins de 1943, o nosso Governo decidiu enviar forças brasileiras para a Campanha da Itália, o Ministro da Aeronáutica logo resolveu que, por mais empenhada que estivesse a Força Aérea Brasileira no seu laborioso processo de desenvolvimento e organização e por maiores que fossem os seus compromissos nas operações aéreas do Atlântico Sul, ela não poderia deixar de mandar um contingente para a luta na Europa, ao lado da Força Expedicionária Brasileira.


Foi decidido que, inicialmente, seria organizado e treinado um Grupo de Caça; que, assim que as disponibilidades de pessoal permitissem, outras Unidades de Combate seriam enviadas para o Mediterrâneo. De fato, quando cessaram as hostilidades na Europa, já se achava nos Estados Unidos, em treinamento, o pessoal- chave de um Grupo de Bombardeio Médio Brasileiro.

Ficou acertado que a Força Aérea Brasileira forneceria à Força Expedicionária do Exército o pessoal necessário para a organização da Esquadrilha de Ligação e Observação, prevista na Artilharia Divisionária, com exceção dos Observadores Aéreos que seriam Oficiais do Exército, da Arma de Artilharia.

Uma vez tomada a decisão de enviar uma Unidade Aérea de Caça para o Mediterrâneo, as providências se sucederam com rapidez. A 18 de dezembro de 1943, o Governo criou o 1º Grupo de Aviação de Caça; por decreto de 27 de dezembro foi nomeado o seu comandante, o Major-Aviador Nero Moura; a 3 de janeiro de 1944 partiu do Brasil, para ser treinado nos Estados Unidos, o pessoal-chave do Grupo de Caça constante do Comandante, do Oficial de Operações, do Oficial de Informações e de quatro Comandantes de Esquadrilhas; esses oficiais, de janeiro a março, receberam um treinamento completo abrangendo 60 horas de voo em aviões de caça Curtiss P-40.



Durante o mês de fevereiro de 1944, os demais elementos do Grupo de Caça, num total aproximado de 350 homens, foram enviados, parceladamente, para a Base Aérea de Água Dulce, no Panamá. O pessoal-chave desse grupo, terminado o treinamento na Flórida, juntou-se ao resto do Grupo de Caça, no Panamá, em 18 de março de 1944.


Foi, então, iniciado um treinamento em conjunto da unidade aérea, com um programa de 110 horas de voo em aviação de caça P-40 para os demais oficiais pilotos vindos do Brasil e com programas correspondentes para o pessoal encarregado da manutenção dos aviões, do armamento, das comunicações e de todos os demais serviços administrativos.

O Grupo de Caça Brasileiro, durante as últimas semanas do seu treinamento em Água Dulce, participou ativamente da defesa aérea do Canal do Panamá, já como uma unidade tática completa, mantendo de prontidão, todos os dias, uma das suas esquadrilhas.


Em fins de junho de 1944, o 1º Grupo de Caça se deslocou para a Base Aérea de Suffolk, em Long Island, ao norte de Nova York, onde passou pouco mais de dois meses realizando novo programa de treinamento, já agora nos aviões de caça mais modernos da Força Aérea Norte- Americana: Os P-47 “Thunderbolt”; esse era o tipo de avião com que os nossos pilotos iriam lutar na Itália; cada oficial realizou 80 horas de voo de treinamento e o pessoal de terra adaptou-se ao novo material.



Terminado o estágio de instrução em avião P-47, o Grupo de Caça Brasileiro estava em igualdade de condições, em matéria de treinamento, com qualquer outra unidade congênere da aviação norte-americana; além disto, pelo menos um terço dos pilotos brasileiros eram oficiais com mais de 2.000 horas de voo; acresce, ainda, que todos os oficiais do Grupo de Caça tinham se apresentado voluntariamente para combater nos céus europeus, o que era garantia de um moral elevado dos pilotos, mais tarde fartamente posto à prova em face do inimigo.


Desta maneira, quando o Grupo de Caça Brasileiro deixou o hemisfério ocidental, com destino à velha Europa, o seu comandante e os demais responsáveis pelo seu treinamento tinham consciência de que tinha sido dado àquele grupo de brasileiros, que ia enfrentar um inimigo experimentado, um adestramento tão aperfeiçoado como aquele que, até então, era privilégio das forças aéreas das grandes potências mundiais.No dia 10 de setembro de 1944, o Grupo de Caça Brasileiro embarcou, próximo a Newsport, no Estado da Virgínia, no navio francês “Colombie” que se incorporou a um dos comboios que atravessavam o Atlântico Norte, com destino ao Mediterrâneo.

A 6 de outubro de 1944, o Grupo de Caça desembarcou no Teatro de Operações, no porto de Livorno, na costa ocidental da Itália; daí viajou, de trem, para Tarquínia, seu primeiro aeródromo de destino; ali armou as suas barracas e passou a viver e operar acampado; receberam os seus aviões P-47 “Thunderbolt”, completamente novos e já pintados com as cores brasileiras, incorporando-se ao 350º Regimento de Caça Norte-Americano, que possuía três outros Grupos de Caça com pessoal norte-americano; ali realizaram os primeiros voos de experiência de seus aviões e de reconhecimento da região.

O 350º Regimento de Caça fazia parte da Força Aérea Tática do Mediterrâneo, a qual apoiava o 5º Exército Norte-Americano e o 8º Exército Inglês.


No dia 14 de outubro de 1944, pela primeira vez, tremulou a bandeira de uma unidade da Força Aérea Brasileira em território inimigo, durante uma guerra; nesse dia, a Bandeira Brasileira foi içada no acampamento do 1º Grupo de Caça, em Tarquínia, na Itália, com uma cerimônia solene; a Ordem do Dia dessa data registra: “Na história dos povos coube-nos, assim, a honra de sermos a primeira Força Aérea Sul-Americana que cruzou oceanos e veio alçar as suas asas sobre os campos de batalha europeus. Antes de entrar em ação, aqui no Velho Mundo, o 1º Grupo de Caça cumpre o sagrado dever de plantar em território inimigo a Bandeira do Brasil. Camaradas: para a frente, para a ação, com o pensamento fixo na imagem da Pátria, cuja honra e integridade juramos manter incólumes. Cumpre-nos tudo enfrentar, com fortaleza de ânimo, a fim de manter intacto esse tesouro jamais violado: a honra do soldado brasileiro! E nós o faremos, custe o que custar.”



A 31 de outubro de 1944 os pilotos brasileiros começaram a tomar parte nas missões de guerra, voando nos seus próprios aviões, mas integrando esquadrilhas norte-americanas, a fim de se familiarizarem com as realidades da guerra.


A 6 de novembro tivemos a nossa primeira perda em combate: o 2º Tenente- Aviador Cordeiro e Silva, participando de uma missão de guerra, foi abatido pela artilharia antiaérea, na região de Bolonha.

A 11 de novembro, o Grupo de Caça começou a operar com esquadrilhas completamente constituídas por oficiais brasileiros e recebendo os seus próprios objetivos a serem atacados.

Um mês depois, a 4 de dezembro de 1944, juntamente com o 350º Regimento de Caça, sem interromper as operações aéreas um dia sequer, o 1º Grupo de Caça deslocou-se para uma nova base: o aeródromo de Pisa, que ficava 200 quilômetros mais ao norte e bem próximo da linha de frente, permitindo aproveitar melhor o raio de ação dos aviões. Logo ao norte da cidade de Pisa começavam as cadeias de montanhas dos Apeninos, naquela época já cobertas de neve; um inverno rigoroso impunha sacrifícios acrescidos aos pilotos e ao pessoal de terra.

O Grupo de Caça Brasileiro operou, durante a Campanha da Itália, como uma unidade de caças-bombardeiros. Realizando o bombardeio em voo picado, eram atacadas pontes de estradas de ferro e o seu próprio leito, campos de aviação, posições de artilharia, edifícios ocupados por tropas inimigas, concentrações de material e de tropa, depósitos de munição e de gasolina, etc.

Após o ataque com bombas aos objetivos predeterminados, os pilotos tinham ordem de regressar voando baixo, procurando atacar com as metralhadoras dos seus aviões os veículos encontrados nas estradas de rodagem, locomotivas, vagões de estrada de ferro, aviões aterrados nos aeródromos, etc.

