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Voar é um desejo que começa em criança!

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

João Rodrigues Filho

O Brasil e a FAB perdem o último dos seus heróis
Morreu hoje, aos 101 anos, no Rio de Janeiro, João Rodrigues Filho, que durante a guerra foi Chefe da Equipe de Mecânicos do avião A-3 do 1º Grupo de Caça. Ele e outros 120 especialistas foram fundamentais para a campanha de sucesso do Brasil ao lado dos aliados na Segunda Guerra Mundial. A Força Aérea Brasileira participou da guerra com as potências aliadas para lutar contra o nazifacismo. O Primeiro Grupo de Aviação de Caça, subordinado ao 350° Fight er Group da Força Aérea Americana, levou 25 aeronaves de caça P-47 Thunderbolt para a Itália. Segundo o militar, em entrevista concedida ao portal da Força Aérea Brasileira, em 2015, o avião era uma "máquina". “O P-47 era um avião fantástico. Ele era um avião extremamente forte. A aeronave decolava com duas bombas de 500 libras nas asas e uma embaixo do trem de pouso, além de oito metralhadoras com 500 tiros cada uma”. O Major João contou que o esquadrão atingia regularmente um feito operacional: mais de 90% de disponibilidade das aeronaves nos céus, ou seja, os especialistas sempre deixavam a grande maioria dos aviões em condições de voar. “A importância desses militares para a guerra foi manter os aviões disponíveis. Na aeronave de caça só quem voa é o piloto, então nós não voávamos, mas deixávamos o avião pronto para decolar”, afirmou. O trabalho apresentou resultados. No último mês de guerra, um relatório do 350° Fighter Group demonstrou a importância do esquadrão brasileiro. No período de 6 a 29 de abril de 1945, os brasileiros realizaram 5% das missões feitas pelo comando aerotático dos aliados, mas foram responsáveis por um total de 15% de veículos e 28% de pontes destruídos, além de 36% dos depósitos de combustíveis e 85% dos depósitos de munição danificados. De acordo com o major, os sargentos foram fundamentais para a guerra, especialmente os mecânicos, os especialistas em lanternagem e os especialistas em rádio. “Muitas vezes o avião chegava avariado. Nesses casos, o mecânico e o especialista em lanternagem tinham que fazer os reparos, colocar remendos na aeronave. Tinha avião que era cheio de marquinha de buraco”, lembra.

Paixão por aviões
Desde menino apaixonado por aviões, o Major João manteve uma coleção de pequenas aeronaves em casa. E foi grato à Força Aérea por ter realizado seu sonho. “Eu tinha muito orgulho de ser o que eu era: Sargento Especialista da Força Aérea Brasileira e de ter servido na guerra”, conta. Durante a época na Itália, os militares eram responsáveis por determinada aeronave e criavam uma relação especial com ela. “Eu tinha 54 quilos, era muito magro, mas tinha um avião. Para mim, isso possuía uma importância muito grande. A relação que nós tínhamos com a máquina era: eu, o avião e o piloto”, concluiu em entrevista de 2015.

Herói de Guerra
Após a 2º Grande Guerra, ao regressar ao Brasil, João Rodrigues Filho foi servir na Base Aérea de Santa Cruz (BASC), no Rio de Janeiro (RJ), como Mecânico do avião P-47 Thunderbolt, até o ano de 1950. Fez curso para a Escola Preparatória de Oficial Especialista em Mecânica. Continuou na FAB nessa função até 1964, quando foi reformado no Posto de Major. Seus pais, moravam na roça, tiveram cinco filhos, sendo todos homens. Se opunham que João fosse para a guerra, no entanto ele contrariou a vontade dos pais e se alistou, pois sentia-se chamado para defender sua pátria. Cumpriu essa missão e voltou com muito mais experiência da vida e maiores conhecimentos técnicos adquiridos durante todo o período de guerra.

Compromisso constante e dedicação exemplar à FAB
Mesmo após deixar o serviço ativo, o Major João continuou presente nos eventos e cerimônias realizadas pela Força Aérea. No dia 22 de abril de 2024, na cerimônia do P-47, realizada durante a Reunião da Aviação de Caça (RAC), que aconteceu na BASC, o herói de guerra esteve entre as autoridades que prestigiaram a solenidade, demonstrando toda a sua devoção à Força Aérea.

Honras Fúnebres
O velório será realizado amanhã, 16/01, das 9h às 13h, na Capela 03 do Crematório e Cemitério Vertical da Penitência, localizado no bairro Caju, no Rio de Janeiro (RJ). 


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