Os objetivos atribuídos ao Grupo de Caça Brasileiro e às demais Unidades de Caça faziam parte de um Plano de Bombardeio com o qual o Comando da Força Aerotática visava, principalmente três finalidades:

1ª - apoio direto às Forças Terrestres;

2ª - isolamento do campo de batalha, pela interrupção sistemática das vias de comunicações, ferroviárias e rodoviárias, que ligavam a linha de frente alemã ao vale do rio Pó e ao resto do território ocupado pelos alemães; e

3ª - destruição de instalações militares e industriais no norte da Itália.

Foi durante os duros meses do inverno 1944/45 que o Grupo de Caça Brasileiro consolidou, rapidamente, a sua experiência de guerra, a qual nenhum treinamento anterior poderia substituir.

A respeito disso pode ser citado o relatório do comandante do 350º Regimento de Caça, unidade veterana que já tinha passado por todas as campanhas do Norte da África, da Sicília e da Itália e que assim se pronunciou: “Todos os do 350º Regimento de Caça que auxiliaram os brasileiros a se iniciarem na guerra o fizeram com prazer, porque os brasileiros desejavam combater o inimigo e combatê-lo com perícia. Um mês depois eles operavam como veteranos. Eles tinham muito poucos pilotos de recompletamento, comparando com os nossos Esquadrões mas, apesar disso, sua coragem e energia eram indômitas.”

Numa rara ocasião, o Grupo de Caça Brasileiro teve oportunidade de apoiar diretamente a Força Expedicionária Brasileira; na véspera da conquista do Monte Castelo pela FEB, a 20 de fevereiro de 1945, o ataque de esquadrilhas brasileiras tinha eliminado a resistência inimiga numa elevação no flanco da tropa brasileira; o Marechal Mascarenhas de Moraes ao se referir a esse fato, no seu livro “A FEB pelo seu Comandante”, disse: “Aviões da FAB haviam arrasado a resistência germânica de Mazzancana, numa arrojada participação no combate terrestre e num exemplo inesquecível de união dos expedicionários do ar e da terra.”

(A saga da FAB na II Grande Guerra continua no próximo domingo, aqui no blog do Núcleo Infantojuvenil de Aviação-NINJA)

Texto: Extraído de “A participação da Força Aérea Brasileira na II Guerra Mundial” publicado pelo INCAER – Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica. 

Autor: coronel-aviador Manuel Cambeses Júnior

Pesquise: Blog do Ninja 29/03/20 e 5/04/20

sábado, 11 de abril de 2020

Aeroportos

Anac simplifica regularização de aeródromos na Amazônia
A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) simplificou, no dia 08 de abril de 2020, as regras para regularização de pistas privadas de pouso e decolagem existentes na Amazônia Legal, desde que não estejam situadas em área de faixa de fronteira. Agora, os responsáveis pelos aeródromos não tem a necessidade de passarem pelo processo de autorização de construção da agência. A medida foi estabelecida em alteração dos anexos da Portaria 3352/2018. Com a decisão, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI/MS), do Ministério da Saúde, preveem o cadastro de mais de 200 aeródromos na Amazônia para atendimento de saúde indígena. Segundo a Assessoria de Comunicação da Anac, a “medida está em linha com o Código Brasileiro de Aeronáutica que permite ser dado um tratamento diferenciado àquela região”.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

FAB

Força Aérea faz movimento estratégico de aviões na operação Covid-19
A Força Aérea Brasileira (FAB), no dia 05 de abril de 2020, deslocou seus meios aéreos, de diversas localidades do país, para a ALA 1 – Base Aérea de Brasília, ALA 11 – Base Aérea do Galeão e ALA 12 – Base Aérea de Santa Cruz, com o objetivo de promover a ampliação da capacidade de pronta-resposta em atendimento às demandas do Ministério da Defesa nas ações logísticas de enfrentamento à COVID-19. As aeronaves permanecerão de sobreaviso para o transporte de material a ser empregado no combate ao surto do novo coronavírus, tendo sido posicionadas na capital do país e no Rio de Janeiro, importantes centros logísticos de distribuição.

Aeronaves deslocadas
As aeronaves da FAB foram deslocadas de diversas regiões do país. No total, foram acionados cinco C-95 Bandeirante, cinco C-98 Caravan e dois C-105 Amazonas. Além dos meios aéreos deslocados, a mobilização conta, ainda, com aeronaves orgânicas da ALA 1, ALA 11 e ALA 12, incluindo os aviões C-130 Hércules, C-99 e C-97 Brasília. Uma aeronave VC-99, pertencente ao Grupo de Transporte Especial (GTE), também foi disponibilizada para a Operação, tendo sido adaptada para transportar 4.000 kg de carga.

Operação Covid-19
A Operação COVID-19 é uma ação interministerial, coordenada pelo Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) junto ao Centro de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa, em apoio ao Ministério da Saúde. Na sexta-feira, dia 03 de abril de 2020, uma arronave C-130 Hércule do Primeiro Esquadrão do Primeiro Grupo de Transporte (1º/1º GT) – Esquadrão Gordo – realizou Transporte Aéreo Logístico de material de saúde e outros itens, da Ala 11 – Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, até a Ala 8 – Base Aérea de Manaus, no Amazonas. Na quarta-feira, dia primeiro de abril, outro C-130 do 1º/1º GT prestou apoio no transporte de 9,6 toneladas de álcool em gel e Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) de Guarulhos (SP) para Recife (PE).

Cuzco
Duas aeronaves C-130, ainda, decolaram do Rio de Janeiro (RJ) e de Belém (PA), no dia 24 de março de 2020, na missão de resgate de cidadãos brasileiros que se encontravam em Cuzco, no Peru, impedidos de regressarem ao Brasil em razão do fechamento das fronteiras, como mecanismo de combate ao novo Coronavírus. O Apoio Aéreo Logístico é uma das muitas ações realizadas pelo Ministério da Defesa no contexto da Operação Covid-19. Militares das Forças Armadas também estão envolvidos em campanhas de conscientização e vacinação e descontaminação de locais públicos. Os militares ainda atuam apoiando órgãos de saúde com a montagem de postos de triagem; fiscalização da entrada e saída de passageiros nas fronteiras, nos aeroportos e nos portos; confecção e distribuição de máscaras; além de inspeções navais em todo o território nacional.

Fonte: FAB

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Aeroportos

Governo Federal autoriza obras em quatro aeroportos regionais
Aeroporto de Angra dos Reis
A Secretaria Nacional de Aviação Civil, vinculada ao Ministério da Infraestrutura, autorizou, dia sete de abril de 2020, o início de obras e a realização de licitações em quatro aeroportos regionais. Serão R$ 40,7 milhões em investimentos do governo Jair Bolsonaro com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC). O montante possibilitará melhorias para os passageiros e segurança operacional no seguintes aeroportos: Angra dos Reis, no Rio de Janeiro; Bonito, no Mato Grosso do Sul; Cascavel, no Paraná; e Sorriso, no Mato Grosso. Destes, Cascavel já tem a Ordem de Serviço para o início das obras. A autorização para o lançamento do edital de licitação foi concedida à prefeitura de Sorriso e aos governos de MS e do RJ.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

ITA

Instituto de Aeronáutica cria soluções para combate à Covid-19
O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), localizado em São José dos Campos (SP), tem atuado no combate ao novo coronavírus (COVID-19). Professores e ex-alunos do ITA têm se desdobrado em desenvolver soluções para o enfrentamento da pandemia. O ITA é uma instituição universitária pública que integra o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). Embora sejam vocacionados para os setores de aeronáutica, defesa e espaço, integrantes da Instituição têm buscado fornecer ferramentas úteis à sociedade para o combate ao vírus, na área de engenharia.

Laboratórios
“O Instituto está colocando seus laboratórios e seus conhecimentos acumulados ao longo de décadas à disposição da sociedade brasileira no combate à COVID-19”, ressaltou o Reitor do ITA, Professor Doutor Anderson Ribeiro Correia. Ex-alunos lotados em empresas e parques tecnológicos, estão sendo contatados para a coordenação de atividades de implementação rápida nos hospitais da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Brasil. Além disso, o Centro de Competência em Manufatura (CCM) está coordenando com outras instituições o fornecimento de peças produzidas por manufatura aditiva e impressoras 3D. “Com isso, a produção de ventiladores e respiradores mecânicos será muito mais rápida”, informou o Reitor.

Componentes
Para tornar viável a aplicação dos produtos elaborados pelo CCM, setores do ITA estão em contato com empresas de produção de respiradores para uso em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), como também com os órgãos certificadores competentes, visando acelerar o processo de homologação dos eventuais componentes fornecidos. "Disponibilizar os profissionais de engenharia do DCTA para o enfrentamento à COVID-19 dialoga com os nossos valores, pois mostra a atuação deles na área tecnológica, para a garantia da integridade do nosso território e do nosso povo", concluiu o Diretor-Geral do DCTA, Major-Brigadeiro do Ar Hudson Costa Potiguara.

terça-feira, 7 de abril de 2020

Aviação do Exército


As primeiras construções na localidade do 
Forte Ricardo Kirk

Por: Antônio Carlos N. Barbosa*

Primeira foto aérea da região do Forte Ricardo Kirk (CAvEx) (1959)
As primeiras instalações construídas, na área onde hoje é o Forte Ricardo Kirk [Comando de Aviação do Exército, em Taubaté, SP], remontam a meados do século passado quando um Posto Agropecuário, do Ministério da Agricultura, ali se instalou. Seu administrador foi o Engenheiro Agrônomo Antônio Werneck de Carvalho que, em seu discurso de inauguração, fez o seguinte registro, ipsis litteris: [...a lei municipal nº 12, de 31.8.48, autorisou a Prefeitura de Taubaté a adquirir uma gléba (205 hectares) da Fazenda Cembranelli, a ser doada ao Ministério da Agricultura para a instalação do Pôsto Agropecuário; foram os Póstos Agropecuários criados para auxiliar diretamente os lavradores e criadores, colocando ao seu alcance os meios de aumentar, melhorar e defender a sua produção...].
Casa do administrador do Posto. Hoje, residência do Cmt AvEx (1951)
São algumas das construções dessa época os atuais Banco do Brasil e Santander, o Espaço Cultural da Aviação do Exército, e a residência do Comandante da Aviação do Exército. Em 1964, o cineasta e ator Amácio Mazzaropi rodou cenas do seu filme “Meu Japão Brasileiro” se utilizando dessa estrutura.
O cineasta Mazzaropi filmando nas instalações (1965)
O Posto foi extinto por volta de 1975 e o local foi passado ao Ministério do Exército que, por meio do Comando, em Caçapava, enviou para cuidar da nova possessão a família do Tenente Hélio Machado, com sua esposa Martha Hutler, e filhos Élcio e Regina. Esta família permaneceu no local até que o Decreto nº 80.820, de 24 de novembro de 1977, transferisse a sede da 12ª Bateria de Artilharia Antiaérea, da cidade de Barueri-SP, para a cidade de Taubaté.
Construções e plantações do Posto, década de 1950
Um rico acervo fotográfico e documental referente ao Posto Agropecuário foi disponibilizado ao Espaço Cultural da Aviação do Exército, pelos Srs Luiz Antonio de Araújo Werneck e Antônio Celso de Araújo Werneck, filhos do idealizador do Posto, Sr Antonio Werneck de Carvalho, já falecido.

Texto: *Antônio Carlos N. Barbosa é sargento do Exército, historiador e integrante da equipe gestora do Espaço Cultural da Aviação do Exército.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Associação Invoz

Invoz atua como indutora de cultura aeronáutica, educação e empreendedorismo
A Associação Invoz tem como meta, até 2027, ser reconhecida como um agente inspirador e transformador nas áreas de educação, cultura, inovação e empreendedorismo, sobretudo no segmento aeronáutico e espacial. Criada em 2017 e sediada em São José dos Campos (SP), a Invoz é uma associação sem fins lucrativos e congrega pessoas e empresas com habilidades variadas e dispostas a doar conhecimento para a sociedade e executar projetos que visem o bem comum. Para 2020, a Invoz tem na agenda 51 projetos, atividades e eventos, com foco na sua missão de construir um futuro melhor, conforme incentivos definidos pelo seu mentor e presidente de honra, o Engenheiro Ozires Silva, fundador da Embraer.

Novo website
A Invoz, para comemorar seus três anos de existência, em 25 de março de 2020, lançou seu novo site na rede mundial de computadores, apresentando diversos serviços, como gestor de projetos, galerias de imagens, vídeos, áudios, além de um clipping de notícias nos seus segmentos de atuação. As redes sociais foram integradas para aumentar o nível de compartilhamento dos conteúdos. Desta forma, a associação pode aumentar as parcerias com a comunidade, academia, organizações e prefeituras para viabilizar e ampliar projetos, incluindo os de preservação da história e difusão da cultura aeronáutica. No site o visitante poderá conferir notícias, entrevistas e conhecer os eventos e trabalhos desenvolvidos pela Invoz.

Saiba mais: www.invoz.org

domingo, 5 de abril de 2020

Especial de Domingo

Seguimos com mais um capítulo da participação da FAB na II Guerra Mundial, originalmente publicado pelo INCAER - Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica.
Boa leitura.
Bom domingo!

A atuação da FAB na II Guerra Mundial (Parte 2)


No capítulo anterior, publicado em 29/03/2020, o autor apresentava a criação do Ministério da Aeronáutica, a chegada das primeiras aeronaves de treinamento para o Brasil e a formação das primeiras turmas de aviadores e especialistas em manutenção e apoio. No capítulo de hoje, Cambeses Júnior relata os primeiros embates da FAB contra submarinos alemães na costa brasileira:


A Proteção Aérea à Navegação Marítima
Desde o início da II Guerra Mundial, as nações do continente americano perceberam que a grande conflagração iria, mais cedo ou mais tarde, afetá-las. Em outubro de 1939, os representantes das nações americanas se reuniram, na cidade de Panamá, para concertarem medidas tendo em vista a preservação dos seus interesses em face do conflito mundial.Nessa ocasião foi fixado o limite de 300 milhas marítimas, em torno do continente americano, como Zona de Segurança, dentro da qual as nações americanas desejavam manter a sua neutralidade. A guerra submarina, iniciada no Atlântico Norte, iria, progressivamente, aproximar-se do litoral brasileiro. Nos anos de 1939 e 1940 não houve torpedeamento de navios próximo ao nosso litoral. No ano de 1941, ocorreram três torpedeamentos de navios de nacionalidade estrangeira, a mais de 400 quilômetros da costa brasileira.

Depois do ataque a Pearl Harbour e da entrada dos Estados Unidos na guerra, em dezembro de 1941, o panorama geral da campanha submarina no Oceano Atlântico mudou completamente; a maioria dos torpedeamentos e afundamentos de navios mercantes passou a se verificar nas águas territoriais dos Estados Unidos, ao longo da sua costa oriental e no mar das Caraíbas. A 28 de janeiro de 1942, na sessão de encerramento da III Reunião de Consulta de Ministros das Relações Exteriores das Repúblicas Americanas, no Rio de Janeiro, o Ministro Oswaldo Aranha participou o rompimento das relações diplomáticas do Brasil com as potências do Eixo: Alemanha, Itália e Japão. No mês seguinte começaram os torpedeamentos de navios mercantes brasileiros: o “Cabedello”, nas costas dos Estados Unidos, em 14 de fevereiro de 1942; o “Buarque”, próximo a Curaçao, dois dias depois; o “Olinda”, próxima à ilha de Santa Lúcia, nas Antilhas, em 18 de fevereiro; o “Arabutã”, na costa da Carolina do Norte, em 7 de março; o “Cairu”; entre Norfolk e Nova York, em 9 de março e o “Paraíba”, a leste da ilha de Trinidad, em 1 de maio, tudo no ano de 1942. O sétimo torpedeamento de navio brasileiro foi próximo ao território nacional, a NE do arquipélago de Fernando de Noronha, a 18 de maio de 1942; foi o do navio mercante “Comandante Lyra” que, apesar de danificado, ainda foi rebocado para o porto de Recife, pelo “Tender” de hidroaviões norte-americano “Trush”.

A guerra submarina, ao mesmo tempo que atingia os navios mercantes brasileiros, aproximava-se do nosso litoral, tornando mais urgente a atuação da Força Aérea Brasileira e mais graves as suas responsabilidades. Os torpedeamentos dos navios mercantes brasileiros continuaram se sucedendo, como o do “Gonçalves Dias”, ao sul do Haiti, em 24 de maio de 1942, o do “Alegrete”, ao sul da ilha de Santa Lúcia, em 7 de junho, o do “Pedrinhas”, próximo a Porto Rico, em 26 de junho, o do “Tamandaré”, a leste de Port of Spain, em 26 de julho, e o do “Barbacena” e do petroleiro “Piave” no mesmo dia, a NE de Port of Spain, em 28 de julho de 1942. Colhida numa situação difícil pela guerra que se aproximava, sem aviões de guerra apropriados para a luta contra os submarinos, a Força Aérea Brasileira lançou-se num esforço intenso, tentando superar as suas dificuldades. Em dezembro de 1941 foi criado o Estado-Maior da Aeronáutica e em janeiro de 1942 foram organizados e instalados os Comandos de Zonas Aéreas, que teriam que dirigir e coordenar as operações da Força Aérea Brasileira ao longo de todo o litoral. Entre esses Comandos, o da 2ª Zona Aérea, abrangendo todo o território do Nordeste brasileiro e o Estado da Bahia, passou a ter uma atuação preponderante.


Em outubro de 1941, a Base Aérea do Recife, recentemente organizada, começou a prestar serviços. Em março de 1942, foi criada a Base Aérea de Natal. Assim que as autoridades norte-americanas puderam ceder à Força Aérea Brasileira alguns aviões de guerra, foi dado início em Fortaleza, em fevereiro de 1942, a um núcleo de adaptação dos oficiais aviadores brasileiros ao material aéreo moderno. Nesse núcleo foram concentrados 12 aviões de caça Curtiss P-36, 2 aviões bimotores de bombardeio Douglas B-18 e 6 aviões bimotores de bombardeio North American B-25.



De acordo com a diretiva existente, como ainda não tinha havido declaração de guerra entre o Brasil e os países do Eixo, o avião só poderia atacar o submarino se fosse por esse hostilizado inicialmente; e assim foi feito. O B-25 brasileiro fez uma passagem sobre o submarino e largou todas as bombas, que caíram próximas ao mesmo; o cerrado fogo antiaéreo que continuava a vir do submarino fez com que o avião, já sem bombas, se afastasse da área. Cinco dias depois, no dia 27 de maio de 1942, houve mais dois ataques a submarinos feitos por aviões B-25 brasileiros do Agrupamento de Aviões de Adaptação, de Fortaleza.


O Alto Comando Alemão orientava a guerra submarina de modo a concentrar os seus ataques nas áreas onde a respectiva defesa ainda não estava devidamente organizada nem dotada de meios suficientes; esse era o caso do litoral brasileiro, durante o ano de 1942. Hitler, numa conferência com o Comandante em Chefe da Esquadra Alemã, realizada no dia 15 de junho de 1942, decidiu desencadear uma ofensiva submarina contra a navegação marítima nas costas do Brasil. Uma flotilha de submarinos, sendo 8 de 500 toneladas e 2 de 700 toneladas, foi despachada, em julho, dos portos da França ocupada; esses submarinos foram reabastecidos, já próximo do Brasil, pelo submarino tanque U-460 indo, em seguida, se postar nos locais de ataque.

Em junho de 1942 foi terminada a instrução do primeiro grupo de oficiais aviadores; os aviões de caça, já com pilotos brasileiros, foram deslocados para Recife, a fim de participar da defesa aérea da área. Em todo litoral brasileiro, principalmente da Bahia para o norte, começaram, desde 1941, os patrulhamentos aéreos, em muitos casos com aviões de instrução. Apesar de os aviões de instrução não poderem atacar os submarinos, o simples fato de estarem vigiando os mares, ao longo das rotas marítimas, restringia de muito a liberdade de ação dos submarinos.

Caso fosse avistado um submarino, podia-se alertar a navegação mercante e fazer convergir para a área aviões de guerra com capacidade de atacá-lo. O primeiro ataque a um submarino, feito por avião da Força Aérea Brasileira, foi realizado no dia 22 de maio de 1942, às 14 horas, entre o arquipélago de Fernando de Noronha e as ilhas Rocas. Um avião B-25 “Mitchel” do Agrupamento de Aviões de Adaptação, de Fortaleza, fazendo um voo de patrulha, na área onde quatro dias antes havia sido torpedeado o “Comandante Lyra”, surpreendeu um submarino inimigo navegando na superfície; vários homens da tripulação do sub- marino, que se achavam no convés, logo correram para as armas antiaéreas e iniciaram o fogo.

Entre 15 e 17 de agosto de 1942, cinco navios mercantes brasileiros foram torpedeados e afundados, com numerosas perdas de vida; a 15 de agosto o “Baependi” foi torpedeado a 20 milhas da foz do rio Real, ao sul de Aracaju, causando a morte de 55 tripulantes do navio e de 215 passageiros, entre os quais achavam-se 124 militares, pertencentes ao 1º Grupo de Artilharia de Dorso que estava sendo transportado para o Nordeste; no mesmo dia, foi torpedeado o “Araraquara” com a morte de 66 tripulantes e 65 passageiros; no dia seguinte, 16 de agosto, o “Aníbal Benévolo” foi afundado a 7 milhas da costa de Sergipe, com 67 tripulantes e 83 passageiros mortos; a 17 de agosto mais dois navios brasileiros foram afundados: o “Itagibe” a 9 milhas da costa da Bahia com 10 tripulantes e 26 passageiros mortos e o “Arará”, a 6 milhas da costa da Bahia, com 20 tripulantes mortos; dois dias depois o “Jacira” foi afundado na costa da Bahia.

O Governo Brasileiro reagindo imediatamente à afronta e à revolta da opinião pública brasileira, declarou guerra à Alemanha e à Itália no dia 22 de agosto de 1942. Ainda sem possuir aviões de patrulha adequados nem as unidades aéreas especializadas para a campanha antissubmarino, a Força Aérea Brasileira, depois da declaração de guerra, intensificou o patrulhamento aéreo com os parcos meios disponíveis. Quatro dias depois da declaração de guerra, um avião brasileiro Vultee V-11, da Base Aérea de Porto Alegre, atacou um submarino a 50 milhas marítimas da costa de Santa Catarina. Durante o segundo semestre de 1942, vieram para o litoral brasileiro diversos Esquadrões da Aviação Naval Norte- Americana, equipados com modernos aviões de patrulha PBY-5 “Catalinas” e A-28 “Hudsons”. Enquanto as unidades aéreas brasileiras não estavam devidamente organizadas e adestradas, esses esquadrões norte-americanos ficaram participando do patrulhamento aéreo, baseados em Belém, São Luís, Fortaleza, Natal e Recife e subordinados ao comando da 4ª Esquadra Norte-Americana que tinha a responsabilidade de coordenar todas as operações da campanha antissubmarino no Atlântico Sul.

A Ofensiva submarina nas costas da América do Sul obrigou a organização dos comboios marítimos, como o melhor meio de defesa. Em outubro de 1942 começou a funcionar o sistema de comboios ao longo do litoral brasileiro. A escolta naval dos comboios entre Trinidad e Recife, era fornecida por navios de guerra norte-americanos; de Recife para o sul a escolta era feita por navios de guerra brasileiros. A proteção aérea dos comboios, ao longo da costa brasileira, era feita por aviões brasileiros e norte-americanos, distribuídos pelas Bases Aéreas existentes no litoral. Esse patrulhamento aéreo representou um grande esforço para a Força Aérea Brasileira. Milhares de horas de voo eram realizadas mensalmente, de dia e de noite, muitas vezes em condições de mau tempo e em áreas distantes centenas de quilômetros do litoral, em busca dos submarinos que muito raramente eram avistados e que ofereciam pouquíssimas oportunidades de ataque.


Nos meses de abril e maio de 1943 houve dois ataques a submarinos feitos por aviões da Força Aérea Brasileira, um ao largo de Aracaju e outro ao largo de Maceió. Durante o ano de 1943 e no princípio de 1944, a Força Aérea Brasileira recebeu, finalmente, aviões adequados para a luta contra os submarinos, fortemente armados e com todo o equipamento disponível da época, inclusive o radar que aumentava, consideravelmente , o rendimento e a eficiência da busca aérea de submarinos; os novos Esquadrões de Patrulha da Força Aérea Brasileira passaram a ser equipados com aviões A-28 Lockheed “Hudson” e PV-1 “Ventura” e aviões Consolidated “Catalina”.



A maior vitória da Força Aérea Brasileira, na luta contra os submarinos inimigos, foi obtida no dia 31 de julho de 1943, quando o afundamento do submarino alemão U-199 ficou plena e indiscutivelmente comprovado com o recolhimento, no local do ataque, de 12 sobreviventes da tripulação entre os quais achava-se o comandante do submarino. Na manhã de 31 de julho, o submarino U-199, ao se aproximar do Rio de Janeiro, caiu numa área fortemente patrulhada por aviões, devido ao início da viagem do comboio marítimo JT-3, que saía do porto do Rio de Janeiro. O submarino foi atacado, inicialmente, às 07:18 hora local, por um avião PBM “Mariner” norte-americano, que o avariou, dificultando sua imersão; o submarino achava-se a 60 milhas ao sul da barra da Baía de Guanabara. Tendo sido acionada a entrada em ação de aviões da Força Aérea Brasileira, acorreram dois aviões pertencentes ao Grupo de Patrulha sediado na Base Aérea do Galeão: um A-28 “Hudson”, que decolou especialmente para o ataque e um PBY “Catalina” que já se achava voando, fazendo uma varredura na rota que iria ser percorrida pelo comboio JT-3. Os dois aviões brasileiros chegaram sobre o submarino com uma diferença de menos de dez minutos, permitindo um ataque coordenado; o “Hudson” a partir das 08:50, hora local, apesar de não ter acertado as bombas no alvo, fez mais duas passagens baixas sobre o submarino, metralhando as tripulações das armas antiaéreas que, do tombadilho, desencadeavam um fogo cerrado. O “Catalina”, pouco antes das 09:00 horas (local), iniciou dois ataques, lançando duas bombas de cada vez entre a primeira e a segunda passagem. O comandante do submarino deu ordem à tripulação para abandonar o navio. Depois do segundo ataque do “Catalina”, às 09:02 horas, o submarino afundou em três segundos, levantando a proa e mergulhando primeiro a popa.


Em outubro de 1943, novo ataque foi feito, por um avião “Catalina” da Força Aérea Brasileira, a um submarino inimigo, ao largo do litoral do Estado do Rio de Janeiro. A partir de abril de 1944 os Esquadrões da Aviação Naval Norte-Americana começaram a ser retirados do litoral brasileiro, sendo enviados para outros Teatros de Operações. No fim de 1944 a Força Aérea Brasileira estava em condições de fazer a proteção aérea da navegação marítima ao longo do litoral brasileiro, operando, com eficiência, os aviões de patrulha mais bem equipados e mais sofisticados existentes na época.
O valor do trabalho realizado pela Força Aérea Brasileira na campanha antissubmarino e na proteção aérea da navegação marítima, durante a II Guerra Mundial, foi testemunhado pelo Almirante Comandante da 4ª Esquadra que, ao término da guerra, enviou mensagem ao Ministro da Aeronáutica do Brasil, na qual constam as seguintes referências: “Os voos frequentes, prolongados e perigosos feitos pela Força Aérea Brasileira exigiram perícia de voo, a máxima cooperação e coragem excepcional. Não há dúvida de que as operações da Força Aérea Brasileira foram da maior importância e um dos fatores decisivos na eliminação do inimigo do Atlântico Sul”.

(A saga da FAB na II Grande Guerra continua em próximas postagens aos domingos, aqui no blog do Núcleo Infantojuvenil de Aviação-NINJA)

Texto: Extraído de “A participação da Força Aérea Brasileira na II Guerra Mundial” publicado pelo INCAER – Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica.

Autor: coronel-aviador Manuel Cambeses Júnior.

Pesquise: Blog do Ninja 29/03/20

sábado, 4 de abril de 2020

AirVenture Oshkosh 2020

EAA aguardará até maio para confirmar o evento Oshkosh 2020, em função da Covid-19
A realização do tradicional e maior evento aeronáutico mundial, a EAA AirVenture Oshkosh, realizado entre julho e agosto de cada ano na cidade de Oshkosh, no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos, pode ser afetado pela pandemia Covid-19. Luciane Laitano, coordenadora da formação de grupos de visitantes para aquele evento, por meio da operadora de turismo Candiota, informa que a EAA (Experimental Aircraft Association), promotora da feira, esperará até o mês de maio para confirmar se o evento será realizado no período previamente programado, de 19 a 27 de julho de 2020, ou se será postergado. Conforme Luciane, com base em informação da EAA, em caso de adiamento, as datas possíveis seriam fim de julho ou até o final de agosto, em pleno verão no hemisfério Norte, quando se espera estar arrefecida a onda de infestação global pelo novo coronavírus.

Nota da EAA
Atualizando as ações acerca da AirVenture 2020, Jack J. Pelton, executivo chefe da EAA e presidente do Conselho, divulgou, dia 26 de março de 2020, mensagem no site da entidade. Cotejando com os cancelamentos e adiamentos de outros grandes eventos internacionais, Pelton escreveu: “Ao olharmos para o AirVenture, com nosso próprio conjunto de circunstâncias similarmente complexo, mas também radicalmente diferente, temos o raro luxo de tomar nossas decisões um pouco mais tarde. Embora o planejamento do AirVenture 2020 tenha começado a valer no final do AirVenture 2019, o verdadeiro trabalho de preparação no local para a nossa convenção anual não acontecerá até maio. É quando muitas de nossas equipes dedicadas de trabalho voluntário chegam com vigor e iniciam um trabalho sério para preparar os campos da convenção. Já identificamos as tarefas que podem ser adiadas até junho, enquanto ainda nos permitem ter um evento seguro e bem-sucedido no final de julho”.

Possibilidade até agosto
Na mesma mensagem da EAA, Pelton acredita que dependendo do apoio voluntário e compromissos dos expositores, o evento poderá acontecer somente até o fim de agosto. Diz a nota: “Atualmente, nosso cronograma para o próximo grande ponto de decisão é até maio. Enquanto isso, estamos continuamente preparando e no modo de planejamento, que inclui uma variedade de cenários "what-if". As opções são manter o curso, atrasar ou cancelar. Obviamente, a capacidade de adiar dependeria do apoio voluntário e do comprometimento do expositor e provavelmente não poderia ser posterior ao final de agosto”. Por fim, o executivo da EAA diz: “A melhor coisa que podemos fazer é manter um olhar atento às condições e tomar as melhores decisões à medida que informações factuais chegarem, para garantir a saúde e a segurança de todos os participantes do evento. Como aviadores, sabemos que isso, como todas as tempestades, passará; e aconteça o que acontecer, durante os próximos meses, os amigos da EAA continuarão com o apoio mútuo e a irmandade que têm sido a pedra angular de nossa organização nos últimos 67 anos”.

Saiba mais: Oshkosh 2019, no Blog do NINJA de 18/08/2019 Clique aqui  

Programe-se para Oshkosh 2020: www.candiota.com.br

Visite: www.eaa.org

sexta-feira, 3 de abril de 2020

FAB

C-130 da Força Aérea abastece o Nordeste com produtos de combate à Covid-19
O governo federal liberou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para transportar, desde a Base Aérea de São Paulo, com vistas no enfrentamento da pandemia Covid-19, equipamentos de proteção individual (EPIs) e álcool em gel para três cidades da região Nordeste: Recife (PE); São Luis (MA); e Belém (PA).



A aeronave C-130 Hércules deixou o Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, por volta do meio dia da quarta-feira, dia 1º de abril de 2020. O primeiro voo da aeronave está transportando 9 toneladas de equipamentos ao Recife, capital de Pernambuco. Em vídeos compartilhados nas redes sociais, a FAB divulgou o abastecimento e a decolagem da aeronave com destino ao Nordeste.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Ação Cívico-Social

FFAA atuam contra a pandemia Covid-19
As Forças Armadas, por meio de equipes da Aeronáutica, Exército e Marinha, intensificaram as ações de combate ao Coronavírus em todo o território nacional. As vêm estabelecendo medidas profiláticas em locais estratégicos, desde que foi deflagrada a Operação Covid-19, que ativou 10 Comandos Conjuntos, além de um Comando Aeroespacial permanente, sob coordenação do Ministério da Defesa.

Aeroporto de Belém
Nos dia 28 e 29 de março de 2020, os militares realizaram ações de desinfecção das áreas internas e externas dos terminais hidroviário, rodoviário e aeroportuário de Belém. O mesmo aconteceu em três estações do BRT (Jardim Oceânico, Alvorada e Recreio) no Rio de Janeiro. A Estação Central do metrô em Brasília também passou por procedimentos de descontaminação. Além disso, as Forças Armadas passaram a adotar, diariamente, medidas de prevenção ao Coronavírus. Estão nesse rol as ações de conscientização, em diversos estados e municípios, com a entrega de panfletos educativos. Há uma fiscalização da entrada e saída de passageiros nas fronteiras, nos aeroportos e nos portos.

Laboratórios
Estão sendo confeccionadas máscaras N 95, realizada a capacitação de militares para atuar na Defesa Biológica, Nuclear, Química e Radiológica (DBNQR), além de inspeções navais em todo o território nacional. A partir da Operação Covid-19, houve uma intensificação da produção de cloroquina e álcool em gel nos laboratórios farmacêuticos da Aeronáutica e do Exército. Aumentaram as campanha de vacinação contra a gripe, a fim de combater a Influenza A (H1N1). Foram criados mais postos de triagem com a montagem de barracas próximas a hospitais públicos. Até o momento, a operação envolve a participação de mais de 5.500 militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Cerca de 660 viaturas, 53 embarcações, três aeronaves estão sendo empregadas pelos 10 Comandos Conjuntos e pelo Comando Aeroespacial permanente.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Carreiras na Aviação

Novo comandante é o segundo fato de ex-aluno assumindo a EEAR
Brigadeiros Walacir e Soares:
dois ex-sargentos que voltaram como oficiais para comandar a Escola de suas primeiras formações

A Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR), sediada em Guaratinguetá (SP), realizou, no dia 25 de março de 2020, a solenidade alusiva à passagem de comando da unidade, quando o Brigadeiro do Ar Valdir Eduardo Tuckumantel Codinhoto passou o comando do Berço dos Especialistas ao Brigadeiro do Ar Antonio Luiz Godoy Soares Mioni Rodrigues, promovido ao atual posto em 31 de março de 2020. O novo comandante é natural de Piquete (SP), com vínculos familiares em Lorena (SP), e ingressou na Força Aérea Brasileira (FAB) em fevereiro de 1985.

De volta ao berço dos especialistas
Soares é o segundo fato de um ex-sargento ser classificado para comandar a Escola de Especialistas, após uma carreira iniciada na própria instituição. A primeira oportunidade semelhante ocorreu com o comando do Major-Brigadeiro Walacir Cheriegate. O Brigadeiro Soares ingressou na FAB na condição de aluno da EEAR, onde se formou como Terceiro-Sargento, na especialidade de Controle de Tráfego Aéreo, tendo sido o primeiro colocado de sua turma. Em seguida, prestou concurso para ingresso na Academia da Força Aérea (AFA) e seguiu carreira como oficial aviador. Tendo em vista que o comando da escola é cargo privativo de Brigadeiro do Ar do quadro de aviadores, Soares Mioni tem a oportunidade de poder comandar, pelos próximos dois anos, a mesma organização que lhe abriu as portas para servir à Pátria, por meio da Força Aérea.

Brigadeiro Walacir
O primeiro caso de um Brigadeiro e ex-Sargento comandar a Escola de Especialistas de Aeronáutica ocorreu entre 1997 e 1999, quando o então Brigadeiro do Ar Walacir Cheriegate assumiu o posto e levou sua liderança para incentivar a capacitação dos quase dois mil alunos e administrar os recursos materiais e humanos de maneira a otimizar o trabalho da organização, que é o maior complexo de ensino técnico-militar, com ênfase em aeronáutica, na América do Sul.O Brigadeiro Walacir iniciou sua carreira na EEAR, em 1960, tendo se formado como Terceiro-Sargento na especialidade de Desenho e obtendo a primeira classificação na turma.
Em seguida foi servir na Base Aérea de Canoas (RS), de onde, após ser aprovado em concurso, foi ser cadete aviador na Escola de Aeronáutica, sediada no Campo dos Afonsos, precursora da atual AFA. Sua carreira está registrada no livro “Trajetória de Honra: De Sargento a Brigadeiro, uma vida de amor à Força Aérea Brasileira.”

Livro Trajetória de Honra: Blog do NINJA de 10/08/2013 Clique aqui 

Ninja-Brasil: versão para a web

terça-feira, 31 de março de 2020

Embraer

Embraer retoma operações essenciais, diante da Covid-19
A fabricante brasileira de aviões Embraer comunicou ontem, segunda-feira, 30 de março de 2020, que decidiu retomar operações essenciais após paralisar as atividades por causa da pandemia Covid-19. Entre as operações retomadas estão o apoio à operação dos clientes, a manutenção e a fabricação de aeronaves. Atividades essenciais Em nota à imprensa, a empresa afirmou: “Diante da função essencial que o setor de transporte vem exercendo no mundo para o combate à Covid-19, a Embraer decidiu retomar operações críticas ao atendimento das necessidades dos clientes, dos serviços públicos e da população.” A fabricante de aviões disse que as atividades essenciais foram definidas pela direção da Embraer durante o período de paralisação temporária das plantas no Brasil.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Aviação do Exército

Comando de Aviação do Exército tem novo comandante
O Comando de Aviação do Exército (CAvEx), sediado em Taubaté (SP), realizou a troca de comando da Aviação do Exército (AvEx). A transmissão do cargo do General de Brigada Carlos Waldyr Aguiar, para o General de Brigada Ricardo José Nigri, ocorreu no dia 27 de março de 2020, no CMSE ( Comando Militar do Sudeste) em São Paulo, somente com a presença dos generais e do comandante militar do sudeste, General de Exército Marcos Antonio Amaro dos Santos.

Alameda dos Pioneiros
No dia anterior, em Taubaté, para marcar a passagem do Gen Aguiar pela Aviação, ocorreu o plantio de uma árvore na Alameda dos Pioneiros e a nova árvore soma-se agora a outras 14, que representam os últimos comandantes que já estiveram à frente do CAvEx. Foi, ainda, colada a tarjeta de identificação do macacão do Gen Aguiar na galeria da ordem das águias da Aviação do Exército, Águias de Ouro, que são os antigos comandantes de Aviação. O General Aguiar segue agora para Brasília, onde será o Diretor de Sistemas e Material de Emprego Militar.

Novo comandante
O novo comandante de Aviação, General Nigri, chega ao CAvEx oriundo da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, em Uruguaiana- RS, que comandava desde abril de 2019. Ao assumir o novo cargo, Gen Nigri lembrou as peculiaridades da Aviação. “A Aviação do Exército é uma tropa com três características bastante especiais. A primeira é a paixão, pois quem entra neste sistema chega com paixão e se doa, se despindo dos interesse pessoas. A segunda é o profissionalismo arraigado, em aviação não cabe invenções, nós sabemos o que temos que fazer e fazemos bem feito. A terceira trata-se de um sistema fechado, onde os profissionais se conhecem e vão se encontrando ao longo da carreira”, destacou.

Cursos
O general de brigada Ricardo José Nigri nasceu em 13 de maio de 1967, na cidade do Rio de Janeiro, incorporou às fileiras do Exército em 24 de fevereiro de 1986. Foi declarado aspirante a oficial da arma de Cavalaria em 09 de dezembro de 1989. Além dos cursos de carreira, realizou o de piloto de aeronaves (1993), curso de piloto de combate (1998) e curso avançado de aviação (2001). No exterior, realizou o curso de piloto de Black Hawk (EUA 1999), foi observador militar da ONU na Costa do Marfim (2005), Oficial de Ligação do Exército na Aviação do Exército da França (2010 e 2011). Comandou o Centro de Instrução de Aviação do Exército (CIAvEx) em 2013 e 2014.

Aeronaves

Phenom 300E da Embraer recebe tripla certificação
A Embraer Aviação Executiva anunciou, dia 27 de março de 2020, a certificação tripla do novo Phenom 300E – o jato single-pilot mais veloz e com maior alcance do mundo, capaz de atingir Mach 0.80 – por parte da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), da Federal Aviation Administration (FAA) e da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (European Aviation Safety Agency – EASA). O novo Phenom 300E é a versão aprimorada da série Phenom 300, jato executivo com o maior número de entregas da última década. Com design moderno, o melhor desempenho da categoria, conforto excepcional e excelente ergonomia, o novo Phenom 300E redefine o padrão para a categoria de jatos leves.

Características
O novo Phenom 300E atingiu todas as metas de certificação com um alcance de 3.723 quilômetros (ou 2.010 milhas náuticas, com cinco ocupantes nas condições NBAA IFR), velocidade máxima de cruzeiro de 464 nós (859 km/h), carga útil máxima de 1.196 kg (2.636 libras), comprimento de pista para decolagem de apenas 978 metros (3.209 pés) e comprimento de pista para pouso de 674 metros (2.212 pés). Além disso, o novo Phenom 300E conta com uma cabine ainda mais silenciosa e atualizações na aviônica. “A certificação tripla da ANAC, EASA e FAA reafirma a posição do Phenom 300 como o melhor jato executivo leve já produzido, oferecendo a melhor experiência no segmento da aviação executiva”, disse Michael Amalfitano, presidente & CEO da Embraer Aviação Executiva. O novo Phenom 300E estará disponível para entrega a partir do segundo trimestre de 2020.

domingo, 29 de março de 2020

Especial de Domingo

Para este e os próximos domingos selecionamos, novamente, conteúdo sobre a atuação da FAB na II Guerra Mundial, originalmente publicado pelo INCAER - Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica.
Boa leitura.
Bom domingo!

A atuação da FAB na II Guerra Mundial (Parte 1)
No terceiro ano do desenrolar da II Guerra Mundial, foram criados o Ministério da Aeronáutica e a Força Aérea Brasileira; fruto de uma ideia em marcha no Brasil, já há vários anos, essa criação foi precipitada pelos acontecimentos da guerra, onde a importância do Poder Aéreo vinha se destacando. Estávamos, então, em janeiro de 1941 e a guerra localizada na Europa, quase que exclusivamente, ainda podia ser considerada longínqua em relação ao Brasil; mas, no mesmo ano, com a entrada dos Estados Unidos na guerra, os acontecimentos começaram a se precipitar avassaladoramente.

Um ano e meio depois que a Aviação Militar e a Aviação Naval se fundiram, para fazer surgir a Força Aérea Brasileira, o Brasil declarou guerra à Alemanha e à Itália. Para a mais jovem das Forças Armadas do Brasil, recém-criada, o impacto foi terrível. As responsabilidades que lhe foram logo impostas, num gigantesco e duplo esforço de desenvolvimento e de operações de guerra inadiáveis que surgiram ao longo do nosso litoral, obrigaram a Força Aérea Brasileira a uma atividade febril para consolidar a sua organização, para desenvolver a sua infraestrutura, para formar e adestrar o seu pessoal, para receber e operar adequadamente mais de quatro centenas de aviões de toda a espécie, alguns altamente complexos, recebidos durante os três anos que ainda durou a guerra e, finalmente, para enfrentar, numa luta de vida ou de morte, poderosos inimigos já veteranos.

Mas, com a graça de Deus, a Força Aérea Brasileira iria conseguir enfrentar todas as suas tarefas; ia se realizar o vaticínio do General Eurico Dutra que, como Ministro da Guerra da época, dissera na Ordem do Dia que, em nome do Exército, apresentava as despedidas à Aviação Militar a qual, integrada na Força Aérea Brasileira, assumia a sua autonomia:

“No momento em que sois desligados do Exército, em cujas fileiras deixais o traço indelével de brilhante trajetória e onde, em qualquer situação, afirmastes a têmpera e o valor de vossos corações; no momento em que, unidos em espírito e vontade aos camaradas navais e civis, vos congregais num só organismo nacional, para o domínio e a defesa dos céus do Brasil; no momento, enfim, em que, diletos filhos do tronco robusto do Exército – que guardas intactas as gloriosas tradições do nosso comum patrimônio – vos emancipais de sua tutela, para adquirirdes o direito de maioridade e de livre condução de vosso futuro, além do dever e da honra de com ele e a Marinha ombreardes na defesa da terra, dos mares e dos céus brasileiros, quero, como chefe da Força de Terra e quando vos deslocais do seu seio, transmitir-vos, num misto de saudades e esperanças, a emotiva saudação do Exército, plena de fé e de confiança em vosso destino, repleto de orgulho e de entusiasmo pela vossa ascensão balizada pelos efeitos e sacrifícios de vossos camaradas mortos, que tão grande já tornaram a vossa pequena história de menos de cinco lustros.”

Logo que foi organizado em 1941, o Ministério da Aeronáutica se preocupou com a formação intensiva de oficiais aviadores e de sargentos especialistas, elementos chaves para o desenvolvimento da Força Aérea Brasileira. A Escola de Aviação Naval e a Escola de Aviação Militar foram fundidas numa única, a Escola de Aeronáutica, sediada no Campo dos Afonsos. A formação de sargentos especialistas passou a ser concentrada na Ponta do Galeão.

Durante os quatro anos de guerra, o Ministério da Aeronáutica formou, no Brasil, 558 oficiais-aviadores e providenciou a formação de mais de 281 oficiais-aviadores da reserva nos Estados Unidos, o que perfaz um total de 839 oficiais aviadores formados durante a guerra, cada um deles representando,em média, mais de 150 horas de voo de instrução, além da instrução teórica, no solo.
Os aviões de instrução existentes, em 1941, nas Aviações Militar e Naval, apesar de terem sido todos reunidos no Campo dos Afonsos, eram em número insuficiente para o programa de expansão da Força Aérea Brasileira. Foram logo feitos os entendimentos com as autoridades norte-americanas para, por intermédio da lei “lend-lease”, serem cedidos ao Brasil aviões de instrução.

Os Estados Unidos da América forneceram ao Brasil, só para a Escola de Aeronáutica, durante os anos de 1942, 1943 e 1944 mais de trezentos aviões de instrução. A navegação marítima regular estava suspensa durante a guerra e, nos poucos navios que circulavam em comboios, fortemente protegidos contra a ação dos submarinos, não havia espaço nem prioridade para trazer os aviões de instrução encaixotados. O Ministro da Aeronáutica tomou a decisão de trazer em voo, dos Estados Unidos para o Brasil, pilotados por oficiais brasileiros, todos os aviões de instrução destinados à Escola de Aeronáutica, mesmo os 103 pequenos aviões de instrução primária, os Fairchild PT-19, com raio de ação limitado, sem rádio e desprovidos de instrumentos e equipamentos adequados para aquela longa viagem de 15.000 quilômetros, que eles cobriam em três semanas, com 44 etapas, totalizando, em média, 110 horas de voo.

Dada a necessidade urgente de colocar os aviões no Brasil, nem se pôde esperar a época menos chuvosa do ano, para trazer os aviões em condições mais favoráveis. À proporção que os aviões iam ficando prontos na fábrica, eram entregues aos pilotos brasileiros e, em esquadrilhas, geralmente de cinco aviões liderados por um oficial mais experimentado, era iniciada a penosa viagem para o Brasil.


Durante os anos de 1942, 1943, 1944 e 1945 esses e outros aviões foram trazidos para o Brasil, com um índice mínimo de acidentes que surpreendeu a todos.

A experiência dos pilotos brasileiros nos voos do Correio Aéreo Militar e Naval, em viagens pelo interior do Brasil, em regiões desprovidas de infraestrutura aeronáutica, com campos de pouso precários e sem rádio-comunicações e a sua experiência de voos na região amazônica renderam maravilhosos juros, quando se teve de trazer em voo, dos Estados Unidos para o Brasil, os aviões destinados ao desenvolvimento e equipamento da Força Aérea Brasileira.

Outra grande preocupação do Ministério da Aeronáutica, desde o início, foi o estabelecimento de uma cadeia de bases aéreas ao longo do litoral brasileiro, principalmente no Nordeste e no Norte do País, visto que as bases aéreas até então desenvolvidas, pelas Aviações Militar e Naval, situavam- se do Rio de Janeiro para o Sul, com exceção de Fortaleza e Belém.

Apesar de os Estados Unidos e o Brasil não terem ainda entrado na guerra, em julho de 1941 foi tomada, com clarividência, a decisão de aparelhar uma rota aérea que, passando pelo Norte e Nordeste do Brasil, permitisse alcançar a África. Por essa rota aérea seriam levados os recursos para as forças aliadas que, desesperadamente, lutavam contra as forças do eixo Roma-Berlim as quais ameaçavam conquistar toda a orla sul do Mediterrâneo, até o Canal de Suez.

Essa rota aérea, com a área do Nordeste brasileiro servindo de trampolim para a África, ficou conhecida mais tarde como o “Corredor da Vitória”, o qual assumiu grande importância estratégica quando, em 1942 e 1943, os aliados tiveram que lutar na África do Norte e desencadear a campanha da Itália; pelo “Corredor da Vitória” foi, então, canalizado um fluxo imenso de aviões, pessoal e material.

Foi assim que surgiram bases aéreas em Amapá, Belém, São Luís, Fortaleza, Natal, Recife, Maceió, Salvador e Caravelas, todas elas da maior importância para as operações aéreas relacionadas com a proteção da navegação marítima e a campanha antissubmarino ao longo do litoral brasileiro.

Foi nesse ambiente de criação recente do Ministério da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira, de construção acelerada de bases aéreas, de transporte de centenas de aviões dos Estados Unidos para o Brasil e de formação intensiva de oficiais aviadores que a Força Aérea Brasileira foi lançada, desde logo, nas operações de patrulhamento aéreo ao longo do litoral brasileiro.

(A saga da FAB na II Grande Guerra continua nas próximas postagens, aos domingos, aqui no blog do Núcleo Infantojuvenil de Aviação-NINJA)

Texto: Extraído de “A participação da Força Aérea Brasileira na II Guerra Mundial” publicado pelo INCAER – Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica.

Autor: coronel-aviador Manuel Cambeses Júnior.

sábado, 28 de março de 2020

Gripen F-39

Corte de primeira peça marca a produção do Gripen biposto da FAB
A Saab realizou o primeiro corte de metal para a versão do caça F-39 de dois lugares (biposto), o Gripen F, estabelecendo um marco importante no programa. O Gripen F está em desenvolvimento para a Força Aérea Brasileira (FAB) e compartilha do mesmo design e recursos avançados do Gripen E, mas com um assento, displays e controles para um segundo piloto. O Gripen F tem tanto um modo de treinamento para instruções de um único membro e um modo onde os dois membros da equipe dividem o trabalho com duas diferentes configurações do display.

Marco
A primeira peça foi fabricada recentemente nas instalações da Saab, em Linköping, Suécia, e será usada na seção de dutos de ar, localizada logo atrás do cockpit da aeronave. “Esse é um marco importante para o projeto Gripen, pois demonstra que a fase de desenvolvimento está acontecendo adequadamente. Isso sinaliza o início da produção da aeronave de dois lugares, o Gripen F, muito aguardado pela Força Aérea Brasileira”, diz o Coronel Renato Leite, integrante da Força Aérea Brasileira e chefe do Grupo de Acompanhamento e Controle da Saab (GAC-Saab).

Parceiros
O programa Gripen F acontece em conjunto entre a Saab e as empresas parceiras brasileiras Embraer, AEL Sistemas, Akaer e Atech. Atualmente, cerca de 400 engenheiros estão trabalhando no desenvolvimento do Gripen F, principalmente no Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (GDDN, do inglês Gripen Design and Development Network), localizado na planta fabril da Embraer em Gavião Peixoto, interior de São Paulo. A fabricação ocorrerá na Suécia e no Brasil.

Fonte: Saab em 26/03/2020

sexta-feira, 27 de março de 2020

Concursos FAB

FAB suspende Processos Seletivos e Exame de Admissão
Suspensão do processo de Convocação e Incorporação de Profissionais de Nível Superior e do Exame de Admissão ao Curso de Formação de Sargentos da Aeronáutica tem em vista protocolos para enfrentamento, prevenção e controle do novo Coronavírus.

A Força Aérea Brasileira (FAB), tendo em vista os protocolos para o enfrentamento, a prevenção e o controle da infecção pelo novo Coronavírus (COVID-19), suspendeu, temporariamente, os Processos Seletivos para Convocação e Incorporação de Profissionais de Nível Superior, com vistas à Prestação do Serviço Militar Voluntário, em Caráter Temporário, para o ano de 2020 (QOCon MFDV 2020, QOCon Tec 2020, QOCon Tec MAG 2020, QOCon Tec SED 2020 e QOCon Tec 2-2020), disponíveis no Site de Convocação. Suspendeu, ainda, o Exame de Admissão ao Curso de Formação de Sargentos da Aeronáutica para o Segundo Semestre do ano de 2020 (EA CFS 2/2020), disponível em https://ingresso.eear.aer.mil.br/.

Suspensão
Para acessar a Portaria DIRAP nº 32/3SM, de 20 de março de 2020, que suspende os Processos Seletivos de Oficiais Convocados, assim como a Portaria DIRENS nº 50/DCR, de 20 de março de 2020, que suspende o Exame de Admissão ao Curso de Formação de Sargentos da Aeronáutica para o Segundo Semestre do ano de 2020 (EA CFS 2/2020), clique aqui.

quinta-feira, 26 de março de 2020

Regresso à Pátria

Aviões da FAB concluem resgate de brasileiros em Cuzco
Os dois aviões Hércules C-130, da Força Aérea Brasileira, que realizaram o resgate de 66 brasileiros que se encontravam retidos em Cuzco, no Peru, por causa do controle sanitário contra a pandemia Covid-19, pousaram na tarde de quarta-feira, 25 de março de 2020, em Porto Velho (RO). A informação foi divulgada em uma nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores e da Defesa. Em Porto Velho, as aeronaves fizeram um pouso técnico, sem desembarque de passageiros, e seguiram para São Paulo. A operação foi determinada pelo presidente Jair Bolsonaro e foi uma ação coordenada entre o Ministério da Defesa e o Ministério das Relações Exteriores. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro, por meio da rede diplomática e consular do Itamaraty, continua acompanhando a situação dos viajantes brasileiros no exterior e trabalha para permitir a repatriação de todos, que ficaram retidos fora do Brasil devido a pandemia Covid-19 causada pelo novo coronavírus.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Datas Especiais

25 de março:
Dia do Especialista de Aeronáutica
O Dia do Especialista de Aeronáutica é comemorado em 25 de março. Lembra a criação, em 1941, da Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR), organização da Força Aérea Brasileira responsável pela formação dos sargentos especialistas, que dão suporte ao cumprimento da missão constitucional da FAB, para defender, integrar e controlar o espaço aéreo brasileiro.

EEAR
Localizada em Guaratinguetá (SP), a EEAR até hoje preserva, historicamente, parte das instalações da antiga Escola Prática de Agricultura e Pecuária, identificada por um painel de azulejos, aposto na parte frontal e superior do Pavilhão Prefeito André Broca Filho, sede atual da Divisão de Ensino da EEAR, em frente ao Prédio do Comando. A EEAR ocupa um espaço de, aproximadamente, 10 milhões de metros quadrados, com uma área construída superior a 119 mil metros quadrados, contendo 93 prédios administrativos e 416 residências, distribuídas em três vilas militares.